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Partindo do pressuposto de que a maior parte das Incubadoras de Empresas são instituições sem fins lucrativos, a utilização dos indicadores financeiros tradicionais tais como: valor presente líquido, taxa interna de retorno, fluxo de caixa descontado, entre outros, não se enquadram na melhor maneira de avaliar seus desempenhos. Portanto, se for considerado somente o ponto de vista financeiro, os indicadores tradicionais apontariam a maioria destas Incubadoras de Empresas como empreendimentos inviáveis (DORNELAS, 2002).

Torna-se necessário então recorrer à utilização de indicadores que permitam uma avaliação mais abrangente, não se detendo somente a indicadores financeiros, mas também ao impacto das Incubadoras de Empresas no desenvolvimento regional:

“O impacto de uma incubadora de empresas em uma comunidade é evidente, pois graças às empresas incubadas há geração de empregos, aumento da arrecadação de impostos, aumento da venda dos produtos da região para outras regiões ou países etc” (Duff apud Dornelas, 2002).

Segundo DORNELAS (2002), não existe um padrão para a avaliação de Incubadoras. SHERMAM & CAPPEL apud DORNELAS (2002) adotam três principais motivos para a ausência de um padrão de avaliação:

• A complexidade e diversidade de Incubadoras e empresas incubadas existentes; • A localização geográfica de cada Incubadora e suas peculiaridades regionais;

• Foco excessivo nos processos de incubação e não nos resultados e impactos causados pelas Incubadoras.

Várias pesquisas vêm sendo desenvolvidas com o propósito de tentar criar parâmetros que permitam avaliar as Incubadoras de Empresas. Estes parâmetros podem ser classificados, segundo MORAIS apud DORNELAS (2002), em coeficientes (eficiência, eficácia, impacto e

pertinência), indicadores e variáveis. É importante ressaltar que a utilização desses parâmetros está relacionada ao fator temporal, ou seja, aos prazos necessários para que as medições resultem em valores confiáveis, podendo ser a curto (até um ano), médio (de um a três anos) ou longo (acima de três anos) prazos.

Os parâmetros organizados em: coeficientes, indicadores, variáveis e prazos, levantados por MORAIS apud DORNELAS (2002), podem ser visualizados na TABELA 2. Os coeficientes voltados à Eficiência dizem respeito à gestão dos recursos, com foco nos processos internos. Os coeficientes voltados à Eficácia estão relacionados ao grau em que são alcançados os objetivos das Incubadoras. Os coeficientes voltados ao Impacto dizem respeito ao efeito causado na população-alvo ou região. Por último, os coeficientes voltados à Pertinência, estando ligados à solução proposta em relação aos problemas que devem ser resolvidos.

TABELA 2

COEFICIENTES INDICADORES VARIÁVEIS PRAZO

Eficiência

Auto-sustentação

Receita própria / Receita total

Médio e Longo

Gastos totais / Receita total Gastos operacionais / Receita total Gastos totais / Receita própria Gastos operacionais / Receita própria

Inovação

Investimentos na capacitação de RH

Curto e Médio

Controle de qualidade de RH Controle de qualidade dos clientes Controle de qualidade dos processos Gastos com aquisição de equipamentos e material permanente

Gastos realizados com obras e instalações Gastos com Marketing, promoção e divulgação Gastos com treinamentos

Gastos com pesquisas de mercado Gastos com consultorias

Gastos com participações em feiras e eventos

Eficácia empreendimento Sucesso do

Número de pessoas treinadas

Curto e Médio

Número de empresas treinadas Número de funcionários das empresas incubadas

Número de empresas incubadas

Horas gastas com treinamentos e consultorias Demanda por vagas na incubadora

Taxa de mortalidade de empresas incubadas

Médio e Longo

Número de empresas graduadas

Número de produtos gerados pelas empresas incubadas

Satisfação dos clientes

Número de empresas incubadas satisfeitas com os serviços

Curto e Médio

Número de empresas graduadas satisfeitas com os serviços

Número de empresas associadas satisfeitas com os serviços

Número de empreendedores satisfeitos com os serviços

Grau de utilização

Equipamentos disponíveis / recursos efetivamente utilizados

Curto

Número de vagas disponíveis / número de vagas utilizadas

Ociosidade dos serviços prestados

Impacto Sócio-econômico

Receita total das empresas incubadas

Curto e Médio

Total de impostos gerados pelas empresas incubadas

Número de empregos gerados pelas empresas incubadas

Horas de treinamento/funcionário Horas de treinamento/empresa Receita/empresa

Receita/funcionário

Número de produtos gerados pelas empresas incubadas

Médio e Longo

Número de empresas graduadas Faturamento das empresas graduadas Número de funcionários das empresas graduadas

Pertinência

Indicadores analisados qualitativamente

Variáveis analisadas qualitativamente

Curto, Médio e Longo

Tabela 2 – Coeficientes, Indicadores, Variáveis e Prazos para avaliação de Incubadoras de Empresas MORAIS apud DORNELAS (2002).

Além dos indicadores e coeficientes propostos por MORAIS apud DORNELAS (2002), outros indicadores passaram a ser utilizados para analisar o desempenho das Incubadoras. O PNI – Programa Nacional de Apoio às Incubadoras de Empresas, um programa do Ministério da Ciência e Tecnologia ligado à Septe – Secretaria de Política Tecnológica Empresarial e a Coordenação de Sistemas Locais de Inovação, desenvolveu um trabalho voltado para a criação de um conjunto de indicadores, tornando-se uma boa referência sobre o assunto no Brasil (DORNELAS, 2002).

PNI – Programa Nacional de Incubadoras Indicadores de Desempenho de Incubadoras

Indicadores ligados à fase de Pré-Incubação • Número total de projetos em pré-incubação.

• Número de projetos incubados resultantes da pré-incubação / número de projetos pré- incubados.

• Número de pedidos de registro no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial oriundos dos projetos em pré-incubação.

• Número de projetos pré-incubados que foram direto para o mercado / número projetos pré-incubados.

• Número de alunos envolvidos em projetos pré-incubados / número de alunos matriculados em programas de empreendedorismo.

Indicadores ligados à fase de Incubação

• Número de selecionados para incubação / número de candidatos por ano.

• Número total de empresas residentes e não-residentes por ano / total do faturamento anual / total do número de empregados.

• Taxa de mortalidade no processo de incubação.

• Número de módulos ocupados / número de módulos disponíveis. • Número de empresas graduadas por ano.

• Número de produtos / serviços gerados pelas empresas incubadas por ano. • Tempo médio de incubação.

• Perfil de gastos diretos e indiretos da incubadora por ano (consultoria; pessoal; serviços de terceiros).

• Taxa de crescimento anual do faturamento das empresas incubadas.

• Número de pedidos de registro / patentes no INPI por ano pelas empresas incubadas. • Certificação ou estrutura de gestão pela qualidade (ISO, PNQ, etc.) da incubadora. • Número de empresas graduadas que permanecem no mercado / número de empresas

graduadas.

Indicadores ligados à fase de Pós-Incubação

• Número total de empresas graduadas em pós-incubação por ano / total do faturamento anual / total do número de empregados no ano.

• Número de produtos / serviços gerados pelas empresas graduadas em pós-incubação por ano.

• Taxa de crescimento anual do faturamento das empresas graduadas em pós-incubação. • Número de pedidos de registros / patentes no INPI por ano pelas empresas graduadas

em pós-Incubação.

• Número de empresas graduadas em pós-incubação com vínculo formal com departamentos de instituições de pesquisa.

• Número de empresas graduadas em pós-incubação que se instalaram em parques tecnológicos.

O SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas, com o propósito de acompanhar o desenvolvimento das Incubadoras de Empresas do Rio de Janeiro, também desenvolveu um grupo de indicadores baseados na gestão por projetos. Tais indicadores servem como uma base de critérios estruturados para uma avaliação que auxilie a captação de

recursos junto às instituições de apoio. Estes indicadores, por sua vez, são consolidados aos indicadores do SEBRAE Nacional (REDETEC, 2007).

Indicadores de desempenho para Incubadoras desenvolvido pelo SEBRAE • Número de novas empresas incubadas no ano

• Número de empresas graduadas

• Satisfação da Incubadora com o Sebrae

• Número de postos de trabalhos gerados pelas empresas incubadas • Número de empregos gerados pelas empresas graduadas

• Receita Bruta total das empresas incubadas

• Taxa de mortalidade das empresas desdobrado em: o Taxa de mortalidade de empresas incubadas o Taxa de mortalidade de empresas graduadas • Número de empresas beneficiadas pelo Sebrae

Como pôde ser observado, as Incubadoras de Empresas necessitam de um conjunto de indicadores que permitam uma avaliação não somente financeira, mas também voltada para mensuração da eficiência de seus processos internos, sua eficácia no cumprimento de seus objetivos e principalmente do seu impacto no desenvolvimento local e nacional.

Como foi mencionado anteriormente, o fato da maior parte das Incubadoras de Empresas brasileiras serem de natureza jurídica privada e sem fins lucrativos e conseqüentemente não serem auto-suficientes financeiramente, acaba aumentando a relevância da ação do governo na implementação de políticas públicas que sejam capazes de dar suporte a estas Incubadoras. Estas políticas por sua vez acabam tendo como retorno esperado, entre outros aspectos: um

impacto na economia e no desenvolvimento local e nacional, a diminuição da informalidade e o aumento na arrecadação de impostos, a geração de emprego e renda, impacto na balança comercial resultante da exportação de novas tecnologias e royalties provenientes das patentes oriundas das Inovações Tecnológicas desenvolvidas, desenvolvimento de uma cultura empreendedora voltada para o aproveitamento de oportunidades, o incentivo ao surgimento de novas micro e pequenas empresas com uma taxa de sobrevivência elevada e principalmente uma melhoria na sinergia entre governo-universidade-empresa.

Sendo assim, serão apresentadas a seguir as principais políticas públicas voltadas para o suporte das Incubadoras de Empresas no Brasil e outras, não direcionadas para s Incubadoras mas que de alguma forma acabam impactando as empresas incubadas e graduadas.

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