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Um dos objectivos centrais das teorias cognitivas de aprendizagem de técnicas motoras é de que os praticantes desenvolvem estruturas de conhecimento internas e programas motores gerais que lhes permitem responder de uma forma adaptativa quando confrontados com uma variedade de situações relacionadas. A prática variada, a alta interferência contextual das condições de prática e o feedback aumentado são

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importantes em produzir um sistema expansivo e generativo para acoplar com uma variedade de semelhantes mas diferentes instâncias (Davids et al., 2001).

A tomada de decisão é constrangida pela informação dos ambientes de desempenho. Durante a aprendizagem e evolução, as capacidades de movimento são claramente constrangidas pela informação contextual. Para detectar tal informação, o atleta necessita de uma medida intrínseca especificada por dimensões do seu sistema perceptivo-motor, isto é, o atleta percebe as propriedades do ambiente não em unidades extrínsecas como metros ou polegadas, mas em relação ao seu próprio corpo ou partes corporais, capacidades de acção e localização relativa de importantes objectos e particularidades do ambiente (Araújo et al., 2004).

As propriedades dinâmicas dos padrões de coordenação efectuados são determinadas pela força da informação intencional em relação à força das tendências de coordenação (Temprado & Laurent, 2000).

É na interacção com o contexto que se evidencia a eficácia das decisões do jogador perito. A acção do atleta não pode ser meramente reactiva, tem de ser essencialmente antecipativa. Na busca de informação relevante para cumprir o que lhe está destinado em jogo, o jogador perito com regularidade precipita a ocorrência de determinadas situações. Quando isto acontece, é o próprio contexto que lhe reclama as acções ajustadas. Em determinadas alturas parece ser a situação a “decidir” pelo jogador (Araújo & Volossovitch, 2005).

Os planos de acção podem ser intencionais, apesar das soluções de coordenação serem emergentes no sistema de movimento humano constrangido. Na perspectiva orientada aos constrangimentos, não há necessidade de evocar o modelo hierárquico das interacções intenção-acção e, com isso, a noção de complementaridade nos sistemas de movimento (Davids & Button, 2000).

Segundo Araújo (2006) usar a informação directamente, quer dizer que esta não precisa de ser posta no cérebro do jogador para ser identificada. A informação apresenta-se só por si como sendo significativa, no sentido de revelar ao jogador, que interage de corpo inteiro com a informação, como pode atingir o seu objectivo. A informação já existe no contexto, o jogador é que pode não estar afinado a essa informação. A afinação do jogador verifica-se em relação às informações que surgem no jogo.

Para o autor, afinado, quer dizer, estar sensível para detectar a informação contextual que reclama a acção eficaz para atingir o objectivo da equipa.

Treino da tomada de decisão do treinador: Análise da influência dos constrangimentos metadecisionais 54 4.4.4. Simplificação (em vez de decomposição) das tarefas de treino

De acordo com Davids, Williams, Button, e Court (2001) nas etapas iniciais de aprendizagem, as abordagens tradicionais defendem a importância das instruções verbais, prática específica, progressões do simples para o complexo e feedback aumentado na prescrição. A dificuldade com esta abordagem é que os treinadores não fornecem aos praticantes a oportunidade de estes procurarem e explorarem as dinâmicas do contexto do desempenho.

Para os autores, num modelo integrado, os treinadores são encorajados a valorizar e explorar a variabilidade da prática, permitindo aos praticantes oportunidade para procurar e explorar o espaço de trabalho perceptivo-motor e descobrir soluções para o grau do problema posto pela técnica.

A implicação é a de que o princípio do acoplamento, informação-movimento, propõe que as tarefas de prática devam ser estruturadas através do processo de simplificação, em vez do processo tradicional da decomposição das tarefas em partes. A simplificação refere-se ao processo de criar versões reduzidas das tarefas de treino, para simplificar ao praticante o processo de detecção da informação e o respectivo acoplamento aos padrões de movimento (Davids & Araújo, 2005).

O remate, no futebol, é um conteúdo que culmina uma acção muitas vezes precedida de drible, condução da bola, combinações ofensivas, deslocamentos, etc. O rematador desencadeia inúmeros acoplamentos baseados na informação e movimento para regular a sua acção com os colegas, adversários, bola, espaço e o tempo disponível para executar. Decompor a complexidade da tarefa referida sugere uma prática com tantas tarefas quanto o número de conteúdos presentes.

Simplificar, significa que a tarefa é menos complexa mas garante a presença dos conteúdos relevantes (e.g., aumentar o espaço, fornecer mais tempo ao atacante, a defesa ser passiva, o defesa não realiza velocidade de aproximação, deixar o atacante receber a bola).

Simplificar a tarefa remete-nos para uma organização que garante o acoplamento informação-movimento, sem treinar separadamente a condução da bola, o drible e o remate, bem como não ter acções defensivas na tarefa.

O comportamento do defesa e os constrangimentos da tarefa farão com que o atacante recorra a soluções distintas daquelas a que recorreria se a mesma tarefa for apresentada com base na decomposição. As exigências de ligação de velocidade, precisão e de atenção/concentração colocadas numa e noutra tarefa são distintas.

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A definição do espaço de trabalho perceptivo-motor e/ou as dinâmicas intrínsecas do sistema de acção (que constituem constrangimentos no comportamento dos sujeitos e nos processos de aprendizagem) é o principal pilar da abordagem dinâmica em relação ao papel da intenção quando se aprende e controlam coordenações complexas (Temprado & Laurent, 2000).

Parece fazer pouco sentido ensinar estratégias que os atletas, face aos constrangimentos presentes no ambiente, não podem utilizar para decidir. A especificidade da prática parece ter mais sentido quando o treinador simplifica a tarefa de treino em vez de a decompor, introduzindo variabilidade.

A ABC enfatiza a perspectiva de que os movimentos não são invariantes (mecanizados ou robotizados) mas que são produzidos a partir da interacção de constrangimentos, levando ao desenvolvimento de importantes acoplamentos informação-movimento (Araújo et al., 2004).