9. Vedlegg
9.5 Vedlegg 5: Den skyldige av Tania Kjeldset
cromossômicas e micronúcleo em linfócitos com dosagem de cromo na urina. O objetivo destas análises é verificar até que ponto uma variação no escore de cromo na urina influenciou na variação dos escores dos dados genotóxicos e tentar predizer como a alteração no cromo da urina pode alterar os valores genotóxicos.
A primeira análise verificou a frequência de aberrações cromossômicas e a concentração de cromo encontrada em 26 trabalhadores expostos.
Tabela 12. Análise de regressão linear entre a frequências de aberrações cromossômicas e a concentração de cromo na urina encontrada nos trabalhadores
R 2
Erro
padrão F b A Limites de confiança (95%)
0,765 1,78 280, 11*** 2,89 0,78 2,54 a 3,24
*** p< 0,001
As análises indicaram que 76 % (R ajustado- R2) da variância do aumento
da frequência de aberrações cromossômicas pode ser explicada pelo aumento do cromo na urina. Precisamente, tem-se para cada aumento de cromo na urina aumenta-se em 2,89 a frequência de aberrações. Os limites de confiança possuem intervalos estreitos (2,54 a 3,24) dando credibilidade aos resultados. O valor de F = 280,11 com p<0,0001 demonstra que é pouco provável que o resultado tenha ocorrido por erro amostral (Tabela 12).
A melhor linha de aderência pode ser visualizada na figura 32. Com a análise realizada tem-se uma fórmula algébrica y = 2,89x + 0,78.
Figura 32. Regressão linear. Frequência de aberrações cromossômicas (Y) e níveis de cromo na urina /por indivíduo (n=26) (X). Equação Y = 2,893698879289154 x + 0,78654702541123336
Tabela 13. Análise de regressão linear entre a frequências de micronúcleos em células binucleadas de linfócitos e a concentração de cromo na urina encontrada nos trabalhadores expostos.
R 2 Erro
padrão
F b a Limites de confiança (95%)
0,53 0,33 46,43*** 0,22 0,53 0,155 a 0,286
***p<0,001
Nestes dados as análises indicaram que 53% (R ajustado- R2) da
variância do aumento da frequência de micronúcleo em células binucleadas de linfócitos pode ser explicada pelo aumento do cromo na urina. Cada aumento de cromo na urina corresponde a 0,22 no aumento de micronúcleos. Os limites de confiança apresentaram intervalos estreitos (0,155 a 0,286). O valor de F = 46,43 com p<0,0001 (Tabela 13).
A melhor linha de aderência pode ser visualizada na figura 33. Com a análise realizada tem-se uma fórmula algébrica y = 0,22x + 0,53.
Figura 33. Regressão linear.Frequência de micronúcleos em células binucleadas em linfócitos (Y) e níveis de cromo na urina /por indivíduo (n=30) (X).
Estes achados são curiosos. As correlações fornecem uma indicação de que as alterações encontradas possuem uma relação direta com o cromo ingerido.
Na literatura, as correlações foram feitas entre o nível de cromo na urina e o nível de cromo no plasma. Não havendo dados entre a relação da variável cromo e dados genotóxicos.
Infelizmente, não podemos, neste estudo, apontar o real responsável pelos danos (Cr III ou Cr VI ou outra substância), visto que, a análise de cromo na urina por espectofotometria não pôde nos fornecer esta informação.
Contudo, através dos dados existente poderíamos supor que como se tratam de trabalhadores expostos continuamente ao cromo, seus sistemas biológicos estariam saturados, havendo, portanto, uma maior excreção diária de cromo III pela urina, refletindo uma exposição recente. Esta hipótese é sustentada pelo fato de não existir sulfato de cromo III 100 por cento puro, havendo sempre uma contaminação deste pelo cromo VI. Isso nos faria deduzir que, como o cromo VI possui uma maior capacidade de penetrar na célula, estaria ao se reduzir, aumentando a concentração intracelular de cromo III, dificultando mais ainda sua penetração e aumentando sua excreção urinaria. Portanto o agente causador dos danos seria o cromo VI e seus componentes gerados apos sua redução intracelular.
Outra hipótese que poderíamos considerar é que, mesmo a literatura apontando a dificuldade do cromo III entrar na célula, devido a seu estado de oxidação. Este estaria, cronicamente, conseguindo penetrar e portanto, saturar os sistemas, gerando uma maior excreção do metal na urina. Contudo, esta hipótese só teria validade se tivéssemos verificado a pureza do pó utilizado no processo de curtimento. Verificação esta que não realizamos.
6.CONCLUSÃO
Através das análises mutagênicas e genotóxicas realizadas nos trabalhadores de curtume em Teresina, capita do estado do Piauí. Conclui-se que :
- O número e a frequência de micronúcleos, tanto de células da mucosa bucal quanto dos linfócitos, estão aumentados nos trabalhadores de curtume, indicando efeitos mutagênicos e genotóxicos;
- O índice de danos e a frequência de danos ao DNA encontrados aumentados nos trabalhadores, em relação ao controle, indicam que os mesmos se expuseram a eventos genotóxicos;
- A análise do teste de aberrações cromossômicas mostrou os trabalhadores com maior número e frequência destas alterações, indicando efeito clastogênico;
- Através da análise de correlação entre o micronúcleo em linfócitos e as aberrações cromossômicas, concluiu-se que a maioria dos micronúcleos em linfócitos encontrados, nesta pesquisa, são decorrentes de eventos aneugênicos;
- A mensuração do cromo na urina demonstrou que a quantidade do metal encontrava-se aumentada quando comparada ao controle;
- A correlação encontrada entre as aberrações cromossômicas e o cromo na urina indicou que este metal é, possivelmente, o responsável pelos eventos clastogênicos.
7. RECOMENDAÇÕES
Através dos resultados de genotoxicidade pode-se deduzir que os trabalhadores estão sujeitos um risco real dos efeitos resultantes da genotoxicidade/mutagenicidade.
O ambiente do curtume deve ser alvo de monitorização e de preocupação por parte de ações de saúde pública. Ações voltadas a minimizar a instabilidade genética devem ser empregadas imediatamente, com intuito de minimizar odanos, pois exposição repetida do ser humano às misturas químicas complexas favorecem a mutações , sendo este um estágio inicial para a formação de tumores. Portanto, o referido biomonitoramento é de suma importância e deve ser incluído em políticas de saúde pública.
As conclusões geradas através deste trabalho são altamente relevantes para a gênese de políticas locais e nacionais voltadas para a saúde do trabalhador. Têm-se então, um documento, cujos dados podem e devem ser utilizados pelo poder público como meio de intervenção e de transformação de uma realidade social, voltada, preferencialmente, para o bem do trabalhador piauiense.
Desta forma, o presente trabalho propõe a ser uma etapa importante na preparação da estratégia temática, através de medidas de vigilância em saúde dos utilizadores e, nomeadamente, dos trabalhadores de curtumes, visando estabelecer a implantação de medidas de proteção a estes trabalhadores. Dessa forma reforça- se a necessidade de:
(1) Realização do biomonitoramento, pelo menos semestralmente para indivíduos que estão em riscos de instabilidade genética, especialmente com o uso dos testes de micronúcleos em mucosa bucal e cometa em linfócitos de sangue periférico, devido suas eficácias, sensibilidades e baixos custos financeiros;
(2) Regulamentação dos programas de colaborações científicas com instituições de ensino superior e de pesquisas nos níveis locais, regionais, nacionais e internacionais, visando a permanente capacitação técnica, estágios e iniciação científica;.
(3) Implementação de políticas de saúde públicas voltadas para prevenção do câncer; com elaboração de programas informativos sobre os riscos dos agentes químicos/físicos, uso de equipamentos de proteção, vigilância da qualidade de nutrientes consumidos e biomonitoramento da saúde ambiental ocupacional;
(4) Melhor articulação entre órgãos de governo para apoio técnico e maior rigor pelos órgãos de fiscalização coibindo a exploração do trabalhador e exigindo o uso de EPIs.