6. ANALYSE OG DRØFTING
6.2 Interesse
6.2.1 Verdivurderingsfaktorer for Interesse, og de underliggende mekanismene
Um bebê que agite as mãozinhas no vazio, sem segurar em um barbante, para tentar chacoalhar um brinquedo distante, está assimilando a realidade exterior de forma egocentrada, portanto cognitivamente deformante. Obviamente estes casos gerais não necessariamente trazem prejuízos psíquicos. É apenas parte do curso normal do desenvolvimento assimilar deformantemente algumas realidades, enquanto sua estruturação cognitiva não permite assimilações mais objetivas e adaptadas. Mas há casos em que assimilações deformantes podem ter conseqüências mais fortes para o psiquismo. É o que pretendemos sugerir como processos de assimilações traumáticas. Especialmente no caso das assimilações afetivas, interpessoais e morais temos um campo de atividades psicológicas onde as deformações podem produzir danos importantes.
As assimilações afetivo-cognitivas deformantes severas com registro forte podem ser compreendidas como assimilações traumáticas, ou seja, aquelas que produzem maus funcionamentos consideravelmente persistentes e graves de esquemas integrais. Isto ocorre por uma certa fixação de tendências, por repetição
e generalização sem ligações objetivas suficientes com a realidade. Podemos também buscar outras compreensões da noção de trauma: em nossa linguagem seria uma assimilação deformante, geradora de um nível importante de rigidez ou perda de mobilidade estrutural.
Incluiremos aqui, além da distinção das gradações na força dos registros, os dégradés nos diferentes níveis de gravidade das deformações: das severas às leves, com intermediários que não podemos precisar neste trabalho. Talvez alguns estudiosos possam sugerir que a terminologia severa e leve seja expressa melhor pela linguagem das grandezas, como as utilizadas em Psiquiatria (depressão maior, menor, etc). Se uma linguagem se mostrar mais adequada que outra, a supressão da “pior” não é uma questão secundária.
As assimilações deformantes podem deformar tanto a realidade imediata quanto as realidades representadas (registradas no passado). Se falamos de deformações na esquemática integral, notamos que estas desadaptações podem aflorar como sentimentos inadequados (raivas, vergonhas, culpas ou ciúmes impróprios). Freqüentemente um afeto desadaptativo pode ser acompanhado por pensamentos também deformantes (um sentimento de raiva em consonância com idéias do tipo “ele é o culpado”, quando na realidade não é). Podemos conceber, além disto, deformações afetivo-cognitivas em estruturações formais: idéias violentas como reação à injustiça social, desmotivações
pelo entendimento das estruturas sociais, econômicas e políticas promotoras de misérias e desigualdades.
Podemos supor também a existência de deformação nas recuperações de esquemas que no passado não foram deformados. Em outras palavras, um indivíduo pode ter assimilado algo de forma adaptativa, tempos atrás, e no presente realiza assimilações recuperadoras deformantes. Isto faz supor uma conjuntura presente tendente à deformação.
Um exemplo de uma espécie de registro menos deformante que gera futuras evocações deformadas é a seguinte cena que Piaget narra sobre sua infância:
[...] uma de minhas mais antigas recordações dataria, se fosse verdadeira, de meu segundo ano de idade. Vejo ainda, com efeito, com grande precisão visual, a cena seguinte, na qual acreditei até por volta dos quinze anos. Achava-me sentado num carrinho de bebê, empurrado por uma babá, nos Campos Elísios (perto do Grand-Palais), quando um indivíduo quis me arrebatar. A correia de couro fechada na altura de meus quadris me reteve, enquanto que a babá procurava corajosamente opor-se ao homem (chegando a sofrer algumas escoriações e vejo ainda vagamente sua testa arranhada). Seguiu-se um ajuntamento e um guarda-civil de capinha e bastão branco se aproximou, o que pôs em fuga o indivíduo. Vejo ainda toda a cena e chego a localizá-la perto da estação do metrô. Ora, quando tinha cerca de 16 anos, meus pais receberam de minha antiga babá uma carta anunciando-lhes sua conversão ao Exército da Salvação, seu desejo de confessar os erros antigos e, em particular, restituir o relógio por ela recebido como recompensa dessa história, inteiramente inventada por ela (com escoriações forjadas). Portanto, devo ter ouvido em criança a narrativa dos fatos em que meus pais acreditavam e a projetei no passado sob a forma de uma lembrança visual, que é, portanto uma lembrança de lembrança, mas falsa! (Piaget, 1945, p. 241).
Pensemos em um detalhe destas proposições: nem toda assimilação deformante é traumática, mas toda assimilação traumática é deformante. Nesta perspectiva, deformação é menos grave que trauma, obviamente.
As assimilações deformantes cognitivas simples, as cognitivas graves, as afetivas leves e as severas são tipos
particulares de assimilações desadaptativas. Se uma assimilação cognitiva deformante em grau leve não parece ter conseqüências mais incisivas sobre a gênese da personalidade, as de tipo afetivo, bem ao contrário, são acontecimentos psíquicos que afetam mecanismos gerais de motivação. É indiscutível que quando um bebê age por um esquema mágico-fenomenista, isto não trará prejuízos futuros inevitáveis. O próprio “desenrolar” das construções cognitivas trará as adaptações solucionadoras. Não se trata de um traço patológico em formação. Entretanto, a gênese de esquemas afetivos desadaptativos mostra-se carregada de conseqüências mais importantes.
Como adaptações e desadaptações não são categorias absolutas e mutuamente exclusivas, podemos criar algumas subcategorias relativas aos graus de harmonia e desarmonia dos esquemas: harmonias estáveis, medianamente estáveis, fortemente instáveis - desarmonias leves, medianas e severas. Esta é uma categorização que deve merecer bastante mais pesquisa e detalhamento.