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3.4 Utstyr og oppsett

4.1.3 Varmebehandlet, nedkjølt

Tornando o sistema de signo binário – significante e significado – deixando de lado o antigo sistema ternário que inclui também o objeto referido. Com a escola de Port Royal o signo representa a ideia de uma coisa e não a coisa em si, como citamos acima. De acordo com Lyons (1979), os filósofos e linguistas da época consideravam que a linguagem é regida por princípios gerais e racionais. São os falantes, então, que precisam usar a linguagem com clareza e precisão. Pensamentos claros e precisos expressos de forma racional e transparente.

Com a criação da gramática de Port-Royal8, em 1660, consolidou-se a noção de signo como meio através do qual os homens expressavam seus pensamentos. Na relação pensamento-linguagem, os gramáticos de Port-Royal elaboraram teorias pelas quais essa relação era dada por princípios gerais, para todas as línguas. O que se pretendia construir com essa gramática era a língua-ideal, universal, lógica, sem equívocos e ambiguidades, capaz de assegurar a unidade da comunicação do gênero humano. Os precursores desse pensamento da

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A Gramática de Port-Royal (título original em francês: Grammaire générale et raisonnée contenant les fondemens de l'art de parler, expliqués d'une manière claire et naturelle, "Gramática geral e razoada contendo os fundamentos da arte de falar, explicados de modo claro e natural") foi um trabalho pioneiro na área da filosofia da linguagem. Publicado em 1660 por Antoine Arnauld e Claude Lancelot, ela foi a contraparte linguística à Lógica de Port-Royal (1662), e ambas receberam esse nome em referência ao monastério jansenista de Port-Royal-des-Champs, no qual os seus autores trabalhavam. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gram%C3%A1tica_de_Port-Royal.

gramática de Port-Royal são os comparativistas, que surgiram no século XIX. Nessa época, o que importava não era mais o ideal universal, mas sim a transformação das línguas através dos tempos.

A partir daí, o pensamento passa a ser organizado pela linguagem, e a ideia do signo baseado pela semelhança dá espaço à representação como expressão da linguagem que organiza o pensamento. “Com a divisão entre o signo e seu objeto, as palavras não se ligam mais diretamente às coisas: a alternativa é a representação como elemento de ligação.” (GAMBARATO, 2005, p. 211). A preocupação maior era com o aspecto diacrônico das línguas e com a questão de que elas evoluem. Não interessava mais o funcionamento da língua.

De acordo com Carvalho (1997), a gramática comparativa, o estudo da língua, consistia em compará-las para deduzir princípios gerais de evolução histórica das suas unidades lexicais, gramaticais e sonoras. Seu maior pensador foi o linguista Franz Bopp (1791-1867), também considerado seu fundador.

A gramática comparada tinha o objetivo de reconstruir o passado linguístico das línguas europeias e asiáticas, entretanto, esse modo de comparação unicamente histórico não fundamentava nenhuma conclusão a respeito da formação e da condição em que se dá a constituição e a origem de uma língua. Observamos, a esse respeito, a seguinte afirmação:

Esse método exclusivamente comparativo acarreta todo um conjunto de conceitos errôneos, que não correspondem a nada na Realidade e que são estranhos às verdadeiras condições de toda linguagem. Considerava-se a língua como uma esfera à parte, um quarto reino da Natureza; daí certos modos de raciocinar que teriam causado espanto em outra ciência. (SAUSSURE, 1916/1995, p. 10).

A partir do estudo das línguas românicas e germânicas, nasceu a linguística como é conhecida hoje, em que os estudos comparativos ganharam o lugar de método. Conforme examinamos nas seguintes afirmações:

Somente em 1870 aproximadamente foi que se indagou quais seriam as condições de vida das línguas. Percebeu-se então que as correspondências que as unem não passam de um dos aspectos do fenômeno linguístico, que a comparação não é senão um meio, um método para reconstruir os fatos [...] Graças aos neogramáticos, não se viu mais na língua um organismo que se desenvolve por si, mas um produto de espírito coletivo dos grupos linguísticos [...] Ao mesmo tempo, compreende-se quão errôneas e insuficientes eram as idéias da Filologia e da Gramática Comparada. (SAUSSURE, 1916/1995, pp. 11-12).

Para Saussure, a linguagem se constitui em unidades linguísticas, e, a partir da língua, elas se organizam, constituindo sentidos; assim, introduz a ideia de sistema de signos. Poder- se-ia dizer que não é a linguagem que é natural ao homem, mas a faculdade de constituir uma língua, vale dizer: um sistema de signos distintos correspondentes a ideias distintas. (SAUSSURE, 1916/1995, p. 18).

Saussure designa por signo linguístico a união positiva entre dois elementos: significado e significante. O significado indica o conceito, e o significante a imagem acústica. O signo, para Saussure, é um elemento binomial, sua natureza é dicotômica. O significado e o significante fundam a constituição do signo, agem dialeticamente, embora sua relação de reciprocidade seja considerada, pelo próprio Saussure, como arbitrária. Não é possível admitir a existência do significante sem o significado e vice-versa, assim como não é possível estabelecer ou definir um elemento de relação objetiva entre o conceito e sua imagem acústica. Saussure atribui, ao signo, uma dimensão psíquica. Para este autor, o signo linguístico não vincula somente uma palavra a uma coisa, e sim um conceito a uma imagem acústica. Esta imagem não é caracterizada pelo som puramente físico, mas pela impressão psíquica oriunda desse som. O conceito de signo consiste na representação mental de um determinado objeto ou da realidade social em que ele pertence e é situada; esta representação terá relação com o campo social e individual do falante.

Foi por causa da ideia do sistema de signo linguístico que posteriormente se chamou, este novo campo, de linguística estrutural, herdeira do pensamento de Saussure; tal terminologia denomina o cerne do pensamento saussuriano a respeito da “língua estruturada como um sistema de signos”.

No final do século XIX, é a teoria de Charles Peirce que ganha grande destaque. Fundamentado na filosofia estoica, a semiótica peirceana retorna ao modelo de esquema triádico, tendo como seus constituintes: o signo, o objeto e o interpretante. Para Peirce (2000, p. 46): “Um signo, ou representâmen, é aquilo que, sob certo aspecto ou modo, representa algo para alguém”.

Conforme Peirce (2000), o representâmen é o signo primeiro, pode-se dizer que é o signo como tal, o objeto é a representação do signo, e, o interpretante, a consciência intérprete do signo, ou seja, seu significado. Todo signo gera um outro signo fruto da mente, e é isto que Peirce chama de interpretante.

De acordo com Gambarato (2005) a representação se fundamenta na relação entre o signo e o objeto. Aquele que interpreta e trata o signo como sendo o próprio objeto. A representação é, portanto, estar no lugar do outro em determinados aspectos.

A representação se trata de um conceito estudado por várias teorias que abordam a linguagem e o pensamento humano; essa noção, retirada da filosofia, passa a ter, também na psicanálise, como na linguística, um conceito particular e essencial.