Apesar de ser um tema relevante na atualidade, os conceitos e aplicações de redes datam da década de 30 e desde então vem se tornando fenômenos sociais proeminentes. Consideradas centrais na sociabilidade dos indivíduos, as redes se estruturaram sistemicamente pelas relações sociais que envolvem, principalmente, pessoas, grupos e, organizações (sujeitos sociais, que são os “nós” da rede), conduzindo para uma transformação da organização social.
Nessa perspectiva, Castells (1999) infere que a sociedade moderna é caracterizada pela predominância da forma organizacional da rede em todos os campos da vida social e está sujeita às modificações de maneira substancial da operação e resultados dos processos produtivos e de experiência, poder e cultura.
Redes sociais são membros ligados entre si com um objetivo comum, que promovem a troca de itens como informação, sentimentos, conselhos, ou coisas mais tangíveis como bens e serviços. As conexões estabelecidas na rede por meio de relacionamentos sociais podem ser motivadas pela amizade, por relações de trabalho ou para compartilhamento de informações dentre outras coisas (Tomaél e Marteleto, 2006). Com a necessidade de resolver a complexidade dos problemas sociais atuais, vários atores se mobilizam em torno dos mais diversos temas com intuito de reforçar a colaboração e a solidariedade, a fim de dar resolutividade aos problemas sociais, criando uma rede de ações específicas. Elas se baseiam na definição de objetivos comuns, buscando reduzir conflitos, focando-se no consenso e na co-responsabilidade.
O objetivo comum coloca os atores da rede em um elo, onde os laços da mesma passam a atuar como uma rede de compromisso social, deixando de ser um nó isolado, e passando a ser um encontro de vários nós, onde possibilitam o trabalho em conjunto e um melhor desempenho. Segundo Junqueira (2006), as redes sociais só se sustentam se tiverem um objetivo em comum e se este objetivo for suficientemente intenso para que os atores continuem a investir energia na trama reticular.
Nesse sentido, Junqueira (2000) complementa afirmando:
“Nas redes, os objetivos definidos coletivamente articulam pessoas e organizações que se comprometem a superar, de maneira integrada, os problemas sociais. Essas redes são construídas entre seres sociais autônomos, que compartilham objetivos que orientam sua ação, respeitando a autonomia e as diferenças de cada membro. Daí a importância de que cada organização, pública ou privada, desenvolva seu saber para colocá-lo de maneira integrada a serviço do interesse coletivo.”
Num sentido mais amplo Fleury e Assis (2007) enfatizam o entendimento das redes como uma solução para administrar políticas e projetos onde os recursos são escassos e os problemas complexos, onde existam múltiplos atores envolvidos, onde há interação de agentes públicos e privados, centrais e locais, bem como uma crescente demanda por benefícios e participação cidadã.
Dentre as principais características de uma rede social, destacam-se: participação de vários atores possibilitando uma maior mobilização por recursos e uma diversidade de olhares para a tomada de decisão, definição de prioridade de forma democrática, estrutura menos burocrática, maior flexibilidade o que possibilita uma gestão mais adaptativa, monitoramento como principal instrumento de gestão e objetivos e estratégias alcançados pelo consenso (Fleury e Assis, 2007).
Apesar das redes sociais serem mais adaptativas e menos formalizadas que as parcerias, elas também contam com certos limitadores. Nesse contexto, destacam-se: a dificuldade da prestação de contas por envolver diversos participantes; a busca pelo consenso, podendo tornar certas decisões lentas; o compartilhamento das metas sem a garantia do comprometimento dos participantes, etc. No entanto, alguns fatores que podem limitar o funcionamento das redes podem também ser benéficos, como a questão dos múltiplos atores que podem gerar maior mobilização de recursos e uma diversidade de olhares sobre um mesmo problema. Cabe ainda destacar que existem mais fatores favoráveis do que contrários à utilização das redes na solução dos problemas sociais.
Como o cenário contemporâneo objetiva a adoção de um aparato de agilidade e eficiência, para aumentar a eficácia das ações das políticas sociais, a transferência de
competências do Estado tem se dado para organizações da sociedade civil, que passam a assumir, em caráter complementar e em parceria, ações sociais que possibilitam oferecer à população melhores condições de vida, bem como, respostas às suas necessidades sociais.
Sendo assim, a formação de redes sociais inter e intraorganizacionais constitui um importante elemento na gestão das políticas sociais, por possibilitar respostas intersetoriais. Junqueira (2004) explica que ao invés de estabelecer parcerias isoladas por políticas, muda-se a lógica, ou seja, identificam-se os problemas sociais, integrando saberes e experiências das diversas políticas, passando a população também a desempenhar um papel ativo e criativo nesse processo.
Pode-se dizer, portanto que com o crescimento das organizações do terceiro setor, as redes sociais têm adquirido grande importância na última década, principalmente porque surgem como opção de mudança e também como possibilidade de propiciar maior eficácia à gestão pública das políticas sociais. Essas organizações surgiram na esteira de uma nova conjuntura social, em que a complexidade dos problemas impõe soluções eficazes e efetivas para reduzir a exclusão social e construir uma sociedade mais justa e equânime (Junqueira, 2006).
Considerando a análise de arranjos organizacionais cooperativos de Baldi e Lopes (2005), as redes, sempre comparadas com as alianças e joint ventures, podem ser consideradas como um terceiro tipo de arranjo organizacional e não como forma intermediária entre mercados e hierarquias. A capacidade das redes de empregar um conjunto diferente de mecanismos de coordenação através do uso da confiança e dos laços sociais, se aproxima mais de alianças do que de hierarquias clássicas, já que dispõem de centros diferenciados e plurais de controle e coordenação.
Esse estudo sobre arranjos organizacionais cooperativos trabalhados por Baldi e Lopes (2005), nos aproxima de um conceito que deve ser mais bem explorado, o conceito de laços sociais.