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In document Avisåret 2010 (sider 28-34)

Dentro de nossa perspectiva de trabalho, planejamos desde o início entrar em contato com as crianças e adolescentes que estão na rua e, ao mesmo tempo, são “brincantes”. Esta intenção se ligava à incorporação de seu ponto de vista ao conjunto de elementos teóricos presentes nas contribuições dos vários autores consultados sobre o tema. Visava principalmente permitir a efetivação da análise da verdadeira importância do brincar para a infância e a adolescência do país.

Aqui evidenciamos o processo de construção metodológica da pesquisa, fundada tanto nos objetivos deste estudo, que são gradativamente esboçados nos capítulos anteriores, considerando-se o conhecimento já disponível sobre a questão orientada pelas possibilidades práticas ao nosso alcance, com relação ao acesso ao segmento populacional a ser estudado.

Para Demo (1993, p. 128), a pesquisa é um movimento dinâmico que envolve um diálogo crítico e criativo com a realidade, constituindo uma possibilidade educativa e emancipatória na relação entre o pesquisador e pesquisado. Neste sentido, a estrutura da investigação permite, um movimento dialético de crítica e de construção de um novo conhecimento.

A pesquisa qualitativa foi privilegiada neste estudo, possibilitando a construção do conhecimento sobre a experiência social dos sujeitos frente a brincadeira de rua, nosso objeto de estudo, revelando a dimensão dos significados, sentimentos, valores e atitudes das crianças pesquisadas. Conforme Martinelli (1999), a pesquisa qualitativa permite o reconhecimento da singularidade do sujeito, o seu modo de vida e a qualidade de sua experiência social.

Quanto a construção metodológica da pesquisa suporte desta dissertação, apresentamos aqui um detalhamento dos procedimentos utilizados, incluindo a sua contextualização no território – município e posição do bairro de residência dos sujeitos envolvidos.

Para o contato com os sujeitos escolhidos, procurou-se dar especial atenção à confiabilidade e à objetividade nas informações, afim de garantir o melhor conhecimento de sua situação e pontos de vista.

Quanto ao processo investigativo, utilizamos como técnica de coleta de dados a entrevista qualitativa semiestruturada, que, para Rosa (2008, p. 31), permite a formulação de questões flexíveis, cuja sequência e detalhamento permitem maior liberdade de expressão no discurso tanto dos sujeitos da pesquisa como dos pesquisadores.

O instrumental de coleta de dados constituí-se de nove questões cujos eixos interpretativos foram ordenados em três categorias centrais: ser criança, brincar e brinca na rua.

Tomando como ponto de partida a necessidade da construção de conhecimentos que apontassem novos caminhos, respondendo as exigências de uma ação profissional

articulada da equipe de educação de rua, constituindo uma metodologia crítica e transformadora sintonizada com as questões sociais que envolvem o brincar das crianças de rua no município de Guarujá.

O ponto de partida para a seleção dos sujeitos foi a observação sistemática de sua presença, em vias públicas dispostas no centro da cidade. Com este objetivo, foi solicitado apoio da equipe local de educadores de rua que auxiliou no cadastramento, a partir do atendimento feito nos serviços, de 28 crianças que permaneciam diariamente, há mais de 1 ano nas esquinas próximas a semáforos, às portas dos supermercados e restaurantes, conversando, brincando, sentados nas calçadas. Em geral, eles permaneciam nesses locais, no período da tarde, aproximadamente após às 16hs, podendo estender esta estadia até as 22 hs. Todas as crianças viviam com a família, estudavam e suas atividades na rua não eram caracterizadas como esmolagem ou trabalho.

A observação, os relatos e o cadastro oficial da equipe de educação de rua, mostraram que, apesar da matrícula na escola, algumas crianças em determinados dias trocavam a escola pela rua, sem o conhecimento de seus responsáveis, destes eram trabalhadores, dedicando-se ao emprego até altas horas da noite.

Quando da relação seleção dos sujeitos, verificou-se que a maior parte das crianças tinha em comum a residência na comunidade da Cachoeira, extremo de um corredor de favelas, de fácil acesso ao centro da cidade, fato que facilitava a trajetória entre a casa e a rua. Desta forma, selecionamos para a pesquisa as 15 crianças que residiam nesse bairro, todas na faixa etária entre 9 e 11 anos de idade, sendo 9 meninos e de 6 meninas, cursando até o quinto ano do ensino fundamental. Todas as crianças possuem irmãos menores e residem com os pais, que trabalham diariamente, recebendo em média um salário mínimo e meio.

A aproximação com os sujeitos da pesquisa ocorreu pelo acompanhamento da intervenção dos educadores no espaço da rua. Aos poucos, as crianças foram se acostumando com nossa presença na rua e mostraram-se dispostas a falar sobre diversos assuntos. Após os 3 primeiros meses de contato, convidamos as crianças que moram na comunidade da Cachoeira para um encontro na capela local. A partir deste momento, instituíram-se encontros semanais com estas e outras crianças lá residentes. Embora os sujeitos pesquisados ainda frequentassem a rua, o faziam com pouca freqüência, por estarem constituindo o processo de desvinculação com aquele espaço.

Durante os encontros na Cachoeira, dialogamos com as 15 crianças pesquisadas e solicitamos a contribuição de seus depoimentos para o desenvolvimento desta pesquisa. As crianças mostraram satisfação com a possibilidade de serem ouvidas. O processo de coleta das informações foi realizado na capela, com agendamento individual.

Além da autorização da utilização do gravador, como instrumental de coleta das informações, estabeleceu-se um pacto com os sujeitos informantes de que freqüentar assídualmente a escola. Para permitir isto, as entrevistas foram realizadas sempre nos finais da tarde. O processo de coleta das informações decorreu no período de setembro a novembro de 2009.

Para a interpretação do sentido e dos significados do conteúdo das falas dos sujeitos pesquisados, utilizamos como categorias de análise as totalidades do ser criança, do brincar e da brincadeira de rua, possibilitando assim a leitura articulada entre as partes e o todo, entre as estruturas e os significados identificáveis no objeto de estudo.

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