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A iniciativa tratou-se de um projeto mais amplo, proveniente da Assembleia do Conselho Missionário Internacional (IMC), reunida em Acra, Ghana, na África, em final de dezembro de 1957. Neste espaço , foi criado o Fundo de Educação Teológica (FET) que teve como objetivo fomentar e fortalecer a educação teológica na América Latina, Ásia e África (LONGUINI NETO, 1991, p. 84 e 123). A FET entrou em contato com os principais seminários protestantes brasileiros e em reunião foi criada uma Comissão de Literatura. Depois de várias reuniões entre as lideranças dos seminários, a Comissão de Literatura concluiu a relevância da criação de uma Associação dos Seminários Evangélicos no Brasil (ASTE). Assim, a ASTE foi criada em 19 de dezembro de 1961, tendo as seguintes instituições teológicas como membros fundadores:

Seminário Presbiteriano do Norte (Recife, PE). Seminário Teológico Batista do Norte (Recife, PE), Seminário Teológico Presbiteriano do Centenário (Presidente Soares, MG), Seminário Teológico Congregacional do Rio de Janeiro (Pedra de Guaratiba, GB), Seminário Batista do Sul (Rio de Janeiro, GB), Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente São Paulo, SP). Faculdade de Teologia da Igreja Metodista Livre (Mairiporã, SP). Faculdade de Teologia da Igreja Metodista (Rudge Ramos, SP), Seminário Concórdia da Igreja Evangélica Luterana (Porto Alegre. RS), Seminário Teológico da Igreja Episcopal (Porto Alegre, RS) e Faculdade de Teologia da Federação Sinodal Luterana (São Leopoldo, RS). (LONGUINI NETO, 1991, p. 88 e 89)

Nesta reunião, elaborou-se o Estatuto que no Art. 4 especificava as finalidades da ASTE (LONGUINI NETO, 1991, p. 89):

a) Estimular a cooperação mútua entre os seminários filiados;

b) Realizar esforços para a execução de ideais comuns;

c) Preparar o critério de reconhecimento dos seminários teológicos e de suas habilitações para conferir títulos, aplicando-os aos seminários interessados;

d) Promover a obtenção do oferecimento de bolsas de estudos a professores e alunos;

f) Promover estudos de temas de interesse geral da Igreja ou dos seminários em particular, sob a perspectiva teológica.

Os Estatutos da instituição foram reformados mais duas vezes. Na primeira, na primeira Assembleia Geral, em 11 de dezembro de 1970, foram incluídas mais duas finalidades:

1. Fazer levantamento estatístico das instituições de ensino teológico existentes no Brasil;

2. Publicar periodicamente um diretório das instituições evangélicas de ensino teológico existentes no Brasil.

A segunda reforma no Estatuto ocorreu na Assembleia Geral de 6 de dezembro de 1986, em que se procurou buscar a uniformidade na redação; a retirada da expressão “de interesse da Igreja”, na letra "f" das finalidades, restringindo os estudos apenas aos seminários filiados e atualização do cadastro das instituições filiadas.

Uma das preocupações dos seminários consistia na necessidade de elaborar-se um plano de reconhecimento dos cursos de teologia, que garantiria um padrão de reconhecimento. Este foi aprovado e passou a compor, como anexo, os estatutos da ASTE. Trata-se de normas específicas que abrangem todos os aspectos da vida de um seminário: cursos e métodos de estudos; corpo docente; exigência para matrícula; biblioteca e funcionamento (LONGUINI NETO, 1981, p. 86 e 90).

A ASTE, seria então, um espaço legítimo das instituições teológicas refletirem sobre sua existência tendo em vista que os Cursos de Teologia não eram reconhecidos pelo MEC. Ela procurou cumprir seus objetivos na formulação de critérios e padrões para credenciamento das instituições, reconhecimento dos seus cursos, na produção de literaturas teológicas para suprir as necessidades e trabalho de publicação e tradução de materiais literários teológicos e afins (MARASCHIN, 1985, p. 41-50 e 45).

Em 1967, ano anterior à crise que culminou no fechamento da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, os 13 seminários filiados à ASTE, dentre eles a Faculdade de Teologia, formaram 112 pessoas (SAPSEZIAN, 1962, p. 1):

Seminário Batista do Sul, Rio de Janeiro... 23

Faculdade de Teologia da Igreja Metodista Rudge Ramos... 21

Seminário Teológico Batista do Norte, Recife... 20 Faculdade de Teologia da Igreja Metodista Livre, São Paulo... 09 Seminário Teológico Presbiteriano do Norte, Recife... 08

Seminário Concórdia da Igreja Evangélica Luterana, Porto Alegre... 07 Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente, São Paulo... 07

Seminário Teológico Presbiteriano do Centenário, Vitória... 06

Seminário Teológico Presbiteriano de Campinas ... 04

Seminário Teológico da Igreja Episcopal, São Paulo... 03

Faculdade Teológica Batista, São Paulo... 03

Faculdade de Teologia da Igreja Evangélica Luterana, São Leopoldo.... 01

Seminário Teológico do Rio de Janeiro, Pedra de Guaratiba... - Total... 112

No entanto, algumas instituições teológicas se filiaram à Associação Evangélica de Treinamento Teológico (AETTE), possivelmente, inconformadas com as tendências modernistas da ASTE. A AETTE surgiu em 1968 em São Paulo e tinha como objetivos iniciais ser agência de serviços, promoção de reuniões especiais e simpósios, assessorar os membros com informações, principalmente, aquelas de interesse das Instituições Teológicas. Posteriormente, passou a ser uma agência de reconhecimento teológico, com vistas a impor um padrão de qualidade aos cursos oferecidos (AETAL, 1999, p. 1 e 2). Em 1992 a AETTE passa a se chamar AETAL em razão da formulação quanto a sua finalidade e perfil (LONGUINI NETO, 1991, p. 123). A Associação Brasileira Batistas de Ensino Teológico (ABIBET), a mais confessional de todas, congregava somente instituições batistas (SANTOS, 1991, p. 23-27), sendo fundada em 13 de abril de 1970 (FERREIRA, 1997, p. 20).

A Aste foi criando, através de sua história, uma dinâmica de envolvimento da Igreja em seus vários segmentos. Tendo como objetivo básico estimular o

intercâmbio na área da educação teológica, proveu para as igrejas, mormente nas décadas de 60 e 70, referência não só acadêmica, como também de profundo envolvimento missionário. Essa dinâmica sem muito se deve, não só à composição de seu Conselho Deliberativo, que nutriu uma relação paciente e total entrega ao serviço cristão, mas também aos seus dois secretários-gerais: rev. Aharon Sapsezian e rev. dr. Jaci C. Maraschin. Ambos, cada um com sua especificidade lideraram os trabalhos da Aste com altives, coragem, despendimento, humildade e caráter cristão. (LONGUINI NETO, 1991,p. 102)

Até os dias de hoje, a ASTE tem continuado o seu trabalho junto às instituições teológicas de ensino, principalmente , no que tange à produção da literatura e contribuindo com as mesmas a partir de suas perspectivas.

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