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Verifikasjon av Focus-modell

9.3 Verifikasjon i tverretning

A apreensão traz a possibilidade de descoberta das leis de formação do fenômeno espacial em dois níveis de abordagem, a macro visão, de caráter regional e a do sitio físico que tem caráter essencialmente cinético. A percepção e a imagem são fases de um processo ininterrupto sendo que a percepção tem caráter mais sintético e a imagem caráter mais analítico.

Na percepção os dados sensíveis forma e uso, são preferenciais, pelo seu caráter objetivo, para caracterizar o espaço apreendido por meio de informações, qualitativas e quantitativas: representação geométrica do espaço, de modo gráfico e modelos, plantas, baixas, cortes, perspectivas, várias representações em escalas variadas, topografia, aero-fotos, foto-interpretação, outros. Neste sentido, a estruturação objetiva do espaço urbano como forma não deve implicar em uma redução de informações, mas em uma definitiva seleção das mesmas, tendo em vista uma posterior condução à essência do fenômeno.

Quanto ao uso, estrutura-se como um sistema de relações funcionais no tecido urbano baseado na quantificação dos usos do solo e uma análise quantitativa entre atividades, usuários e espaços que se expressa por índices e relações de áreas, volumes de fluxos. O espaço urbano então deve aparecer na dinâmica de seu uso cotidiano e do seu processo funcional.

Quanto ao significado, definem-se as relações entre signo, significantes e objetos. O significado do espaço urbano coloca em evidência elementos e relações que possibilitam a uma aproximação ao regime de determinações objetivas que fazem o real ser significativo.

O deslocamento traz a análise para a situação como vivenciada, para as condições objetivas em que os elementos que integram o espaço estão relacionados e podem ser percebidos, são: pontos focais, marcos visuais, seqüências visuais privilegiadas, todos os

elementos como percebidos em movimento e, ainda, aquelas situações de restrições ao próprio deslocamento e à fluência dos fluxos

O tempo, a percepção dos aspectos temporais, tanto o estágio de desenvolvimento ou decadência, quanto rotinas e ritmos que são perceptíveis, inclusive aqueles influenciados pelo clima ou mesmo a leitura histórica registrada nas impressões cunhadas no território e que se constituem em irreversibilidades são aspectos que compõem a análise da densidade percebida para construir um parâmetro no padrão de sustentabilidade.

1.2.1 Modelo Conceitual

O marco origem deste Modelo é o entendimento do conceito de densidade como ambivalente: densidade quantitativa-objetiva e densidade percebida-qualitativa, ou seja, densidade como fato urbanístico real percebido e, portanto, possível a conexão entre a densidade e a paisagem. O parâmetro urbanístico densidade, como tradicionalmente empregado e do exposto neste texto, estabelece, a diretriz da modelagem do espaço construído do ponto de vista quantitativo. Os aspectos quantitativos são relevantes para aquilatar demandas, apropriar relações de custo de produção do espaço, estabelecer as bases para ocupação do território, fixar o grau de utilização do território, dentre outros. De fato, esse dado numérico se manisfeta com arranjos espaciais variados, cuja percepção é sensível às características topológicas, perspectivas e semânticas, como visto no referencial teórico. A densidade, enquanto dado quantitativo, não transmite informações sobre outros tantos elementos de natureza qualitativa que resultam nas qualidades da percepção e nas metas do desenho, embora seja, até aqui, o parâmetro que predomina na determinação da modelagem do espaço, decorrendo deste os demais índices urbanísticos, direta ou indiretamente. Modelagem esta que, pautada em relações numéricas, resulta em conjuntos edificados com inserções paisagísticas que surpreendem, na maioria das vezes negativamente.

A densidade objetiva / quantitativa e a densidade percebida / qualitativa são relações que devem ser vistas como complementares. Consistem num único indicador com dimensões outras que se revelam na paisagem, passíveis de algum manejo através da sua decodificação nos elementos sensíveis da paisagem: forma, uso e significado. A conjunção das dimensões quantitativa e qualitativa pode conduzir à construção deste parâmetro como um indicador para um padrão de sustentabilidade: as densidades sustentáveis.

A dimensão qualitativa, que o dado quantitativo encerra, não é considerada, hoje, como recurso nem como requisito de projeto, até mesmo para sua própria quantificação. A falta dessa compreensão tem deixado como secundário, ou mesmo desconsiderado o planejamento da paisagem. O domínio, o controle, sobre como esse parâmetro é percebido depende de variáveis e indicadores que fazem parte do universo de estudos sobre a percepção do espaço, necessários para a construção do Modelo Conceitual que vai subsidiar a análise.

1.2.2 Variáveis e Estrutura do Modelo Conceitual

Este Modelo Conceitual distingue, busca revelar, os aspectos qualitativos dos termos relacionados na densidade, na sua expressão paisagístico-ambiental. Todos os termos, seja população, seja área construída, seja volume, estão relacionados à unidade de espaço, e, mesmo esta unidade de espaço, tem que superar a dimensão quantitativa e ser apreciada como uma dada unidade de paisagem ou situação paisagístico-ambiental.

Propõe-se a leitura dos termos da relação densidade como elementos de algumas categorias que interferem na percepção da paisagem, os dados sensíveis do espaço: forma, uso e significado, conforme discutido no item teórico e no Manual de Técnicas de Apreensão do Espaço Urbano (KOHLSDORF, 1984); e, outros elementos que influem na percepção: o movimento de deslocamento no espaço, (APPLEYARD, View from the Road), que tem como pressuposto que a percepção do espaço acontece através dos principais canais de deslocamento e o tempo, tanto a percepção temporal dos elementos da paisagem (CAPRA, A flecha do tempo), (T.G Sistemas-Entropia), quanto a percepção dos ritmos e rotinas que marcam o tempo naquele espaço.

A Figura 5 mostra a estrutura do Modelo Conceitual – Densidades Sustentáveis que se subdivide em duas partes: a primeira trata da densidade objetiva/quantitativa, a segunda da densidade percebida/qualitativa.

A densidade objetiva é considerada nas três relações mais freqüentes: habitantes ou leitos por superfície, correlacionada à eficácia da infra-estrutura e ao dimensionamento de equipamentos de serviços públicos; área construída por superfície, correlacionada ao potencial de uso do lote associada a gabaritos, recuos, índices de utilização e de ocupação; e, volume por superfície, correlacionado a avaliações quantitativas de materiais de construção de pouca utilidade para definição de parâmetros. A densidade quantitativa/objetiva, transposta para um padrão de sustentabilidade responde, especialmente, com dados que situam o comprometimento da ocupação com a dimensão econômica da sustentabilidade facultando análises de distributividade e equidade dos sistemas urbanos, assim como responde à intensidade e extensividade da ocupação do solo.

A densidade percebida trata dos elementos que podem ser percebidos através dos dados sensíveis: forma, uso, significado, além do deslocamento e do tempo, analisados em ambos os termos da relação, numerador: habitantes, área construída, volume e o denominador: unidade de superfície.

Qualificar este parâmetro para um padrão de sustentabilidade impõe também maior conhecimento sobre cada elemento relacionado. Para que o ordenamento do território trilhe o caminho da sustentabilidade, este indicador estratégico deve responder a quatro questões, três relativas ao numerador: Como as pessoas afetam e são afetadas pelo espaço? Como a área de construção afeta a percepção do espaço? Como a volumetria afeta percepção do espaço? E, uma relativa ao denominador: Que espaço vai abrigar uma dada densidade?

Todas as respostas devem focalizar os dados sensíveis da percepção assim como o deslocamento e o tempo, analisando como interagem nesta percepção. Para cada categoria que influi na percepção cabe a construção de indagações que devem percorrer as dimensões de sustentabilidade enunciadas por Sachs já referida neste texto (SACHS, 2002). Na complementaridade da densidade quantitativa e percebida a condição de sustentabilidade ambiental do ordenamento do território poderá então ser apreciada e encaminhada, seja a econômica: baseada nos dados quantitativos, associados à rentabilidade, economias para sistemas de infra-estrutura, a equidade na participação e distribuição; a ambiental: baseada na análise da função dos ecossistemas que compõem o espaço, uma dada unidade de paisagem; a social e cultural: baseada na ponderação dos valores simbólicos das comunidades usuárias, as interferências, concorrências inversões hierárquicas na composição paisagística; política institucional: baseada na compatibilidade da regulamentação urbana e os valores sociais

revelados na análise junto aos usuários; espacial e territorial: baseada na análise da forma e, nos elementos da estética e sua correspondência com os valores da coletividade.

O passo seguinte é de desenvolver ou identificar indicadores, entretanto, considera-se, extremamente precoce para uma proposição que estréia muitas e novas conexões. Oportunamente, estes devem ser construídos visando à apropriação dos aspectos qualitativos reunidos ao final da coleta das respostas às indagações formuladas. Assim, pode-se pretender chegar a um instrumento analítico, que abranja os processos atinentes ao ordenamento do território oferecendo percurso completo para a compreensão daqueles essenciais, à exceção dos processos de cunho político.