Empirical Model Validation: Against Full-scale Measurements
5.5 Results and Discussion
5.5.1 Vessel motion-induced VIV dominant cases
histórias de vida na EJA
4.1.3 – Interface
trabalho/vida – Jornada de trabalho diária – Faixa salarial Quadro 2 – Professores: histórias de vida na EJA16
4.1 – PROFESSORES: HISTÓRIA DE VIDA NA EJA
4.1.1 – Características pessoais
Sexo; Faixa etária; Formação acadêmica.
Dos sete professores de nossa amostra principal, 86% são do sexo feminino e 14% são do sexo masculino e têm idades variadas entre 29-53 anos. Como podemos observar, a realidade da escola pesquisada não difere de outras realidades; a docência é uma profissão ainda eminentemente feminina, principalmente nos primeiros níveis de ensino – o segmento de atuação dos professores pesquisados. Quando fazemos essa caracterização queremos explicitar que “uma profissão marcada pelo gênero deve ser analisada em termos das
contradições que esse gênero aporta ao trabalho” (VASQUES – MENEZES, CODO, MEDEIROS, 1999, p.257).
Vasques-Menezes, Codo, Medeiros (1999, p.256) ressaltam que a entrada da mulher no mercado de trabalho, que é recente em termos históricos, se deu pela via das profissões que apontavam para o cuidar pois era esse o seu papel até então na sociedade e, ser professora foi um caminho, um campo de trabalho encontrado por muitas mulheres, pois essa profissão requer um saber cuidar, habilidade esta bastante desenvolvida/construída na mulher ao longo da história da humanidade.
Essas referências, citadas anteriormente, integram um estudo sobre a saúde mental dos trabalhadores em educação do país, publicado em 1999, pela CNTE juntamente com o LPT/UnB. Codo (1999) realizou uma grande pesquisa durante 02 anos, com 52.000 sujeitos, 1440 escolas, nos 27 estados da federação, sobre vários aspectos da vida e da profissão dos professores da rede pública estadual do Brasil – do ensino infantil ao ensino médio. Ao longo do texto estaremos a ela retornando já que aborda muitas questões pertinentes ao nosso estudo.
Em relação à formação acadêmica dos nossos sujeitos um dado importante é que 100% dos professores possuem formação superior, inclusive algumas com especialização e/ou mestrado. Apesar da diversidade de cursos (Anexo A) em que os professores são formados, percebemos que todos têm curso superior na área da educação.
4.1.2 – Características Funcionais
Tempo de serviço; Tempo de serviço na Escola; Tempo de serviço na EJA da Escola; Nível de atuação; Vínculo empregatício na Escola; Função que exerce extra Escola.
Considerando o indicador tempo de serviço como professor, todos os sujeitos da pesquisa têm mais de dez anos de docência e desses, 71% têm mais de 15 anos. Em relação ao tempo de serviço na Escola, dos professores entrevistados, 57% passaram a maior parte de sua vida profissional trabalhando na Emília Ramos, como é o caso de P1, P4, P5 e D117. Diante desse dado, inferimos que a identidade desse grupo, em relação à Escola, já se encontra bastante desenvolvida. Quanto ao tempo de serviço na EJA da Escola, 57% dos professores têm mais de nove anos dedicados.
Em termos do nível de atuação, 50% dos professores atuam no nível I da EJA e 50% no nível II. Temos ainda um professor de Educação Física, uma pessoa da coordenação e outra da direção que atuam nos dois níveis de ensino. Considerando o vínculo empregatício na Escola, 86% são do quadro efetivo e apenas 14% têm contrato provisório. Em relação à situação dos professores que estão na Escola como contrato provisório, há uma preocupação pela descontinuidade do trabalho, porque sempre que chega um professor novo, este terá que se adaptar ao ritmo dos trabalhos e ao projeto da Escola. É oportuno destacar que, apesar da situação de quem trabalha com contrato provisório, percebemos nesses professores muita integração ao cotidiano e preocupação em
desenvolver uma prática pedagógica que esteja em consonância com a proposta em prática. É preocupação da direção, que professores e funcionários que entram na Escola se apropriem da proposta pedagógica. Para isto, são realizadas reuniões de estudo com o grupo, para apresentação das diretrizes e do projeto político pedagógico.
Analisando os dados percebemos que, com exceção da direção, que atua nos três turnos da Escola Emília Ramos, todos os professores pesquisados possuem outra função extra escolar; desses, 71% desempenham no outro vínculo atividade de docência.
4.1.3 – Interface trabalho/vida
Jornada de trabalho; Faixa salarial.
Analisando nossos dados, verificamos que 100% dos professores pesquisados possuem dupla jornada de trabalho e para 57% deles a EJA é o terceiro expediente.
Nessa dupla e tripla jornada de trabalho diária, os sujeitos da pesquisa estão na faixa salarial entre 04 e 09 salários mínimos. A situação dos docentes da Escola pesquisada não é diferente dos professores das escolas públicas brasileiras que precisam trabalhar o dia inteiro em mais de uma escola; muito mais para garantir apenas as condições materiais básicas para a sobrevivência do que em busca de uma vida mais confortável, para eles ou, no caso de alguns, para a família.
Um dos trabalhos que integram o estudo da CNTE é o que versa sobre a situação salarial dos professores e ficou a cargo de Soratto e Olivier-Heckler (1999). Estes ressaltam que
Mais de 40% dos professores ganham menos de 500 reais por 40 horas semanais de trabalho e pouco mais de 10% ganham 1000 reais ou mais. [...] A partir de uma comparação com trabalhadores brasileiros em ocupações menos qualificadas, alguém, poderia argumentar que estes salários não estão baixos para os padrões nacionais, mas não é uma comparação razoável, apesar da desvalorização que o trabalho do professor sofre, já que as exigências de formação para o professor são claramente definidas, inclusive do ponto de vista legal. Portanto, em termos salariais, as condições oferecidas ao professor não são compensadoras e estão em desacordo com o nível de exigência da função (SORATTO;OLIVIER-HECKLER, 1999, p.94).
A profissão docente exige que o professor garanta com o salário não apenas as condições materiais básicas à sobrevivência, mas também compre livros, faça cursos, acesse o computador, assista a bons programas de tv – dificilmente encontrados em canais abertos –, vá ao teatro, cinema, pois, como mediador de conhecimento que é, precisa também desses instrumentos disponíveis na sociedade para fazer face às exigências impostas pela globalização à profissão. Sabemos que a situação salarial não garante ao professor estas outras condições. Odelius e Codo (1999, p.193), em um dos trabalhos, ressaltam a situação salarial dos professores:
O salário será adequado quando o valor pago ao trabalhador suprir suas necessidades; será baixo quando faltar algo à mesa ou a biblioteca do professor; será alto quando permitir que se amplie o poder de consumo definido pela cultura e desenvolvimento histórico
da categoria, envolvendo alguns supérfluos, ou, o que é o mesmo, se amplie o patamar das necessidades desta categoria profissional.
Muitas são as atribuições do professor que, além do expediente na escola, precisa planejar suas aulas, estudar conteúdos a serem ministrados, registrar desempenho dos alunos, participar da gestão escolar e ter um tempo para o lazer, descanso e família. Considerando que a atividade docente passa pela ação/reflexão/ação, como isso pode se operacionalizar dadas as condições de vida do professor?
Vasques-Menezes, Codo e Medeiros (1999, p.258) advertem que esses conflitos entre a vida profissional e pessoal, essa falta de tempo para a dedicação que a profissão e a vida familiar, exigem, levam o professor a um “sofrimento psíquico, à exaustão emocional e a despersonalização”.
É oportuno destacar que, além do já exposto, os professores se deparam, diariamente, com escolas sucateadas e alunos que, dada a sua situação de existência, carregam inúmeros problemas afetivos, cognitivos e sociais. A situação dos alunos se agrava quando se trata do ensino de jovens e adultos, pois estes carregam consigo a desesperança e a marca do fracasso escolar.