• No results found

8.4 Analysis

8.4.3 Viability

Apesar de o jornalismo já prestar o serviço de ajudar a disseminar informações para a população, existe o próprio jornalismo de serviço, o qual tem como objetivo “oferecer a informação que o receptor necessita ou que poderá se tornar necessária em algum momento” (Vaz, 2009, p. 41). Ou seja, disponibilizar algum dado que possa ser utilizado na vida do público. Ao se levar em consideração que “o erro mais corriqueiro no turismo é o prestador do serviço procurar valorizar um produto esquecendo-se que o turista não compra o produto em si, mas a utilidade que este produto pode ter para sua satisfação” (Ignarra, 1998, p. 85) e que o jornalismo pode ser considerado um prestador de serviços turísticos, é fundamental levar em consideração a utilidade das informações transmitidas.

Ao se considerar que o jornalismo de serviço transmite “à audiência uma informação útil e utilizável” (Vaz, 2009, p. 41), esta prática jornalística pode ser aplicada à especialização em turismo. Um dos exemplos de sua utilização seria em prestar o serviço ao leitor que quer viajar

a ter utilidade, principalmente devido à sua utilidade como instrumento pedagógico e como ordenação lógica de um processo mental. (Santamaría, 2003, p. 173, tradução da autora)

17 Em síntese, o jornalista especializado deve experimentar dentro de si uma tensão contínua para não

limitar excessivamente o campo de sua atividade e, com isso, suas próprias possibilidades, restringindo seu público. Em cada jornada, as questões mais latentes devem ser abordadas, evitando o recurso confortável da informação seriada e rotineiras, fator que causaria a perda daquela curiosidade que o jornalista deve defender e cultivar a todo custo. Se isso não for feito, há o risco de a organização colocar um assistente encarregado dos aspetos mais sensacionais da área. (Candelas, 2003, p. 43, tradução da autora)

e citar horário de funcionamento de atrações turísticas, assim como valor do ingresso e outros requisitos, como vestuário.

Conforme Santamaría (2003), existem conteúdos clássicos e sazonais que fazem parte da informação turística, entre os quais os que tratam sobre viagens, rotas de turismo rural, férias, feiras, entre outros. A partir disso, o jornalismo de serviço pode ser um recurso utilizado para auxiliar os turistas a encontrarem informações que ajudem a organizar as viagens, de modo a diminuir a possibilidade de imprevistos enquanto estão fora de casa.

El periodismo de servicios pretende, sobre todo, atender al “para qué” de la información convirtiéndose en un medio o instrumento de gran utilidad para los receptores. Sin embargo, hay que tener en cuenta que este tipo de periodismo puede producir también efectos negativos si no se trata la información con el debido rigor y precisión, por lo que se precisa de profesionales suficientemente conocedores de sus respectivas materias informativas. (Moral & Ramírez, 1993, p. 91)18

Os autores Moral & Ramírez (1993) entendem que o jornalismo de serviços é um antecessor do jornalismo especializado. Neste sentido, pode-se compreender que cabe ao jornalismo especializado não apenas informar, mas transmitir conteúdo que seja útil para o público, que seja aplicável durante a viagem.

Ao se falar no jornalismo de serviços como recurso da especialização em turismo é fundamental que o jornalista compreenda quais são as necessidades do turista e do profissional do turismo e qual o melhor período para divulgar as informações. No caso dos assuntos sazonais, por exemplo, é preciso atualizar o conteúdo não apenas quanto aos dados, mas também em relação ao que já foi feito no ano anterior. É preciso apresentar contexto e novas perspectivas, para isso recorrendo a fontes especializadas.

Na sociedade atual, impera o consumismo, o que gera amplitude de opções de produtos e bens simbólicos. Assim, os cidadãos necessitam cada vez mais de orientações. Correspondendo a essa demanda, os meios de comunicação de massa utilizam-se do jornalismo para prestar serviços de utilidade pública, muitas vezes, sobre assuntos e temas que fazem parte do cotidiano dos cidadãos. (Vaz, 2009, p. 41)

O jornalismo especializado em turismo ajuda a divulgar informações que podem não ser de fácil acesso ao turista ou, então, que ele pode esquecer de procurar. Esta especialização acaba por guiar o público, de modo a auxiliar quem estiver planejando uma viagem. Da mesma maneira, ajuda o profissional a compreender as necessidades atuais dos consumidores dos serviços turísticos, a conseguir projetar o cenário econômico e o que está sendo requisitado para os profissionais que prestam este serviço.

18 O jornalismo de serviço visa, acima de tudo, abordar o "para quê" da informação, tornando-se um meio

ou instrumento de grande utilidade para os destinatários. No entanto, devemos ter em mente que este tipo de jornalismo também pode produzir efeitos negativos se a informação não for tratada com o devido rigor e precisão, razão pela qual são necessários os profissionais com conhecimento suficiente de seus respetivos assuntos de informação. (Moral & Ramírez, 1993, p. 91, tradução da autora)

Segundo Marujo (2008), no turismo, “enquanto atividade humana e fenómeno social, a comunicação estabelece a ligação entre a oferta e a procura, entre os turistas e os anfitriões” (p. 29). Desta forma, esta especialização jornalística é fundamental para ligar os dois públicos referentes ao turismo, sendo profissionais e interessados, às novidades da área. No entanto, o jornalismo de turismo não deve vender o produto, mas informar sobre economia, tecnologia, cultura, atrações turísticas, transportes, hospedagem e o que mais for necessário para manter informado o público desta especialização, a qual acaba, em alguns casos, por se intercalar com o conteúdo produzido no jornalismo especializado em viagens.

4 O espaço híbrido entre os jornalismos