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Data do nascimento: 20 de Maio de 1931.1

1958: Licenciou-se no Instituto Superior de Ciências Económicas e Fi- nanceiras (ISCEF), com a melhor média entre os 46 licenciados desse ano.2

Participa na viagem de finalistas a Angola sobre a qual escreve um relato circunstanciado em Economica Lusitania.3Aí foi tirada a fotografia

acima, que apareceu no Diário de Luanda.4

1O mais novo de três irmãos, Alfredo António de Sousa estudou num seminário em

Salamanca, Espanha, antes do serviço militar, que cumpriu enquanto estudante, tendo chegado a tenente e adjunto do capitão-chefe da contabilidade do exército. Aos 30 anos, já sem pai, casou com Teresa, que lhe deu Alexandra, Alfredo e Maria João. Voltaria a casar aos 50, com Manuela, que lhe deu Marta, e aos 60 com Mariana.

2Verifica-se em https://www.iseg.ulisboa.pt/aquila/getFile.do?method=getFile&fi-

leId=857503 que apenas três estavam no quadro de honra, atribuído aos alunos com nota final igual ou superior a 16. Não se conseguiu apurar se veio do Instituto Comercial. João Salgueiro recorda que se encontraram na tropa, como alferes, «sendo o Alfredo 3 ou 4 anos mais velho que eu». Perguntado, acha que o esforço de aprender inglês, evi- dente nos muitos exercícios e cadernos manuscritos, com frases feitas, repetidas e repe- tidas que constam do espólio, e elogia a humildade de ele ter intelectualmente reconhe- cido que devia ir de sabática aos EUA.

3Ainda que não se trate de um trabalho de economia, consta da bibliografia académica

por conter comentários sobre o desenvolvimento angolano, particularmente a agricultura. Além disso, (quase) abandona a reserva do bom aluno, por ocasião do baile de gala ofe- recido pelo Governo-Geral, quando destaca «a actuação de um conjunto de rapazes de cor que interpretou, segundo um ritmo próprio, algumas canções do folclore nativo e algumas canções metropolitanas. Tivemos um verdadeiro interesse em ouvi-los, apesar do barulho feito por um conjunto de meninos e meninas da sociedade de Luanda, que por sua [...] nos fizeram meditar com amargura no futuro de Angola se este lhes vier a ser entregue. Havia entre eles uns pretensiosos e puramente patetas assomos de racismo, por vezes declarados pessoalmente. Enfim, se não fosse por respeito aos pais...» (pp. 14- -15).

4O recorte, muito danificado, foi encontrado num exemplar do seu primeiro trabalho,

com dedicatória «Aos Pais/ Seria ingrato se não lhes dedicasse todo o esforço que repre- senta este trabalho com um Xi do filho amigo/ Lx 23/5/59».

1958-1964: Pertenceu ao Gabinete de Investigações Sociais, que sucedeu em 1962 ao Gabinete de Estudos Corporativos;5

Deu aulas de Economia no Instituto Superior de Estudos Ultra- marinos, depois de Ciências Sociais e Política Ultramarina (IS- -CSPU).6

1964-1971: Com bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, esteve em França, na Universidade de Paris, onde recebeu a agregação.7

1972-1973: Professor associado no ISCEF.

1973-1975: Professor catedrático no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).

1973-1977: Professor catedrático na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (UCP).

Vogal da Comissão Instaladora da Universidade Nova de Lisboa (UNL).

1974-1976: Diretor do Gabinete de Estudos do Partido Popular Demo- crático (PPD/PSD).

Deputado à Assembleia Constituinte.8

1975-1994: Professor catedrático de Economia na UNL. Administrador não-executivo da Siemens AG Portugal. 1977-1990: Diretor e Consultor da Revista Economia.9

5 Detalhado no anexo 2.

6 A docência em cinco escolas de quatro universidades lisboetas (ISCSPU, ISCEF,

ISCTE, UCP, UNL) é detalhada no anexo 3. Em 3.4.2, evocam-se as implicações da uni- dade por detrás da diversidade de experiências de ensino da macroeconomia, as quais motivaram um projeto que visa revisitar o Simpósio de Estudos Keynesianos realizado na Academia de Ciências de Lisboa em 1977, ano em que Alfredo de Sousa funda a revista

Economia na UCP, como sublinhado na nota 9, abaixo.

7O prefácio de Gaston Leduc é extremamente elogioso, sugerindo que Alfredo de

Sousa era um dos melhores alunos do programa e por isso fora convidado muito rapi- damente a fazer a agregação.

8 Amigo de Sá Carneiro e fundador do PPD, sairia em meados de 1978 com as «Op-

ções Inadiáveis». Mais em 3.1.3 e 3.4.1.

9Com o título «Recordar Alfredo de Sousa», a Direção publicou uma sentida nota de

pesar onde enumerou os cinco artigos publicados na revista bem como a sua última re- censão (na qual João da Silva Ferreira, contemporâneo de Alfredo de Sousa no ISCEF, se rodeara de Leonor Modesto, António Nogueira Leite e Pedro Duarte Neves, man- tendo-se o secretário executivo José Manuel Barrocas do 3.º ao último número) que co- meça assim: «Como professor, académico, investigador e analista de política económica, a figura de Alfredo de Sousa foi justamente homenageada em sede própria. Aqui gosta- ríamos de deixar registada a sua actividade como fundador e impulsionador deste projecto que foi a nossa Revista.» E continua no segundo parágrafo. «Sempre achou que uma Universidade, neste caso a Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais, na altura ainda como nome de Ciências Humanas, deveria possuir uma revista científica que era um espelho da actividade científica da escola. Assim aderiu desde a primeira hora ao

1979-1982: Reitor da UNL.

1981: Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

1982: Fundou na Faculdade de Economia o primeiro programa portu- guês de MBA e um programa de Formação de Executivos.10

1982-1986: Diretor da Faculdade de Economia.

1982-83: Ano sabático na Universidade de Stanford, CA, EUA.

1988-1994: Diretor e fundador da Companhia Portuguesa de Rating (CPR).

Data do falecimento: 3 de novembro de 1994.

Anexo 1

grupo de fundadores de ECONOMIA.» Estavam nesse grupo Aníbal Cavaco Silva, Ma- nuel Jacinto Nunes e (como secretário executivo) Jorge Braga de Macedo, tendo a nota de apresentação do primeiro numero sido assinada por Mário Pinto, diretor da Faculdade que «significa, com o lançamento de uma revista científica, o início de um novo período, em que terá maior disponibilidade para se ‘abrir para fora’, ao diálogo universitário e científico, ao intercâmbio de ideias e experiências que é condição indispensável para o progresso das ciências, das instituições e das sociedades, ao serviço do Homem». Destas palavras não se retira a ideia de que se estava a fundar um house journal como parece con- citar a recordação subscrita por João da Silva Ferreira (contemporâneo de Alfredo de Sousa no ISCEF), Leonor Modesto, António Nogueira Leite e Pedro Duarte Neves e José Manuel Barrocas (secretário executivo do 3.º ao último número). Estas sensibilidades afloram de novo em 3.4.2, a propósito de um projeto que envolve a Academia de Ciên- cias de Lisboa e o Banco de Portugal, referido na nota 6.

10A despeito do vínculo à Nova SBE, a diversidade mencionada na nota 6 reflete-se