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3 TEORI OG HYPOTESER

3.1 T EORI

3.1.1 Vertikal produktdifferensiering

Como Kern (2000) não apresenta em seu texto todas as estratégias de leitura, buscamos diversos autores que trataram dessa questão como Paiva (2005), Souza (2005), Munhoz (2000), Solé (1998), Dota (1994) e Oliveira (1994) para elencar outras estratégias consideradas importantes no processo de leitura.

Solé (1998) enfatiza a necessidade de o leitor dominar as estratégias de leitura de forma consciente, pois, quando se depara com alguma dificuldade no processo de leitura de um texto, poderá recorrer às estratégias para chegar à compreensão.

Kern (2000) aponta o conhecimento prévio como uma estratégia frequentemente utilizada por leitores antes, durante e após a atividade da leitura. De acordo com o autor, o conhecimento prévio pode contribuir e influenciar a interpretação do leitor, na medida em que leva o leitor a pensar de uma determinada forma antes e durante a leitura de um texto, e fazer com que ele reflita após a leitura do mesmo atribuindo novos valores ao pré-conhecimento. A reflexão acerca do novo conhecimento adquirido pode levar o indivíduo a adquirir novos valores, atitudes e percepções.

Na concepção de Kern (2000), para um leitor crítico, o texto não está acima de tudo. A leitura de um texto implica a contextualização em que o texto foi escrito, além de recontextualizá-lo ao mundo ao seu redor e ao seu próprio “eu”. Sua interpretação, nesse sentido, é única e independente de qualquer regime autoritário.

É por meio da leitura crítica que o leitor se vê na condição de interagir. Existe, nesse sentido, um diálogo entre o leitor, o texto e o autor. Muitas vezes, esse diálogo é pacífico e prazeroso, porém isso nem sempre acontece. O modelo de letramento proposto por Kern (2000) possibilita ao leitor se posicionar efetivamente em relação a um determinado assunto. É por meio da leitura crítica que o leitor se insere numa determinada sociedade e se emancipa social e politicamente. Seus valores, suas crenças, suas percepções e suas atitudes estão acima de tudo e se fazem presentes em sua leitura e em seus atos.

Outra estratégia importante é trabalhar com os alunos o papel dos elementos referenciais, os quais, de acordo com Dota (1994), são ferramentas importantes na compreensão de um texto. Eles substituem palavras constantes no texto e podem ter classe gramatical diferente, a saber, pronomes pessoais, possessivos, demonstrativos, relativos e indefinidos, numerais ordinais ou palavras que indicam ordem ou

exemplificação. Eles são utilizados para levar o pensamento do leitor de volta para algo que foi mencionado anteriormente, fazendo com que a leitura flua de forma mais dinâmica e menos repetitiva, situando o leitor no decorrer do texto.

Segundo Paiva (2005), a atividade da leitura engloba um processo de construção de significados. Envolve, também, o processamento das informações a que o leitor tem acesso e o seu conhecimento prévio, ou conhecimento de mundo, que usa na tentativa de compreensão do texto. Para tanto, o leitor necessita utilizar várias estratégias que o auxiliarão na compreensão do texto. Essas estratégias incluem o seu conhecimento linguístico, o reconhecimento dos elementos de coesão textual que o texto apresenta, a identificação dos prefixos, sufixos, conjunções, cognatos e palavras-chave. Além disso, o leitor também pode fazer predições, inferências e levantar possíveis hipóteses na tentativa de prever as informações contidas no texto. Maior êxito terá o leitor que fizer uso dessas estratégias de leitura, bem como todas as dicas que o próprio texto apresenta.

Munhoz (2000) descreve skimming como a estratégia de leitura que consiste numa leitura rápida e breve de um texto qualquer, numa tentativa de apreender o assunto geral apenas, se esse for o objetivo. O leitor faz uma leitura rápida para compreender os conceitos e ideias principais. Por isso, nessa fase da leitura é comum que o leitor recorra ao título, subtítulo, ilustrações, gráficos, nome do autor, início e final dos parágrafos, itálicos e sumários, pois são nesses locais que se acumulam as principais informações. Esse tipo de procedimento é bastante comum quando corremos os olhos pelo jornal antes de iniciarmos a leitura de algo que nos interessa.

Scanning, segundo Oliveira (1994), consiste na estratégia de leitura em que o leitor procura localizar elementos e informações específicas e objetivas no texto em que está interessado. Diferentemente de skimming, por meio do scanning o leitor é seletivo e nem sempre necessita ler o texto todo para obter as informações necessárias. Nessa fase da leitura, o leitor está interessado em respostas a perguntas como quem, onde, qual, como, quando e de quem. A procura dos tipos de contágio da AIDS em um texto sobre a doença é um bom exemplo dessa estratégia.

Os cognatos, de acordo com Paiva (2005), também são considerados uma ferramenta importante na atividade da leitura, já que podem auxiliar bastante no entendimento do texto. Eles são bastante comuns na língua inglesa, e apresentam procedência grega ou latina. Por isso, são muito parecidos com a língua portuguesa, tanto na forma escrita quanto na forma falada. Eles podem ser idênticos (hospital, radio,

piano), bastante parecidos (inflation, population, gasoline) e vagamente parecidos (responsible, activity).

Os afixos, conforme destaca Munhoz (2000), constituem uma ferramenta bastante útil na compreensão de um texto. O conhecimento dos prefixos e sufixos de uma língua estrangeira pode facilitar o entendimento dos vocábulos contidos nos diversos gêneros textuais. Mesmo o leitor não sabendo a raiz da palavra, o domínio do significado dos prefixos e sufixos pode auxiliar na compreensão do vocábulo. Além disso, as palavras que circundam os vocábulos também podem ajudar na inferência do significado.

Os elementos de coesão textual, ou marcadores discursivos, também são considerados uma estratégia importante na compreensão das relações estabelecidas entre as sentenças e as ideias de um texto. São preposições, conjunções, advérbios e locuções que estão presentes dentro da estrutura de um texto, e que organizam e estabelecem as relações lógicas dentro de sua composição. Esses elementos articuladores, segundo Munhoz (2000), expressam diversas ideias como contraste, adição, condição, causa, consequência e resultado.

Souza (2005) defende que as palavras-chave ou palavras repetidas são mais uma das estratégias que o leitor tem para lançar mão durante a atividade da leitura. Quando certas palavras se repetem inúmeras vezes no decorrer do texto, mesmo em formas diferentes como substantivo, adjetivo, advérbio e verbo, devem ser consideradas importantes para a compreensão do texto. Geralmente, essas palavras estão mais de perto associadas ao assunto do texto, podendo aparecer na forma de sinônimos.

Como coloca Souza (2005), as marcas tipográficas são elementos frequentemente ignorados pelos leitores. Porém, várias são as ocasiões em que elas apresentam informações importantes e imprescindíveis para a compreensão do texto. Elas nem sempre são representadas por meio de palavras, podendo ser expressas por meio de figuras, ilustrações, gráficos, charges, além de títulos, símbolos, letras maiúsculas, negrito, itálico, aspas, subtítulos e datas.

A predição, segundo Munhoz (2000), é uma atividade de pré-leitura. Essa estratégia auxilia o aluno a predizer e inferir o conteúdo do texto por meio dos elementos tipográficos. Nessa fase, o leitor elabora hipóteses sobre o texto a ser lido, sendo que elas podem ser confirmadas ou rejeitadas posteriormente. A antecipação do

conteúdo do texto ajuda o leitor a refletir sobre o seu assunto antes mesmo de lê-lo. Esse procedimento contribui para estimular a curiosidade e o interesse do aluno pelo texto.

Esta exposição do modelo de leitura de Kern, acrescida do aprofundamento das estratégias utilizadas no processo de leitura com base nos autores citados, auxilia-nos a entender a nova proposta curricular de língua inglesa para o estado de São Paulo (2008) que será apresentada no capítulo 2.

2. ABORDAGENS DE ENSINO E A NOVA PROPOSTA CURRICULAR DE