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O acervo de TFGs da UNIFOR contava, de 2003 até o final do semestre 2014.1, com 274 CD-ROMs e 286 conjuntos impressos, contendo basicamente dois tipos de documentos: a monografia de pesquisa do tema desenvolvido no TFG e as pranchas do projeto defendido na banca final. Vale lembrar que a monografia tem início um semestre antes, na disciplina Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo e que, na disciplina Trabalho Final de Graduação, ela é complementada com a parte referente à defesa escrita do projeto. É importante deixar registrado o fato de que esses números podem ser objeto de alterações visto que muitos alunos só depositam o trabalho corrigido algum tempo depois de sua defesa. Esse tempo varia bastante, podendo ser até mesmo de vários anos.

Todos os arquivos digitais principais (monografia e projeto) encontram-se em formato PDF. Em alguns CDs, foram observadas quebras de protocolo por parte do aluno. Dessa forma, foram encontrados arquivos de imagem digital (JPG) e de apresentação de slides (PPT). Nas monografias, que são entregues em arquivo único, são inseridos os croquis de

estudo e, em alguns casos, desenhos analógicos usados para apresentação do projeto. No mesmo documento também está o texto de fundamentação teórica do projeto (já detalhado) no qual o ex-discente também relata suas intenções e partido adotado. Esse foi o principal material usado na pesquisa. O CD-ROM também contém todas as pranchas técnicas do projeto. Nesse caso, cada arquivo equivale a uma prancha. Em alguns casos, as perspectivas finais de apresentação estavam inseridas nessas pranchas. Esse material só foi levado em consideração em alguns exemplos específicos e/ou na análise dos estudos de caso individuais.

Como já exposto, o foco deste trabalho é o desenho analógico usado para estudo, concepção e apresentação dos projetos finais de graduação. Dessa forma, o primeiro critério de classificação adotado foi bastante simples e eliminou todos os trabalhos que não traziam registro de desenhos feitos por métodos analógicos. Nesse momento, não foram levadas em consideração a quantidade de desenhos dessa natureza no conjunto de documentos do aluno nem suas características. Qualquer trabalho onde se verificou pelo menos uma

ocorrência de desenho com alguma característica analógica entrou na seleção inicial. É importante comentar que, por esse critério, a peça gráfica não precisava ter sido confeccionada por métodos totalmente manuais, bastando haver qualquer indício de ação analógica. Deste modo, trabalhos que contivessem, por exemplo, somente desenhos híbridos, já discutidos no capítulo 3, foram considerados.

Inicialmente foram analisados todos os trabalhos arquivados na Coordenação do curso, desde o ano de 2009 até o primeiro semestre de 2014. O recorte temporal tomou como base a análise feita no capítulo 3. Procuramos usar uma amostra de alunos que tivessem sido formados por uma só estrutura curricular para minimizar algumas variáveis. Dessa forma, todos os trabalhos avaliados pertencem a ex-alunos formados na matriz 26.2. Embora durante a pesquisa tenham sido encontrados bons conjuntos de peças gráficas produzidas por alunos formados de 2003 a 2008, elas foram descartadas. Dentro do recorte temporal foram identificados 39 trabalhos arquivados de forma impressa sendo 25 do ano de 2009 e 14 de 2010. Esse material também foi considerado na pesquisa. A primeira triagem, como já comentado, descartou todos os

trabalhos que não continham desenhos analógicos. Essa seleção inicial permitiu a visualização prévia, nos trabalhos que continham desenhos válidos, de todo o material arquivado. Isso possibilitou a identificação de algumas características gráficas e também de tipos de desenhos. Com essa constatação, foi feito um levantamento quantitativo, buscando dados relativos aos desenhos em três vertentes: quanto ao tipo, à técnica de confecção e ao uso de cores.

Dessa forma, para o primeiro critério, foram identificados cinco tipos básicos de peças gráficas: diagramas, plantas, cortes, fachadas e perspectivas. Com suporte no que foi expresso no capítulo 3, foram considerados diagramas aquelas manifestações gráficas que continham elementos genéricos, cuja finalidade era de visualização de organogramas, programa de necessidades, relações entre elementos, dentre outros. É importante registrar o fato de que, para ser considerado um diagrama, o desenho não podia conter elementos gráficos com características da simbologia arquitetônica, tais como portas, árvores, caminhos, paredes, escadas etc. As figuras 56 e 57 ilustram alguns exemplos dessa tipologia.

Para as plantas foram consideradas todas as suas categorias

Figura 56 - Diagrama para estudo de implantação. Fonte: Acervo da coordenação do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIFOR. Autor: Arthur Braun.

Figura 57 - Estudo de ângulos para projeto de edifício. Fonte: Acervo da coordenação do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIFOR. Autor: Camila Bezerra Pereira.

– plantas de situação, locação, planta baixa, coberta e plantas de pavimentos. No caso de projetos urbanísticos, qualquer recorte da área urbana de estudo representada em projeção horizontal entrou na contagem das plantas. Para as perspectivas, também foi adotada a mesma postura, podendo elas ser de projeção cilíndrica ou cônica. Para todos os desenhos (plantas, cortes, fachadas e perspectivas), foram aceitos tanto aqueles que mostravam a totalidade da edificação, quanto os que exibiam somente alguma parte do edifício, do ambiente urbano ou somente um detalhe construtivo. As figuras 58 e 59 exibem alguns exemplos.

Pode-se dizer que na contagem foi considerada muito mais a intenção de registro do aluno do que as características gráficas do desenho. Sendo assim, se o desenho demonstrava que o autor estava registrando sua ideia por meio de seções, ele seria contabilizado como corte. Se a manifestação gráfica ocorria em projeções no plano horizontal, seria contada como planta. Se ocorresse o registro de uma projeção em plano vertical, ele seria anotado como elevação e, se fosse um desenho de vista múltipla, seria registrado como perspectiva.

Figura 58 - Coleção de desenhos de estudos. 2 plantas, 3 fachadas e 1 perspectiva. Fonte: Acervo da coordenação do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIFOR. Autor: Luma Oliveira

Como já discutido, observamos que hoje existe grande diversidade de técnicas que misturam recursos analógicos e/ou digitais. Dessa forma, para a avaliação do material coletado, o outro critério adotado se refere aos recursos utilizados na produção dos croquis, havendo duas possibilidades: desenhos produzidos sem a participação de recursos digitais (técnica analógica) [Fig. 59] e desenhos produzidos com a participação de recursos digitais (técnica híbrida) [Fig. 60].

Apesar de algumas evidências poderem denunciar os instrumentos utilizados para a feitura das peças gráficas, optamos por não considerar as ferramentas usadas no levantamento, pois cremos que haveria grande possibilidade de incorrer em erros. Dessa forma, para esse levantamento de dados, foi considerado o aspecto final do desenho, ou seja, se o registro tinha evidências do uso de qualquer recurso digital, ele foi considerado como híbrido, caso contrário, como analógico. Em alguns casos, como será detalhado nos estudos de caso individuais, o texto do ex- discente fazia menção ao modo como o estudo foi feito, revelando os instrumentos usados. Em outros casos, as entrevistas aplicadas (Apêndice D) também apontaram para algumas pistas a esse respeito.

Figura 59 - Perspectivas de estudo para detalhes construtivos. Fonte: Acervo da coordenação do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIFOR. Autor: Fernando Melônio

Figura 60 - Corte esquemático colorido digitalmente. Fonte: Acervo da coordenação do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIFOR. Autor: Nikassio Freire

Sabemos que os croquis digitalizados podem ser objeto de intervenções digitais para melhoramentos de contraste, brilho e limpezas de sombras e/ou imperfeições da mídia utilizada, mas, para esse quesito, é importante esclarecer que esse tipo de edição não foi considerada para classificar a técnica do desenho como híbrida.

No quesito cores, a avaliação tentou manter a objetividade das demais. Foi considerado como colorido todo desenho que continha qualquer outra informação de cor [Fig. 62] que fosse diferente do preto e/ou do cinza-grafite, quando houvesse pelo menos um deles. Baseado nisso, croquis feitos em sépia,[Fig. 61] por exemplo, seriam considerados monocromáticos. A escolha desse critério baseia-se na suposição, confirmada por Lapuerta (1997), de que esse recurso é importante na visualização e setorização das decisões projetuais por parte dos alunos, além de determinante para a legibilidade nos sistemas de projeção, como, por exemplo, o Datashow.

Todos os itens foram cruzados e organizados em tabela única (Apêndice A). A organização das linhas e colunas permitiu, ao final do levantamento, conseguir os quantitativos dos desenhos com três características distintas. Sendo assim, por exemplo, podemos

Figura 61 - Estudo de percursos para o projeto de uma praça. Fonte: Acervo da coordenação do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIFOR. Autor: José Aderson A. Passos

concepção e apresentação, discutidas no Capítulo 2, procuramos selecionar, dentro do conjunto de desenhos encontrados, somente aqueles trabalhos que contivessem os desenhos produzidos como recurso de estudo e/ou de diálogo entre o aluno e seu orientador, assim como os desenhos que foram confeccionados para a apresentação, tanto para a banca de Qualificação do TFG quanto para a banca final de defesa. Por esse critério, dos 34 conjuntos pré-selecionados restaram 15.

Como terceiro filtro consideramos a maneira como os desenhos se relacionavam com o texto. Nesse caso, foram escolhidos os trabalhos que usaram os croquis paralelamente ao texto para defender a concepção de seu projeto. Aqui restaram os cinco trabalhos que julgamos serem os mais adequados para os estudos de caso individuais.

Para esses cinco projetos, outros critérios de avaliação foram aplicados. O primeiro levou em consideração o foco desta pesquisa. Dessa forma, buscamos separar quais seriam os desenhos de estudo e quais seriam os desenhos de apresentação. Foram considerados “desenhos de estudos” aqueles que faziam parte do histórico de croquis, caracterizando-

Figura 63 - Estudo de implantação. Fonte: Acervo da coordenação do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifor. Autor: Bruna Costa.

se como registro de ideias. Foram considerados como “desenhos de apresentação” aqueles que apontavam para uma representação gráfica de um determinado aspecto do projeto, possuindo características gráficas de arte-final. As diferenças entre esses dois quesitos podem ser observadas nas Figuras 63, 64, 65 e 66.

Em todos os casos (desenhos de estudo ou de apresentação, analógicos ou híbridos) foram avaliados como os principais tipos de desenho adotados (plantas, cortes, fachadas e perspectivas) eram usados no desenvolvimento do projeto. A menor quantidade de desenhos nessa última seleção permitiu que fossem avaliadas as características das peças gráficas (traços, sombras, texturas, cores) e os instrumentos e técnicas utilizadas para sua execução. Também foi investigado o modo como essas características se relacionavam com o estudo do projeto e com a formação do aluno. É importante observar que alguns dos critérios poderiam não existir. Dessa forma, alguns conjuntos de desenhos não exibiam, por exemplo, o uso de cores. Em outros casos, não foram encontrados todos os tipos de desenho (plantas, cortes, fachadas e perspectivas) ou não continham exemplares de técnicas mistas

Figura 64 - Implantação para apresentação na Qualificação. Fonte: Acervo da coordenação do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifor. Autor: Bruna Costa.

ou analógicas. Os detalhes serão discutidos posteriormente.

Para coleta e organização das peças gráficas, foi usado o recurso de captura de tela para desmembrar os desenhos do restante do arquivo. Para garantir um mínimo de qualidade gráfica, a captura foi feita na tela de um iPad quarta geração, que possui 2048x1536 pixels de resolução, respeitada a resolução original da imagem. Uma vez separados os desenhos de seus arquivos PDF, eles foram organizados em pastas devidamente identificadas pelos nomes dos autores.

Para complementar as observações e/ou confirmar algumas impressões conseguidas no material gráfico, foram aplicados dois questionários, sendo o primeiro (Apêndice B) aos professores orientadores e o segundo (Apêndice D) aos alunos selecionados para os estudos de caso.

A seguir, será feita a análise geral dos dados. Com era esperado, a maior incidência de croquis acontece desde os trabalhos defendidos depois do semestre 2011.2, quando foi implementada (depois de reunião do colegiado do curso) a obrigação do aluno apresentar o histórico de croquis como quesito da sua

Figura 65 - Perspectiva de estudo. Fonte: Acervo da coordenação do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifor. Autor: Aline Guedes.

Figura 66 - Perspectiva de apresentação. Fonte: Acervo da coordenação do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifor. Autor: Aline Guedes.

qualificação. Apesar disso, observamos também um considerável número de trabalhos sem nenhuma menção ou registro de desenhos analógicos, como será detalhado mais adiante.

Nos trabalhos nos quais eles apareciam, verificamos que há muita variação de técnicas gráficas, tipologias e quantidades. Em alguns momentos os alunos tomam partido do desenho como elemento para explicar suas intenções de projeto e em outros ele apenas aparece durante o texto sem nenhum tipo de referência. Também percebemos considerável diversidade e irregularidade nos aspectos gráficos, como será demonstrado na sequência.