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VEILEDNING, INSTRUKSJON OG FØRING – ULIKE PEDAGOGISKE

Ao longo de 2008, tivemos o par Experiência e Dramaturgia como eixo e tema da nossa ação. O artista-orientador passou a ser compreendido como um Dramaturg60, ou seja, alguém que numa primeira instância sugere elementos para a experiência e num segundo momento os organiza em cooperação com os seus artistas-vocacionados, articulando os diversos fatores que compõem a cena. Nesse sentido, Brecht e Artaud seriam exemplos de Dramaturg61. Em outras palavras, cabia ao artista-orientador provocar, criar novos procedimentos de jogo para que o espaço da experiência fosse possível. Seu papel não era o de partir das fórmulas metodológicas previamente estudadas, mas estar disposto a colocar-se em “estado de experiência” e em “ estado de jogo” em parceria com o artista-vocacional no seu lugar de ação, na construção de uma práxis.

A coordenação pedagógica62 lançou mão de textos de Walter Benjamim, John Dewey, Jorge Larrosa Bondía e Eisenstein. Além disso, os próprios responsáveis

60 “(...) O primeiro Dramaturg foi Lessing: Sua Dramaturgia de Hamburgo (1767), coletânea de críticas e

reflexões teóricas, está na origem de uma tradição alemã de atividade teórica e prática que precede e determina a encenação de uma obra. O alemão distingue diversamente do francês, o Dramatyker, aquele que escreve as peças, do Dramaturg, que é quem prepara sua interpretação e sua realização cênicas. As duas atividades são às vezes desenvolvidas simultaneamente pela mesma pessoa (ex. Brecht)...” (PAVIS, 1999, p. 117).

61 “ Apesar da diversidade existente em muitos níveis entre o trabalho desenvolvido por Brecht e aquele

formulado por Artaud, também no caso do artista francês o fenômeno teatral é considerado em sua complexidade, a partir de uma relação não hierárquica estabelecida por ele entre os elementos da cena” (Demanto, Ivan. Tecendo os Sentidos – texto produzido para fins didáticos – 2008).

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escreveram textos teóricos voltados ao projeto Vocacional, para que pudéssemos investigar o conceito de “Experiência” e alimentar as nossas práticas artísticas cotidianas63.

Discutiremos aqui três desses textos escritos exclusivamente como guia das atividades do Vocacional. No primeiro deles, Dos Fundamentos: O artista-orientador como Dramaturg, escrito por Matteo Bonfitto64, o tema Dramaturgia é conceituado como a possibilidade de instauração de “ todos os processos possíveis de construção de sentido, fator esse que constitui a base da formação do individuo”.

A proposta pedagógica instaurada reafirmava a importância da desconstrução da idéia de um “aplicador de jogos dramáticos”, e sugeria ao artista- orientador um espaço para a provocação das chamadas “experiências sensíveis”. Acreditamos que a provocação dessas experiências só se daria graças à uma compreensão anterior, a de lugar, e só se tornaria fato a partir e por conta da relação com os lugares.

A coordenação pedagógica, a exemplo do que ocorreu nos anos de 2005/2006, propôs as fases operacionais desta ação:

1ª fase - Conexão com a comunidade e coleta de material: O olhar para o entorno “(...) buscará capturar tudo aquilo que provoca algum tipo de ressonância (...) que

63 Os textos que foram utilizados durante o ano são: EINSENSTEIN ,Serguei. A Forma do Filme. Brasil: Jorge

Zahar Editor, 2002. p 26-48; BENJAMIN, Walter. O Narrador in: Magia e Técnica, arte e política:ensaios sobre literatura e história da cultura,São Paulo:Editora brasiliense,1994. p 197-221 (Obras escolhidas. Vol.1); MASINI, Elcie. F. Salzano. A experiência Perceptiva é o solo do conhecimento de pessoas com e sem deficiências sensoriais in: Psicologia em estudo, Maringá,v.8, n.1.p.39-43, jan-jun/2003; ARANDA, Nivaldo de Souza;SILVA,Maria Aparecida de Souza. Conhecimento e a experiência educativa segundo John Dewey (http://www.unilestemg.br/popp/downloads/Artigo_03.pdf). Os textos que foram produzidos para uso interno (2008): BONFITTO, Matteo. “Experiência – Dewey e Barthes” (texto interno para fins didáticos); BONFITTO, Matteo. “Dramaturgias – Dos fundamentos: O artista-orientador como Dramaturg” (texto interno para fins didáticos); BONFITTO, Matteo;DELMANTO, Ivan. “Tecendo os sentidos – a Dramaturgia como Textura” (texto interno para fins didáticos);BONFITTO,Matteo. “Percurso em Direção à Experiência”. (texto interno para fins didáticos); DELMANTO, Ivan. “Dramaturgias em Valises: textura e montagem” (texto interno para fins didáticos). BONFITTO, Matteo. “A apreciação e a Dramaturgia do Espectador” (texto interno para fins didáticos) e DELMANTO, Ivan. “ Dramaturgia do espectador e apreciação” (texto interno para fins didáticos).

64 O texto ao qual nos referimos foi uma produção interna ao Vocacional para fins didáticos. Cabe ressaltar que

Matteo Bonfitto, autor , diretor e pesquisador teatral, publicou o livro “O Ator como compositor”, resultado da pesquisa desenvolvida a partir da experiência teatral com Peter Brook.

toca, mobiliza, constrange, amedronta (...)”65

, como se fosse a primeira vez. Caberia aos artistas-orientadores/coordenadores estabelecerem os procedimentos para o estabelecimento desta fase da ação.

2ª fase - Transformação, adaptação e incorporação do material coletado: Esta fase valia-se das diferentes abordagens metodológicas para o primeiro passo na articulação dos materiais coletivos, (re)conduzindo-os ao coletivo e instaurando um “percurso de reflexão”.

3ª fase - Formatação dos materiais e instauração de processos relacionais. Esta fase foi destinada ao delineamento de um “percurso de reflexão”, podendo desencadear materiais cênicos ou, em outras palavras, “fios narrativos”.

No mesmo texto de Matteo Bonfitto, ficou estabelecido que, na trajetória de 2008, os coordenadores acompanhassem o desenrolar desta proposta por meio de reuniões periódicas com as equipes e os coordenadores. A este procedimento foi dado o nome de “instrumentalização”. A idéia de Dramaturg é reforçada no último parágrafo do texto: “o artista-orientador deverá assumir o papel não de um professor que transmite um suposto saber, mas o de um co-criador que descobre na prática, a cada encontro, as modalidades e a aplicabilidade de seu fazer”66.

Por um lado, parecem válidas as atribuições dadas no texto em questão à função do artista-orientador. Por outro, parece-nos mais justo adensarmos esse debate para não dissociarmos o artista-orientador da função do professor. É importante compreendê-lo como o profissional cuja função pública está ligada a um campo da Pedagogia moderna, que já parte de uma perspectiva de aprendizagem dialógica e emancipatória.

No texto “Tecendo os Sentidos”, Matteo Bonfitto e Ivan Delmanto apresentam alguns dos aspectos fundamentais da prática do artista-orientador.Num primeiro momento, retomam a necessidade de um olhar para a experiência e o sujeito da

65. Bonfitto, Mateo. “Dramaturgias – Dos fundamentos: O artista-orientador como Dramaturg” 2008 (texto

interno para fins didáticos)

66 Bonfitto, Mateo. “Dramaturgias – Dos fundamentos: O artista-orientador como Dramaturg”, 2008 (texto

experiência na atualidade. Para tanto, a obra de Walter Benjamim torna-se fundamento desta proposta. Benjamin apresenta um tipo de relação humana na qual a experiência se realiza de forma comunitária, ampla , para muito além de “ pequenas experiências individuais e coletivas”67

. Porém, o avassalador desenvolvimento do modo de produção capitalista reduz cada vez mais esse espaço de experiência, muitas vezes analisado na filosofia clássica alemã.

Paulatinamente a possibilidade de uma relação social mais ampla do que uma “experiência individual” acelerada dá mostras de morte inevitável. Do homem e pelo homem é extirpado um saber gerado por modo de narrar que ultrapassa barreiras e atravessa ,gerações. Então neste primeiro aspecto, a morte da experiência é dada como um fato.

No mesmo texto, Bonfitto e Delmanto retomam dois ensaios de Walter Benjamin, Experiência e Pobreza e O Narrador, explicitando um olhar acerca do artista-orientador. Tratam de um sujeito que, vivendo na cidade, deixa de ser o sujeito da experiência e passa a ser o sujeito do choque. E o choque, em síntese, seria o modo de viver do habitante da metrópole, aquele que tem sua história construída por uma série de fragmentos, de traumas, de rupturas, de fissuras. Assim,

“ Em meio ao choque contínuo, tal habitante só é capaz de perceber-se como uma reunião de ruínas incapazes de definir uma subjetividade unitária, como acúmulo de traumas que marcam o seu corpo dominado pelas máquinas e por trabalhos alienantes e opressores.”68

O nosso campo de ação seria este espaço da ruína, a partir do choque que se dá no encontro entre vocacionado e artista-orientador, no “recolhimento dos cacos” e na provocação de novos sentidos sobre a própria experiência,”esta personagem das grandes cidades modernas que recolhe os cacos, os restos, os detritos, movidos pela pobreza, certamente, mas também pelo desejo de não deixar nada se perder.”69

67 BONFITTO, Matteo; DELMANTO, Ivan. “Tecendo os sentidos – a Dramaturgia como Textura”, 2008 (texto

interno para fins didáticos do Vocacional)

68Idem. 69Idem.

O último texto ao qual queremos nos referir denominou-se “Dramaturgias em valises”70. Uma idéia que nos parece especialmente rica é a de que a ação da

equipe Vocacional é tanto mais ampla quanto mais se ampliam as possibilidades de articulação do material expressivo composto na parceria entre coordenadores/artista- orientadores e vocacionados.

Ainda no mesmo texto, os autores se valem da noção do cineasta Sergei Eisenstein sobre a técnica de montagem na linguagem audiovisual, e concluem: “ dois pedaços de filme de qualquer tipo, colocado juntos, inevitavelmente criam um novo conceito, uma nova qualidade, que surge da justaposição”. Ressaltam então que esse fato “não é, de modo algum, uma característica peculiar do cinema, mas um procedimento comum a todas as artes”.

Neste ponto, recorremos novamente à idéia de território em movimento, de lugar de construção, para sublinhar que o campo teatral também se constitui como esse lugar onde “dois pedaços de filme” podem-se transformar em material simbólico em construção e explicitação de uma idéia acerca do mundo. E isto só é possível no exercício da linguagem como espaço de experiência e no entendimento do mundo como passível de retoque e re-organização.

Acreditamos então que o papel do artista-orientador/coordenador seria a (re)organização constante de elementos constitutivos da cena (luz, gesto, som, palavra, espaço), conduzindo os parceiros de jogo à elaboração estética pela organização dos signos, resultando em objetos.

Assim, o modo de trabalho instaurado em 2008 auxiliou na criação de alguns pontos de contato entre as diversas práticas instaladas na cidade pelo Vocacional. Mas, paradoxalmente, as práticas foram-se tornando cada vez mais isoladas com a ampliação significativa da equipe. O inchaço de ações apontado no primeiro capítulo, em conjunto com um aumento substancial do número de textos a serem lidos e discutidos pelas equipes, foi tornando o tempo de diálogo cada vez menor. Assim, foi-se fazendo quase impossível mensurar os benefícios daquele

processo de formação da equipe junto aos vocacionados.