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Vidar sakker akterut

3. Stavangerfotballen 1925-1940 – Viking tar over

3.3 Vidar sakker akterut

Efetuou-se um estudo retrospetivo através da consulta de processos clínicos na plataforma SClínico® , onde foram analisados parâmetros demográficos, clínicos, exames

laboratoriais e terapêutica instituída, nomeadamente imunomoduladores.

De um total de 108 doentes com o diagnóstico de esclerose múltipla, verificou-se um predomínio do sexo feminino (com 75 casos) correspondendo a 69% do grupo em estudo. Os restantes 31% pertencem ao sexo masculino (33 casos) (Gráfico 1).

Gráfico 1. Distribuição dos doentes por sexo.

Numa análise estatística de prevalência para os vários grupos etários, encontrou-se o maior número de casos (80 doentes) nas idades compreendidas entre os 30 e 59 anos, com um pico máximo dos 40 aos 49 anos no sexo feminino, correspondendo a 36,0%, num total de 27 casos (Gráfico 2). A média das idades dos doentes em estudo era de 51 anos.

25 Na população estudada, 54 doentes apresentavam EMRR (50,0%), sendo o tipo clínico de EM mais frequente, o que está de acordo com a bibliografia consultada. 24 doentes apresentavam EMPS (22,2%), 5 doentes EMPP (4,6%) e apenas 1 doente EMPR (0,9%), a mais incomum de todos os tipos. Verificou-se ainda a existência de 2 casos com síndrome clínica isolada (SCI) (1,9%) e 22 processos não apresentavam registo do tipo clínico de EM (20,4%) (Gráfico 3).

Gráfico 3. Distribuição de doentes por tipo clínico de EM.

26 Em relação à duração da doença, esta apresentava um tempo médio de 13,8 anos, pelo que se constatou a existência de 12 doentes com duração compreendida entre 1 a 4 anos (11,1%); 19 doentes com duração entre 5 e 9 anos e os 15 e os 19 anos (17,6%); 18 casos entre os 10 e os 14 anos (16,7%); 9 doentes entre os 20 e os 24 anos (8,3%); 5 doentes com duração entre os 25 e os 29 anos, assim como com duração de doença superior a 30 anos (4,6%). Num grupo de 19,5%, conforme se documenta no Gráfico 4, não foi possível estabelecer o tempo de duração da doença o que poderá estar relacionada com falta de registo da mesma ou a mudança no local de seguimento do doente.

Dos 80 doentes com registo do nível de EDSS, 26 apresentam uma pontuação de 0 a 1 (24,1%), 21 de 1,5 a 2 (19,4%), 3 de 2,5 a 3, tal como de 5,5 a 6 (ambos com 2,8%), 4 de 3,5 a 4 assim como de 4,5 a 5 (3,7%), 10 de 6,5 a 7 (9,3%), 8 de 7,5 a 8 (7,4%) e apenas 1 de 8,5 a 9 (0,9%), não existindo nenhum doente com registo de EDSS superior a 9 (Gráfico 5).

27 Dentro dos vários elementos complementares de diagnóstico requisitados nos processos clínicos dos doentes, e nomeadamente do ponto de vista laboratorial foi avaliado o nível de vitamina D (objetivo principal deste estudo) do qual apenas 48 doentes apresentavam registo da realização do doseamento da mesma. Apenas incluindo na análise estes doentes, obteve-se uma média no valor de 23,6ng/mL (máximo de 87,5ng/mL e mínimo de 3,0ng/mL). Atendendo ao valor de referência, observaram-se 12 doentes com valores de vitamina D iguais ou superiores a 30ng/mL correspondendo a 25% dos doentes em estudo. Como se depreende, a maioria da população em estudo apresenta valores inferiores ao valor de referência, o que equivale a um número de 36 casos, correspondendo a 75% da amostra (Gráfico 6).

Gráfico 6. Padrão de distribuição dos valores de vitamina D, de acordo com o valor de referência (—).

28 A propósito da terapêutica realizada nos doentes com EM foi avaliada a ocorrência da realização ou não de terapêutica modificadora da doença. Assim, excluindo os doentes sem informação da terapêutica efectuada (22 casos), verificou-se que o Interferão Beta foi o medicamento eleito para o tratamento da maioria dos doentes: 25 a fazerem IFN Beta 1a (28,4%) e 27 doentes a fazerem Interferão Beta 1b (30,7%). Seguem-se o acetato de glatirâmero e o fingolimod ministrados a 10 doentes (11,4%). Apenas 3 doentes (3,4%) estavam sob terapêutica com natalizumab e 2 doentes (2,2%) com azatioprina. Encontram-se 11 doentes (12,5%) sem terapêutica imunomoduladora (Gráfico 7).

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Conclusões

A manutenção de níveis adequados de vitamina D tem uma influência importante sobre diferentes aspetos da saúde e do bem-estar. A deficiência de vitamina D é um fator de risco modificável para a EM e por causa de seu papel no controle das respostas imunes, é muito provável que tenha efeitos benéficos sobre o percurso da doença pois vários estudos revelaram o papel proeminente de vitamina D em doenças auto-imunes, como a esclerose múltipla. No entanto, o papel exato não é completamente compreendido. Além disso, ainda não há consenso se os níveis reduzidos de vitamina D predispõem à doença, ou são o resultado dela, pelo que outros estudos destinados a avaliar os possíveis mecanismos do papel modulador de vitamina D na EM são necessários.

Polimorfismos do recetor de vitamina D podem ser considerados como elo perdido que poderia ilustrar porque diferentes pacientes respondem de forma diferente à vitamina D, na prática clínica.

Existe falta de unanimidade sobre a recomendação para a ingestão alimentar/suplementação de vitamina D quer na população em geral, quer em doentes com EM, cujas necessidades de vitamina D estão aumentadas, ou na prevenção da EM. Os estudos atuais com vitamina D e doentes com EM são poucos e limitados, devido ao número reduzido das amostras e metodologia questionável, o que não permite retirar conclusões elucidativas da real influência da Vitamina D no tratamento da EM.

No entanto, a administração de vitamina D está a aumentar e atualmente torna-se mais aceitável o seu uso em pacientes com EM.

Do estudo estatístico realizado no Centro Hospitalar Cova da Beira podemos inferir que uma grande maioria dos doentes com EM (cerca de 75%, no caso da amostra) apresenta valores de vitamina D abaixo dos valores de referência. Esta conclusão leva a considerar suplementação terapêutica, o que de acordo com estudos neste âmbito, pode influenciar a evolução da doença. De facto, o estudo efetuado não permite avaliar o efeito terapêutico na melhoria da progressão da EM com a vitamina D, em virtude de não existir um follow-up pós- terapêutico a curto, médio ou longo prazo. Contudo, deixo o desafio para que seja feito um estudo nesse âmbito.

Em suma, várias vertentes de evidências sugerem que a vitamina D pode modificar a resposta imune na esclerose múltipla. Existe uma necessidade contínua de ensaios clínicos bem desenhados e estudos sobre os mecanismos para determinar se, e como, esta promessa emergente se traduz em benefícios clínicos concretos para as pessoas com doenças debilitantes crónicas, como é o caso da esclerose múltipla.

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