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MOTIVO DO PEDIDO DA CONSULTA: Intervenção e acompanhamento psicoterapêutico a pedido da nutricionista. Segundo a mesma a P (6) demonstra algum descontrolo alimentar e episódios de ingestão compulsiva, pois “quando estou em casa não paro de comer, sobretudo quando estou mais alterada.” (SIC-P6). De acordo com a nutricionista existem de igual forma alguns problemas emocionais e/ou familiares que podem estar a influenciar negativamente no processo terapêutico de perda e manutenção do peso.

De acordo com os dados recolhidos pela nutricionista, a P (6) começou a engordar há mais ou menos 14 anos, desde que lhe foram extraídos os ovários e o útero. Já tinha frequentado as consultas de nutricionismo, conseguiu emagrecer alguns quilos, mas com o passar do tempo acabou por desistir por falta de motivação para continuar o processo. Desta vez, apresenta-se no Serviço de Nutrição e Actividade Física com o propósito “de não só perder

peso, mas também ser ajudada nalguns problemas pessoais que tenho” (SIC-P6).

Tabela 38 – As Escalas Clínicas, suas Elevações e o nível de Interpretação.

Escalas Elev. (T) Nível Análise

Depressão 85 Elevado Satisfaz os critérios diagnósticos para o quadro depressivo. “São sujeitos descritos como apáticos, pessimistas, auto punitivos, preocupados e retraídos”.

Histeria 60 Moderado

“O sujeito sente necessidade de se apresentar de forma favorável apesar de ser descrito como ingénuo e egocêntrico. Carecem de insight em relação a si próprios e com os outros, acabam por ser manipuladas, para satisfação das suas necessidades pessoais.”

Paranóia 80 Elevado “As mulheres são caracterizadas como sensíveis e emocionais, bondosas, mas dependentes, submissas e com ouça confiança nelas próprias.”

Psicastenia 60 Moderado “Com esta pontuação os sujeitos tendem a ser escrupulosos, autocríticos, perfeccionistas e moralistas. Existe ainda a possibilidade de grande ansiedade, tensão e preocupação.”

Esquizofrenia 90 Elevado “As elevações que ultrapassam T-80 provavelmente se associam com um significativo transtorno do pensamento, que se completa com confusão e com ideias, crenças e acções estranhas”.

Hipomania 45 Baixo “Os sujeitos são descritos como apáticos, pessimistas, com baixa auto estima, falta de energia e de iniciativa.”

Quais as principais queixas do paciente, tal como ele as formula?

Relativamente às queixas da paciente, a mesma refere que tem vindo a atravessar um momento difícil na sua vida, mas ela menciona que “estes problemas já existem há muito tempo e tem sido cada vez mais difícil de aguentar e é

por isso que me sinto muito triste e deprimida” (SIC-P6). Ao ser questionada acerca do termo “deprimida” a P (6)

refere que “Estou muitas vezes a chorar por tudo e por nada e estou muito em baixo” (SIC).

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RELATÓRIO DA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA

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As Escalas Clínicas e as suas Elevações (Mini Mult)

Neste relatório estão descritos o conteúdo e o significado das principais escalas que se destacam. Na Tabela (38) a seguir apresentada pode-se verificar também as pontuações T baixas, moderadas e elevadas e a sua relação. Contudo convém salientar que as características de cada escala podem assumir interpretações diferentes quando relacionadas umas com as outras.

Desta avaliação obteve-se o perfil e os seguintes códigos: 28/82 (considerando a combinação das elevações de duas escalas). De acordo com o manual de cotação e interpretação (Gouveia e Alves, s/d), este código pode indicar perturbação séria no contacto com a realidade. São pessoas ansiosas, retraídas e irritáveis, podendo haver características anti-sociais e de suspeição (desconfiança). Apresentam dificuldades de concentração e memória, pensamento confuso, sentimentos de desamparo e desvalorização. Revelam ainda queixa de depressão, ansiedade, insónia, fadiga e perda de memória e tonturas. A seguir apresenta-se o perfil desta paciente:

Perfil psicótico Bifásico: Elevação da tríade neurótica e elevação maior da tríade psicótica. Quando a escala Sc

(Esquizofrenia) é a mais elevada está-se na presença de “esquizofrénicos delirantes”. Esta condição revela que existem mecanismos de defesa que impedem a quebra de contacto com o real, sendo que quando há elevação em D (depressão) indica consciência do problema.

Neste sentido e após a recolha destes resultados seguir-se-á a avaliação da depressão através do IACLIDE, para se confirmar o diagnóstico de perturbação depressiva, sendo que caso seja confirmado seguir-se-á a elaboração de um plano terapêutico de intervenção de modo a tratar os sintomas mais imediatos e incapacitantes.

Gráfico 9 - Traçado e Analise do Perfil (Tipo Psicótico Bifásico)

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Hip ocon dria Dep ress ão Hist eria Psic opat ia Paro nóni a Psi caste nia Esqu izof reni a Hip om ania Elevações Gráfico 19 Limite Normalidade = 70

Quadro 4 – Resultado Globais do IACLIDE P (6)

Nesta avaliação foi feita uma breve análise dos itens do IACLIDE, principalmente no que se refere aos itens relacionados com os pensamentos/actos suicidas e comportamentos de autonomia. Concluiu-se, e tal como se verifica nos resultados do instrumento a paciente apresenta níveis de depressão, que se manifestam de forma incapacitante em diversas áreas da sua vida (relacional, profissional e familiar), bem como presença de pensamentos e actos de morte/suicídio.

Neste sentido, as principais preocupações neste processo terapêutico prendem-se com a intervenção imediata nestes pensamentos automáticos negativos, de modo a diminuir e prevenir o risco de suicídio. Esta intervenção teria um carácter cognitivo-comportamental, em que seriam abordados as questões relacionadas com a tríade cognitiva característica da depressão. No entanto, verificou-se que a P (6) não se apresentou mais às consultas (após ter pedido que uma consulta fosse adiada devido a questões pessoais) e após terem sido enviadas algumas cartas (no nome do Hospital) a remarcar novas consultas, o processo terapêutico foi encerrado, assumindo-se uma desistência.

______________________________________ ACOMPANHAMENTO e INTERVENÇÃO: Caso nº 5 Informação geral

Nome: P (7) Paciente nº. Sexo: F Data de nascimento: 01/04/1946 (60 anos)

Estado Civil: Casada Peso: 75 kg Altura: 1,45 m IMC: 35,7 Profissão: Doméstica Tabela 39 – Frequência das Consultas do P (7)

Data Sumário da Consulta Observações

07/11/06 (11:30)

1. Estabelecimento da relação terapêutica 2. Apresentação

3. Inicio da recolha de informação (Entrevista Clínica) 4. Apoio emocional

Acompanhamento Inter. Psicoterap. (inicio)

Entrevista Clínica

13/11/06 (11:00)

1. Exploração dos acontecimentos/situações da semana anterior; ƒ Correcção da Tarefa para Casa: “Auto-conhecimento”; 2. Recolha de informação (Entrevista Clínica):

ƒ Relacionamento conjugal; 3. Avaliação e análise da auto-estima:

ƒ Necessidade de aprovação e opinião dos outros;

ƒ Dependência/autonomia;

5. Exploração de pensamentos, ideações e comportamentos suicidas; 6. T.P.C: (“Auto-conhecimento); Acompanhamento Inter. Psicoterap. Entrevista Clínica Auto-conhecimento Auto-estima Ideações e comportamentos suicidas 7

21/11/06 (09:00)

1. Exploração dos acontecimentos/situações da semana anterior; 2. Correcção da Tarefa para Casa;

ƒ “Auto-conhecimento”;

1. Avaliação e análise da auto-estima: ƒ Conceito/Importância; ƒ Vantagens e desvantagens; 5. T.P.C: (“Registo de auto-monitorização); Acompanhamento Inter. Psicoterap. Entrevista Clínica Auto-conhecimento Auto-estima 28/11/06 (10:00)

1. Exploração dos acontecimentos/situações da semana anterior; 2. Correcção da Tarefa para Casa;

ƒ “Registo de auto-monitorização”; 3. Entrevista Clínica

ƒ Relacionamento com o marido e outras pessoas; 4. Avaliação e análise da auto-estima:

ƒ Abordagem dos pensamentos e emoções;

ƒ Estabelecimento de diferenças entre os pensamentos e as emoções; ƒ Analise e identificação de pensamentos e emoções relacionados com situações específicas do seu dia-a-dia com o marido;

5. Avaliação psicométrica ƒ IACLIDE 6. T.P.C: (“Registo de auto-monitorização); Acompanhamento Inter. Psicoterap. Entrevista Clínica Auto-monitorização Auto-estima Avaliação Psicométrica 07/12/06 (14:00)

1. Correcção da Tarefa para Casa;

ƒ “Registo de auto-monitorização; 2. Avaliação e análise da auto-estima:

ƒ Inicio do Treino de Competências Sociais; 3. Preparação para a alta (a pedido da paciente); 4. T.P.C. Acompanhamento Inter. Psicoterap. Entrevista Clínica Auto-monitorização Auto-estima Avaliação Psicométrica 29/12/06 (14:00)

1. Verificação e análise das tarefas de casa; 2. Avaliação do estado actual;

3. Alta (a pedido da paciente);

Alta

FIM DO PROCESSO TERAPÊUTICO

Motivos da Consulta/ Principais queixas do Paciente:

A P (7) procura a consulta de psicologia