• No results found

Vegring mot å ta i bruk e-meldingene

LEGEMIDDELSAMSTEMMING:

4. Vegring mot å ta i bruk e-meldingene

cultura visual trouxeram uma forte renovação a este panorama, de tal modo que, na década de 70 do séc. XX, se começa a falar numa nova História da Arte234 que alargou enormemente o seu objeto de trabalho, tendo-se iniciado o tratamento de fenómenos que saíam da esfera tradicional do artístico muito conotada com as ideias de privilégio, do artista mestre e génio, da cultura ocidental. A história da arte explorou quase sempre o procedimento convencional do artista que domina uma matéria através de uma técnica, conduzindo à criação de um objeto. A abordagem de novos temas de estudo aproximou- se do visual, o que implicou trabalhar sobre produções de maior diversidade tipológica, já muito afastadas da noção de belas-artes, sem autoria genial e, por vezes, sem carácter raro nem único.

O primeiro aspeto a considerar, aquando da tomada da paisagem como objeto, é o facto de termos de aceitar que este, sendo uma realidade física, lhe é permitido ser “objeto estético”, numa vertente de intervenção, com o intuito de operar transformações sobre a forma do território. Assim, não é possível uma análise sobre a paisagem ou uma intervenção com significado, sem formular um juízo sobre o meio natural. À partida, e antes de se debruçar sobre o modo como atribuímos valor à paisagem, e como nos apercebemos do seu valor estético, (portanto o juízo que dela fazemos), ter-se-á de distinguir vários tipos de leitura que podem operar na paisagem: uma leitura parte da própria natureza, dos seus elementos componentes, através da descoberta desses elementos; a estes são conferidas escalas de valoração, já que a sua existência material nasceu com a própria paisagem, com o “princípio dos tempos”. A paisagem, pelo conceito que o termo encerra, é sempre humanizada, resultado dum entendimento operativo e sobretudo existencial do homem, que lhe conferiu, intencionalmente, valor.

Do ponto de vista biofísico, os lugares naturais possuem um valor intrínseco e a sua aproximação qualitativa pode ser definida em função da sua qualidade visual intrínseca: grau de excelência, avaliada com base na capacidade da paisagem em não ser alterada ou destruída, ou, dito de outro modo, o mérito para que a sua essência e estrutura atual se conserve235. Assim, este campo de abordagem remete automaticamente o valor do Sítio para a deteção da fragilidade visual, entendida como a suscetibilidade de um território à alteração236, habitualmente, quando nele se desenvolve um uso. Esta sensibilidade visual

234

CASTRO, Laura - Paisagens. Porto: Edições Afrontamento, 2007, p. 8. 235

MISGAV, Ayala - Visual preference of the public for vegetation groups in Israel, Landscape and Urban Planning. Nº 48, (2000), p. 148.

236

A expressão do grau de deterioração que a paisagem experimenta perante a incidência de determinadas atuações, de acordo com Ayala Misgav, pode ser avaliada com base nas seguintes variáveis: vegetação e usos do solo (a fragilidade

114

é, normalmente denominada nos modelos de análise no campo da Geografia, de Absorção Visual da paisagem.

Uma outra abordagem, mais operativa, é a que parte da composição dos vários elementos formais do espaço natural. O carácter avaliativo da paisagem, desta leitura de base visual, remete-nos, inevitavelmente, para os critérios da qualidade do espaço intervenientes dentro da autonomia da disciplina de arquitetura.

O posicionarmo-nos a uma maior distância dos elementos da paisagem, perdendo o conhecimento de determinado tipo de formas, mas ganhando outro tipo de leitura, mais globalizante, permite-nos reconhecer estruturas, mesmo reduzidas a pontos e fragmentos, como é o caso das análises geomorfológica e cartográfica de um território.

Pode-se também partir da constatação dos seus elementos físicos, num processo de seleção, daqueles que, pelas suas características são suscetíveis de virem a ser utilizados pelo homem (como material). Estudo, do qual, apreendem-se características tangíveis, mas que enuncia igualmente fenómenos tais como o peso, a inércia, a divisibilidade desse elemento da paisagem. As mudanças recentes da paisagem rural e a tendência crescente no que concerne às funções que dela se esperam, gera uma maior complexidade e, por consequência, a necessidade desta assumir uma realidade multifuncional. Deste modo, as paisagens proporcionam, cada vez mais, uma multiplicidade de funções que, frequentemente, estão associadas a diferentes usos do solo. A multifuncionalidade da paisagem surge, normalmente, associada à agricultura, no entanto, esta engloba uma definição mais abrangente caracterizando uma qualidade dos espaços naturais onde poderão atuar de forma mais ativa uma maior diversidade de utilizadores237.

Nesta vertente utilitarista, a valorização da paisagem observada pelos diversos intervenientes muda com as suas diferentes preferências e necessidades. Cada indivíduo constrói a sua escala de valor tendo em conta não só os seus interesses, gostos pessoais, mas também em função das opiniões dominantes da sociedade na qual ele se insere238. é definida como o inverso da capacidade destes fatores em ocultar uma dada atividade que se realize no território);

declive (traduz a fragilidade da paisagem em função da maior ou menor visibilidade e exposição de usos); fisiografia

(contempla a altitude, o declive e a abruptuosidade das formas nas unidades de paisagem); forma e dimensão do

espaço de unidade visual (a conjugação destes dois parâmetros permite aferir a fragilidade, onde as formas que

direcionem vistas e tamanhos, potenciando visualizações, incutem à paisagem uma fragilidade mais acentuada);

compacidade (considera a complexidade morfológica das bacias visuais em cada unidade de paisagem definida); distância à rede viária e núcleos habitacionais (fator que contempla a influência da posição de potenciais

observadores no território). MISGAV, Ayala - Op. cit., pp. 143-159. 237

Neste contexto funcional, os diversos atores poderão ser os proprietários e agricultores que exploram a terra, os residentes, os caçadores e pescadores, os visitantes e turistas.

238

MARCUCCI, D.J. - Landscape history as a planning tool. Landscape and Urban Planning. Nº 49, (2000), pp. 67- 81.

115