Por se tratar de uma ferramenta que será direcionada para avaliação das atividades desenvolvidas pela equipe de enfermagem, optou-se pela análise apenas dos itens de verificação contidos na seção “práticas seguras na administração de medicamentos” do protocolo, para a identificação de intervenções relacionadas ao constructo em estudo “segurança na administração de medicamentos”.
A partir dos itens de verificação para administração de medicamentos propostas pelo Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos (BRASIL, 2013), foi estabelecida uma listagem de 28 itens relacionados à segurança na administração de medicamentos que foram divididos em nove domínios.
Os domínios foram instituídos com base no princípio dos nove certos da administração de medicamentos, quais sejam: 1- Paciente certo, 2- Medicamento certo, 3- Via certa, 4- Hora certa, 5- Dose certa, 6- Registro certo, 7- Orientação certa, 8- Forma certa e 9- Resposta certa (MALCOME, 2010; BRASIL, 2013), os quais funcionam como estratégias para prevenção de erros no sistema de medicação. Franco et al. (2010), em estudo, também, alertam para a importância de o profissional de enfermagem seguir os princípios dos nove certos com enfoque em uma visão sistêmica e respaldada em conhecimento técnico-científico para assegurar a qualidade da assistência.
O Quadro 2 apresenta a distribuição dos itens e domínios que compuseram a primeira versão do instrumento de avaliação da segurança do paciente na administração de medicamentos (ASPAM).
52
Quadro 2 - Distribuição dos itens e domínios que compuseram a primeira versão avaliação da segurança do paciente na administração de medicamentos (ASPAM)
Ações para promoção da segurança do paciente na
administração de medicamentos em pediatria Domínio 1 Utiliza no mínimo dois identificadores para confirmar o
paciente correto antes de administrar medicamentos.
Paciente certo 2 Confere o nome do medicamento com a prescrição antes
de administrá-lo. Medicamento certo
3 Leva ao local, no horário de administração de medicamentos, apenas o que está prescrito a um único paciente, não fazendo uso de bandeja contendo diversos medicamentos para diferentes pacientes.
Medicamento certo
4 Administra medicamento por ordem verbal somente em caso de emergência com registro por escrito da ordem verbal.
Medicamento certo
5 Confere se o paciente não é alérgico ao medicamento prescrito, identificando o paciente alérgico de forma diferenciada, com pulseira e aviso em prontuário, alertando toda a equipe.
Medicamento certo
6 Identifica a via de administração prescrita, verificando se é a via tecnicamente recomendada para administrar determinado medicamento.
Via certa
7 Lava as mãos antes do preparo e da administração de
medicamentos. Via certa
8 Utiliza materiais e técnicas assépticas para administrar medicamentos por via intravenosa e para outras vias que exijam esse tipo de técnica.
Via certa
9 Prepara o medicamento imediatamente antes da sua administração, obedecendo ao horário de aprazamento da prescrição.
Hora certa
10 Administra o medicamento na hora certa. Hora certa
11 Em casos de preparo de paciente para exames ou jejum, não administra nem adia a administração de doses sem discutir conduta com o prescritor.
Hora certa
12 Adéqua os horários de administração de medicamentos à
rotina de uso já estabelecida antes da internação. Hora certa 13 Discute a prevenção de interações medicamento-
medicamento e medicamento-alimento com a equipe multiprofissional (técnicos de enfermagem, enfermeiros, médico, farmacêutico e nutricionista).
Hora certa
14 Confere atentamente medicamento.
a dose prescrita para o Dose certa 15 Certifica-se de que a infusão programada é a prescrita
para aquele paciente. Dose certa
53
16 Confere a velocidade de gotejamento, a programação e o funcionamento das bombas de infusão contínua com a prescrição.
Dose certa
17 Realiza dupla checagem dos cálculos para preparo e administração de medicamentos potencialmente perigosos ou de alta vigilância.
Dose certa
18 Utiliza instrumentos de medida padrão no preparo de medicamentos para medir doses com exatidão (ex.: seringas milimetradas).
Dose certa
19 Checa na prescrição o horário da administração do medicamento imediatamente após cada dose.
Registro certo da administração 20 Registra em prontuário e informa ao prescritor todas as
ocorrências relacionadas aos medicamentos
(adiamentos, cancelamentos, desabastecimento, recusa do paciente e eventos adversos) e os efeitos diferentes (em intensidade e forma) do esperado para o
medicamento, descritos pelo paciente/acompanhante ou observados pela equipe.
Registro certo da administração
21 Orienta o paciente e o acompanhante sobre o medicamento administrado (nome), aspecto (cor e formato) justificativa da indicação, frequência com que será administrado, efeitos esperados, eventuais incidentes relacionados à terapia medicamentosa, registrando-os em prontuário e notificando-os à Gerência de Riscos e/ou ao Núcleo de Segurança do Paciente
Orientação correta
22 Verifica se o medicamento a ser administrado possui a forma farmacêutica e via de administração prescrita.
Forma correta 23 Observa o paciente para identificar, quando possível, se
o medicamento teve o efeito desejado. Resposta certa
27 Esclarece dúvidas sobre a legibilidade da prescrição, a indicação do medicamento, sua posologia, prescrição vaga (“fazer se necessário”, “a critério médico”), unidade de medidas utilizadas, forma farmacêutica, via de administração e dose diretamente com o prescritor.
Orientação correta
25 Somente administra o medicamento se as dúvidas forem
esclarecidas. Orientação correta
26 Mantém padronização quanto ao armazenamento adequado e a identificação completa e clara (com data e horário da manipulação, concentração do medicamento, nome da responsável pelo preparo e pela validade) de todos os medicamentos que estão sob a guarda da equipe de enfermagem.
Registro certo da administração
27 Monitora a temperatura da geladeira de
acondicionamento de medicamentos, registrando os valores máximo e mínimo diariamente.
Registro certo da
administração 28 Devolve à farmácia as sobras de medicamentos não
administrados.
54
Observa-se que o domínio dose certa possuía seis itens, o domínio hora certa apresentava cinco itens, os domínios medicamento certo e registro certo da administração possuíam quatro itens cada, os domínios via certa e orientação certa foram compostos por três itens cada, e os domínios paciente certo, forma certa e resposta certa foram constituídos por um item cada, totalizando 28 itens.
Para cada item referente à segurança na administração de medicamentos, foram estabelecidas cinco possíveis respostas disposta em Escala de Likert, as quais serviram para avaliar a frequência com que essas práticas são realizadas na rotina de cuidados da equipe de enfermagem, conforme julgamento realizado pelos enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem durante a aplicação.
Desse modo, optou-se por construir a avaliação da segurança do paciente na administração de medicamentos (ASPAM), por meio da Escala de Likert, com cinco categorias, variando de 1 a 5, na qual 1 representa a pior nota (nunca), 2 (quase nunca), 3 (às vezes), 4 (quase sempre) e 5 a melhor nota (sempre), de modo a identificar a frequência com que os itens de verificação para administração segura de medicamentos são realizados pela equipe de enfermagem em sua rotina de cuidados, como mostra o Apêndice E.
Optou-se por construir também o Guia de Preenchimento do Instrumento de Avaliação das Ações para Promoção da Segurança na Administração de Medicamentos em Pediatria (APÊNDICE L), o qual consiste em um material de contextualização elaborado a partir do Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos (BRASIL, 2013a) e que dispõe de recomendações pertinentes para melhor apreciação dos itens e correto preenchimento do instrumento de avaliação pelos profissionais de enfermagem que o utilizarem.
Com esse formato, a primeira versão do instrumento foi submetida à avaliação dos juízes, os quais julgaram simplicidade, clareza e relevância de cada item. Tal avaliação ocorreu na etapa de análise da validade e confiabilidade do instrumento de medida.
6.2 Análise da validade e confiabilidade do instrumento de medida