De um modo geral, a manutenção pode ser necessária para melhorar o conforto dos passageiros ou para melhorar os níveis de segurança (risco de descarrilamento, etc.). Neste sentido a classificação das atividades de manutenção da via permanente divide-se em [Leal, 2009]:
Conservação: conjunto de atividades necessárias para manter a qualidade da via dentro dos limites de tolerância, dado que o padrão de “qualidade inicial” nunca mais será alcançado, diminuindo progressivamente depois de cada intervenção de conservação, provocando a degradação do ciclo próprio de intervenção;
Remodelação: caracteriza-se pela troca de uma quantidade elevada de componentes, sem que o padrão de “qualidade inicial” da via seja readquirido, sem que seja no entanto ultrapassado, e amplia os ciclos futuros de manutenção;
Renovação: é o tipo de manutenção que altera as características técnicas dos elementos de via, conferindo lhe um padrão de qualidade superior ao implantado aquando da sua construção.
Atualmente, de modo a responder às exigências, a área de manutenção está estruturada em quatro grandes tipos de ações: a corretiva; a preventiva; a preditiva e a detetiva [Leal, 2009].
Manutenção Corretiva
A manutenção corretiva é o método mais primário de conservação, dado que ocorre depois de detetado o defeito ou a falha. Nesta modalidade a intervenção é realizada sem planeamento, visando
69 a correção de uma anomalia que compromete o desempenho do sistema, atuando principalmente na geometria da via, paralelamente são corrigidos alguns defeitos do material.
O objetivo é deixar a via em bom estado, de forma a retardar os processos de deterioração e assegurar a segurança do comboio e a proteção do material.
Este tipo de manutenção não se pode eliminar por completo, dado que existem algumas anomalias que ocorrem independentemente de se fazer um acompanhamento ou não dos equipamentos. É o caso das anomalias de emergência que interrompem o tráfego ou colocam restrições de circulação nos trechos em questão, como é o caso de fraturas no carril, encurvadura do carril, deslizamento de barreiras, entre outros. Quando uma destas falhas ocorre é porque alguma outra forma de manutenção foi insuficiente, e não há mais nada a fazer do que reparar a falha.
Manutenção Preventiva
A manutenção preventiva ocorre de uma forma cíclica programada, com uma grande concentração de recursos e meios mecânicos de grande porte.
É realizada em intervalos fixos de tempo, independentemente do material em análise ter ou não um valor crítico de desgaste. Como consequência, os planos de manutenção preventiva podem trazer resultados inferiores aos esperados e tornar onerosa a manutenção. A realização em excesso de ações de correção da geometria da via ferroviária provoca a degradação prematura do balastro. Por este motivo, é importante determinar o adequado momento de intervir antes do sistema entrar em falha.
Os serviços preventivos são classificados por vários autores de três formas:
i) Renovação e Substituição: consiste na troca total ou parcial dos componentes da superestrutura
quando a quantidade e a qualidade destes já não garante as suas funções ou exige despesas de manutenção corretivas muito elevadas. Esta operação acontece quando a intervenção corretiva é tecnicamente impossível ou não rentável. Como exemplos de serviços ligados a este tipo de intervenções é possível citar:
- Substituição de travessas;
- Limpeza e recomposição do balastro;
- Substituição dos carris gastos ou defeituosos; - Inversão dos carris.
ii) Revisão: acontece de forma rotineira, com o objetivo de não só remover os defeitos já existentes,
mas também os que estão em formação. Os serviços relacionados com a revisão periódica são, principalmente:
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- Alinhamento de curvas; - Nivelamento da via;
- Alinhamento das tangentes.
iii) Pequena Conservação: consiste em intervenções de pequena amplitude com o objetivo de
impedir que as condições da via afetem a segurança. São executados por equipas compostas por equipamentos mecânicos ligeiros. Estes trabalhos são necessários para reparar pequenos problemas que não podem aguardar até à operação seguinte, tais como:
- Reforço das fixações; - Correção da bitola;
- Eliminação de fissuras nos carris, através de ações de esmerilamento ou de reperfilamento.
Tradicionalmente a manutenção da via permanente é executada de forma preventiva, de modo sistemático e dentro de critérios de períodos pré-estabelecidos, partindo do pressuposto que a superestrutura não se degrada numa taxa uniforme e conhecida, dado que cada trecho da via conta com particularidades próprias de ambiente, solo e volume de transporte.
A primeira regra de ouro das ações de manutenção menciona que mais de 80% destas ações devem ser preventivas, subentendendo-se que se recorre a manutenções corretivas em menos de 20% dos casos [Teixeira, IST].
Manutenção Preditiva
A abordagem preditiva da manutenção estabelece que todos os componentes de um sistema possuem uma vida útil detetável, de modo que as alterações das suas propriedades dão indicação da proximidade do momento da falha. Ou seja, do conhecimento do estado da degradação do equipamento ao longo do tempo pode aferir-se o desempenho futuro e planear-se as ações de manutenção.
Existem alguns equipamentos, usadas nas vias-férreas, que auxiliam na monitorização de alguns parâmetros pertinentes à manutenção preditiva. Exemplos desses equipamentos são abordados pormenorizadamente no capítulo anterior, especificamente no subcapítulo 3.3.
É necessário referir que a manutenção preditiva se encontra aliada a uma intervenção preventiva, já que a monitorização e “previsão” do momento da falha exigem uma programação da atividade de prevenção da ocorrência da falha, antes de esta acontecer. Este processo minimiza trabalhos desnecessários e reduz despesas.
71 Na Figura 4.1 é possível observar o processo de degradação e de resposta da via às solicitações que lhe são impostas ao longo da sua vida útil.
Figura 4.1: Processo de deterioração e restauro da via [adaptado de Rivier, 2005]
Manutenção Detetiva
A manutenção detetiva é considerada apenas por alguns autores pois esta tem como intenção a procura de falhas não percetíveis nas ações de operação e manutenção da via. Este tipo de deteção é realizado através de aparelhos de ultrassom, de forma a encontrar fissuras em carris, soldaduras e em aparelhos de mudança de via.