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4. DISKUSJON

4.5 Videre undersøkelser

O diagnóstico de uma doença crónica traz impactos que interferem na vida do indivíduo como um todo. A nova condição exige mudanças no estilo de vida, nos seus comportamentos e na forma de lidar consigo próprio e com os outros. Os hábitos existentes até então podem ser alterados em função do tipo e gravidade da doença e do seu tratamento, levando o indivíduo a uma necessidade de adaptação às novas exigências, na tentativa de ultrapassar os obstáculos e dificuldades (Batista, Novo & Pimentel, 2013).

Muitas vezes os doentes diabéticos já se encontram fragilizados por viverem momentos difíceis nas suas vidas. A chegada do diagnóstico pode desencadear reações emocionais que determina mudanças nas atividades diárias da pessoa e isso causa vários sentimentos. Muitos doentes narram que este diagnóstico lhes gerou emoções como: choque emocional, tristeza, sensação de limitação, raiva, preocupação, além de medo das complicações e até da morte (Marcelino & Carvalho, 2005). Outros autores referem também: angústia, medo e insegurança pelo futuro desconhecido e de como vai vivenciar o processo de adaptação aos novos hábitos de vida (Ferreira, Daher, Teixeira & Rocha, 2013).

O impacto da diabetes e a adaptação à doença inicia-se com a comunicação do diagnóstico. Após o diagnóstico de diabetes mellitus, é frequente ocorrer uma série de crises a nível pessoal. Num primeiro momento, muitos doentes experimentam sintomas de depressão e de ansiedade, angústia, isolamento social, raiva, apreensão, irritabilidade,

frustração e pessimismo em relação ao futuro, o que mostra ser a doença uma condição que, independente da sua etiologia e faixa etária, causa profundas alterações biopsicossociais (Silva, 2010; Ferreira, Daher, Teixeira & Rocha, 2013). Todavia, após o primeiro ano, a maioria destes doentes recupera desse impacto inicial (Silva, 2010).

Numa investigação qualitativa constatou-se que os indivíduos apontam diferentes reações frente ao diagnóstico. Dentre os que apresentaram reações emocionais negativas, prevaleceram sentimentos disfóricos como raiva e tristeza, levando a reações de contestação e depressão, respetivamente. Outros procuraram minimizar o efeito devastador da experiência, utilizando-se de eufemismos, ao não se preocuparem com o diagnóstico de diabetes mellitus por não conhecerem a doença e as suas possíveis consequências (Oliveira, Melo e Souza, Zanetti & Santos, 2011).

Os indivíduos com diabetes possuem uma considerável dificuldade em aceitar o diagnóstico e tendem a subestimar a sua condição e tratamento até que os primeiros sinais e sintomas agravados da doença aparecem. Este fato é acarretado por um emaranhado de sentimentos e comportamentos, os quais dificultam a aceitação de sua condição crónica de saúde e, além disso, ainda têm que lidar com a pressão dos profissionais de saúde, familiares e amigos em relação às mudanças de hábitos de vida (Ferreira, Daher, Teixeira & Rocha, 2013).

A negação da doença é uma resposta comum ao confronto com o diagnóstico da diabetes, especialmente na diabetes tipo 2 (Silva, 2010). Se esta estratégia de coping utilizada para lidar com a situação, inicialmente, pode contribuir para integrar progressivamente esta nova realidade, mantendo o equilíbrio emocional, também poderá interferir significativamente com a adesão ao tratamento, dificultando-a (Frei Bernardo, 1998). Não raramente, ocorre também, a reação oposta, de catastrofização da situação ou de ênfase dos piores aspetos deste quadro clínico (Marcelino & Carvalho, 2005). Ao longo do período de progressão da doença, parecem predominar reações de medo relacionado com as complicações a curto prazo, nomeadamente crises hipoglicémias e hiperglicémicas (Gillibrand & Flynn, 2011). Com o tempo, no entanto, quando as complicações agravam e intensificam o tratamento, os diabéticos geralmente relatam mais angústia e sentem-se mais vulneráveis, podendo desenvolver sentimentos de impotência, desespero e desânimo (Gillibrand & Flynn, 2011; Ferreira, Daher, Teixeira & Rocha, 2013).

A hiperglicemia persistente, característica da doença, atinge de forma significativa os indivíduos, exigindo alterações importantes nos seus estilos de vida (Moreira, Papelbaum, Appolinario, Matos, Coutinho, Meirelles, Ellinger & Zagury, 2003). Doentes com diabetes necessitam modificar hábitos alimentares e aderir a esquemas terapêuticos restritivos, tais como aplicações regulares de insulina e monitorização glicémica diária (Moreira et al., 2003). Além disso, estes doentes devem lidar com o facto de ter que conviver durante toda a vida com uma doença que é responsável por complicações clínicas que prejudicam a saúde do indivíduo (Silva, 2010). Todas essas variáveis parecem repercutir-se no estado de humor dos doentes diabéticos (Moreira et al., 2003).

Assim, o processo de adaptação à enfermidade é custoso, sobretudo porque pressupõe a aprendizagem de diferentes variáveis do tratamento e uma tomada de decisões constantes sobre como levá-lo a cabo (Pérez, 2007). Torna-se comum os relatos de portadores de diabetes da vivência de sentimentos negativos (e.g. raiva, tristeza, contestação, depressão (Péres, Franco & Santos, 2008), dificuldade de racionar, mal-estar psicológico, desânimo e suscetibilidade à crítica (Péres, Santos, Zanetti & Ferronato, 2007)) em relação ao diagnóstico, ao tratamento da doença e à alimentação (Péres, Franco & Santos, 2008; Oliveira, Mello e Souza, Zanetti & Santos, 2011). Esses sentimentos aumentam a vulnerabilidade para o desenvolvimento de stress, depressão e ansiedade, principalmente nas mulheres que, com frequência, têm dificuldade em realizar a dieta, pois compensam o sofrimento comendo em maior quantidade (Gouveia & Rodrigues, 2013; Péres, Franco & Santos, 2008).

A diabetes mellitus constitui uma das doenças crónicas mais exigentes, quer do ponto de vista físico, quer psicológico, evidenciando-se os fatores psicossociais como relevantes para quase todos os aspetos da doença e do seu complexo tratamento (Silva, 2010). As variáveis psicológicas implicadas na reação ao diagnóstico de diabetes mellitus e no seu controlo identificadas pela revisão de literatura (Gonder- Frederick, Cox e Ritterband, 2002) foram, entre outras, a psicopatologia (depressão, perturbações da ansiedade, fobias e perturbações do comportamento alimentar), as competências de coping e o stress psicológico (relacionado ou não com a doença) e as crenças pessoais de saúde (autoeficácia, locus de controlo e perceção de custos-benefícios). No que diz respeito ao âmbito da psicopatologia, um dos aspetos mais estudados é a depressão, nomeadamente a sua comorbilidade com a diabetes (Silva, 2010).

Além disso, a investigação tem demonstrado que o impacto psicossocial desta doença é um dos cinco fatores que melhor prediz a mortalidade nos indivíduos com diabetes, fazendo-o melhor do que muitas variáveis clínicas e fisiológicas (Silva, 2010). A diabetes representa assim uma doença crónica, potencialmente invalidante, que determina mudanças internas nas atividades diárias da pessoa (Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, 2012). São vivenciados vários sentimentos, como regressão, perda de autoestima, insegurança, ansiedade, negação da situação apresentada e depressão, sendo que de acordo com a estrutura psíquica da pessoa e os seus recursos internos, ela lidará melhor ou pior, com a nova situação de doença (Graça, 2000).

Capítulo 2

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