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4.5 Vegen fram til 1814

4.5.2 Vegen fram til 1814 i norske lærebøker

Considera-se que a formação e a expressão de consensos a partir do contexto digital podem ser amplamente problematizadas e analisadas em

34 domínios interdisciplinares visto que tal fenômeno se caracteriza pela interação entre áreas do conhecimento distintas.

A interdisciplinaridade denota um estágio de relação e articulação de disciplinas diferentes em que ocorre uma aproximação entre elas para promover a solução de problemas específicos a partir do compartilhamento de metodologias e de conceitos. Após essa interação pode ocorrer uma fusão e o surgimento de uma nova disciplina (DOMINGUES, 2005).

A definição de interdisciplinaridade de Domingues (2005) suscita uma analogia com a própria noção de interoperabilidade. As interações interdisciplinares são evidências empíricas de ocorrência da interoperabilidade entre distintos campos do conhecimento, visto que os mesmos são sistemas conceituais constituídos pela linguagem.

Tal analogia revela a importância de observar as dinâmicas da linguagem nos estudos sobre interoperabilidade. Sob este aspecto, interoperabilidade e interdisciplinaridade são conceitos similares.

Dada a relevância da interdisciplinaridade, enquanto fenômeno, optou-se pela escolha de um campo interdisciplinar.

A Bioética é a temática que delimita a pesquisa. Além de apresentar cunho interdisciplinar, o campo tem despertado perceptíveis debates e esforços de investigação científica na atualidade.

Tais esforços demandam a colaboração e a interação entre saberes e sujeitos distintos para o estabelecimento de pactos sobre os rumos do saber científico e suas práticas.

A Bioética aborda os aspectos éticos e morais que envolvem o estudo e o uso das formas de vida para os mais diversos fins.

Conforme apontam Roquette e Roquette (2005) o termo foi cunhado pelo bioquímico norte americano Van Rensselaer Potter em 1970 com a publicação do artigo “Bioethics, science of survival”.

A área se ocupa das questões relacionadas aos parâmetros éticos que fundamentam as práticas cientificas. Essas práticas são inerentes não somente à vida humana, mas também ao meio ambiente e à manutenção do planeta (ROQUETTE; ROQUETTE, 2005).

35 O campo consolidou-se a partir da década de 70, como uma área interdisciplinar que envolve as Ciências Biológicas, as Ciências da Saúde, a Filosofia (Ética) e o Direito (Biodireito).

Em 1979 Tom Beauchamp e James Childress publicaram a obra “Princípios da Ética Biomédica”, por meio dessa publicação foram estabelecidos os quatro princípios que fundamentam o campo: 1) autonomia; 2) beneficência; 3) não-maleficência e 4) justiça. Estes princípios revelam uma ética aplicada aos procedimentos e atividades médicas.

Conforme apontam Diniz e Guilhem (2002) tais princípios constituem a teoria principialista, paradigma que predominou por duas décadas no campo.

A teoria principialista favoreceu a consolidação da Bioética enquanto disciplina científica que atua na investigação das condições necessárias para promover a gestão consciente das formas de vida.

Sob este aspecto, o campo caracteriza-se como uma metaciência que analisa de modo crítico os impactos e as consequências dos avanços científicos considerando a manutenção da vida e a preservação do planeta.

A Bioética pode ser descrita como uma disciplina fundamentada em uma abordagem crítica, pragmática e comunicacional que articula comportamentos e teorias conflitantes em busca de um consenso que se consolida na prática (LEPARGNEUR, 2004).

Esse consenso empírico torna-se fundamental não somente para a subsistência da área, mas também para o mantenimento da vida e da sociedade visto que são diretamente impactadas pelas práticas científicas.

Neste cenário, Lepargneur (2004) destaca que os argumentos de autoridade perdem relevância em relação àqueles dotados de elementos convincentes empiricamente, ou ainda comprobatórios. “A discussão bioética não é aquela que se trava para a vitória de uma tese (ainda que isto possa ocorrer como resultado); ela existe para harmonizar situações e atuações” (LEPARGNEUR, 2004, p.16).

Isso implica que se um renomado pesquisador propuser um novo conceito relacionado ao mapeamento do genoma humano, por exemplo, o

36 consenso poderá ser obtido a partir dos debates e da viabilidade empírica do mesmo.

A autoridade científica não deixa de ser relevante, mas a dimensão empírica tenderá a obter maior atenção e relevância por parte da comunidade científica.

Por harmonizar e arbitrar as práticas, o consenso bioético torna-se um objetivo fundamental e um elemento regulatório, uma vez que pode adquirir implicações políticas e jurídicas.

Desde a consolidação do campo, muito se tem pesquisado e debatido sobre os aspectos éticos e morais que perpassam as inovações científicas.

As análises bibliométricas realizadas com o termo “Bioethics” apontam estabilização no volume da produção científica.

O recorte oferecido pela consulta à base de dados Scopus7, apresenta crescimento significativo a partir de 2007 e um volume elevado e predominantemente constante entre 2009 e 2014, conforme a figura 1.

Figura 1. Bioética e o volume de documentos produzidos

Fonte: Scopus (2015).

37 A estabilização do volume de publicações do campo condiz com o seu estágio evolutivo, muito influenciado pelas preocupações sociais e pelos avanços científicos obtidos principalmente na área médica.

Os debates em torno de temas como eutanásia, clonagem, criogenia e aborto, por exemplo, contribuem para a ampliação da produção científica e para uma maior apropriação dos princípios do campo pelas subáreas que o constituem.

Nos últimos seis anos as subáreas que mais produziram artigos científicos sobre Bioética foram: medicina, ciências sociais, enfermagem e humanidades, respectivamente.

A figura 2, gerada a partir da base de dados Scopus mostra a predominância da Medicina como a área que mais produz conhecimentos nesse campo com mais de 70% do volume de artigos produzidos.

Figura 2. A Bioética e suas subáreas.

38 A predominância da Medicina enquanto subárea mais produtiva revela que a Bioética, apesar de interdisciplinar, possui fortes relações epistemológicas com este campo desde as suas origens.

Os cinco países que mais contribuíram para a produção científica do campo nos últimos seis anos foram: Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Brasil e França.

Tais estatísticas possibilitam observar, além dos aspectos da produtividade do campo, a sua internacionalização e a soberania norte- americana, conforme apresenta a figura 3.

Figura 3. Bioética: volume de publicações por países

Fonte Scopus (2015).

As características do campo, observadas mediante apreciação dos seus indicadores bibliométricos, justificariam a escolha de um corpus internacional para esta pesquisa.

Além disso, devido ao caráter interdisciplinar e à ebulição das discussões que envolvem tanto os pesquisadores quanto representantes de

39 diversos setores da sociedade, as formas de divulgação dos conhecimentos produzidos nesta área têm agregado tanto canais formais (livros, artigos, anais, etc.), quanto canais informais (comunidades virtuais de prática, blogs, comunicações via e-mail, etc.).

Os conteúdos circulam por espaços dinâmicos que superam a lógica tradicional de publicação da literatura científica. Por isso, acredita-se que a Bioética esteja apta a oferecer nuances do processo de criação e consolidação dos conceitos, observado a partir do contexto digital.