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How do they view their role vis-à-vis other actors?

Algumas limitações deste estudo devem ser apontadas.

Primeiro, uma limitação ao uso de questionários diz respeito à impossibilidade de esclarecimento de dúvidas no preenchimento, o que pode provocar distorção nas respostas. Outro risco é o fato de não haver anonimato, apesar de garantido o sigilo dos dados coletados, o que pode ter alterado alguma resposta dos questionários. Ainda no quesito "coleta de dados", os dados foram obtidos a partir de auto-relatos dos novos servidores, ou seja, estão baseados apenas na percepção destes novos servidores.

Quanto ao órgão em que a pesquisa foi realizada, a diversidade de unidades (locais de trabalho) e de atividades desempenhadas talvez seja um limitador do estudo, porque os ambientes e as necessidades variam muito, de acordo com o local de trabalho. Além disso, a falta de controle sobre as características do trabalho acaba por limitar o valor das conclusões obtidas.

Algumas ponderações nos resultados devem ser feitas, tendo em conta características dos respondentes como faixa etária e tempo de serviço, pois indivíduos em início de carreira podem ser mais vulneráveis às pressões da situação, enquanto que pessoas com idades mais avançadas tendem a ser mais estáveis, atenuando a existência de mudanças radicais nas situações de trabalho.

Relativamente à socialização organizacional, como já dito, esta começa antes mesmo da posse. Porém, não foram considerados os efeitos do pré-ingresso nos resultados do processo de socialização, o que, de certa forma, pode ter influenciado nos resultados. Além disso, satisfação e comprometimento são medidas secundárias em relação à socialização, pois podem ser afetadas por outras variáveis, além da socialização.

Considerando que as correlações, de forma geral, são modestas, os resultados desta pesquisa devem ser lidos com certa reserva, uma vez que são diversos os fatores que em tese podem influenciar na satisfação e no comprometimento com o trabalho.

7.2 Direcionamentos para Pesquisas Futuras

O campo para estudos que abordem o comportamento organizacional no serviço público é vasto e pouco explorado, especialmente no que se refere à Administração Pública Direta. Porém, aqui as sugestões vão limitar-se a temas decorrentes das conclusões deste trabalho.

No estudo dos fatores que influenciaram a decisão de fazer concurso público para a RFB, a questão da estabilidade, dos salários e da qualidade de vida foi determinante na escolha da área pública. Porém, a média de idade dos servidores é de 30 anos, ou seja, ainda estão no início da vida profissional. Interessante observar que estes mesmos servidores apontam as opções "condições para crescimento na carreira" e "condições para o desempenho de minhas atribuições" como também decisivas para a permanência na RFB. Por isso, sugere-se o aprofundamento da pesquisa neste item, especialmente quanto às expectativas de desenvolvimento de uma carreira na RFB e como estas motivações interferem no desempenho destes servidores.

Relativamente à socialização organizacional, como já dito, esta começa antes mesmo da posse. Porém, não foram considerados os efeitos do pré-ingresso nos resultados do processo de socialização, o que, de certa forma, pode ter influenciado nos resultados. Também pode ser uma proposta para estudos futuros.

É senso comum na RFB que esta demanda por mudança de local de trabalho interfere diretamente na satisfação e no comprometimento dos servidores. A análise do conjunto de respostas da parte VI do 1º questionário indica que já nos primeiros dias de trabalho há um desejo por uma remoção para uma outra localidade. Este item merece um acompanhamento, especialmente quanto a seus efeitos sobre a produtividade.

Por fim, este estudo não identificou as características do trabalho, mas uma futura pesquisa poderia considerar a área de atuação e a localidade de trabalho para a análise dos dados.

Quando as pessoas percebem que a instituição em que trabalham está preocupada com os interesses e o bem-estar delas, isso se reflete no grau de comprometimento afetivo (CUNHA et al., 2007). Interessante notar que neste trabalho, conforme já mencionado na seção 4.2, adotou-se o instrumento desenvolvido por Rousseau (2000), denominado Psychological Contract Inventory (PCI), para medir o grau das expectativas dos servidores. Uma das dimensões propostas (Lealdade) é composta por 4 quesitos que tratam exatamente

dos interesses e do bem-estar destes empregados. Para testar esta hipótese, o tema deve ser melhor observável na pesquisa completa, com a duração de três anos.

7.3 Conclusão

Diante da complexidade do tema tratado nesta dissertação e da relativa ausência de pesquisas desta natureza, que considerem as peculiaridades do vínculo que se estabelece entre os servidores e a Administração Pública Direta, este trabalho busca contribuir para um melhor entendimento de como as ações institucionais afetam o comportamento destes servidores e, por consequência, como isso interfere nas chamadas variáveis de resultado (satisfação e comprometimento, neste caso).

Retomando a abordagem introdutória, o serviço público tem sofrido uma profunda transformação cultural decorrente da mudança de paradigmas e da adoção de novos instrumentos de gestão. Assim, é fundamental buscar-se uma política de gestão de pessoas consistente, aí incluído o estudo do comportamento humano nas organizações públicas.

As inúmeras pesquisas sobre os efeitos do comprometimento organizacional sobre o desempenho das pessoas indicam que os esforços são maiores quando a ligação é afetiva, do que nos casos em que os empregados têm a necessidade ou se sentem obrigados a permanecer na instituição. Contudo, para desenvolver este laço afetivo é necessário que as organizações, e seus gestores, adotem determinadas práticas mais focadas nos indivíduos e suas características e necessidades, pois estas práticas, associadas a políticas consistentes, influenciam diretamente no comportamento e nas atitudes dos empregados.

E os resultados demonstram a importância destas ações iniciais da Administração e como elas influenciam o grau de satisfação e de comprometimento do servidor. O cumprimento das expectativas iniciais, implícitas, traz credibilidade para o órgão e a preocupação com a formação inicial do servidor ajuda a fortalecer o laço servidor- administração. Daí as relações significantes da socialização (tarefa/grupo de trabalho) e do cumprimento do contrato psicológico pelo empregador com a satisfação com o trabalho e o comprometimento organizacional.

Nesta pesquisa, a questão da motivação que levou os novos servidores a prestarem concurso público para a RFB teve papel secundário. Porém, os testes preliminares confirmaram o senso comum, de que as pessoas que optam pelo serviço público, em regra, o fazem por conta da estabilidade, do salário e da qualidade de vida. Este é um ponto que deve

ser aprofundado, em especial como antecedente das variáveis de resultados, como desempenho, ao longo do tempo. Ou se as ações da instituição, como socialização e cumprimento do contrato psicológico, é que vão definir isso (a motivação inicial não teria tanto peso quanto estas outras questões).

Talvez o ideal fosse que o servidor considerasse salário, estabilidade e qualidade de vida como importantes, mas escolhesse o órgão público que proporcionasse as melhores condições para o desenvolvimento de uma carreira e que desempenhasse um papel importante para a sociedade, que fosse reconhecido como um órgão de excelência.

Não se pode olvidar que atualmente a segurança no emprego é praticamente uma miragem (CUNHA et al., 2007), e isso já foi abordado neste trabalho. E que as contingências do mercado impõem mudanças constantes nas organizações, que resultam, invariavelmente, na dispensa ou substituição de funcionários. Esta é a realidade nas empresas privadas, onde as relações de trabalho são tão voláteis, em regra, que os empregados não conseguem desenvolver um laço afetivo, de lealdade com estas instituições, como outrora acontecia.

Já o serviço público oferece a estabilidade no emprego, um emprego para a "vida toda". Mas, será que isso se traduz no grau de comprometimento de seus servidores? É necessário explorar os motivos que prendem os servidores ao serviço público e como isso influencia em seus comportamentos e atitudes, ao longo de tempo.

O tempo aliás é fator a ser considerado nos resultados desta pesquisa, pois os institutos pesquisados são melhor explicados e compreendidos com o passar dos anos. O comprometimento afetivo, por exemplo, refere-se à aceitação e internalização dos valores organizacionais (Cunha et al., 2007). Este é um ponto de contato também com o processo de socialização, cuja dimensão organizacional (HAUETER, MACAN E WINTER, 2003) inclui os valores, metas e objetivos da organização.

Por tudo isso, os resultados desta pesquisa devem ser entendidos exatamente como se propõem a ser: preliminares e indicativos para que a instituição entenda as expectativas, comportamentos e atitudes iniciais dos novos servidores e aprenda como o processo de socialização e o atendimento das expectativas podem conduzir a um servidor mais satisfeito e comprometido com o trabalho.

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