De um modo geral, todos os participantes revelaram que mantinham uma relação de proximidade com Portugal e com a cultura portuguesa, tanto offline como online, uma vez que consideram que “é tipo ponte aérea (...), viajar de França-Portugal, Portugal-França é básico” (HV5 - E.P., M, 24 anos), embora não visitem o país de origem com a mesma frequência. A maioria dos inquiridos costuma ir a Portugal entre duas a três vezes por ano (HV9 R.M., M, 38 anos; HV2 - C.A.S., M, 32 anos; HV10 - C.P., H, 39 anos); embora três participantes visitem Portugal mensalmente (HV5 - E.P., M, 24 anos, HV1 – A. A., H, 26
anos) e dois apenas consigam ir uma vez a Portugal por ano (HV7 - C.A., M, 27 anos) sobretudo devido a razões laborais e económicas. Offline, a relação próxima com Portugal caracteriza-se por viagens ao longo do ano, para visitar a família ou os amigos, ou até mesmo dar continuidade a projectos pessoais que tenham em Portugal. Pelas mesmas razões, importa conhecer a relação online que os indivíduos mantêm com Portugal e com a cultura portuguesa à distância.
2.3.1 A relação online mantida com a família à distância
A maioria dos participantes do estudo revelou que
“(...) a relação com Portugal passa pela internet (...)” (HV4 - C.N., M, 27 anos) porque mantém contacto com a família e os amigos em Portugal
“(...) muito graças às redes sociais, portanto entre telefone, mensagens, hoje em dia conseguimos trocar mensagens quase gratuitamente portanto eu troco mensagens com a minha mãe, eu se for às compras e tiver uma dúvida mando mensagem à minha mãe como se estivesse ali ao lado.” (HV2 - C.A.S., M, 32 anos).
Sobretudo através: do Whatsapp (seis indivíduos) e do Messenger/Facebook (seis indivíduos) “Todos os dias Whatsapp com os meus pais e com a minha irmã, todos os dias fazemos Whatsapp's. Com a minha mãe então, às vezes é várias vezes ao dia, apanho o transporte para ir para casa já lhe estou a ligar, depois fico sem rede, depois ligo outra vez quando já tenho, chego a casa, faço o jantar e a seguir ao jantar, ligo outra vez, portanto uso mesmo o Whatsapp, salvação.” (HV5 - E.P., M, 24 anos),
“(...) a minha mãe a minha avó é sistemático: Facebook todos os dias ou Whatsapp, é literalmente o meio de comunicação, agora é mais o Whatsapp porque eu quis desligar um bocado um Facebook mas eu digo à minha mãe ou a minha mãe me diz a mim “Bom dia” (riso) seja por Whatsapp ou por Facebook” (HV3 - B.S., H, 33 anos).
Segundo os participantes
“Hoje em dia é muito mais fácil graças ao telemóvel, graças ao Facebook, graças a Whatsapp também” (HV10 - C.P., H, 39 anos)
manter uma relação com Portugal e sentir
“(...) que apesar de estar longe nunca há aquele corte total com as pessoas porque vamos estar sempre em contacto, nem que seja com uma mensagem de manhã ou uma mensagem à noite, uma mensagem nos transportes ou aquela chamada enquanto estamos à espera do autocarro
No entanto, a relação que mantém com a família em Portugal também passa pelas chamadas telefónicas (dois indivíduos) e pelo Skype (um individuo):
“(...) quase diariamente, um Skype coisa de quinze minutos, vinte minutos, às vezes um bocadinho mais. uma hora, mas em média vinte minutos, meia-hora, um skypezinho à noite depois de jantar, contar o dia (...) não telefono, não mando mensagens, é mesmo literalmente
Skype, já é uma coisa um bocado que entra no quotidiano, quer dizer não é que seja todos os
dias, mas de maneira geral há sempre aquela mensagem Skype que eles já estão à espera, sou eu que por acaso tomo sempre a iniciativa, eles já estão à espera de receber uma mensagem para saber se vou para o Skype (...)” (HV6 - J.R., H, 24 anos).
Concluindo, quase a totalidade mantêm contacto semanalmente (cinco indivíduos) e diariamente (quatro indivíduos) através das redes sociais com a família que reside em Portugal, excepto um indivíduo, que não tem a família próxima a residir em Portugal, porque estão actualmente igualmente emigrados em França. Os meios de comunicação mais utilizados para comunicar com a família são, por ordem de importância, o Whatsapp, o Messenger/Facebook, as chamadas telefónicas, o Skype e o Instagram.
2.3.2 A relação online mantida com os amigos à distância
À semelhança da relação que mantêm com a família, a relação com os amigos é mantida essencialmente
“(...) via redes sociais, Messenger, Facebook, Instagram, maioritariamente é mais via redes sociais, Whatsapp.” (HV8 - J.C., H, 25 anos)
porque
“(...) as redes sociais é que nos permitem mostrar às outras pessoas aquilo que nós vamos fazendo, eu nunca gostei muito disso mas efectivamente era o que me fazia continuar a fazer parte da vida dos meus amigos lá e eu sei que era o que também os fazia sentir-se parte da minha, e acompanhar um bocadinho o que eu fazia e as minhas novas aventuras (...)” (HV4 - C.N., M, 27 anos).
Os indivíduos utilizam, exclusivamente, as redes sociais para manter contacto com os amigos, note-se que não foi referido nenhum outro meio para comunicar, para o efeito privilegiam o uso do Messenger/ Facebook (oito indivíduos) e do Whatsapp (sete indivíduos),
“(...) graças ao Facebook, graças ao Whatsapp também, temos um grupo com os meus amigos que somos mais ou menos uns 15 no Whatsapp e tamos sempre trocando mensagens durante o dia (...)” (HV10 - C.P., H, 39 anos),
mas também através do Skype
“(…) às vezes já tem acontecido ir a Portugal de propósito com os meus amigos porque organizamos fins-de-semana no Alentejo e o Facebook ajuda-me a fazer isso (…) vou a Lisboa, "como é que é tás em Lisboa, então vamos beber um café?", pessoas que já não vejo há bastante tempo, sempre que vou a Portugal tenho um grupo de, pronto o meu grupo de amigos de Setúbal nós temos um grupo e ponho lá "cheguei a Setúbal" ou "vou para Setúbal" e vamos sair (...)” (HV6 - J.R., H, 24 anos).
Pela mesma razão, utilizam o Skype, o Instagram,
“com os amigos vamos dizer que é o Whatsapp também, em primeiro lugar, sem dúvida e
mais Instagram.” (HV2 - C.A.S., M, 32 anos)
e o Snapchat
“(...) agora há uma rede que eu não uso de todo mas no início usava muito o Snapchat porque havia aquela parte das histórias, que agora existe também nas outras redes, mas na altura não e portanto eu usava muito as histórias para mostrar aos meus amigos de lá aquilo que eu andava a fazer, sei lá as minhas festas aonde eu ia, as actividades, aquilo que comia, todas a novas coisas que eu experimentava e fazia, usava muito o Snapchat, o Facebook também, o
Instagram é muito mais recente, se eu pude manter uma relação próximo com os meus amigos
e com a minha família de lá foi graças à internet e às redes sociais.” (HV4 - C.N., M, 27 anos)
Posto isto, depois de analisada a relação que os indivíduos mantêm com o país de origem e a influência dos media nessa relação, vamos explorar o que fazem os indivíduos nos tempos livres, para perceber os usos e consumos mediáticos amplamente no país de acolhimento.