9 Vedlegg
9.1 Vedlegg 1. Skadehistorikk/reparasjoner
O transporte é uma das etapas que causam maior nível de estresse no período pré- abate. De acordo com Vieira et al. (2010), é necessário a realização de uma avaliação dos fatores que têm influência sobre a redução de perdas, mesmo que seja pontual ou generalizada em todo o processo produtivo. O transporte consiste na tarefa de encaminhar os animais do local de criação até o abatedouro, podendo ser executada em diferentes condições, distância e tipos de vias (BARBOSA FILHO, 2008).
O transporte dos animais em rodovias remete a um fator muito importante que deve ser levado em consideração, o fator econômico, pois esse tipo de transporte pode causar estresse físico, psicológico e fisiológico em animais de produção (KNOWLES, 1998), além de efeitos deletérios sobre a saúde, bem-estar, desempenho dos animais, e finalmente, sobre a qualidade do produto final (VON BORELL, 2001).
O bem-estar dos animais durante o transporte deve ser avaliado por meio do comportamento, parâmetros fisiológicos e de medidas de qualidade de carcaça. Além disso, deve-se salientar que a saúde é uma parte importante do bem-estar, onde se faz necessário manter um controle sobre as condições do transporte, evitando lesões, doenças ou até mesmo a morte do animal. Pesquisas realizadas no Brasil indicam altas percentagens de carcaças de bovinos machucadas, chegando a atingir 84,2% na região do Pantanal do Mato Grosso do Sul
(ANDRADE et al., 2008). Esse resultado é certamente devido ao transporte deficiente e condições de manejo.
A Comissão da União Europeia publicou, em janeiro de 2005, um regulamento relacionado à proteção dos animais durante o transporte que estabelece regras específicas para atender o bem-estar dos animais durante o transporte. Em 2006, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), adotou novos padrões para proteção dos animais durante a etapa correspondente ao transporte. As novas normas recomendam que o transporte seja mantido com espaço suficiente para os animais deitarem, levando em consideração o clima e a capacidade de ventilação dos veículos (OIE, 2006). Para validar as novas regras, a OIE criou em cada país membro uma comissão de pesquisadores para investigar e incentivar a implantação de padrões globais de bem-estar no transporte.
Bradshaw et al. (1996) constataram que os ovinos possuem tendência a deitarem- se menos que suínos durante o transporte, ainda que tenham espaço suficiente para realizá-lo. Os ovinos, especificamente, não se deitam imediatamente após o início de um transporte, geralmente costumam deitar nas primeiras 4 às 10h quando possuem espaço suficiente (KNOWLES et al., 1998). De acordo com Grandin (2000), durante percursos curtos os ovinos não ficam suceptíveis a deitar, na maioria das vezes deitam durante os percursos longos, que são viagens com mais de 4h.
O transporte é considerado o evento mais estressante para os animais. Na maioria dos países produtores de carne, os caminhões são as principais formas de transporte dos animais para o abate. Logo após o embarque, é importante que se observem como os animais estão sendo transportados até o abatedouro. Neste ponto é necessário estar atento a alguns aspectos como: a densidade de carga do caminhão (Kg/m²), tempo de viagem até o abatedouro (horas), tempo de restrição alimentar e de água, condições ambientais da viagem (temperatura do ar e UR%) e condições das rodovias (trepidações e solavancos) (BARBOSA FILHO e SILVA, 2004).
Segundo Braggion e Silva (2004), o transporte representa a segunda maior causa de lesões em carcaças, devido à alta densidade de carga associada com maior reação de estresse, risco de contusão e números de quedas, por isso o número de animais a ser transportado deve ser considerado, já que uma super ou sublotação irão causar problemas de lesões e quedas durante o transporte. De acordo com Knowles (1999), o transporte rodoviário, em condições consideradas desfavoráveis, como por exemplo, o aumento da temperatura,
tempo de jejum, desidratação, fadiga, pode provocar a morte dos animais ou conduzir a contusões, perda de peso e estresse dos animais.
Alguns dos principais fatores que afetam o bem-estar dos animais durante o transporte são: atitudes bruscas com os animais, necessidade de instrução às pessoas responsáveis pelo manejo durante essa etapa, mistura de animais de diferentes grupos sociais, métodos de condução, densidade de estocagem, comprimento da viagem, aumento da susceptibilidade à doença.
Segundo Paranhos da Costa et al. (2012), para que o bem-estar possa estar presente durante o transporte, é necessário que todos os participantes da cadeia produtiva sejam devidamente treinados e informados sobre como conduzir os animais, alcançando dessa forma um eficiente sistema de exploração e manutenção animal. De acordo com Braun (2000), deve haver planejamento cuidadoso das viagens, e para isso é necessário serem selecionados veículos adequados. Para Costa el al. (2010), quando as condições de transporte não são boas, com estradas ruins, viagens longas, caminhões e compartimentos de carga em mau estado de conservação e direção sem cuidado, o estresse provavelmente será mais intenso e os riscos de ferimentos e de mortes de animais durante a viagem aumentam consideravelmente.
O espaço disponível deve ser eficiente para todas as espécies e a distância também é um fator que apresenta uma maior preocupação com o bem-estar dos animais. Segundo a Directiva Européia 95/29/EC, a densidade de transporte deve ser de 0,2 m2por cordeiro com peso inferior a 55 kg, mas não específica a superfície mínima do transporte. Se a viagem for muito longa se faz necessário ter-se um local programado onde os animais terão fornecimento de água e alimento. Contudo, esse tipo de viagem, mais longa, deve ser evitado, pois além do estresse ocasionado pelo transporte, ainda tem o desgaste pelo tempo de viagem.
Os padrões de densidade aceitáveis por estas normas durante o transporte vão depender do peso do animal e do estado fisiológico. Assim, em viagens de 3 a 4 horas, os animais têm que ser agrupados por peso, no caso dos ovinos dependerá do estado fisiológico, ocupando uma área de 0,20 a 0,50 m² por animal (COCKRAM, 2007; TERLOUW et al.,
2008).
De acordo com as regras de bem-estar no transporte de animais de produção exigido pela União Europeia, os veículos usados para o transporte por 8 horas ou mais terão que ser aprimorados e oficialmente aprovados. Todos os novos veículos usados para longas distâncias precisam ser equipados com um sistema de navegação por satélite; dispositivo que
permita a adaptação do microclima do veículo para os animais e treinamento obrigatório de motoristas e criadores envolvidos na operação.
Com o intuito de promover uma viagem tranquila, com o menor transtorno possível para os animais, os veículos devem ser conduzidos com cuidado, onde paradas bruscas e reviravoltas devem ser evitadas, especialmente em estradas com curvas acentuadas. Os níveis vibratórios de um veículo de transporte (no caso, caminhão) podem variar com o tipo de suspensão, calibragem de pneus, tipo de amortecedores, velocidade (constante, aceleração ou frenagem), tipo e peso da carga, qualidade das rodovias etc. (FRANCHINI, 2007; IDAH et al., 2009; WALBER e TAMAGNA, 2010). Deve-se fazer um planejamento do percurso do transporte, pois quanto pior forem as condições das estradas, maior será o tempo gasto na viagem e mais os animais estarão submetidos a condições adversas que poderão implicar na qualidade do produto final.
O transporte dos animais a partir da propriedade até a indústria, também submete os animais ao estresse e, muitas vezes, aos maus tratos. Esta é uma preocupação dos países da União Europeia (UE) que já está chegando aos frigoríficos brasileiros, como grandes interessados, uma vez que, as condições de transporte rodoviário, bem como o manejo inadequado nas fazendas, afetam o bem-estar dos animais e podem gerar perdas econômicas devido às lesões e consequente diminuição de rendimento ou benefícios sobre a qualidade da carne. Segundo a Federação de Veterinários da Europa, os animais deveriam ser abatidos o mais próximo do local de criação possível, o transporte por longas distâncias de animais vivos deveria ser substituído, sempre que possível pela comercialização apenas de carcaças.
Existem vários tipos de veículos utilizados para transportar as diferentes espécies de animais. Equinos e bovinos são normalmente transportados em veículos com um andar, já suínos e ovinos podem ser transportados em veículos de dois ou três andares. Aves e coelhos geralmente são transportados em caixas empilháveis.
No veículo, deve haver espaços de ar entre as linhas de grades ou módulos. Alguns veículos tem ar-condicionado, outros possuem áreas que podem ser abertas lateralmente para permitir a ventilação natural. Alguns mal projetados impedem a possibilidade de ventilação, e outros mais simples possuem barras abertas nos lados. O último pode fornecer boa ventilação, mas pouca proteção contra ferimentos em situações de acidente.
Alguns veículos são adaptados para o uso de rampas, enquanto outros possuem elevadores hidráulicos. Muitos têm rampas de carga muito íngremes que causam mal-estar em todos os animais carregados. As rampas muito inclinadas dificultam tanto a subida quanto a
descida dos animais, principalmente os mais jovens, provocando possivelmente acidentes, ferimentos, agitação e sofrimento aos animais. Portanto, a inclinação das rampas não deve ser superior a 27°, ou seja, 50% em relação à horizontal para caprinos e ovinos, possuindo uma largura mínima de 1,20 m com proteções laterais para evitar fugas e quedas (AMARO, 2007).
Segundo Braun (2000), o custo do frete no transporte de suínos vivos, por exemplo, gira em torno de 1% do custo total dos animais terminados, mas, certamente diminui com o aumento do número de animais transportados em cada viagem. Isto faz com que, nem sempre o espaço médio ideal por animal – de 0,5 m2 para animais de 100 kg – seja respeitado pelo transportador.
As principais perdas no transporte iniciam no embarque, perduram ao longo do trajeto e terminam no desembarque. Lotações exageradas produzem hematomas, arranhões, fraturas ósseas, mortes e estresse. Superlotação resulta em escoriações e lesões corporais produzidas por choques com a carroceria e aumenta os custos. Em todos os casos, compromete a qualidade da carne, o rendimento industrial e a lucratividade (BRAUN, 2000). Outros fatores que também requerem cuidado para evitar perdas durante o processo são a ventilação e o tempo de transporte.
O bem-estar animal deve ser visto de forma ampla, desde as instalações na criação, passando pela alimentação, considerando os aspectos sanitários e genéticos e, finalmente, o transporte e o abate em estabelecimentos adequados.