5.2 Sykepleier- og pasientrelasjoner
5.2.3 Velger avstand framfor nærhet til den samiske pasienten
Para a análise dos discursos produzidos nas entrevistas que dão suporte a parte desta pesquisa, optou-se por trabalhar com um modelo de análise de discurso desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Genebra.
O MAM, desenvolvido a partir de 1979, como instrumento para analisar em sua “globalidade e totalidade todas as ocorrências dos discursos autênticos” (ROULET et al., 2001); para Roulet (2001), o termo “discurso” engloba “todas as formas escritas ou orais, monológicas ou dialógicas de interações, em suas dimensões linguísticas, textuais e situacionais”. O discurso resulta da combinação de informações linguísticas e situacionais, que “incluem os conhecimentos do ambiente cognitivo imediato e as representações de mundo” (MARINHO, 2002, p. 33).
O Modelo de Análise Modular do discurso compõe-se de módulos – linguístico (dimensões sintática e lexical), textual (dimensão hierárquica) e situacional (dimensões referenciais e interacionais) - e formas de organização do discurso que buscam integrar as dimensões presentes nos atos discursivos (MARINHO, 2002; PESSOA, 2006) e “visa a superar as limitações de outras propostas teóricas, as quais frequentemente apresentam descrições parciais, não permitindo que se forme uma representação global e coerente da organização e do funcionamento do discurso” (MARINHO, 2002, p. 31).
Discurso pode ser entendido como uma categoria de produção humana que ultrapassa o nível apenas gramatical ou linguístico (fonema, palavra, frase), sendo necessário se considerar dimensões extralinguísticas como as características dos interlocutores (suas crenças, valores, história), sua situação geográfica, temporal e histórica de produção e as condições de enunciação do discurso (MAINGENEAU, 2001). O discurso precisa ser compreendido como uma forma de atuação sobre o outro, através de enunciados concretos, falados ou escritos, o que implica sempre em interação verbal, dialogismo, polifonia (“vozes” de outros que se traz para o discurso) e interdiscursividade (em constante interação com outros discursos já produzidos) (MAINGENEAU, 2001).
O MAM parte de um largo quadro teórico, incorporando visões não somente da linguística, mas também da sociologia, da filosofia e da psicologia (SOARES, 2007). De Bakhtin, pensador soviético da área de linguística, o modelo genebrino incorpora a concepção
61 interacionista da linguagem, trazendo os conceitos de dialogismo e polifonia (MARINHO, 2002); esse pensador destaca a dimensão social do discurso, tendo a interação verbal como a essência da linguagem; para Bakhtin o discurso “resulta da combinação de informações de natureza tanto linguística como situacional” (SOARES, 2007). O linguista estruturalista americano K. L. Pike, ao demonstrar a articulação entre língua, atividade humana, contexto sociocultural e cognição, serviu igualmente de influência para Eddy Roulet no desenvolvimento do MAM (SOARES, 2007). Ao afirmar, a partir de Pike, que a “atividade humana é organizada de maneira hierárquica”, Roulet propõe que o estudo da língua e do discurso (linguagem) se insira numa teoria unificada da estrutura do comportamento humano, pela qual se pode analisar os constituintes desse comportamento em seus níveis superior, igual ou inferior, até as unidades de comportamento verbal (SOARES, 2007) e, fazendo a rota inversa, se possa partir da linguagem para se chegar à compreensão de comportamentos não- verbais. Roulet traz também, para o MAM, as contribuições de Austin, Searle e Grice, para a compreensão das informações contextuais e dos implícitos do discurso dialógico e da conversação, a partir dos conceitos de ato de fala, verbos performativos14
, valor ilocutório15,
implícito conversacional e leis do discurso (MARINHO, 2002; SOARES, 2007). O MAM empresta de Goffman o conceito de que as interações nas conversações face a face são regidas pelo princípio de preservação das faces (preocupação dos interactantes de preservar sua imagem ou face positiva) (SOARES, 2007), conceito esse fundamental para a “descrição da articulação do discurso e da compreensão do papel do implícito na interação” (MARINHO, 2002, p.32). De outros estudiosos da sociolinguística (Sinclair e Coulthard, Stubbs, Labov, Henee e Rehbock), o MAM absorveu “regras de encadeamento e de interpretação dos elementos do discurso” (MARINHO, 2002, p.32), e da teoria da enunciação de Ducrot e Anscombre, o “encadeamento dos atos de linguagem no discurso bem como os conectores argumentativos que marcam esses encadeamentos” (MARINHO, 2002, p.32).
Para este presente estudo, os módulos do MAM (Anexo 1) prioritariamente utilizados foram o referencial e o interacional. Os resultados das análises desses módulos foram combinados e analisados, sobretudo utilizando a forma de organização estratégica (do módulo referencial),
14
Verbos performativos: indicam que a enunciação e a ação estão intrinsecamente ligados, são uma só coisa:
jurar, prometer, garantir, certificar. Ao dizer: “eu juro”, o locutor já está jurando.
15
Valor ilocutório: ao enunciar uma frase, num contexto específico, o falante executa, implícita ou explicitamente, atos como afirmar, avisar, ordenar, perguntar, etc., utilizando verbos que denotam explicitamente atos de fala assertivos, diretivos, compromissivos, expressivos e declarativos.
62 por ser a que melhor permite compreender aspectos dos discursos relacionados ao empoderamento dos entrevistados.
O módulo interacional trata da materialidade da interação em seus parâmetros: o canal, escrito, oral ou visual, a alternância de turnos de fala ou de escritura, número de interactantes, co-presença ou distância espaço-temporal entre estes, a reciprocidade ou não da comunicação (MARINHO, 2002).
O módulo referencial do modelo modular estuda os vínculos do discurso com o mundo onde ele se origina (contexto) e as suas relações com o mundo representado (MARINHO, 2002, SOARES, 2007; CUNHA, 2013).
A forma de organização estratégica analisa as funções contextuais16, descrevendo como os
interactantes coordenam, no seu discurso, suas relações de face, território e de lugares17,
buscando explicar seus comportamentos em termos de estratégias, mobilizando informações sintáticas, lexicais, interacionais, referenciais, hierárquicas, relacionais, tópicas e polifônicas (CUNHA, 2013). Essa dimensão, por trabalhar com conceitos oriundos da psicologia cognitiva, das ciências sociais e da filosofia (MARINHO, 2002), é a que melhor auxilia na compreensão dos significados dos discursos produzidos nas entrevistas desta pesquisa.
Para a melhor compreensão dos trechos destacados das entrevistas e da análise que se faz, após vários desses excertos, é importante clarificar os conceitos de lugar, face e território. O lugar, de acordo com Goffman (2011, apud CUNHA, 2013), está ligado a poder, à relação de dominância entre os interactantes, ao longo da interação, tendo em vista que não são iguais. Desta forma, nas entrevistas de campo, por exemplo, o fato de o entrevistador “ser de longe”, ser “de outra região”, de estar ligado a uma Universidade, todos esses estereótipos podem estar presentes no campo perceptivo dos entrevistados, que podem, também por isso, se colocar em posição “inferior” em relação ao entrevistador.
16
Contexto, de acordo com Cunha (2013, p. 131), é visto como situações de ação e, “diz respeito aos parâmetros
de configuração do agir”, implicando noções de face e de territórios e os processos de figuração, que visam
reduzir as ameaças potenciais às faces e aos territórios dos interactantes. 17
A relação ou gestão de lugares trata da relação vertical, de dominância ou de poder entre os interactantes, durante a interação, considerando que eles não são iguais nessa interação (CUNHA, 2013).
63 A gestão das faces implica a utilização de recursos discursivos para destacar ou reforçar valores e atributos sociais positivos que se atribui ou que se quer ver atribuídos a si pelos interactantes numa situação social (CUNHA, 2013).
Territórios podem ser entendidos como direitos individuais, espaços em torno do indivíduo, seu corpo, roupas, objetos pessoais e informações que controla (CUNHA, 2013).
64
3 MATERIAL E MÉTODOS
As questões envolvendo as motivações humanas para a ação, em geral, e para a ação cidadã, em particular, são complexas e envolvem fatores de ordem psicológica, social, política, econômica e cultural. Compreender os significados mais profundos, seja da passividade, seja da reação frente aos acontecimentos, exige metodologia de pesquisa qualitativa, opção principal deste estudo, uma vez que o caráter subjetivo de tais significados não é passível de ser apreendido por intermédio dos métodos quantitativos.
A pesquisa qualitativa, segundo Minayo (2004), permite que se incorpore a questão do significado e da intencionalidade, inerentes aos atos, às relações e às estruturas sociais como construções humanas significativas. Assim, alguns campos do conhecimento, tais como saneamento e saúde, por se referirem a realidades complexas e que demandam conhecimentos integrados, podem ser melhor compreendidos através de abordagem qualitativa.
O presente estudo foi desenvolvido de acordo com as seguintes etapas: