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Relativamente à análise probabilística dos casos do deslizamento em cunha procede-se de modo idêntico ao do deslizamento planar, tendo, claro está, que considerar a variação segundo a lei de distribuição normal para as duas descontinuidades. Também as leis de variação dos parâmetros de resistência têm que ser selecionadas para ambas as descontinuidades.

8.3.2.1. Análise detalhada da situação 24

Atentando então no caso já enunciado anteriormente, a situação 24, considera-se o deslizamento em cunha provocado pela interseção das famílias 1m e 3m. Para ambas as famílias, o valor do pendor e do azimute variam de acordo com leis de distribuição normais considerando os valores médios e desvio padrão do Quadro 58 e Quadro 59, respetivamente.

Considerando na análise probabilística o modelo de Barton-Bandis, é considerada a lei de distribuição normal para o valor de JRC de acordo com o Quadro 60, lembrando que em relação à classificação GSI se trata de um maciço do tipo B. Quando atuam exclusivamente forças gravíticas, a probabilidade de deslizamento é PF = 38% sendo o gráfico da densidade de probabilidades representado na Figura 121.

Figura 121 – Situação 24: Cálculo da probabilidade de rotura mediante atuação de forças gravíticas (BB) Quando considerada a atuação da pressão da água ocupando completamente as descontinuidades, obtém-se uma probabilidade de rotura de aproximadamente 100%. Ora este valor, é um valor teórico, de acordo com os pressupostos anteriormente mencionados no qual se considera o preenchimento total das descontinuidades por água, não traduzindo uma situação real in situ.

Considerando agora a força sísmica horizontal devido a um coeficiente 0,08 obtém-se uma probabilidade de deslizamento de 78%. O respetivo gráfico da densidade encontra-se na Figura 122.

Figura 122 – Situação 24: Cálculo da probabilidade de rotura na presença de uma ação sísmica (BB) Considerada a atuação simultânea da pressão da água e da ação gravítica tem-se, naturalmente, uma probabilidade de rotura PF = 100%, sendo válida a justificação já dada relativamente à presença da pressão de água.

Para o cálculo das probabilidades de rotura para a mesma situação, mas utilizando o modelo de Mohr- Coulomb, faz-se variar a coesão e o ângulo de atrito de acordo com o Quadro 61. Os gráficos têm forma idêntica aos do anterior critério, pelo que, não se apresentam para este caso. Relativamente ao cálculo em termos de coesão e ângulo de atrito instantâneos, segue-se o modelo apresentado no cálculo probabilístico relativamente ao deslizamento planar, tendo, claro está, que ser considerada a variação do modelo separadamente para cada plano de descontinuidade. Para o presente caso é apenas considerado um dos planos visto o deslizamento ocorrer segundo esse plano. Desta feita, não se procedeu ao cálculo visto ter sido já demonstrado não só o processo mas também que os resultados obtidos são iguais aos do critério de Barton-Bandis. Os resultados da análise probabilística utilizando o modelo de Barton-Bandis e de Mohr-Coulomb apresentam-se no Quadro 65.

Quadro 65 – Situação 24 (famílias 1m e 3m): Probabilidades de rotura segundo diferentes condições e critérios Probabilidades de Rotura Situação 24 (1m e 3m) Critério de rotura Forças Gravíticas FG + Forças Sísmicas - BB 38% 78% MC 10% 41% Pregagens BB 23% 69% MC 4% 29%

Como foi referido, quando considerada a presença de água, e mediante os modelos e pressupostos assumidos obtêm-se probabilidades de rotura extremamente elevados, não correspondendo estas necessariamente às condições do talude in situ.

Apesar de se verificar o que foi referido na análise determinística, que seria necessário simular novamente os meios de estabilização para obter probabilidades de rotura mais baixas, lembra-se também que o objetivo da aplicação de meios de estabilização em obras de engenharia é na maioria das vezes reduzir as probabilidades de rotura, e não anulá-las completamente, algo que se verifica neste caso. Relativamente aos valores de probabilidade de rotura calculados quando considerada a presença de água, mantêm-se extremamente elevados. É importante recordar que o resultado da análise probabilística no Swedge quando aplicadas pregagens pode apresentar diferenças associadas ao facto de serem atribuídas distribuições às orientações das famílias de descontinuidades levando à formação de diferentes cunhas e direções de deslizamento, mantendo-se constante a direção e inclinação da pregagem (para este caso, normal ao talude e com azimute 177º).

8.3.2.2. Análise das situações estudadas em cada trecho

Relativamente ao trecho , analisa-se a situação 42 na qual os valores vão de encontro aos obtidos na análise determinística. As probabilidades de rotura são elevadas, no entanto, tal como para a análise determinística, estamos perante uma análise simplificada, não se pretendendo a análise da estabilidade do talude, mas a comparação entre diferentes abordagens. Quando considerada a presença de água tem-se uma probabilidade de rotura para a qual à uma anulação da tensão normal. Mediante a simulação de ancoragens, verifica-se uma diminuição significativa das probabilidades de rotura sendo que para condições de atuação exclusiva de forças gravíticas se dá uma diminuição da probabilidade de rotura de 78% para 30%.

No que toca à análise do trecho , de acordo com os dados geométricos assumidos, formam-se cunhas cujas linhas de interseção dos planos de descontinuidades apresentam pendores muito elevados, sendo estes de pequenas dimensões. Na presença de água estas cunhas perdem facilmente o contacto com as paredes do plano de descontinuidade por anulação das tensões, justificando-se assim os elevados valores da probabilidade de rotura. Este fenómeno, como já foi referido, trata-se do destacamento pontual de alguns blocos, não sendo um deslizamento em cunha característico e podendo ser controlado com recurso à rede de dupla torção. Não se apresentam portanto resultados da análise probabilística relativamente a este trecho.

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