cliente: Banif – Banco Internacional do Funchal ano: 1989
designer: Carlos Rocha fig.109
aplicação tridimensional símbolo Banif, 1989
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ANÁLISE
Pelo modelo de classificação de identidade de Per Mollerup (1997) e tal como o INE, pode considerar-se o Banif uma “identidade corporativa monística”. Já perante a proposta de classificação de símbolos de Chaves e Bellucia (2003) e à imagem dos anteriores logótipos analisados, este pertence ao grupo dos “símbolos abstractos”.
Antes de tudo, Carlos Rocha começou por fazer uma investigação ao nível dos bancos nacio- nais para identificar o que já havia sido feito. Seguidamente passou para a fase de estudos, na qual procurou soluções mais tipográficas através do envolvimento entre as iniciais BIF (Banco Internacional do Funchal), tentando posterior- mente explorar especificamente a letra B. Não alcançado as soluções pretendidas partiu para o estudo e desenho de elementos gráficos mais abstractos.
É após exaustivos estudos e variadas expe- riências que Carlos Rocha chega (de entre outras soluções) ao símbolo que viria a ser seleccionado, que apresenta formas totalmente simétricas e simplificadas, fruto da repetição de um único elemento. [fig.110] O facto de
visualmente todos os elementos que compõe o símbolo transmitirem a ideia de se entrela- çarem, confere-lhe uma ideia de segurança, confiança e fidelidade. É um símbolo que agarra, que prende, que transmite segurança ao seu visualizador e também tem a particularidade de poder ser rodado em qualquer direcção sem que nunca perca a sua estabilidade visual. A grelha base [fig.111] para a construção do sím-
bolo é triangular com algumas especificações adaptadas aos elementos. Quanto à leitura passível de ser retirada destas formas, e quando se atenta à expressão das linhas e formas a um nível mais pormenorizado, pode concluir-se que estas motivam o observador para várias ideias, entre elas, fidelidade e segurança (ideais que um banco pretende obviamente transmitir para o público).
Nos três casos estudados, foi possível verificar que Carlos Rocha aplica em todos a repetição de um único elemento ou módulo.
Repare-se na complexa grelha estrutural que origina a elementos gráficos de tão forte simplicidade visual.
fig.110
elemento gráfico símbolo Banif, Carlos Rocha, 1989
arquivo
fig.111
grelha construtiva símbolo Banif, Carlos Rocha, 1989
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fig.112
logo-símbolo Banif, Carlos Rocha, 1989
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As linhas que constituem cada elemento do símbolo tendem a uma curvatura que se alinha para o interior do símbolo fazendo com que esta envolvência reforce ainda mais estes conceitos.
Rocha inspirou-se em elementos que estão adjacentes à cultura e região em que o banco sur- giu, influenciado pelos nós dos marinheiros, das correntes dos barcos e do mar. [fig.113,114] É
claro que o símbolo não reflecte directamente estes detalhes náuticos, mas pode assumir-se que contribuíram para as soluções que Carlos Rocha conseguiu achar para a elaboração do símbolo. Este tinha a particularidade de ter uma forma quadrangular , apesar disso o símbolo era aplicado muitas vezes sem a mesma. [fig.109] Esta foi desenhada não só visando
a aplicação nas caixas iluminadas do exterior das agências bancárias, mas também por ser um elemento visual que soluciona algumas aplicações do símbolo, tornando-o mais eficaz e realçando-o por exemplo em casos que o mesmo esteja sob uma imagem com muitas cores.
Em relação à tipografia, a fonte escolhida foi a Friz Quadrata em peso médio, um tipo marcado por uma serifa leve e suave desenhado por Ernst Friz e Victor Caruso em 1973.
[fig.115] Esta letra foi aplicada em toda a comunicação do banco, tendo Carlos Rocha colocado
hierarquicamente o nome Banif em caixa alta com o intuito de funcionar como uma espécie de sigla, distanciando “Banco Internacional do Funchal” para informação secundária.
O projecto da identidade corporativa do Banco Banif avançou para outros elementos de comunicação, entre eles puxadores de porta, carimbos, certificados de depósito, cheques, brochuras e cartões. As várias versões em que o símbolo e logótipo podiam ser aplicados variava, podendo assim, ser melhor adaptados à funcionalidade do suporte onde seriam inseridos. Além da identidade, foi proposto o desenvolvimento de toda a campanha para o banco, onde Carlos Rocha acabou por dar continuidade ao conceito (de natureza marítima)
fig.113 cordas flickr.com/thareal fig.114 correntes flickr.com/andrestern fig.115 logótipo Banif, 1989 arquivo
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que materializou no símbolo. Na campanha publicitária os conceitos mencionados foram mais explorados e ilustrados de uma forma mais expressiva, essencialmente pelo uso directo de fotografias e imagens alusivas aos temas.
A campanha publicitária tinha a particularidade de ser diferenciada consoante aspectos geo- gráficos, ou seja, enquanto nos arquipélagos mantinha o conceito da ligação ao mar[fig.116],
no continente os responsáveis pelo departamento de Marketing do Banif negaram essa concepção, não tencionando que fosse passada a ideia de “Banif, o banco do Funchal”. Os tons da campanha foram azuis, estendendo-se do símbolo aos restantes elementos da comu- nicação do banco.
Em suma, este é um caso explícito de desenvolvimento de um projecto de identidade cor- porativa onde existiu uma preocupação vincada do início ao fim do projecto – baseada na busca de organização e coerência gráfica identificativa que não só destacasse o Banif perante outros bancos, mas que o aproximasse dos seus clientes. As cores como já foi referido, funcionam como um elemento agregador de grande importância neste processo desde a decoração interior e exterior das sedes ao estacionário, formando elementos de ligação em toda a identidade construída por Carlos Rocha.
fig.116 fotografias para campanha Banif, Carlos Rocha, 1989 arquivo fig.117
padrão construido a partir do símbolo Banif, Carlos Rocha, 1989
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fig.118
anúncio para campanha Banif, Carlos Rocha, 1989 arquivo fig.119 brochuras Banif, Carlos Rocha, 1989 arquivo
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5.6 SUMÁRIO DO CAPÍTULO
Carlos Rocha desenvolveu inúmeros projectos de identidade corpo- rativa e imagens que hoje são incontestáveis objectos de estudo no panorama do design visual português. Após o estudo de casos desen- volvido, pode retirar-se algumas conclusões, entre elas as grandes características formais e gráficas das imagens que Carlos Rocha criou, dotadas de uma enorme clareza (mesmo perante fundos adversos), resistência a grandes reduções (mantendo a sua legibilidade), grande simplificação de formas gráficas e valores ou objectivos sempre conexos à empresa para que projecta.
Depreende-se que Carlos Rocha desenvolvia alguns conceitos apoian- do-se sobretudo na pesquisa (através do desenho), em elementos gráficos que fossem plausíveis, o que acabava por influenciar indirec- tamente a expressão de cada símbolo. Prova disso mesmo são as linhas longas e curvadas que constituem o símbolo da EDP e que lhe confe- rem potência e movimento (atributos da energia), as linhas rectilíneas e diagonais que enfatizavam a autenticidade dos valores dos gráficos do INE e as formas mais encurvadas e introspectivas do símbolo do Banif que parecendo agarradas entre si conferem ao símbolo a ideia de segurança.
Carlos Rocha tenta transmitir através dos símbolos que cria, a identi- dade e alguns valores da corporação, através duma expressão gráfica forte e equilibrada com atributos visuais que distinguem a identidade perante as outras. A grelha acaba por ser um elemento base de cons- trução de grande importância no processo criativo de Carlos Rocha, que partindo de estruturas geométricas complexas, resultam em resultando em formas bastante distintas, simplificadas e coesas. Graças ao contacto directo com o trabalho e espólio de Carlos Rocha, a análise dos símbolos na dissertação alcançou um nível bem mais completo e aprofundado que não seria obtido sem a visualização de desenhos, propostas teste e propostas finais. Fruto das conclusões retiradas das análises e sua compreensão, é possível fazer uma abor- dagem de todo o processo metodológico de Carlos Rocha, aquando o processo de criação de novas identidades, aliado aos pressupostos e preocupações visuais tidas em consideração durante todo o procedimento.
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