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Situado o sítio num vale, chega-se a ele por uma estradinha danada de ruím. Era de ver o Ford do Saia, que nos levou lá, cabritando desesperadamente, e o dono blasfemando contra as sangras praticadas pelos lavradores no leito pedregoso e sulcado pela erosão! Gerações sem conta de cablocos e excelentíssimas famílias foram excomungadas!1

Extraído do artigo “Casa Grande e Capela do Sítio Santo Antônio”, o trecho acima aborda as peculiaridades do trajeto percorrido por seus visitantes para acesso ao referido conjunto arquitetônico. Com texto de autoria de Daniel Linguanotto, sua introdução nos dá um panorama sobre o processo de descobrimento da antiga fazenda, consequência das viagens aos domingos de Mário de Andrade, Paulo Duarte e Luís Saia, conigurando, segundo o próprio autor, “numa verdadeira caçada arqueológica”. Publicado no Jornal das Artes em 15 de janeiro de 1949, período que coincide com a conclusão da primeira fase de intervenções no monumento, seu autor se utilizou das últimas pesquisas e escritos de Luís Saia naquele momento para apresentar um breve histórico e expor as obras de restauro até então realizadas no local.

Mais de uma década antes, tais diiculdades referentes ao acesso ao conjunto já seriam mencionadas por Mário de Andrade na correspondência por ele encaminhada ao Dr. Rodrigo Mello Franco de Andrade, em 12 de junho de 1937, conforme transcrito por nós no início do capítulo anterior. Recordamos que nela o escritor já sugeriria formas de se promover melhorias desse trajeto por meio de negociações com órgãos públicos e o “sitiante dono da atual casa”. Com abordagem similar, os pesquisadores José Saia Neto e Carlos G. Cerqueira, 1997,2 e a pesquisadora Cristiane Souza Gonçalves, 2007,3 também abririam suas descrições e análises sobre esse bem em suas publicações. Essa precária situação, que perdurou por todo o período em que o monumento esteve sobre a administração de Luís Saia, só mais recentemente seria sanada com a pavimentação e a devida sinalização desse curto trajeto, atualmente conhecido como estrada municipal Mário de Andrade. Ainda hoje caracterizada por sinuosas curvas, é principalmente por meio dela que se alcança o monumento a partir da cidade de São Roque. Localizado a meio caminho da cidade vizinha Araçariguama e implantado em meio a uma topograia irregular é em um “pequeno compartimento de vale situado em posição suspensa e em setor de peril marcante assimétrico”, junto ao córrego “Boy-Poruçuguaba”,4 que encontraremos os edifícios erigidos no século 17 pelo capitão Fernão Paes de Barros – casa-grande e a capela –, os quais, na época de sua redescoberta, já se apresentavam parcialmente descaracterizados e em precário estado de conservação.

Em seu artigo de 1937, Mário de Andrade nos descreve pela primeira vez, com mais detalhes, a situação desses edifícios, bem como as ruínas referentes à casa do Barão, conforme trechos abaixo transcritos de seu texto original:

O critério para um trabalho proveitoso de defesa e tombamento do que o passado nos legou tem de se pautar, no Estado de São Paulo, quasi exclusivamente pelo ângulo histórico. No período que deixou no Brasil as nossas mais belas grandezas colônias os séculos XVIII e XIX até ins do Primeiro Império, São Paulo estava abatido, ou ainda desensarado dos revezes que sofrera. Não poude criar monumentos de arte. Se é certo que uma pesquisa muito paciente pode encontrar detalhes de beleza ou soluções arquitetônicas de interesse técnico, num teto ou torre sineira, num alpendre ou numa janela gradeada, é mais incontestável ainda, a meu ver, que São Paulo não pode apresentar documentação alguma que, como arte, se aproxime sequer da arquitetura ou da estatuária mineira, da pintura, dos entalhes e dos interiores completos do Rio, de Pernambuco ou da Baía. O critério tem de ser outro. Tem de ser histórico, e em vez de se preocupar muito com a beleza, há de reverenciar e defender especialmente as capelinhas toscas, as velhices dum tempo de luta e os restos do luxo esboracado que o acaso se esqueceu de destruir. Está neste caso a deliciosa capela de Santo Antônio, no município de São Roque, a setenta quilômetros da Capital, para as bandas de oeste.

Esta capela foi construída pelo capitão Paes de Barros no século XVII, a uns trinta metros da esquerda da casa-grande da fazenda de Santo Antônio, que ele fundara. Na própria casa-grande, aliás, existia uma sala com altar, onde, pela airmativa do barão de Piratininga, (Almanaque Literário de S. Paulo, organizado por José Maria Lisboa, 1881) o padre Belchior de Pontes ´celebrava missas e outras funções do seu santo ministério`. [...]

Que razão levou o capitão Fernão Paes de Barros a construir uma capela nova, mais monumental, na sua fazenda?... Diz o barão de Piratininga que como o oratório primitivo ‘não satisizesse o fervor religioso de d. Maria Mendonça, insistiu ela com seu marido Fernão Paes que ediicasse uma capela de inovação de Santo Antônio, e como o que a mulher quer Deus o quer, o marido satisfez os ardentes votos de sua virtuosa esposa, levantando a cincoenta (sic) metros de sua casa de moradia uma capela...’ Já porém na provisão dada pelo dr. Francisco Silveira Dias, protonatário apostólico do bispado de São Sebastião do Rio de Janeiro, para benção da capela nova, se diz que a existência desta deriva da aspereza das estradas (que até agora é a mesma...) e de ser Fernão Pais

achacoso e não poder arrastar com a família à missa em São Roque.

A provisão foi dada a 24 de setembro de 1681 e a benção, pelo padre Almeida Lara, realizou-se a 12 de Junho do ano seguinte, tendo Fernão Pais dado como patrimônio da capela as terras do sítio onde está que segundo a escritura que está a folhas 4 do livro da mesma capela é de meia légua de testada e um comprido`, como consta da provisão. A primitiva propriedade do capitão Fernão Pais de Barros sabe-se ao certo que se compunha pelo menos de dois edifícios, a casa-grande e a capela. Provavelmente teria a sua senzala tambem, pois que, no seu testamento, conhecido do barão de Piratininga, Fernão Pais instituira um vínculo perpétuo na fazenda de Santo Antônio, compreendendo, alem de terras, grande número de escravos do gentio de Guiné e do gentio de Brasil`. No plano que damos na ig. II,5 da autoria de Luiz Sáia, a senzala indicada, e que foi localizada

pelo sr. Euclides de Oliveia, antigo dono da propriedade e que ainda a encontrou, parece ser a mesma senzala primitiva, atualmente desaparecida por completo, transformando o seu lugar em roça de batatinha. A senzala correspondia em seu comprimento exatamente ao comprimento total da primitiva casa-grande de Fernão Pais, o que ainda leva a supor fosse ela primitiva. Ao lado esquerdo da casa-grande primitiva, em traço cheio na ig. I [ver ig.5 capítulo anterior], se observa uma dependência recentemente construída ligando a um edifício quasi quadrado, que não pertenceu à propriedade primitiva. Serviu este edifício de moradia principal do barão de Piratininga, quando foi proprietário da fazenda. Neste edifício, de que restam apenas as ruínas das paredes exteriores, ainda se descobrem umas pinturas amortecidas pelo tempo, feitas por agregado do barão, dizem, e representando cenas de caçadas. Na sua casa de Santo Antônio, o ilustre e político barão deu festas célebres, em que, conforme o testemunho de sua escrava ainda existente, havia caçadas e conversas de política. Está certo. A mesma ex-escrava, aliás, conta que ajudou na construção da casa nova, carregando terra para a taipa. Finalmente 14 metros das ruínas da casa do barão está a capela, cujo plano se distingue bastante, na arquitetura religiosa do Brasil, pela disposição de torre, que não está nem no próprio corpo da igreja, nem dele separado, como é geral. No entanto, pode-se com certeza airmar que a torre pertence à construção primitiva, não só pelo testemunho do barão de Piratininga, como principalmente pelo agenciamento da escadaria que leva ao “coreto”, palavra usada na zona para designar o coro da capela.

A capela de Santo Antônio tem a sua torre construida de pedra e recoberto de barro. A sineira é totalmente aberta, ainda com um pequeno sino. Os moradores se referem a um sino grande, e que não pude ainda averiguar a existência, nem onde pára. Já porém as paredes da capela, com exceção dos elementos de ligação da torre, que obedecem ao processo de construção desta, são de taipa. Apenas a parede interna, que separa a sacristia do longo comprimento que dá entrada ao púlpito e ao coreto, é de páu-a-pique. Talvez um dos mais curiosos elementos da capela de Santo Antônio seja a sua fachada. É por completo feita de madeira e, com toda a probabilidade, se conserva como foi primitivamente, pois tanto as dobradiças da porta como as molduras são iguais às existentes no interior da capela. Apenas um problema surge. Nos dois grandes esteios externos da fachada, abrem-se dois orifícios que varam esses esteios até a parede a que eles se arrimam. Um desses orifícios está perfeitamente visível na ig. II, no esteio próximo a torre. Além desses orifícios e pouco acima deles, observam-se ainda chanfraduras nos ângulos com que os esteios se defrontam. Conforme a argumentação do sr. Luiz Saia, tanto orifícios como chanfraduras parecem ser elementos de samblagem de tesouras, que formaria na frente da capela um alpendre. Repetir-se-ia, portanto, na capela de Santo Antônio a solução da fachada de igreja de São Miguel, no município de São Paulo, e que o sr. Gilberto Freyre, em casa grande e senzala, atribue inluência arquitetônica das casas-grandes. Em todo caso, cumpre observar que tal solução da arquitetura religiosa das pequenas igrejas e capelas se repete na Argentina, e pelo menos da Espanha.6

O texto de Mário de Andrade, que se estenderá por mais três páginas a partir deste ponto, tratará também dos balaústres “dispostos losangularmente” nas aberturas laterais da fachada da capela, além de fazer uma descrição mais rigorosa sobre o interior do edifício religioso. Por im, concluirá seu texto exaltando as ações do primeiro proprietário, principal responsável pelo conjunto do segundo século:

E assim, está a capela de Santo Antônio, mandada construir em 1681, na sua fazenda, pelo bandeirante Fernão Paes de Barros. Este foi um homem rico, natural de São Paulo, ilho do capitão-mor governador Pedro Vaz de Barros, o fundador de São Roque. Fernão Pais ´fez-se notavel pela sua intrepidez nas explorações do sertão e pelas riquezas que adquiriu`. Foi principalmente um ótimo auxiliar da Corôa nestas partes da Colônia, ajudando inteiramente à sua custa d. Manoel Lobo que vinha fundar a colônia de Sacramento, e ainda, antes disso, auxiliando no preparo das explorações e dando hospedagem a

Agostinho Barbalho Bezerra e a d. Rodrigo Castelo Branco. Morreu a 30 de Março de 1709, sem deixar ilhos dos seus dois casamentos. Mas de solteiro inventara uma ilha bastarda, tida duma mulata de Pernambuco, que lhe perpetuou a raça boa.7

Em uma breve relexão sobre estas informações, podemos observar que grande parte das peculiaridades arquitetônicas apontadas com certo fascínio no texto de Mário de Andrade – e, como já visto, compartilhadas com Luís Saia –, estarão presentes nas principais questões que se colocarão no tocante às intervenções realizadas em ambos os edifícios coloniais, principalmente no período correspondente à primeira fase das obras. Também podemos observar que para além do descritivo pormenorizado da capela, as outras duas construções serão citadas mais sucintamente, o que nos parece coerente pelo fato do artigo tratar da capela em si e não de todo o conjunto arquitetônico. Essa opção e deslumbramento com relação ao edifício religioso, fruto tanto da riqueza presente nos elementos da fachada, dos forros internos tabuados e suas pinturas, do arco-cruzeiro, do coro, os quadros dispostos nas paredes laterais da nave central, os altares laterais mais grosseiramente elaborados em cedro, o púlpito e suas duas águias entalhadas, o altar- mor folhado a ouro, e outros tantos elementos mais presentes no seu interior, além da torre sineira que por si só já pode ser considera como única dentre os monumentos paulistas recenseados, provavelmente direcionarão as expectativas do escritor – como sabido, muito religioso –, para que mesmo anos depois da publicação deste artigo as obras de restauro sejam iniciadas pela própria capela.8 Algumas outras mais características do conjunto, como o embasamento de pedras nas quais os edifícios se erguem, a utilização de telha vã em grande parte da cobertura da casa-grande e a adaptação da distribuição interna nessa construção não serão ou serão brevemente mencionadas pelo escritor. Nesse ponto, em nosso artigo “Luís Saia e Lúcio Costa: a parceria no Sítio Santo Antônio”, buscamos acrescer, entre outros pontos, as seguintes informações:

A casa-grande ocuparia um volume de perímetro irregular com aproximadamente 25 m de comprimento e 16 m de profundidade,9 protegido por cobertura de três águas e

apresentando claros indícios de considerável descaracterização, sendo este fato ratiicado por investigações prospectivas posteriores já durante a fase executiva, em 1945, para a ´veriicação das antigas fundações de taipa e deinição do desenho da ala ruída da casa-sede`.10 Estes trabalhos apontariam para um edifício originalmente deinido

por uma fachada de 36 m e ocupando um perímetro retangular. Esta diferença espacial seria fruto da desaparição de quatro ambientes na lateral esquerda e posterior do prédio. Em seu interior foi constada a criação de alvenarias posteriores ao desenho primitivo da construção, compartimentando e reduzindo as grandes dimensões dos ambientes

originalmente idealizados. Externamente foram também detectadas reconigurações de aberturas e fechamentos, inclusive na área que outrora deinira o alpendre frontal da ediicação, sendo este ambiente considerado como um dos traços característicos11 deste

grupo de ediicações paulistas.12

Vale neste ponto ressaltarmos que, segundo Luís Saia, essa desaparição da ala esquerda da casa-grande seria consequência da “demolição realizada para uso da madeira numa residência urbana do último proprietário”.13 Para além dessas questões, que nos permitem mensurar a situação da casa-grande com maior precisão, do citado artigo “Casa Grande e Capela do Sítio Santo Antônio”, extraímos o seguinte trecho:

Depois de trabalhosas pesquisas, eliminando as datas mais recentes, Luís Saia chegou à conclusão de que a casa foi construída por volta de 1640, icando, assim, positivado que depois da capela de São Miguel, em Baquirivu, que data de 1622, esse é o segundo edifício em antiguidade do planalto piratiningano.

[...]

A casa é completa e deinitiva. Prêve a religião para a família e para os escravos; prevê hospedes e a separação entre a família e tudo que seja adventício.

[...]

O madeirame dos caibros, cachorros, batentes, balaústres e folhas de portas e janelas é de canela preta (madeira também conhecida por “lombo de porco”). Daí sua resistência ao tempo. E note-se que já lá vão 308 anos!

Nas construções posteriores, devido à escassez de canela preta, usou-se o angico e a peroba, com prejuízo da resistência, o que não aconteceu na casa grande do sítio de Santo Antônio. Neste todo o madeiramento foi encontrado em perfeito estado, enquanto os exemplares dos séculos XVIII e XIX estão arruinados.14

O mesmo artigo, ainda nos complementa com questões diversas sobre a conformação do conjunto, tais como a sua implantação; o represamento que o córrego “Boiporuçuguaba” teria sofrido anteriormente;15 a presença do cultivo do trigo;16 e os preceitos construtivos que possivelmente serviam de referência para

seus construtores no então período:

A despeito de partirem do alto, só de perto é que se vêem construções. [...] Mais adiante, na bacia do vale, estão a casa-grande e a capela, defrontando uma capoeirinha de alecrim, onde outrora houve um enorme lago artiicial mandado construir pelo proprietário do sitio setecentista, represando o córrego Boiporuçuguaba.

Daí foram exportadas para Europa, em 1663, 500 sacas de trigo, cultura a que também se dedicava o proprietário. A casa-grande, como se vê, constitui exceção no modo de agenciar tradicional nas construções do segundo século no planalto, pois a regra das “Leis da Ìndia” desaconselhava os lugares “muito baixos”, por serem enfermiços, recomendando os agenciamentos “do norte e meio dia” (meia altura da paisagem). Pois os homens do século XVII acreditavam que o ar transportava as doenças e que certas cotas topográicas possuíam ar com doenças em estado potencial.

Na escolha do agenciamento em apreço, inluíram as excepcionais facilidades em matéria de água e a proteção contra os ventos. Uma constante nas construções de taipa do planalto, e que aí se veriica – não erigir sobre terreno em declive – advém da necessidade de plataforma plana, o que no caso presente foi obtido mediante um extenso talude de pedra.17

Já com relação à igura do fundador da fazenda e primeiro proprietário dos edifícios casa-grande e capela, “Fernão Pais de Barros”, nesse mesmo artigo o autor ratiicará grande parte das informações já prestadas por Mário de Andrade, com ressalva apenas para correção do fundador de São Roque, “Pedro Vaz de Barros, o Guaçu”, irmão de Fernão Paes de Barros:18

Natural de São Paulo, Fernão era ilho do capitão-mor governador Pedro Vaz de Barros e de d. Luiza Leme. Distinguiu-se pelas riquezas que adquiriu, e das quais empregou a maior parte no serviço do Estado, fazendo donativos a empresas da Coroa. Fernão se houve tal sorte, que quando o rei de Portugal necessitava qualquer coisa de São Paulo, dirigia-se de preferencia a ele, passando por sobre o governador da Província.

Auxiliando à sua custa d. Manuel Lobo, que vinha fundar colônia do Sacramento, fornecendo a ele hospedagem a sua tropa e mantimentos, foi honrado duas vezes em

carta régia.

Casado com Maria de Mendonça, natural do Rio de Janeiro, não deixou ilhos da mulher, ´com quem não teria coabitado`, por motivo de ´pureza de sangue`. Não sendo ela de casta nobre. [...] Mas teve de solteiro uma ilha bastarda, duma mulata de Pernambuco – Inácia Pais de Barros – que se casou, primeiro com seu primo Brás Leme de Barros, de quem herdou fortuna e em segundas núpcias com o sargento-mor José Martins Claro, natural de Miranda do Douro.[...]

Fernão era primo-irmão de Fernão Dias Pais Leme, o ´governador das Esmeraldas` e irmão de Pedro Vaz de Barros, o Guaçu, fundador de São Roque. (Este não sendo casado, deixou, entretanto, nove ilhos bastardos de diversas mulheres).19

Acerca do Barão de Piratininga, último proprietário de maior representatividade do conjunto e responsável por construir, em 1884, 20 a sua casa de morada anexa à casa-grande, o artigo nos airma tratar-se de António Joaquim da Rosa:

Outro personagem também participante desta história é o singular Barão de Piratininga – António Joaquim da Rosa – romancista, poeta satírico e político preeminente (uma espécie de edição simpliicada d. Pedro I) nascido em S. Roque entre 1817 e 1822 e morto a 26 de Dezembro de 1886.

Comendador da Imperial Ordem da Rosa, substituto do Barão de Itaúna na presidência da província de São Paulo, exerceu-a somente por cinco dias – 25 a 30 a de abril de 1869, entregando-a ao dr. José Elias Pacheco Jordão com um “uf!” que amargou seus correligionários...

Fizeram algum sucesso na época, seus trabalhos literários: ´A Assassina`, ´A Feiticeira` e a ´Cruz de Cedro`, até hoje conhecido, que teria inspirado a Júlio Ribeiro o famoso romance ´Padre Belchior de Pontes`.

´A Cruz de Cedro` é uma narrativa à maneira mais folhetinesca, cuja ação se desenrola nas imediações do sítio de Santo Antônio, onde entra uma donzela raptada por asqueroso jesuíta. O Barão não esqueceu até de apresentar o padre Belchior de Pontes, fazendo o seu consagrado papel taumaturgo.

Morreu solteiro, deixando, ao que se diz, numerosos bastardos.21

E, por im, conirmando e complementando a informação prestada por Mário de Andrade em seu artigo de 1937 acerca do relato dado por uma ex-escrava do Barão, o autor do artigo aqui em pauta, Daniel Linguanotto, ratiica que tiveram a oportunidade de conversar com a mesma – Avelina Soares da Rosa. Na época, 22 esta senhora ainda morava numa “sitioca nas proximidades de Santo Antônio, com seu segundo