• No results found

4 DATA ANALYSIS

4.6 Hotel N2

4.6.2 Verthuset-Inn Manager

A observação foi realizada no período de 01 de agosto a 14 de novembro de 2007. Ao todo foram observadas sessenta e seis aulas. Ocorreu durante o turno da noite, período em que é oferecida a disciplina HFC para os estudantes do Curso de Licenciatura em Física.

Em relação ao número de alunos matriculados, cursaram essa disciplina vinte e quatro (24) licenciandos.

Para registrar os dados provenientes da observação foi utilizado um diário de campo. Para orientar o procedimento de observação foram definidos, a priori, através de observação preliminar alguns pontos. São eles:

a) Estratégias de ensino utilizadas pelo professor, bem como as atividades realizadas em aula e extra classe;

b) A exposição do professor-formador.

Na próxima seção será feita a análise e discussão dos dados coletados na observação. A mesma baseia-se no processo de categorização dos relatos de observação através do procedimento de contar a incidência dos fenômenos ocorridos em sala de aula (FLICK, 2004).

Análise e discussão dos dados

Em relação às estratégias de ensino utilizadas pelo professor-formador na disciplina HFC estão listados na tabela 3 os métodos de ensino utilizados, bem como as atividades realizadas em aula e as atividades extra classes.

Tabela 3 - Estratégia de ensino utilizada pelo professor-formador responsável pela disciplina História e Filosofia da Ciência.

Estratégia de ensino... Nº de aulas %*

1. Discussão coletiva. 46 69%

2. Retomada de atividade extra classe. 44 66%

3. Exposição. 30 45%

4. Avaliação (prova escrita). 6 9%

5. Atividades realizadas em sala de aula. 4 6%

6. Uso de demonstração. 4 6%

7. Projeção de filme. 2 3%

*O valor da porcentagem está relacionada ao número de aulas em que a estratégia de ensino foi utilizada, podendo ocorrer o fato de duas ou mais estratégias terem sido utilizadas numa mesma aula.

Como apresenta a tabela 3, em 69% das aulas a estratégia de ensino mais utilizada na disciplina HFC é a Discussão Coletiva. Esse tipo de atividade é caracterizado pelo debate que é realizado em torno da leitura de textos propostos pelo professor-formador em aula anterior. Ou seja, sempre numa aula antecedente a outra o professor sugere a leitura e estudo de um texto. Assim, na aula seguinte, esse texto é discutido, debatido, analisado, refletido. Nessa atividade o professor busca assumir o papel de mediador, na maioria das vezes o professor-formador pede para os licenciandos iniciarem a discussão, apresentando seus pontos de vista, dúvidas e questionamentos sobre os textos trabalhados em aula.

Em 66% das aulas, outra estratégia de ensino bastante utilizada diz respeito à Retomada de atividade extra classe. Essa, por sua vez, é constituída pela leitura e elaboração de resumo; pela elaboração de um relato sobre os processos mentais e raciocínios acionados para decifrar o enigma (atividade do enigma extraterrestre); elaboração de uma apreciação sobre dinâmica de grupo; e pela elaboração de um relato do filme – Quem somos nós? - a partir de cinco questões elaboradas pelo professor. Entre essas atividades a mais utilizada foi a leitura e elaboração de resumos. Em 60%24 das aulas o professor-formador recomendou ao licenciando a leitura e elaboração de resumos dos textos que seriam discutidos na aula seguinte. Para o professor a elaboração dos resumos faz parte do processo de ensino- aprendizagem da disciplina, neste sentido, ele recomenda escrever os resumos para alguém que não leu o texto e lendo o resumo entenda o que o capítulo quer dizer (AULA 5). Em 6%25 das aulas aparecem as outras atividades: A elaboração de um relato sobre os procedimentos adotados para decifrar o enigma. Nessa atividade o licenciando necessitava descobrir quais símbolos completavam o conjunto de sinais estabelecidos pelo professor, bem como o sentido dos sinais. A outra atividade refere-se à elaboração de uma apreciação sobre a dinâmica de grupo realizada em sala de aula. Essa atividade tinha por objetivo explicar a origem da matéria sob o ponto de vista de uma das linhas de pensamento (atomista e quatro elementos) como se ela fosse exclusiva. Dessa forma, a turma foi dividida em três grupos: dois grupos de debatedores, os quais, após um tempo, tinham suas funções trocadas e um grupo de síntese, que no final da dinâmica tinham por finalidade apresentar uma síntese do debate.

24 Porcentagem calculada tomando como referência 66% das aulas. 25 Idem.

Em 45% das aulas, o professor utilizou a Exposição como estratégia de ensino. Essa é caracterizada pela explicação de trechos dos textos considerados relevantes por ele, bem como pela apresentação do assunto que será cobrado na avaliação. Nestas aulas, são poucas as intervenções dos alunos.

Passando para as estratégias utilizadas em menos de 10% das aulas, é possível constatar a realização de Prova Escrita (9%) para avaliar o rendimento do licenciando; de Atividade em sala de aula (6%); Demonstração (6%) e Projeção de Filme (3%). Embora seja citada, essa última atividade não chegou a ser concluída. Em relação à avaliação escrita, essa era realizada após ser cumprido um terço dos conteúdos programados para a disciplina, em outras palavras, após uma média de doze aulas o rendimento do estudante na disciplina era avaliado através de uma prova escrita. Essa contemplava o assunto dos textos trabalhados, bem como as atividades práticas realizadas em aula. Em relação às atividades em sala de aula, no segundo dia de aula (AULA 2) a tarefa do enigma extraterrestre foi realizada e no nono dia (AULA 9) foi realizada a dinâmica de grupo. Essa última tomou como pré-requisito as discussões realizadas nas aulas anteriores. Para o professor-formador as atividades práticas desenvolvidas na disciplina podem ser aplicadas no ensino médio. Observa-se, portanto, certa preocupação do professor com o uso da HFC no ensino médio dentro do tipo de abordagem da HFC defendida por ele. Além disso, entende-se que o professor-formador procura oferecer ao estudante (licenciando) práticas de ensino que envolvam elementos da HFC, considerando que isso é uma das principais dificuldades encontradas pelo estudante quando ele vai utilizar HFC em suas aulas em nível médio.

Por fim, aparece o uso de demonstração. Essa se constituiu pela confecção de um bolo a partir dos ingredientes propostos em um dos capítulos do livro do escritor, educador e psiquiatra Rubem Alves - Filosofia da Ciência (1990). Essa atividade teve por finalidade discutir os critérios de cientificidade. Isto é, sob o ponto de vista do autor do livro discutir os critérios de demarcação do que é e o que não é científico. Tal fato implica numa visão não absoluta da ciência, sendo esta transitória, e se constituindo numa construção humana.

Com relação à fala do professor-formador, na tabela 4 são listadas as unidades de análise que foram sendo formadas a partir do seu discurso em sala de aula. Assim, conhecendo a fala do professor buscou-se verificar o seu sentido (a

quem ou ao quê está sendo direcionada a fala) e, dessa forma, classificá-las em unidades de análise.

Tabela 4 - Fala do professor-formador da disciplina História e Filosofia da Ciência.

Fala do professor-formador... aulas Nº de %*

1. Relacionada aos textos trabalhados em aula. 54 81%

2. Relacionada ao licenciando. 36 54%

3. Relacionada à natureza da ciência. 24 36%

4. Relacionada à disciplina HFC. 22 33%

5. Relacionada ao conteúdo de Física. 18 27%

6. Relacionada ao ensino de ciências. 16 24%

7. Relacionada à avaliação (prova escrita). 16 24%

8. Relacionada à HFC (conteúdo). 12 18%

9. Relacionada à Filosofia. 10 15%

10. Relacionada às atividades realizadas na disciplina. 10 15%

11. Relacionada ao professor-formador. 8 12%

12. Relacionada ao conhecimento acadêmico. 2 3%

*O valor da porcentagem está relacionado ao número de aulas em que a fala foi referida.

Ao se averiguar a tabela 4 descobre-se que em 81% das aulas observadas as discussões realizadas estão relacionadas aos textos que foram trabalhados em aula. Sobre os assuntos desses, estão vinculados à origem e evolução do conhecimento científico, a reflexões epistemológicas acerca do fazer científico e a questões referentes à sociologia da ciência. Neste sentido compreende-se que a disciplina privilegia uma discussão de caráter epistemológico e sociológico. Também são discutidos o ponto de vista do autor do texto sobre o fazer científico; as suas preocupações (por exemplo, em relação ao ensino de ciências, a mistificação da ciência) e os aspectos contraditórios em alguns autores. Em relação aos textos

adotados, os comentários estão associados ao objetivo do texto, as vantagens que ele apresenta (por exemplo, na AULA 6, o professor expõe algumas vantagens do livro do Chassot, são elas: escrito para o ensino médio; aberto a concepção espontânea; não crítica a Alquimia) e a recomendações de como ler o texto.

Em 54% das aulas, verifica-se que o professor fez referência ao licenciando (ver tabela 7). Ou seja, ao papel do futuro professor no ensino; ao conhecimento que o licenciando deve possuir; a formação do licenciando, na universidade e a visão do licenciando sobre a ciência. Em relação ao papel do licenciando no ensino, o professor-formador demonstra certa preocupação com a atitude do graduando e ao conteúdo que ele vai transmitir em sala e aula. Transcreve-se, abaixo, alguns trechos dos relatos da observação referente a esse aspecto.

AULA 18. O professor de física não pode ser uma pessoa que tenha uma visão limitada sobre os conceitos da Física. Ele deveria fazer uma interface com questões sociais.

AULA 22. Você enquanto professor não pode explicar somente F=m.a, mas por que algumas pesquisas são feitas e outras não. O professor também destaca que o licenciando precisa discutir em sala de aula questões sobre a natureza da ciência, apontando que esta é uma construção humana.

AULA 23. Ao fazer referência as questões sociais que permeiam o fazer científico, o professor menciona que estas questões devem ser levadas para sala de aula, no ensino médio. Isso também é responsabilidade do professor de física.

Sendo assim, entende-se que o futuro professor não pode atrelar-se somente aos conteúdos específicos de Física, mas tem que se apoiar em outras competências na hora de transmitir o conteúdo, principalmente as questões de âmbito social que envolvem o desenvolvimento do conhecimento científico.

Em relação ao conhecimento que o licenciando deve ter, além do conteúdo específico da Física, o professor aponta a necessidade do licenciando deter conhecimentos relacionados à área de ciências humanas. Tanto os conhecimentos ligados diretamente a HFC como os conhecimentos de outras áreas da educação. Seguem alguns exemplos:

AULA 4. Nesta aula o professor destaca que além do conhecimento teórico da Física, o futuro professor deve deter outras competências e habilidades voltadas a área de Educação, principalmente as relacionadas à HFC.

AULA 10. É preciso ao professor de Física outras leituras, em particular da área de humanas, além das leituras específicas da área.

AULA 24. O professor fala que os alunos carecem de referenciais teóricos – por exemplo, textos sobre Bacon, Descartes, entre outros - que lhes possibilitem o entendimento dos textos trabalhados na disciplina.

Em relação à formação do licenciando, para o professor o curso se constitui em um obstáculo para a prática profissional do futuro professor em sala de aula (no ensino médio), bem como para a inserção da HFC na formação do licenciando. Neste sentido, verifica-se a importância da HFC para a formação do professor já que essa estaria, em sua opinião, ainda mergulhada num modelo tecnicista. Exemplos:

AULA 26. A loucura da formação do licenciando não permite este tipo de discussão em outro momento do curso. Além disso, o professor-formador declara que o licenciando está fechado numa formação conteudista, tecnicista.

AULA 28. A própria formação do licenciando é voltada para um modelo tecnicista, há valorização do conteúdo específico. Embora, atualmente, se fale em superar o processo de ensino/aprendizagem que é baseado ainda na transmissão. Ainda nessa aula ele menciona que os cursos de licenciatura precisam oferecer uma formação crítica até mesmo incorporada ás disciplinas de conteúdo específico.

AULA 38. Nessa aula o professor-formador fala que o licenciando é doutrinado em sua formação.

Acerca da visão do licenciando sobre a ciência, o professor-formador acredita que parte dos licenciandos já entende a nova visão de ciência a eles apresentada. O professor fala, também, que os licenciandos estão prontos para verificar que existiram vários pensadores que estudavam sobre a natureza do fazer científico. Compreende-se, portanto, que um dos objetivos da disciplina HFC é desfazer no licenciando a idéia de que a ciência detém a verdade absoluta.

Passando para o próximo aspecto citado na tabela 4, observa-se que em 36% das aulas o professor fez referência a aspectos da natureza da ciência. Alguns exemplos:

AULA 2. A ciência não é racional. A ciência é um empreendimento humano. AULA 4. A ciência não é um lugar de certezas. Não é uma construção cumulativa, nem linear. O professor fala também que a Física é uma construção humana historicamente contextualizada, sendo um empreendimento do intelecto humano.

AULA 22. Nesta aula o professor-formador, ao discutir sobre os critérios que demarcam o que é e o que não é científico, afirma que não existe um certo na ciência. Também que um conhecimento científico é considerado verdadeiro se ele puder ser refutado, segundo o filósofo da ciência Popper. Ainda diz que o conhecimento científico é transitório e que não lida com o absoluto. Além disso, destaca que a ciência voltou a fazer pesquisa fitoterápica por motivos econômicos.

AULA 26. O professor-formador comenta, nesta aula, que as maiores Revoluções Científicas também foram influenciadas por aspectos sociais. E que uma pequena parcela da população usufrui das contribuições da ciência.

Nota-se, aqui, que o professor-formador procura através das explicações, debates e discussões realizadas em sala de aula desfazer, no licenciando, a imagem absolutista, neutra, acabada do conhecimento científico. Tal fato é considerado preponderante por aqueles (HARRES, 1999; GIL-PÉREZ et al., 2001; EL-HANI, 2006) que defendem uma concepção adequada da natureza da ciência, uma vez que essa, possivelmente, acarreta implicações para a prática em sala de aula do licenciando.

Outro aspecto da fala do professor diz respeito à disciplina História e Filosofia da Ciência, aparecendo em 33% das aulas. Este aspecto está diretamente ligado a inserção da disciplina no currículo do curso de licenciatura em Física; a função desempenhada pela disciplina; a organização do conteúdo trabalhado na disciplina e a característica da disciplina. Veja alguns exemplos:

AULA 6. A disciplina HFC chega muito tarde ao curso. Isso pode ocasionar uma má formação acadêmica com relação à disciplina.

AULA 21. A funcionalidade da disciplina é instrumentalizar o aluno com termos, tipo: ontológico e epistemológico para que saibam utilizá-los.

AULA 26. Para o professor-formador a característica da disciplina depende de quem leciona ela. Ele diz que a disciplina pode apresentar um caráter conteudista (ou internalista). Para ele esse enfoque é perigoso. Neste sentido, o professor afirma que prefere um enfoque externalista.

AULA 27. Embora pouco citada, o professor aponta que a disciplina, também, tem a função de esclarecer questões relacionadas à história da física, por exemplo, o caso do questionamento de Einstein que dá origem a teoria da relatividade.

AULA 33. Nesta aula o professor comenta que a proposta das duas primeiras unidades da disciplina era preparar o licenciando para a terceira unidade. Nesta unidade da disciplina o caráter textual muda. O professor menciona ainda que nas duas primeiras unidades tinha o licenciando como um aristotélico.

AULA 34. Após o comentário de um dos alunos de que nessa disciplina suas dúvidas vão aumentando, comparando-a com outras disciplinas do curso, o professor-formador afirma que o objetivo da disciplina é esse mesmo: inquietar, despertar dúvidas, bem como desfazer no licenciando uma suposta ideia equivocada do que é ciência.

Outro aspecto que surge a partir da fala do professor-formador diz respeito ao conteúdo de Física, em 27% das aulas, ele refere-se a exemplos que envolvem questões específicas da área de física. Apesar do caráter internalista da história da ciência ser um fato relevante, que possibilita a compreensão de determinados conceitos da física, este aspecto não é aprofundado na disciplina. Este aspecto se restringe a alguns exemplos dados pelo professor. Além disso, o professor na primeira unidade da disciplina afirma que não é pretensão da disciplina aprofundar este aspecto. Constata-se esse discurso nos exemplos abaixo:

AULA 7. Após destaque de trecho do livro – O Universo: teoria sobre suas origem e evolução (Martins, 1994) – o professor faz referência à segunda lei da termodinâmica.

AULA 27. O início do questionamento de Einstein acerca da Teoria da Relatividade surge quando a teoria do magnetismo de Maxwell não obedecia a Teoria da Relatividade de Galileu.

Em 24% das aulas aparecem menções ao ensino de ciências. Tais menções referem-se à forma de conduzir o ensino de ciências e a inserção da HFC no ensino médio. Eis alguns exemplos:

AULA 5. Segundo o professor-formador é necessário desfazer o aspecto doutrinário do ensino de ciências. Ele também fornece esclarecimentos sobre a importância de se levar para o ensino básico discussões de história e filosofia da ciência, que visem desenvolver nos alunos um pensamento crítico sobre o fazer científico.

AULA 10. O professor afirma que, embora seja importante fazer contas, é preciso mudar a forma de ensinar física.

AULA 23. O mestre esclarece que diante da crise civilizatória, bem como de alguns problemas de âmbito social, político e econômico o ensino de Física precisa levar em consideração esses fatores. Precisa ser conduzidos de outra forma.

AULA 31. O licenciando precisa levar elementos da cultura local para a sala de aula.

Passando para o próximo item da tabela 4, observa-se que em 24% das aulas o professor-formador faz comentários a respeito da avaliação, dando instruções para a sua realização, bem como fazendo comentários após a prova. Nota-se, portanto, que as questões que a compuseram estão vinculadas aos textos trabalhados em sala de aula, bem como a questão de como levar este tipo de reflexão (sobre a HFC) para o ensino médio.

O próximo item, referente à história e filosofia da ciência aparece em 18% das aulas. Esse aspecto está ligado ao uso da história e filosofia da ciência no ensino de ciências; a contribuição da HFC; a presença da história da ciência no livro didático e ao tipo de abordagem da história e filosofia da ciência. No primeiro caso, são discutidas as dificuldades encontradas pelo licenciando para levar a história e filosofia da ciência para sala de aula. Tal fato tem estreita ligação com as principais dificuldades apresentadas pelos estudantes de licenciatura e professores de física, para se trabalhar com a HFC no ensino médio (MARTINS, 2007). Aqui, o professor propõe alguns possíveis caminhos para viabilizar estas dificuldades. Veja dois exemplos:

AULA 4. Respondendo a um questionamento de um aluno de como levar a HFC para sala de aula, já que esse acredita ser complicado fazer isso, o professor diz que essa articulação pode ser feita através de dinâmica de grupo; a questão não é mudar a disciplina para a HFC, mas incorporar temas da HFC nos programas e no currículo da disciplina.

AULA 26. Também, diante da dificuldade apresentada pelo estudante para levar a HFC para o ensino médio, o professor contrapõe-se a afirmação e aponta que uma solução é utilizar a problematização.

Além disso, verifica-se que o professor recomenda ao licenciando que para usar a HFC é necessário pensar como na época (AULA 10).

Sobre as contribuições da HFC, é citado que esta possibilita a compreensão da via de construção do conhecimento científico (AULA 4) e a humanização da ciência (AULA 33). Esses aspectos têm estreita ligação com a defesa que é feita acerca do uso da HFC (MATTHEWS, 1995; PEDUZZI, 1999; GIL-PÉREZ et al., 2001; MARTINS, 2006; MARTINS, 2007).

Em relação à maneira como a história da ciência aparece nos livros didáticos (ensino médio), o professor-formador destaca que o que tem aparecido nos livros didáticos sobre a história da ciência não passa de uma pílula dourada (ou estão erradas, em alguns casos, ou não são de boa qualidade). Sobre o tipo de abordagem (externa ou internalista) da HFC, para o professor-formador muitos se interessam pelo assunto, mas não numa perspectiva externalista (AULA 31). Com base na literatura, muitos dos que defendem a HFC na formação de professores advogam a favor de uma abordagem externalista, como menciona Matthews (1995). Apesar da preferência do professor por uma abordagem externalista, ele afirma que deveria existir certo equilíbrio entre uma abordagem internalista e externalista.

Passando para o próximo aspecto das declarações do professor, em 15% das aulas, o seu discurso fez referência à filosofia. Tal aspecto refere-se à importância da filosofia. Em sua opinião ela ajuda na organização do pensamento (AULA 8).

O próximo item da tabela refere-se às atividades realizadas na disciplina. Em 15% das aulas o discurso do professor corresponde a instruções para o