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O registro dos modelos teóricos que sustentam a evolução da teoria organizacional, quando estudados em maior profundidade mostram complexa linha, espécie de continuum evolutivo da compreensão sobre o comportamento humano nas organizações por meio da evolução perceptível nas ciências, conceitos e práticas ligadas à visão comportamental até então observada.

Aspectos históricos, sociais e políticos deixaram marcas que mostram a evolução, desde os sistemas fechados das teorias clássicas até o modelo contingencial, não deixando dúvida sobre a impossibilidade do modelo único, da "receita de bolo", da determinação universal sobre como se pode trabalhar o conceito e, principalmente, atingir resultados ou predizer formas de controle ou motivação.

Porém, um índice alto de integração, uma unidade teórico-metodológica não é conseguida sequer na Psicologia, diz Bittencourt (1991), o que impede o julgamento dos diversos sistemas teóricos pertinentes que sejam aceitos cientificamente.

A evolução do arcabouço conceitual e metodológico de análise e intervenção orientado para o comportamento humano mostra a inclusão crescente de aspectos ligados aos ambientes interno e externo, na medida em que se compreendia a complexidade e a necessidade de melhor explicar e detalhar o campo, desenvolvendo. para isso, modelos explicativos mais completos.

Na medida em que os modelos de Taylor, Mayo e dos primeiros estruturalistas eram elaborados, acrescentavam aspectos novos e importantes, oriundos das pesquisas, mas demonstravam incompletude ao tratar, por exemplo, da motivação, demandando constante atualização, por meio de novos modelos mais complexos. Mesmo ao considerar maior número de variáveis quantitativas e não-qualitativas e alguns trazerem novidades, como a inclusão de variáveis internas, externas e pessoais como determinantes do comportamento, expandiam a visão sobre o procedimento do indivíduo ao incluir relações entre variáveis consideradas como de alto grau de abstração, preterindo as visões do paradigma em fase de substituição, dando maior vazão ao empirismo controlado e assumindo a validade do modelo de sistema aberto, no qual os ensaios iniciais beiravam uma visão de sistema fechado.

No início dos estudos sobre a nova visão, realizaram-se vários trabalhos que praticamente cindiam teoria do comportamento com teoria da motivação, visando com- preender o que levava a pessoa a comportar-se de determinada maneira, objetivando conseguir a máxima produtividade.

Os estruturalistas foram responsáveis pela primeira das rupturas importantes quanto à consideração do comportamento; a segunda deveu-se a March e Simon e, por fim, a inclusão do conceito de papéis, já sob a égide da visão sistêmica, uma das mais fortes modificações advindas da aplicação da interdisciplinaridade à TGA, pois este conceito teve sua base estabelecida ainda nos estudos das relações humanas, foi burilado por Merton e chega a nossos dias com toda a sua força na explicação, análise e modelagem da intervenção.

Quanto ao ambiente interno, observamos-,de certo modo, a maior evolução, pois, desde a visão de sistema fechado das escolas clássicas, restritoras e preditoras, houve evolução dos diversos approaches das escolas que se sucederam, do homo economicus

até o "homem complexo" - participante das decisões e ações cognitivas -, agregando resultados de pesquisas sobre personalidade, atitudes e valores, até promover as revisões, como, por exemplo, de processos perpetuais e conceptuais, processamento de informações oriundas de enfoques como inteligência emocional, imagens e mitos, tão presentes nas organizações atuais e do futuro. Os modelos psicológicos foram sendo desenvolvidos e foram assumindo grande complexidade e importância no decorrer do tempo.

Na consideração do ambiente externo, houve maior incremento ao passarmos a priorizar a dimensão social e não só o ambiente físico, buscando as causas do comportamento na nova noção de limites, antes sequer considerada no ambiente sociológico. Como exemplo, temos a quase explosão no estabelecimento de limites ou fronteiras, proporcionada pela teoria de sistemas que possibilitou, por exemplo simplificar o estudo com a compreensão do significado da complexidade, extrapolando o conteúdo das visões da organização formal e informal e sua riqueza inerente, abandonando a visão dicotômica ligada ao velho paradigma.

IIgen e Klein, apud Bittencourt (1991), dizem que "o campo hoje encontra-se profundamente influenciado pela abordagem cognitivista, cujas diversas orientações partilham em comum o pressuposto de que os indivíduos pensam e seus pensamentos jogam o principal papel no comportamento humano".

Há concordância quanto à necessidade de criar uma "Teoria Geral do Comportamento", mas, até hoje, não se encontrou um modelo que atendesse aos requisitos, havendo entre os trabalhos sobre o assunto o que propõe a seguinte estrutura básica:

(...) (a) uma definição funcional do comportamento; (b) o papel do ambiente (físico e social) sobre o comportamento e uma explícita conceituação sobre os meios pelos quais o ambiente influencia o comportamento - o processo de atribuição de influência e o da criação de atributos; (c) o papel das diferenças individuais como variável moderadora atuando em todas as etapas do modelo e que fixasse restrições ou limites ao comportamento; (d) o papel das percepções, especialmente aquelas que formam os que chamamos de papéis; (e) o papel da motivação, tomado como determinado por um estado afetivo temporário, necessidades básicas, percepções do produto e atratividade antecipada dos resultados de atos futuros; (f) o papel da aprendizagem, que permite mudanças nas habilidades, expectativas, experiências e resultados e papéis; (g) o papel do afeto, um conceito central no modelo e necessário para o

sistema motivacional. (Bittencourt, 1991) Evitei pesquisar o assunto à exaustão, por falta de tempo e porque o comportamento humano é uma das partes do trabalho, também, por perceber que a seqüência de estudos na linha "qualitativa", conforme o autor acima citado produz melhores resultados que o enfoque "quantitativo".

Espero que esta análise possa auxiliar na compreensão do porquê desta área ser tão complexa, menos explorada do que devia ou poderia sê-Io e tão rica em oportunidades para quem a ela se dedicar. Por outro lado, acredito que muitos se afastem dela devido à complexidade, inexistindo, por isso, pesquisas quanto ao efeito da virtualidade sobre o comportamento humano, o que somado aos pouco mais de dez anos de emergência do conceito, não incentivam o estudo sistemático. O próprio fato de a organização virtual tender a não se repetir, ser atomizada, aterritorial e atemporal, traz nova preocupação para o pesquisador, pois pode ocorrer fato igual ao ocorrido na pesquisa de uma colega da biologia que levou nove anos para concluir sua tese de doutorado sobre abelhas; isso porque, muitas vezes, quando ela ia finalizar suas observações, a colméia ia embora, impossibilitando estabelecer conclusões.

Assim, se o comportamento humano nas organizações clássicas já é tão difícil de ser modelado e, em conseqüência, predito e determinado, o futuro, que hoje já é presente por meio das novas organizações, o é ainda mais.