Para assegurar a qualidade da pesquisa apresentada, adoptaram-se os principais critérios de aferição que são propostos pela literatura e aplicados nos artigos científicos mais recentes, que incluem uma grande variedade de teste de diferentes autores (Cook, Campbell e Day, 1979; Eisenhardt, 1989; Eisenhardt e Graebner, 2007; Graebner, 2007; Gibbert, Ruigrok e Wicki, 2008; Patton, 2002; Trochim, 1989; Yin, 2003). Os testes utilizados pretendem atestar a validade externa e interna, a validade dos constructos e a fiabilidade e estão detalhados no quadro 20.
Validade Externa
A validade externa estabelece o domínio para o qual as descobertas do estudo podem ser generalizadas (Yin, 2003) e pode ser obtida pela replicação da pesquisa. Importa referir que esta generalização é analítica e contrapõe-se à generalização científica de investigação experimental clássica (Stake, 2012). A generalização analítica é um processo separado da generalização estatística uma vez que se refere à generalização a partir de observações empíricas para a teoria, em vez de o fazer para a população (Yin, 2003).
Para aferir a validade externa usou-se a replicação lógica em estudos de caso múltiplos (Eisenhardt, 1989; Eisenhardt e Graebner, 2007; Yin, 2003), justificou-se a selecção dos estudos de caso e detalhou-se o contexto dos casos (Cook et al., 1979). Todos estes testes foram tidos em conta na fase de desenho da pesquisa / análise de dados e estão descritos no capítulo VI – 3.
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Validade Interna
Em termos gerais, a validade interna de um estudo refere-se ao rigor ou precisão dos resultados que são obtidos. Pretende-se perceber até que ponto as interpretações do investigador estão alicerçadas nos dados e que condições estão subjacentes ao estabelecimento de relações causais (Yin, 2003) para as distinguir das relações espúrias.
Para aferir esta validade, aplicaram-se 2 técnicas específicas - padrões de correspondência (Eisenhardt, 1989; Trochim, 1989, Yin, 2003) e triangulação de teorias (Yin, 2003) – quando se analisaram os dados e os resultados são apresentados no capítulo VIII.
Validade do Constructo
A validade do constructo consiste em garantir que as medidas operacionais seleccionadas são as mais correctas para os conceitos que são estudados. Este teste diz respeito à redução da subjectividade, ligando a recolha de dados e as medidas à questão e às preposições da investigação.
Os testes à validade dos constructos incluem o uso de múltiplas fontes de evidências (Eisenhardt, 1989; Yin, 2003), a triangulação dos dados (Patton, 2002; Yin, 2003), o estabelecimento de uma cadeia de evidências (Yin, 2003), a indicação das circunstâncias em que foram recolhidos os dados (Gibbert et al., 2008) e a revisão dos relatórios de estudos de caso (Gibbert et al., 2008; Yin, 2003).
No estudo apresentam-se diferentes quadros que resumem as evidências relacionadas com cada um dos constructos em análise o que permite aumentar a “testabilidade” da teoria e criar fortes ligações das evidências qualitativas ao teste dessa teoria (Eisenhardt e Graebner, 2007). Estes testes de validade podem ser observados nos relatórios de estudos de caso (em anexo) e na informação contida na base de dados.
Fiabilidade
O teste de fiabilidade consiste em demonstrar que as operações do estudo, assim como os processos de recolha de dados, podem ser repetidos, obtendo-se o mesmo resultado. Esta fiabilidade consegue ser atingida documentando todos os processos e mantendo um arquivo apropriado.
Para garantir a fiabilidade deste estudo, desenvolveu-se um protocolo de estudo (ver Anexo A) e criou-se uma base de dados com a catalogação de todas as evidências (Yin, 2003).
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Quadro 20 – Testes de Validade de Estudos de Caso Aplicados à Investigação
Fonte: Elaboração própria.
Teste Utilizado Informações Gerais de Aplicação dos Teste
Fase da Pesquisa
Uso de replicação lógica em estudos de casos múltiplos (Eisenhardt, 1989; Eisenhardt e Graebner, 2007; Yin, 2003)
Foram usados quatro estudos de casos para permitir uma base mais robusta e precisa para suportar uma generalização mais abrangente. Os casos foram construídos para serem comparados entre si de modo a encontrar semelhanças e diferenças. Foram analisadas as relações usando a lógica da replicação, verificando se cada caso individualmente possuia o padrão.
Desenho da pesquisa / Anállise de dados Justificação para a selecção do estudo de caso
(Cook et al., 1979)
Desenvolveu-se uma explicação detalhada para a selecção dos casos e como é apropriado tendo em conta a questão de investigação proposta.
Desenho da pesquisa Detalhe do contexto do estudo de caso (Cook et
al., 1979) Foi detalhado o contexto da investigação para permitir uma perfeita compreensão das opções dos investigadores.
Desenho da pesquisa Padrões de correspondência (Eisenhardt, 1989;
Trochim, 1989; Yin, 2003) Foram identificados padrões de forma empírica que, na análise dos casos, foram comparados com os padrões teóricos existentes. Análise de dados
Triangulação de teorias (Yin, 2003) Os resultados foram analisados por diferentes lentes e corpos de literatura teóricos, quer no desenho da pesquisa, quer na interpretação dos resultados.
Desenho da pesquisa / Análise
de dados Uso de múltiplas fontes de evidências
(Eisenhardt, 1989; Yin, 2003) Foram utilizadas diferentes fontes de pesquisa: entrevistas, documentação e observação. Recolha de dados Triangulação de dados (Patton, 2002; Yin, 2003) Foram recolhidas informações de diferentes fontes de dados de modo a que os factos relevantes sejam corroborados por mais do que
uma evidência. Recolha de dados
Estabelecimento de uma cadeia de evidências (Yin, 2003)
Foi preservada a cadeia de evidências e foram detalhados todos os passos desenvolvidos na pesquisa. As citações utilizadas são explícitas e referentes a partes específicas de evidências. Qualquer auditor externo pode confirmar se a inferência está (ou não) ligada à sua fonte.
Recolha de dados
Revisão dos relatórios de estudos de caso (Gibbert et al., 2008; Yin, 2003)
Realizou-se uma revisão dos relatórios preliminares dos estudos de caso por parte dos entrevistados da empresa e por peers reviews
que não estão directamente relacionados com a pesquisa. Redacção
Indicação das circunstâncias em que foram
recolhidos os dados (Gibbert et al., 2008) Todas as evidências que foram recolhidas têm uma indicação precisa de como foram obtidas. Recolha de dados
Protocolo de estudo de caso (Yin, 2003) O protocolo desenvolvido contém informação sobre como o estudo de caso foi desenvolvido com a identificação das regras e dos
procedimentos adoptados (Anexo A). Recolha de dados
Base de dados do estudo de caso (Yin, 2003) Foi criada uma base de dados com informação detalhada de todas as evidências, incluíndo transcrição de todas as entrevistas,
documentos diversos e observações. Todas as referências foram codificadas especificando onde e como foram recolhidas. Recolha de dados Validade dos Constructos
Validade Interna Validade Externa