BESLEKTEDE OG RELEVANTE OMRÅDER
3. Verktøy for å vurdere kvaliteten av behandlingslinjer
O grupo é composto por 12 famílias, das quais seis são certificadas e assim podem utilizar o selo da Rede Ecovida. Residem em casas distantes uma das outras, fato destacado pelos técnicos do Cepagro e alguns agricultores como um complicador da
vida em comunidade – o isolamento pela distância geográfica e a falta de transporte para o deslocamento fazem com que a convivência seja muito restrita. Além disto, o grupo não tem um local de encontro como a Escola ou o Mercado do produtor em Garopaba, e não realizam reuniões constantes.
O espaço de troca e convivência é resgatado de outra forma, propiciando interdependência e partilha de experiências. Uma das práticas mais significativas são as que incluem as atividades no Conselho de Ética e Certificação. Estas exigem postura crítica e habilidade em lidar com conflitos, já que se pretende avaliar o trabalho dos participantes, visando garantir a produção orgânica e a transformação da propriedade em agroecológica.
O conselho de ética presta informação, cada grupo tem uma representação, então de modos que eles se inserem. Não é recomendado que fiquem sempre as mesmas pessoas. Há alguma alternância e a alternância acaba sempre remetendo as pessoas que não tem esse perfil, essa disposição de participar e a rede faz com que acabe indo, que essa simplicidade seja benéfica para um lado e outro, tanto para o individuo como para o conjunto porque há sempre uma troca de experiência. Um sabe de uma coisa ou vai e aprende alguma coisa, as coisas vão se nivelando (José Abrilino, produtor do grupo Paulo Lopes/núcleo Litoral Catarinense).
De forma geral, as práticas sociais mais recorrentes no grupo permitem um tipo de experiência relacionado ao aprendizado de técnicas com foco produtivo.
Este é o mais antigo dos três grupos pesquisados no núcleo Litoral Catarinense, mas é possível notar maior articulação no grupo de Garopaba. Isto pode ser explicado pelas reuniões freqüentes nas quais discutem projetos coletivos e trazem a público
questões individuais sobre planejamento de vida. Um fato que diferencia também a dinâmica dos três é a existência de dois líderes que representam o grupo Paulo Lopes em diversas situações62, enquanto em Garopaba isto ocorre de forma mais diluída, e em Três Barras não há uma apresentação significativa de iniciativas individuais ou mesmo do próprio grupo. Os membros mantém participação ativa, mas em processos geralmente iniciados pelo Cepagro ou pelos técnicos do Comitê de Microbacia, que atua na localidade. Pode-se verificar, no entanto, que o projeto recente que implementou a atividade da tecelagem teve encaminhamentos originados da própria comunidade.
Família PIRES
José Abrilino Bueno Pires e Maira Jean Aguiar Pires residem na zona rural da cidade de Paulo Lopes há 14 anos. São considerados ‘neo-rurais’, termo que define a
62 Um destes representantes ocupou a Secretaria de Agricultura do município no mandato de prefeito que
condição de moradores de cidades que resolveram mudar para o campo, sem possuir origens neste ou experiência de trabalho agrícola. Na propriedade reside apenas o casal, e mantêm empregados para a realização do trabalho.
Os dois tem formação de nível superior e desempenhavam outras atividades profissionais até resolverem iniciar a produção orgânica, cultivando cana-de-acúcar para produção própria de cachaça que comercializam. São vinculados ao grupo Paulo Lopes e possuem registro e marca própria do Alambique Dom Bueno, o que amplia a perspectiva de comercialização. Maira atua como apoiadora em diversas atividades da Rede para integração das famílias locais e Abrilino na Comissão de Ética e representante do grupo em reuniões com a coordenação do núcleo Litoral Catarinense em Florianópolis, exercendo papel de liderança em diversos processos.
Família EMERENCIANO
Maria Albertina Emerenciano, 44 anos e Sr. Adelino Otacílio Emerenciano, 45 anos. A família cultiva mudas de plantas orgânicas para revenda, atividade iniciada por
incentivo de um produtor orgânico participante da Rede Ecovida do grupo Paulo Lopes. O trabalho é praticamente todo realizado por Dona Maria, que foi entrevistada. O marido trabalha como pedreiro na cidade de Itajaí e só retorna para casa nos finais de semana.
Residem na zona rural da cidade Paulo Lopes há oito anos, vindos de Florianópolis em busca de um retorno ao campo. A família é constituída por oito pessoas: os quatro filhos mais novos moram na casa, um casado reside na cidade de Paulo Lopes, trabalhando como vigia em empresa, e outro mora em Florianópolis com a avó. Vanessa de 21 anos, Tiago de 15, Rodrigo de 13 e Eric de 8 anos estudam na cidade à qual o povoado é ligado.
A área da propriedade é de 3,5 hectares, produzindo especificamente mudas de verduras, folhagens e árvores nativas em viveiros e estufas, e o tempo de produção orgânica é de três anos, o mesmo do início do trabalho com as mudas. Essa atividade significou inicialmente uma alternativa para que Maria Albertina tivesse algum tipo de trabalho e colaborasse com as despesas da casa, mas atualmente representa a alternativa para os períodos em que o Sr. Adelino não consegue serviço.
Abro um parêntese para relatar que Dona Albertina mostrava dificuldade em falar mais abertamente sobre o trabalho e acerca dos aspectos difíceis da produção e comercialização. Por diversas vezes ela se referiu ao marido como a pessoa que poderia explicar melhor a questão. Em outros assuntos ela demonstrava maior conforto para as análises.
Os filhos estudam na cidade em Paulo Lopes, e vão de transporte gratuito oferecido pela prefeitura, quando há mais de quatro alunos. Embora esta fosse uma das propriedades de maior isolamento geográfico, não havia demonstração de
descontentamento com a vida ali, mas a inclusão de elementos de integração da relação cidade/campo.
A forma mais presente de participação coletiva ocorre no grupo da igreja, que se reúne semanalmente, com aproximadamente 25 pessoas. As referências ao convívio fora do grupo familiar foram feitas por Dona Albertina sempre em relação à igreja, pois é por meio das discussões neste grupo que as melhorias e intervenções na comunidade são encaminhadas.