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Quanto à análise dos dados, buscamos seguir os passos propostos pela pesquisa qualitativa, quando faz a discussão da “análise de conteúdo”. Bardin (2004, p. 37) caracteriza a expressão “análise de conteúdo” como:

[...] um conjunto de técnicas de análises das comunicações visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) e conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) desta mensagem.

Entendemos que a análise de conteúdo tem por objetivo: explicitar e sistematizar o conteúdo das mensagens e a expressão deste, visando “[...] o conhecimento de variáveis de ordem psicológica, sociológica, histórica, etc., por meio de mecanismos de dedução com base em indicadores reconstruídos a partir de uma amostra de mensagens particulares.” (BARDIN 2004, p. 39).

A técnica busca outras realidades por meio das mensagens obtidas no grupo focal e nas entrevistas semiestruturadas. Operacionalmente, a análise de conteúdo pode abranger as seguintes fases: pré-análise, exploração do material, tratamento dos resultados e interpretação.

Na fase pré-analítica, procedemos à constituição de um corpus, ou seja, os documentos submetidos aos procedimentos analíticos – o que implicou na observação das regras de exaustividade (seleção de todo o material susceptível de utilização), representatividade (os dados foram obtidos por intermédio de técnica idêntica e realizada com indivíduos semelhantes), homogeneidade (os documentos retidos obedeceram a critérios precisos de escolha), e pertinência (os documentos retidos foram adequados ao objetivo da análise).

Para se proceder à segunda fase, exploração do material, foi preciso codificá-lo de acordo com as razões da pesquisa. Para Bardin (2004), codificar significa transformar os dados brutos do texto para se atingir uma representação do seu conteúdo. No caso da análise qualitativa, a organização da codificação compreendeu o recorte (escolha das unidades), a enumeração (escolha das regras de contagem) e a categorização (escolha das categorias) e os conceitos teóricos mais gerais que subsidiarão a análise.

Como unidades de contexto têm-se a globalidade das respostas do grupo focal e as entrevistas semiestruturadas. Como unidades de registro, houve um recorte das respostas dos atores ao debate do grupo focal e à entrevista, visando à categorização e à contagem de frequência das respostas. Levando em consideração a validade de ordem psicológica para estudar opiniões, valores, crenças, atitudes, tendências, foi escolhida a análise temática, tendo sido considerado o tema como unidade base.

Bardin (2004, p. 73) explica que o desenvolvimento da “análise temática” é rápido, eficaz e aplicável a discursos diretos. O tema, de acordo com a autora, “[...] é uma unidade de significação que se liberta naturalmente de um texto analisado segundo certos critérios relativos à teoria que serve de guia à leitura.” (p. 99). Podem ser feitos recortes dos textos,

“[...] em ideias constituintes, em enunciados e em preposições portadoras de significados isoláveis.” (p. 99).

Com tais procedimentos, foi possível analisar os dados (falas dos alunos) por questões. Houve dois momentos de recorte: no primeiro, foram selecionados trechos que continham informações relacionadas ao objetivo da pesquisa. No segundo, a partir dos trechos, foram identificadas as diversas unidades de registro, ou seja, os “núcleos de sentido”, relacionadas com a proposta da pesquisa. Cada unidade de registro foi agrupada segundo sua proximidade com os assuntos abordados, o que fez emergir as categorias de análise: PROEJA, Certificação, Inclusão Sociolaboral e Mercado de Trabalho, conforme exemplificado nos quadros 4 e 5.

Quadro 4 – Registro das percepções, atitudes e representações psicossociais dos alunos obtido através da técnica de grupo focal

1º Tópico de discussão: Quais as motivações que suscitaram a escolher do curso de Refrigeração e Climatização do EJA? Avalie o curso.

SUJEITO UNIDADE DE CONTEXTO UNIDADE DE REGISTRO CATEGORIZAÇÃO/ CODIFICAÇÃO

A5

Quando entramos no curso achávamos que fosse bom, um curso técnico em Refrigeração, mas com o passar do tempo vimos que não tinha nada a ver, não tinha estrutura, laboratório, se a instituição não tinha aberto o curso poderia ter copiado de outra instituição como o de CEFET de Recife, onde tudo é estruturado, ver um compressor aberto em meio corte, visualizar todos os componentes e aqui você não pode, tudo porque aqui ficamos somente na parte teórica, a prática não tem porque não tem laboratório, o acervo da biblioteca tem livros muito velhos e defasados.

O curso é fraco, fraquíssimo. É por isso que o SENAI tem fama de ser bom porque tem a teoria e prática, e ambas se complementam.

 Quando entramos no curso

achávamos que fosse bom.

 Com o passar do tempo vimos

que não tinha nada a ver, não tinha estrutura, laboratório.

 Aqui ficamos somente na parte

teórica, a prática não tem porque não tem laboratório, o acervo da biblioteca tem livros muito velhos e defasados.

 O curso é fraco, fraquíssimo.

 PROEJA – 4  Certificação – 0  Inclusão Sociolaboral – 0  Mercado de Trabalho – 0

2ª Tópico de discussão: Quais as expectativas em relação ao curso de Refrigeração e Climatização do EJA? Como ele contribui para sua vida?

SUJEITO UNIDADE DE CONTEXTO UNIDADE DE REGISTRO CATEGORIZAÇÃO/ CODIFICAÇÃO

A1

Está sendo muito bom para mim e minha profissão, eu não estou só esperando pela instituição, eu busco na internet e outros colegas que estão no curso. A questão do curso eu vim para completar meus estudos que algum tempo estavam parados. Não quero parar porque o jeito é você estar estudando e se qualificando, é como um sonho motivador concluir o curso técnico e tentar almejar o quero e já visando outros cursos, até quem sabe conquistar um curso superior.

 Está sendo muito bom para

mim e minha profissão.

 Eu não estou só esperando

pela instituição, eu busco na internet e outros colegas que estão no curso.

 Eu vim para completar meus

estudos que algum tempo estavam parados.

 Não quero parar porque o jeito

é você está estudando e se qualificando.  PROEJA – 0  Certificação – 0  Inclusão Sociolaboral – 4  Mercado de Trabalho – 0

Quadro 5 – Registro das experiências subjetivas dos alunos obtido através da técnica de entrevista semiestruturada

1ª Pergunta: O que motivou você a ingressar em um curso do ensino médio integrado ao curso técnico em Refrigeração e Climatização na modalidade de jovens e adultos?

SUJEITO UNIDADE DE CONTEXTO UNIDADE DE REGISTRO CATEGORIZAÇÃO/ CODIFICAÇÃO

A7

Bom, primeiramente eu já tenho 2 cursos técnicos, que é o de Eletricidade e tenho o curso técnico de Telecomunicações, né, e quis abranger um pouco a minha qualificação de trabalho agregando ao curso de Refrigeração; e sabendo que o mercado de trabalho é um pouco mais flexível pra quem tem esse... um pouco mais de qualificação no mercado, apesar que eu não exerço nenhuma das duas funções, né?! Nem, nem esse de refrigeração. Eu estou em área totalmente diferente. Mas almejo um... um... fazer um concurso público de Manutenção, sei lá, procurar uma área de chefia de manutenção que, que abranja melhor um pouquinho mais. Que a gente possa ganhar um pouquinho mais, junto com o certificado do CEFET pode ser que a gente tenha essa possibilidade de conseguir uma coisa melhor lá na frente.

 Abranger um pouco a minha

qualificação de trabalho.

 O mercado de trabalho é um

pouco mais flexível pra quem tem esse ...um pouco mais de qualificação.

 Almejo um... um... fazer um

concurso público de manutenção.

 Procurar uma área de chefia

de Manutenção que, que abranja melhor um pouquinho mais.

 Ganhar um pouquinho mais,

junto com o certificado do CEFET.

 Possibilidade de conseguir

uma coisa melhor lá na frente.

 PROEJA – 1  Certificação – 0  Inclusão Sociolaboral – 4  Mercado de Trabalho – 1

2ª Pergunta: Ao concluir o curso você será certificado com uma formação geral com competências para atuar como profissional de nível técnico em Refrigeração. O que você

espera em relação ao mercado de trabalho e a sua vida pessoal?

SUJEITO UNIDADE DE CONTEXTO UNIDADE DE REGISTRO CATEGORIZAÇÃO/ CODIFICAÇÃO

A7

A certificação é só um pequeno passo, né? E a qualificação seria tudo na vida, porque às vezes, tem muita gente que tem certificado, mas sabe muito e, tem um certificado e não sabe quase nada, porque não se qualifica. Tem um certificado, mas procura aprender. É só aquilo ali... Recebe e tá feito na vida.

 A certificação é só um pequeno

passo.

 Tem muita gente que tem

certificado, mas sabe muito e, tem um certificado e não sabe quase nada, por que não se qualifica.

 Tem um certificado, mas

procura aprender.  PROEJA – 0  Certificação – 3  Inclusão Sociolaboral – 0  Mercado de Trabalho – 0 Fonte: Elaboração própria.

As categorias reuniram os grupos de unidades de registros com o mesmo “núcleo de sentido”. Cada categoria expressou uma determinada tendência e o sistema de categorias criado refletiu as intenções da investigação. Os diferentes núcleos de sentidos encontrados nas falas dos sujeitos foram identificados e, a partir daí, foram armadas categorias para agrupar as falas que contivessem os mesmos núcleos de sentido.

Posteriormente, as categorias foram reunidas de acordo com a pergunta formulada no grupo focal e nas entrevistas, de tal forma que na análise dos resultados fosse possível identificar a tendência geral entre os alunos.

Como regra de enumeração, foi utilizada a frequência, representada pelo número de vezes que determinada fala apareceu. Quanto maior a frequência de sua aparição, maior a sua influência no resultado da análise, considerando-se que todos os itens tinham o mesmo valor.

Para tratamento e interpretação dos resultados, a frequência absoluta foi convertida em frequência relativa, expressa em porcentagem de falas de uma categoria em relação ao total de falas analisadas. A frequência do aparecimento das falas em cada categoria foi convertida em percentual, evitando, dessa forma, distorções na interpretação dos resultados. Se fossem adotados os números absolutos das falas, correríamos o risco de conferir maior importância a uma determinada categoria indevidamente, uma vez que havia diferença na quantidade de entrevistados em cada grupo. É importante destacar também que a quantificação do número de falas foi uma opção adotada com a finalidade de assegurar melhor representatividade às “ideias” identificadas.