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5. Konklusjon

5.3. Veien videre

43 Crime de motim, artigo nº 149, do Código Penal Militar. 44

O movimento grevista na PMERJ teve o seu ápice no dia 09 de fevereiro de 2012.

49 De acordo com a análise de ZANINI (2007), confiança é uma aceitação voluntária e antecipada de um investimento de risco, quando se espera que a outra parte não agirá de forma oportunista. Para tanto, duas condições precisam ser satisfeitas para haver ações cooperativas baseadas em confiança: a coexistência de uma expectativa de confiança, ou seja, a expectativa de quem confia em outra pessoa, acreditando que estará motivada a não agir de forma oportunista e uma ação baseada em confiança, ou seja, um investimento voluntário da pessoa que confia, concretamente, sob situação de risco comportamental, sem recorrer a nenhum mecanismo explícito de segurança ou controle.

[...] É comum o policial passar vários anos no BOPE executando missões de alto risco sem nunca ter se acidentado e, após ser transferido para outra unidade, se acidentar em poucos meses. No BOPE os soldados contam com o rigor dos seus parceiros, e

isso dá certo. Quando saem daqui isso pode virar uma “confiança cega“ em soldados que

podem não ser tão disciplinados, e é aí que os acidentes ocorrem. Para o cumprimento da missão é necessário uma confiança extrema entre parceiros envolvidos. E essa confiança só pode ser forjada na prática. Mesmo em relação aos oficiais de alta patente que podem não ter entrado em ação ao lado dos mais novos recrutas existe a certeza de que os caras mais antigos já estiverem na linha de frente e não hesitariam um segundo se tivessem que voltar pra lá. Podemos falar de horizontalidade mesmo dentro de hierarquia muito bem definida. Se de um lado os cabos e soldados têm a certeza de que seus superiores se submeteriam as mesmas condições de trabalho que eles quando necessário, do outro os superiores também tem confiança de qualquer subordinado está capacitado a assumir uma posição de liderança quando requisitado. É uma relação de respeito mútuo. Como oficiais e soldados estão

50 ombreados, os superiores entendem melhor quais são as necessidades do batalhão, e emerge o espírito de equipe, a lealdade é filha do respeito. [...] 46.

Na pesquisa realizada por ZANINI et al. (2013), através de entrevistas e grupos focais, os pesquisadores procuraram compreender o sentido e o significado do trabalho para os policiais, sua identidade na organização, a percepção da missão da organização e os fatores que contribuem para a formação do vínculo dos indivíduos entre si e desses com a instituição. Segundo os autores, desde a primeira fase da pesquisa qualitativa, da análise histórica, a qualidade do vínculo dos indivíduos entre si, apoiados sobre a confiança mútua e do conjunto dos policiais na liderança aparecem como fatores explicativos para os resultados, na visão dos entrevistados. A pesquisa revelou também que a relação da confiança na liderança e o comprometimento afetivo esta baseado num sentimento de missão e devoção a causa, que pouco se altera pela percepção da qualidade do suporte organizacional47. Baseado na observação, foi argumentado pelos autores que a percepção de suporte organizacional não interfere como moderador na relação entre a confiança no líder e o comprometimento afetivo. Isto é, a percepção de suporte organizacional não influencia a relação do comprometimento afetivo produzido pela confiança no líder. Neste sentido, normas, valores e crenças organizacionais asseguram que os comportamentos sejam coerentes com a confiança investida. Considerando ainda que, neste contexto, a qualidade e confiabilidade das informações transmitidas pelos líderes aos liderados é fator crítico, uma vez que essas informações podem ser de importância vital para o controle dos riscos das operações.

ZANINI (2011) sustenta que relações de confiança ocorrem inseridas em um determinado contexto social, indo além das características individuais envolvidas numa específica relação de confiança entre dois agentes. Elas estão associadas ao nível de

46 Entrevista Ten Cel Rene – jul 2013

47 A teoria do suporte organizacional (Eisenberger et al., 1986; Rhoades & Eisenberger, 2002) argumenta que

muitas das necessidades sócio-emocionais dos indivíduos podem ser atendidas no ambiente organizacional, tais como a necessidade de reconhecimento, respeito, cuidado, e benefícios tangíveis como salários e benefícios médicos.

51 institucionalização dessas relações. Para ele, a confiança profissional contrasta com a natureza mais pessoal orientado para confidências, portanto cabendo a distinção entre as formas pessoal e profissional de confiança. Confidenciar ou divulgar algo a um líder tem claramente uma forte base emocional e relacional de confiança, revelando uma vulnerabilidade freqüentemente acompanhadada formação de apego interpessoal e expressões de cuidado e preocupação.

Para Rousseau (ROUSSEAU et al. 1998), em contraste com a confiança pessoal, a confiança profissional pode estar ancorada em habilidades profissionais e competências que levam à confiabilidade, isto é, contar com o líder para resolver uma questão importante para você, depender do apoio do mesmo em situações difíceis, ou confiar no julgamento que o líder tem do seu trabalho. Relações caracterizadas por uma disposição de confiar em ambos os domínios representam a confiança relacional, onde existe uma ampla base de troca de apoio, de recursos, interdependência e cuidado interpessoal e preocupação.

Líderes se engajam em ações que geram a confiança de seus liderados, estabelecendo uma relação de troca social com os mesmos. (PODSAKOFF, MACKENZIE, MOORMAN E FETTER, 1990). São capazes de construir confiança demonstrando preocupação individualizada e respeito para com os liderados, que envolve desde a consulta do liderado antes de tomar uma decisão, até a implementação da mesma com base na lealdade entre ambos (BARTRAM & CASIMIR, 2007). Especialmente numa organização onde a coordenação e a eficiência das equipes estão baseadas no forte significado da tarefa e onde se demanda investimentos de confiança em situações de risco extremo de vida, faz-se necessário que os indivíduos no comando das equipes estejam comprometidos com a prática e o fortalecimento das normas e regras que promovam uma atmosfera de confiança por meio da aplicação de mecanismos de punição e reconhecimento (ZANINI, 2011).

52 Sobre as relações profissionais dentro do BOPE e capacidade de superação e adaptação do BOPE podemos citar uma passagem da entrevista do Major Nunes, na qual ele cita o exemplo dos recentes distúrbios civis48 ocorrido nas manifestações populares no Rio de Janeiro. O BOPE teve que atuar ao lado do BPChoque dentro de uma esfera de ação que não compete diretamente ao BOPE mais eles atenderam ao chamado com êxito. Os escudos do Choque não são contra projéteis de armas de fogo e pesam no máximo dois quilogramas, o escudo que os policiais do BOPE usam são à prova de projetéis de arma de fogo e pesam pelo menos sete quilogramas, no entanto estavam todos “ombreados”, e marchavam na mesma cadência. Continua o Major Nunes, no comando de sua equipe naquela ocasião, que num dado momento da ação ele estava sem máscara contra gases e havia grande concentração de gás anti-motim no ar ambiente, ele fechou os olhos, segurou num colega pelo ombro e disse:

“[...] vai, que eu tô te seguindo, eu não tô vendo nada”. Esse tipo de coisa só

acontece porque é uma relação de total confiança na competência do outro[...]”49.

ROBBINS, JUDGE & SOBRAL (2010), argumentam que a confiança interpessoal entre os membros de uma equipe facilita a cooperação, reduz a necessidade de monitoramento dos comportamentos individuais e une as pessoas em torno da crença de que nenhuma delas tentará tirar proveito da outra. Para os autores, a confiança é a base da liderança, permitindo que a equipe aceite as decisões e objetivos de seu líder e se comprometa com ele.