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A cidade de Pesqueira localiza-se na microrregião do Agreste Centro- Ocidental de Pernambuco. Segundo Barbalho (1977: 16) “as características agrícolas, e mesmo as pecuárias, das terras pesqueirenses, garantem a homogeneidade do Agreste Centro-Ocidental.”

Pesqueira está localizada ao sopé da Serra do Ororubá. A Serra do Ororubá, também conhecida pelos nomes de Urubá, Ararobá, Arobá, Ororobá,

Orubá, Arorubá, é uma das principais serras de Pesqueira, com 890 metros de

altitude, que se estende aos extremos do município pesqueirense no sentido leste- oeste.

Oficialmente, o início da colonização do Urubá foi em junho de 1654, precisamente no dia 25, por meio de um Alvará de concessão “da sesmaria de dez léguas de terra em redondo, a contar do último morador que se achasse para as partes de Santo Antão, em Pernambuco” (BARBALHO, 1977: 35) ao fidalgo João Fernandes Vieira, assinado, em Lisboa, pelo Rei de Portugal D. João IV. Esse alvará foi feito a partir de um pedido de João Fernandes Vieira em 1649, como merecimento por ele ter lutado contra a permanência dos holandeses no Brasil. Essas terras seriam uma espécie de recompensa. João Fernandes Vieira comprometeu-se a conquistá-las, expulsando os índios e, assim, povoando-as.

Segundo Barbalho (1977: 36), João Fernandes Vieira, em idade avançada, doou suas terras, ali situadas, à Congregação do Oratório, dirigida pelo

missionário organizador de uma aldeia em Limoeiro , Padre João Duarte do Sacramento.

Já de acordo com o historiador Alfredo Leite Cavalcanti (in BARBALHO: 1977: 36) João Fernandes Vieira vendeu quase toda a terra apossada a Manuel da Fonseca Rego, dando as terras restantes por esmola à Congregação de São Felipe Néri, que posteriormente foram adquiridas por Manuel da Fonseca Rego mediante compra das mesmas.

Outros fazendeiros e agricultores também foram beneficiados com doações de terras no Urubá, que eram ocupadas “por tribos de índios tapuias-cariris que as cultivavam a seu modo” (BARBALHO, 1977: 39). Entre os beneficiados estão: Bernardo Vieira de Melo, Antônio Pereira Pinto e Manuel Vieira de Lemos que receberam, juntos, vinte léguas de terra que iam da Mata até o Sertão, abrangendo o Centro e o Sul do agreste pernambucano, na concessão de dezembro de 1671. Antônio Pereira Pinto e Manuel Vieira de Lemos doaram suas terras ao Capitão Bernardo Vieira de Melo. Essas terras eram conhecidas como

Sesmaria Ararobá. Posteriormente, o Capitão Bernardo Vieira de Melo, por conta

da idade e por não ter mais forças para administrar as terras, entregou a Sesmaria Ararobá aos filhos Bernardo Vieira de Melo e Antônio Vieira de Melo. O filho Bernardo Vieira de Melo desbravou e pacificou aquela área de terras, exterminando índios considerados ferozes e expulsando negros aquilombados, deixando essas terras em poder de seu irmão Antônio Vieira de Melo. Segundo Barbalho (1977: 40), Antônio Vieira de Melo foi considerado

O maior povoador do agreste pernambucano nos séculos XVII e XVIII, fundador de um sem número de sítios de cultura e fazendas de criação, dos quais se originaram diversas cidades, como Caruaru, Altinho, Agrestina, Lagoa dos Gatos, Jupy, São Caetano, Tacaimbó, São Bento do Una, Cachoeirinha, Alagoinha, Canhotinho, Lajedo, etc.

A região habitada pelos indígenas era chamada de Borborema (na língua deles, deserto), que ia do fim do Agreste e começo do Sertão de Pernambuco. Também na Serra do Urubá, o oásis da Borborema, onde o clima era ameno e salutar, terra fecunda, rios e riachos com abundante água potável, viviam os índios tapuias do povo dos Ararobá.

Os índios Ararobá foram expulsos da Serra do Urubá por outros grupos indígenas, os Xukuru, povo chamado de “tapuias cariris”, que decidiram viver nessa Serra e que os colonizadores portugueses, ao novo aldeamento implantado, chamariam de Cimbres, atual Vila de Cimbres.

Os Xukuru habitavam toda a Serra dos antigos Ararobás, como também outro povo considerado “tapuia cariri”, os Paratió.

Apesar da invasão dos brancos no início do século XVII no solo Ararobá, que expulsavam e matavam os índios e combatiam os quilombos, havia idealistas que vinham para cultivar a terra, criar gado e civilizar tanto os Xukuru do Urubá quanto os Paratió das serras adjacentes. Em meados do século XVIII a aldeia do Ararobá tinha por missionário um religioso da Congregação de São Felipe Néri. Esses padres tinham como missão doutrinar e converter os índios ao catolicismo.

Por volta de 1660, foi criada na Serra do Ororubá uma missão da Congregação do Oratório pelo Padre João Duarte do Sacramento. Essa missão foi fundada junto a um grupo Cariri, de nome Xukuru, que habitava a Serra do Ororubá. O local foi batizado pelo padre com o nome de Monte Alegre, mas por haver na Região Norte uma outra vila com esse nome, recebeu o nome de Cimbres até os dias atuais. Nesse aldeamento, os missionários também criavam gado e utilizavam a mão de obra indígena.

Em 1757, com a aplicação do Diretório dos Índios do Marquês de Pombal, o aldeamento foi elevado à categoria de vila e passou a ser Vila de Cimbres em 03 de abril de 1762 pelo Desembargador-Ouvidor geral de Alagoas . Com o passar do tempo, as terras indígenas foram ocupadas por arrendatários que expulsaram os índios.

Em 1800, o capitão-mor Manoel José de Siqueira recebeu terras como dote de casamento ao pé da Serra do Ororubá. Nessas terras, ele construiu uma grande casa como também uma pequena igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens, uma senzala e uma pequena vila para os moradores. Em 1802, transformou o local em povoamento. O povoado era conhecido como “Poço da Pesqueira” porque possuía um poço com peixes em abundância, onde a população e os índios do aldeamento pescavam.

Com o tempo, o povoado foi crescendo e superou a Vila de Cimbres, à qual pertencia. O Poço da Pesqueira possuía uma estrutura urbana, com casas de sobrado, de hospedagem e outras comodidades. Com seu desenvolvimento, a partir de 1812, as ouvidorias da Comarca do Sertão passaram a ser realizadas lá.

A sede de Cimbres foi transferida para a Fazenda Poço de Pesqueira, no pé da serra, no dia 13 de maio de 1836. Segundo Silva (2007), em 1850, após a promulgação da Lei de Terras, as autoridades locais pediram ao governo da Província o fim do aldeamento, alegando que os índios já eram caboclos, sendo o aldeamento extinto oficialmente em 1879. Com isso, os indígenas se dispersaram, buscando outros ex-aldeamentos, as periferias das cidades ou locais de difícil acesso. Alguns permaneceram em suas terras, trabalhando para os fazendeiros que detinham a posse.

Em 20 de abril de 1880, o povoado foi elevado à categoria de município, denominado Santa Águeda de Pesqueira. O nome atual, Pesqueira, foi adotado oficialmente em 1913 por decisão do Conselho Municipal da época. Cimbres passou a ser apenas mais um dos distritos de Pesqueira.

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