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4. DISKUSJON

4.2 Resultater

4.2.4 Videre- og overføringsverdi av prosjektet

Diário do

Nordeste 06/01/2002 Carcinicultura – Cultivo de camarão destrói mangue Cidade Diário do

Nordeste 24/10/2002 Apicum é área de manguezal Cidade

Diário do

Nordeste 06/10/2003 Camarão ganha destaque nas exportações Carcinicultura consolida agronegócio no CE – Negócios Diário do

Nordeste 22/12/2003 Julgamento da ação antidumping está comprometido – Estrutura de comércio é protecionista Negócios Diário do

Nordeste 13/08/2004

Potencial do camarão – Suspensão de licença

ambiental afasta investidor Negócios Diário do

Nordeste 03/05/2005 Empreendimentos não têm licença Cidade O Povo 23/08/2002 Ouvidoria não tem dimensão da carcinicultura no Ceará Ceará

O Povo 11/04/2005 Pesca não é a única atividade Ceará

O Povo 12/04/2005 Carcinicultura agrava disputa nas comunidades Ceará O Povo 26/06/2005 PODER PÚBLICO – Falta fiscalizar cumprimento de leis

Comunidades sobrevivem do estuário

Ciência & Saúde

O uso do verbo revela, na maioria dos casos, a voz do próprio jornal, como nos títulos afirmativos [ou negativo, no caso do título do “Diário do Nordeste” do dia 03/05/2005 e do “O Povo”, de 23/08/2002] selecionados acima. Mas, ao apropriar-se de outros enunciados, o discurso jornalístico, além de dialogar com outros discursos [polifonia], cria legitimidade, eximindo-se de responsabilidade.

Ainda destacando os títulos acima, mesmo afirmando que “cultivo de camarão destrói mangue” e que “apicum é área de manguezal”, as matérias, publicadas na editoria de cidade do “Diário do Nordeste”, certamente reproduzem os discursos de pessoas ouvidas pela equipe de reportagem. O mesmo ocorre com os três títulos seguintes, todos do caderno de Negócios, ao “afirmarem” que “a carcinicultura se consolida como agronegócio”, “a estrutura de comércio é protecionista”, “a suspensão de licença afasta o investidor”.

Os dois títulos que usam a negação para afirmar, da editoria de Cidade do “Diário do Nordeste” e da editoria Fortaleza, do “O Povo”, o fazem com uma conotação negativa, destacando, respectivamente, a falta de licença por parte de empreendimentos; e a ausência da dimensão da carcinicultura, por parte da então Secretaria da Ouvidoria Geral e do Meio Ambiente (SOMA) – hoje extinta – à qual a SEMACE era subordinada.

Os dois títulos seguintes foram publicados no âmbito de uma série de reportagens publicadas durante cinco dias na editoria Ceará, do jornal “O Povo”, a respeito dos conflitos na ocupação do litoral cearense, dos quais apenas uma pequena parte foi destacada neste trabalho. O primeiro também faz uso da negativa para afirmar que as comunidades litorâneas desenvolvem outras atividades além da pesca e o segundo destaca que a carcinicultura agrava as disputas, dando ênfase ao conflito existente.

O último título destacado neste bloco também faz parte de uma extensa publicação, no caderno Ciência & Saúde, do “O Povo”, por ocasião do Mês do Meio Ambiente de 2005, dos quais foi destacada, também, uma pequena parte. Estes dois títulos, por exemplo, ressaltam a falta de fiscalização do cumprimento das leis, por parte do poder público, e o fato de as comunidades viverem dos recursos do estuário, área que vinha sendo afetada pela produção de camarão em cativeiro.

A temporalidade semântica dos enunciados corresponde à perspectiva

relatada, o modo convencional do qual a língua dispõe para o emissor reproduzir

enunciados já proferidos por outros. O discurso relatado [indireto] se opõe ao

discurso citado [direto], neste caso, o uso de aspas constitui a heterogeneidade mostrada [polifonia explícita].

Em ambos os casos, o jornal utiliza o discurso do outro para construir o seu; preservando a sua suposta objetividade e, ao mesmo tempo, conferindo maior credibilidade à notícia publicada, pela chancela de fontes reconhecidamente dignas de confiança, por representarem órgãos públicos, entidades de classe e / ou organizações populares, entre outros.

Diário do

Nordeste 06/01/2002 Superintendente diz que situação está controlada Cidade Diário do

Nordeste 08/06/2005

VÍRUS DA MANCHA BRANCA – Produção de

91

O Povo 05/11/2005 CAMARÃO – Empresários dizem querer regularizar fazendas de camarão Ceará

O verbo “dizer” é utilizado para expressar indiretamente, respectivamente, a fala do superintendente da Semace, sobre o “controle” da situação, em relação à denúncia de destruição de mangue pela carcinicultura, em matéria publicada na editoria de Cidade do “Diário do Nordeste”; dos empresários, ao afirmarem que a produção não será afetada pelo vírus da mancha branca, em matéria do caderno de Negócios; e também dos empresários, na editoria Ceará, do “O Povo”, que afirmam querer regularizar as fazendas, em resposta ao embargo de 10 delas, no município de Aracati.

O Povo 06/06/2005 Para Semace, números não surpreendem Fortaleza

A preposição “para”, neste título, da editoria Fortaleza, dá voz à Semace dizer que não se surpreende com o grande percentual de fazendas de camarão em situação irregular no Estado, criando uma situação desconfortável para o órgão ambiental do Estado apenas com o uso do título.

O Povo 30/06/2003 Comunidades exigem fiscalização

Empresa destaca responsabilidade social Ceará O Povo 27/05/2004 Setor produtivo critica órgãos do meio ambiente

Secretário defende respeito às regras ambientais Economia O Povo 09/09/2004 Grupo de pescadores denuncia tortura Ceará

Estes títulos reproduzem, respectivamente, os discursos de “comunidades”, “empresa”, “setor produtivo”, “secretário” e “grupos de pescadores”. Todos do jornal “O Povo”, os dois primeiros dizem respeito a denúncia, publicada na editoria Ceará, contrastando a opinião das comunidades, que exigem fiscalização com a da empresa, que destaca a responsabilidade social. Os dois seguintes, da editoria de Economia, põem em oposição o setor produtivo, que critica os órgãos ambientais; e o secretário de governo, que defende o respeito às regras ambientais. No último título deste bloco, da editoria Ceará, a voz é dada aos pescadores, que denunciam ter sofrido torturas.

Diário do

Nordeste 28/09/2003 Barreiras são “protecionismo disfarçado” Negócios

Publicado no caderno de Negócios do “Diário do Nordeste”, foi o único título, do universo selecionado para análise, a utilizar aspas para afirmar, através da declaração de trainee do CIN/FIEC, que as barreiras não tarifárias derivadas de medidas como salvaguardas, subsídios à agricultura e direitos antidumping acabam onerando mais os custos das exportações e até inviabilizando as exportações. E o faz considerando, mais uma vez, o aspecto puramente mercadológico da atividade no Estado.