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Veiledning av skrivere

In document Skriveren og teksten (sider 90-114)

Ê improvável que o autor do erro não tenha pensado no termo portu- guês acelerar antes de escrever a forma que escreveu. Porque razão não preferiu *acelarated, por exemplo, só ele poderá explicar. No entanto, ê absolutamente legítimo pensar-se que ele não o fez por reacção ao poder da interferência que detectou numa forma demasia-

damente próxima da palavra portuguesa. Optou, por isso, por uma so-

lução que lhe pareceu mais segura, uma das 'estratégias conscien- tes de comunicação' de que nos fala E. Tarone (1977).

Naturalmente que o recurso maior ou menor do aprendente â sua lín- gua materna, para resolver problemas pontuais de comunicação, pode ter uma explicação psicológica com base em antecedentes. Se ele per siste em aventurar-se a pedir emprestado â sua LI, isso só se po- derá explicar pelo sucesso total ou parcial das suas tentativas an teriores. Isto é, o recurso â língua materna facilitou-lhe a fun- ção de comunicar em oportunidades anteriores. Se, pelo contrário, as suas tentativas anteriores o tivessem conduzido a situações de bloqueamento na comunicação ou â produção de locuções sempre consi^ deradas erradas, a consequência mais provável seria o abandono des- sa estratégia, eventualmente o silêncio, a renúncia em continuar. Nesta hipótese, a interferência da LI ter-se-ia transformado emfac

tor inibitório, embora seja de admitir que, mentalmente, o apren- dente a continuasse a ter sempre presente.

Seja qual for o grau de sucesso comunicativo proporcionado pelo apoio na língua materna - convindo aqui referir que esse sucesso não significa sempre correcta produção linguística -, e inegável que esse apoio gera uma elevada percentagem de erros.

James diz-nos que "têm sido feitas várias tentativas para determi- nar a proporção dos erros interlinguais" e que "parece que entre um

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terço e metade dos erros dos aprendentes podem ser causados pelo de sajustamento L1:L2" (1980:146). Tal proporção confirma-se nos re-

sultados que eu próprio obtive, dado que quase 44?0 dos erros que

estudei revelam influência do português. Esta percentagem, se pe- car, será por defeito, pois excluí dela todos aqueles casos em que não me foi possível, de maneira absolutamente categórica, atribuir o desvio da norma a interferência da língua materna, embora conti- vessem elementos que pudessem apontar em tal sentido.

A frase

(2) - * [While] trying to improve our life on earth scientists are

interested in new invents.18

foi considerada errada : pela professora que a leu por falta da conjunção while , que deve-

ria inicia-la. E de admitir que o autor da omissão não tenha feito mais do que traduzir a frase portuguesa que, mentalmente, construiu

("Tentando melhorar a nossa vida na terra, os cientistas . . . " ) . To- davia, em português, seria igualmente possível dizer-se "Ao tenta- rem melhorar ...". Se o estudante que cometeu o erro chegasse a pen

sar nesta possibilidade, a omissão seria mais difícil de explicar19.

Quando a análise dos erros me conduziu a raciocínios como o apre- sentado, decidi não considerar o erro como devido a interferência interlingual. E como e relativamente elevado o numero de erros nes tas circunstâncias, a percentagem teria naturalmente subido se os tivesse considerado de outro modo.

Ao contrário das opiniões ate agora citadas, outros autores preten dem atenuar o papel da interferência da LI na produção de erros. Mikattash, por exemplo, diz: "a interferência da LI não ê tão pode rosa como pretendem muitos linguistas"(1977:72).Coincidentes pare- cem ser as opiniões de Carlbom, Olsson e Jain, que, embora reconhe cendo o papel importante que a língua materna desempenha como ori- gem de erros na L2, chamam, frequentemente, a atenção dos seus lei-

tores para as outras razões de desvios da norma. Jain, por exemplo, concentra-se especialmente nos "erros independentes da LI" ('LI in- dependent errors' (1974:189)), acabando, porém, por nos fornecer nu merosos exemplos de interferência interlingual por ele próprio re- conhecidos como tal.

Um aspecto interessante no estudo da interferência é o que se rela ciona com as razões, linguísticas e psicológicas, que a determinam. E, mais uma vez, as posições são divergentes: por um lado, ha aque les que declaram ser a interferência tanto maior quanto mais marca do for o contraste entre a LI e â L2; por outro lado, ha os que pen sam que, quando as formas - lexicais ou estruturais - são aproxima das nas duas línguas, mas não coincidentes, as probabilidades de in terferência aumentam sensivelmente.

Weinreich pertence ao primeiro grupo:

"Quanto maior for a diferença entre os sistemas, istoe, quanto mais numerosas forem as formas e estruturas mu- tuamente exclusivas em cada uma das línguas, maiores são os problemas de aprendizagem e maior a area poten- cial de interferência" (1968:1).

Esta opinião não diverge da de R. Lado, embora este, na passagem concreta que se segue, esteja mais a pensar em dificuldades de a- prendizagem:

"Partimos do princípio de que o estudante que entra em contacto com uma língua estrangeira achara alguns dos

seus aspectos totalmente fáceis e outros extremamente difíceis. Aqueles elementos que forem semelhantesâ sua língua materna serão simples para si, e aqueles que fo- rem diferentes serão difíceis" (1957:2).

A este grupo pertencera também a maioria dos professores que, ao longo da sua vida profissional, vêm travando uma contínua luta de combate ã inevitável intrusão da língua materna dos alunos. E isso

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nativos da língua que ensinam, estando eles próprios sujeitos, e-

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