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CHAPTER 6 DISCUSSION, CONCLUSION AND FARTHER STUDIES

6.3 Farther studies

Conforme visto, este trabalho encontrou efeito significativo no parâmetro de descontinuidade do IDH (dummy de IDH maior que 0,5) nas regressões com as variáveis lineares. Para uma análise mais detalhada desta descontinuidade, apresenta-se a seguir a tabela 8, com o intuito de verificar se o valor de IDH igual 0,5 – limítrofe entre a classificação de baixo e médio desenvolvimento humano – é a única descontinuidade relevante na amostra.

Dessa maneira, repetiu-se para duas novas dummies – uma para IDH maiores que 0,4 e outra para IDH maiores que 0,6 – o grupo de regressões com os limites isolados e as relações lineares do IDH e do IDH multiplicado pelas dummies, assim como a inclusão das variáveis de controle, de forma análoga a utilizada no primeiro estágio das regressões da seção anterior. Não foram necessárias regressões que relacionam as variáveis de forma não-linear, uma vez que não foram encontrados resultados significativos nessas regressões com a dummy objeto de estudo (IDH maior que 0,5).

A tabela 8 apresentada a seguir, indica que a dummy com IDH maior que 0,4 apresenta efeitos semelhantes à descontinuidade imposta pela classificação qualitativa do IDH. Já a

dummy de IDH maior que 0,6 apresenta impacto apenas nas regressões que incluem abertura

comercial e o crescimento econômico do período anterior, ainda assim com uma significância menor do que as dummies anteriores.

Dessa forma, ainda que muito significativos os resultados da dummy com IDH maior que 0,5, os resultados apresentados nos testes de robustez indicam uma maior prudência na avaliação dos impactos da classificação qualitativa do IDH.

29 (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) (9) (10) (11) (12) (13) (14) (15) (16) Constante (α0) 13.24 12.76 17.63 12.54 10.96 10.43 13.53 10.44 35.11 34.67 27.39 35.24 21.19 23.08 21.50 23.55 (1.1) (1.13) (1.69) (36.34) (0.78) (0.98) (1.64) (0.94) (5.73) (4.99) (5.87) (5.06) (2.78) (2.48) (3.32) (2.52) *** *** *** *** *** *** *** *** *** *** *** *** *** *** *** *** Dummy (IDH>0.4) -10.44 -10.92 -9.30 -10.41 -18.29 -20.31 -13.34 -19.67 (1.22) (1.13) (1.17) (1.22) (6.22) (5.44) (6.18) (5.51) *** *** *** *** *** *** ** *** Dummy (IDH>0.6) -9.43 -9.12 -7.28 -9.37 -6.90 -9.31 -7.15 -9.58 (0.96) (0.92) (1.01) (0.97) (5.1) (4.53) (4.9) (4.62) *** *** *** *** ** ** Abertura Comercial 0.008 0.003 0.015 0.014 (0.009) (0.009) (0.008) (0.008) * * Instiuições Públicas -1.61 -1.21 -0.40 -0.28 (0.41) (0.45) (0.5) (0.54) *** *** Cresc. % do PIB (1993-1997) 0.18 0.13 -0.08 -0.11 (0.14) (0.13) (0.09) (0.1) IDH 1995 (divulgado em 1998) -68.32 -69.69 -42.69 -67.94 -25.03 -33.47 -26.96 -31.00 (17.64) (15.37) (17.3) (15.57) (6.56) (6.05) (6.64) (6) *** *** ** *** *** *** *** ***

IDH 1995 * Dummy (IDH>0.4) 49.75 52.37 29.18 51.14

(17.92) (15.61) (17.7) (15.83)

*** *** ***

IDH 1995 * Dummy (IDH>0.6) 9.30 16.77 12.42 16.11

(8.39) (7.55) (8.52) (7.62)

** **

R-quadrado Ajustado 0.294 0.357 0.465 0.334 0.354 0.369 0.429 0.352 0.447 0.521 0.544 0.510 0.426 0.493 0.525 0.485

Número de Observações 174 170 116 168 174 170 116 168 174 170 116 168 174 170 116 168

Dummy IDH > 0.4 Dummy IDH > 0.6

Linear com IDH e Dummy

Nota: Os valores entre os parêntesis representam o desvio-padrão do parâmetro calculado (α(j)). *** significante com 1%; ** significante com 5%; e significante com 10%

Dummy IDH > 0.6

Tabela 8 - Teste de Robustez - Primeiro estágio de Mínimos Quadrados - Impacto sobre a Média de Ajuda (% do PNB) nos cinco anos posteriores a divulgação do IDH (1999-2003) com outras dummies

Impacto da Dummy isolada

4 CONCLUSÃO

Os resultados apresentados neste trabalho indicam que o valor do Índice de Desenvolvimento Humano calculado pela ONU está, como era de se esperar, negativamente correlacionado com o influxo de ajuda externa para os países, nações com piores níveis de desenvolvimento humano recebem maior atenção dos doadores. Além disso, a medida qualitativa divulgada pela ONU, no limítrofe entre baixo e médio desenvolvimento humano, apresenta impacto significativo na alocação de ajuda dos países – países classificados como de baixo de desenvolvimento recebem parcelas maiores de ajuda em relação a países similares com classificação de médio desenvolvimento humano – o que pode significar uma distorção nas alocações dos doadores, uma vez que a métrica quantitativa incorpora todas as informações da classificação qualitativa. Este resultado deve ser analisado com algum cuidado tendo em vista que foram encontradas relações significativas, embora não em mesma medida, com outras faixas.

Variáveis como a percepção sobre as instituições públicas, crescimento econômico médio do período anterior e abertura comercial não apresentaram relevância na tomada decisão acerca da alocação de ajuda, uma vez que apenas a abertura comercial mostrou parâmetro positivo e significante estatisticamente, porém com intervalo de confiança a dez por cento.

Na avaliação dos impactos do valor do IDH no crescimento econômico e sua volatilidade, obteve-se correlação negativa entre o Índice divulgado em 1998 (referente a 1995) e crescimento econômico médio tanto nos cinco anos como nos dez anos posteriores (1999 a 2003 e 1999 a 2008 respectivamente), indicando que os países com melhor desenvolvimento humano no período cresceram de forma mais lenta. Tal resultado se deve, ao menos parcialmente, aos países sul-americanos, que se situam na faixa de IDH acima de 0,5 e apresentaram crescimento econômico abaixo do restante do mundo no período, principalmente entre 1999 e 2003. Em relação à volatilidade do crescimento econômico, não houve evidências de impactos causados pelo IDH com a volatilidade de crescimento tanto para o médio, quanto para o longo prazo.

Já o montante relativo de ajuda externa apresentou impactos negativos na média do crescimento econômico apresentado pelos países recebedores de recursos. Conforme visto, países que receberam mais ajuda cresceram menos do que os demais, tanto no médio como no

longo prazo. Estes resultados indicam que o direcionamento da ajuda recebida nestas economias pode não ter sido o melhor possível para essas nações - possivelmente com aumento de importações ou má utilização dos recursos por parte da máquina pública. Além disso, houve também um aumento de volatilidade do crescimento de médio prazo nestas nações, denotando a baixa eficácia da entrada desses recursos neste período em busca de uma maior estabilidade econômica.

Adicionalmente, é possível inferir que países que exploraram mais o comércio internacional apresentaram maior crescimento econômico, enquanto as instituições públicas tiveram impactos benéficos de menor volatilidade.

Uma vez que o período de análise deste estudo limitou-se aos dados de IDH divulgados pela ONU em 1998, essa amostra restrita de tempo pode representar desvio de trajetória do índice. Dessa maneira, potenciais extensões deste estudo poderiam ampliar o período de tempo dos dados de IDH a serem estudados, levando em consideração que as informações do índice a se considerar devem ser aquelas divulgadas pelos relatórios na época exata da publicação e não os valores recalculados por revisões e novas metodologias. Vale ressaltar que o período sob análise das variáveis de crescimento econômico, abertura comercial e instituições públicas também apresentam choques exógenos devido a momentos de crise nos países da América do Sul e instabilidade econômica na Ásia. Sendo assim, a utilização de um período maior para uma análise mais ampla dos efeitos verificados neste trabalho pode contribuir significativamente para o entendimento das evidências indicadas neste estudo.

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