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É a partir do enquadramento do tema da Literacia da Informação numa das vias axiais integrantes da Ciência da Informação, o Comportamento Informacional (CI), tradução de “in or ation eha ior” e de inido por Ar ando alheiro da Sil a co o “o odo de ser ou de reagir de uma pessoa ou de um grupo numa determinada situação e contexto, impelido por necessidades induzidas ou espontâneas, no que toca esclusivamente [sic] à produção /emissão, recep ão e oriza ão/ uarda reprodu ão e di usão de in or a ão” SI VA a,143) que a perspetiva do tema em estudo incidirá.

57 A ideia de que o comportamento informacional, juntamente com a gestão da informação e a organização e representação da informação, integram a Ciência da Informação, ressalta da definição desta ciência social, caraterizada pelo autor como trans e interdisciplinar “disciplina ue in esti a as propriedades e co porta ento da informação, as forças que regem o fluxo informacional e os meios de processamento da in or a ão para opti iza ão do acesso e uso” SI VA a, 140).

Num dos muitos estudos levados a cabo por Tom Wilson (1999), poder-se-á inferir, a partir de uma conceção mais abrangente de Literacia Informacional (na qual, para além de uma visão dita tradicionalista, o domínio das Tecnologias da Informação e Comunicação está presente, bem como outras competências como as relacionais, comunicativas, éticas) que esta LI assim entendida se relaciona com o comportamento informacional. Este último, segundo o autor, faz parte do comportamento comunicacional, tem origens na Psicologia e está centrado nas necessidades informacionais dos indivíduos. Numa perspetiva histórica e ora o ter o “in or ation eha ior” não tenha sido literal ente usado nu a con er ncia da rea e deu azo a estudos que remontam a essa data, antecedendo, assim, a designação de Ciência da Informação.

Neste importante artigo, Wilson reflete sobre pesquisas de modelos teóricos de comportamento informacional, comparando-os e propondo o seu, com alterações ao longo dos tempos (1981, 1996) e apresentando, em 1999, um outro, designado como modelo de resolução do problema. Basicamente, o modelo de Wilson pressupõe uma abordagem mais abrangente do comportamento informacional, o qual integra a pesquisa da In or a ão “in or ation-seekin eha ior” na ual por sua ez est inclu da a recuperação da In or a ão “in or ation search eha ior” ra este ciclo ade ua-se a uma definição de Literacia da Informação – reconhecimento de uma necessidade informacional, procura da informação numa série de fontes, (a qual resulta em (in)sucesso), uso da informação, (em caso de sucesso), a qual pode ser utilizada pelo indivíduo que a procurou e ser comunicada e trocada com terceiros. Em caso de insucesso ou de não satisfação do utilizador da informação, o ciclo reinicia-se.

Numa definição de comportamento informacional, Donald Case considera que este integra a pesquisa da informação “in or ation seekin ” bem como a totalidade de outros comportamentos não intencionais ou passivos e ainda comportamentos intencionais que não contemplam a pesquisa: Information behavior encompasses information seeking as well as the totality of other unintentional or passive behaviors

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(such as glimpsing or encountering information), as well as purposive behaviors that do not involve seeking, such as actively avoiding information (CASE, 2002, 5).

O enquadramento do tema da LI na área da Ciência da Informação e do Comportamento Informacional também seria feito em 2007, num estudo de Armando Malheiro da Silva, em co-autoria, a propósito de investigação sobre Literacia no ensino superior português, o e-Lit.pt, a que já se aludiu anteriormente (SILVA; MARCIAL; MARTINS, 2007) e que é um bom contributo para a presente investigação, devido às semelhanças do tema e da população em estudo – os estudantes do ensino superior.

Voltando à questão da LI, agora perspetivada pelo ângulo da Ciência da Informação, Malheiro da Silva, num artigo posterior intitulado “Inclusão i ital e iteracia In or acional e i ncia da In or a ão” considera-a, a priori, co o u “pro le a co pósito” e exó eno à rea da i ncia da In or a ão as assu ido por ela ou de u ponto de vista mais lato, pela interdisciplina de Ciências da Informação e da Comunicação e define-a co o a “capacidade cr tica de uscar a aliar escolher e usar in or a ão nos ais di ersos contextos” SI VA c, 16).

Ora, pode-se afirmar que esta definição se integra claramente na área do comportamento informacional e que se inter-relaciona com a questão premente da inclusão digital, a qual implica o domínio de competências de Tecnologias da Informação e Comunicação. Este estudo pretende analisar a forma como no campo da Ciência da Informação se efetua a triangulação entre competências de três tipos que os indivíduos detêm: instrumentais, cognitivas e críticas. Para o autor, se bem que estas sejam convergentes e importantes, no âmbito da LI, há que fazer distinções necessárias, já que o domínio da informática e da capacidade de navegação na internet demonstrados pelo utilizador não é sinónimo de que a informação pretendida seja selecionada, assimilada e usada, para uso pessoal ou coletivo, de uma forma eficaz.

Ainda a propósito da contextualização da LI na área do comportamento informacional, Malheiro da Silva refere uma mudança fundamental no modo como o utilizador é visto, na sequência da mudança de um paradigma custodial, historicista, patrimonialista e tecnicista para um paradigma pós-custodial, informacional e científico (SILVA, 2006 a, 158-159). Assim, se no primeiro paradigma citado o centro das atenções era o serviço ou sistema, sendo o utilizador um destinatário passivo cujas necessidades informacionais seriam satisfeitas de acordo com as possibilidades da instituição fornecedora da informação, já no novo paradigma é conferido ao utilizador um papel ativo no processo de busca da informação.

59 Já Yves Le Coadic na sua monografia Usages et Usagers de l’Information (1997), na sequência deste novo paradigma e dando relevo ao papel incontornável do recetor, tal como o título da sua obra faz adivinhar, anuncia uma nova tendência generalizada dos denominados estudos de usos e de utilizadores da informação “Information uses” que incidem, frequentemente, sobre usos dos sistemas de informação através dos utilizadores e que não deverão ser orientados ao contrário, ou seja, estudos dos utilizadores a partir dos sistemas de informação.

Analisando o processo da referida mudança e tendo como referência o antepassado da Ciência da Informação a Biblioteconomia, a qual se preocupava com questões relacionadas com as coleções, sua constituição, crescimento, classificação, catalogação e conservação, Le Coadic afirma que, então, o elemento valorizado era o emissor da mensagem, i.e., as instituições como bibliotecas, centros de documentação ou museus. Ora, como fator determinante para uma mudança necessária, que veio colocar o leitor ou o visitante do museu – recetores da mensagem – no centro das atenções, o autor refere o livre acesso, o qual determinou um novo contrato de leitura com os referidos recetores que, doravante, ficariam libertos do direito que as instituições detinham de ditar imposições a nível da oferta da informação. Na transição da abordagem centrada no emissor para o recetor terá existido, entrementes, uma outra que enfatizava o intermediário (bibliotecário ou documentalista), variando o grau da sua atuação, de acordo com a maior ou menor presença destes profissionais na interação estabelecida com os recetores, isto é, os utilizadores.

Em ambos os tipos de abordagens, centradas no emissor ou intermediário, refira- se o papel passivo do utilizador que, perante as estruturas institucionais, as fontes informacionais e suas regras de acesso, sentia que elas não eram construídas segundo a sua perspetiva e que o condicionavam. Neste âmbito, algo exterior a si, que ele não dominava nem compreendia, fazia, discriminatoriamente, deste verdadeiro utilizador, um utilizador secund rio ou utilizador inal “end-user” j ue o inter edi rio se posicionava como utilizador primeiro.

De acordo com o estudo feito por Le Coadic, com o advento de novas técnicas e sistemas de informação online, o estatuto do utilizador sofre uma viravolta, tornando-se, então, cada vez menos passivo, cada vez menos secundário, enfim, cada vez mais objeto central da atenção das instituições orientadas para o recetor (denominadas como “user- centered li rary” e cuja atuação girará, doravante, em torno do referido utilizador, seja a nível da planificação, das operações ou da gestão institucional. Portanto, como conclusão,

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um dos objetivos desta nova abordagem da Ciência da Informação, centrada no utilizador, aponta para a boa utilização da informação e do sistema de informação que deve ser pensado em função dos usos que são feitos da informação e dos resultados destes usos nas atividades dos utilizadores.

Ora, é precisamente nesta linha de ênfase institucional dada ao recetor, e relacionando-a com a questão da LI, que Armando Malheiro da Silva afirma que bibliotecários, arquivistas e documentalistas assumiram uma vertente formativa nos respetivos sistemas de informação, com o objetivo de orientação dos utilizadores na utilização de instrumentos de pesquisa sofisticados e de difícil manipulação, tendo sido, por essa via, “que o problema da literacia informacional entrou na agenda dos estudos biblioteconómicos” e sendo, doravante, atribuído ao bibliotecário o duplo papel de professor e facilitador ou guia (SILVA, 2008 c, 20). Para o autor, a função de guia num sistema de informação convencional (em suporte de papel) ou digital (base de dados online ue i plica u a edia ão “pode per ersa ente condicionar o leitor /utilizador mesmo que isso suceda em nível básico, obrigando-o a seguir passos rígidos na pesquisa, que podem desanimá-lo ou até frustra-lo [sic]” SI VA c, 20), constrangimento que se pode associar aos efeitos de uma mediação como a que Le Coadic refere, mas aqui num contexto de tentativa de ajuda ao recetor.

É neste quadro de orientação/guia de busca da informação traduzido em boas práticas, que o autor contextualiza o aparecimento de alguns Referenciais de Literacia internacionais, (acerca dos quais se falará oportunamente). Questionando se será adequado, no contexto do paradigma pós-custodial, informacional e científico, condicionar o comportamento dos utilizadores a uma mediação, através de um conjunto de competências, o autor refere algumas delas relacionadas com a pesquisa, recuperação e seleção da informação, interrogando-se se, numa conjuntura de redes online, as referidas competências podem ser facilitadoras da expressão e criatividade dos utilizadores ou, pelo contrário, inibidoras, para os utilizadores que podem ser simultaneamente consumidores e autores (SILVA, 2008 c, 20).

Assumindo uma visão crítica, entende-se que o ensino de boas práticas relacionadas co essas ases do “ciclo” da iteracia é deter inante e ora de a ser complementado com outras competências que se consideram inerentes ao conceito de Ll, tais como o desenvolvimento do espírito crítico, da autonomia, da capacidade de tomar decisões, a partir de uma informação de qualidade e adequada às necessidades informacionais dos indivíduos, bem como competências comunicacionais. Então, se todas

61 estas vertentes estiverem presentes, no âmbito de uma boa e completa formação para a Literacia, tal permitirá aos indivíduos julgar autónoma e livremente sobre as suas opções de busca e seleção da informação, libertando-os, assim, dos eventuais constrangimentos ou limitações referidos e permitindo-lhes comunicar adequadamente, de acordo com os contextos e públicos implicados.

4. Estudos nacionais e internacionais de avaliação de competências de Literacia da

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