• No results found

6. Kapittel – 107.41: En perpetuum mobile

6.3 Varighet, begynnelse og slutt

No Brasil, a territorialização do capital e a oligopolização do espaço agrícola têm promovido profundos impactos socioespaciais, quer no campo quer nas cidades. Isto explica em parte a reestruturação do território e a organização de um novo sistema urbano, muito mais complexo, resultado

da difusão da agricultura científica e do agronegócio globalizados, que têm poder de impor especializações produtivas ao território.

É possível identificar várias áreas nas quais a urbanização se deve diretamente à consecução do agronegócio globalizado. Como é notório, a modernização e expansão destas atividades promovem o processo de urbanização e de crescimento das áreas urbanas, cujos vínculos principais se devem às inter-relações cada vez maiores entre campo e cidade. Estas se desenvolvem atreladas às atividades agrícolas e agroindustriais circundantes e dependem, em graus diversos, dessas atividades, cuja produção e consumo se dão de forma globalizada. Representam um papel fundamental para a expansão da urbanização e para o crescimento de cidades médias e locais, fortalecendo-as, seja em termos demográficos ou econômicos.

Os elementos estruturantes destas novas relações são encontrados na expansão das novas relações de trabalho agropecuário, promovendo o êxodo rural (migração ascendente) e a migração descendente (SANTOS, 1993) de profissionais especializados no agronegócio; na difusão do consumo produtivo agrícola (SANTOS, 1988; ELIAS, 2003a; 2003b). Ao mesmo tempo, dinamizam o terciário e, conseqüentemente, a economia urbana, e evidenciam que é na cidade que se realiza a regulação, a gestão e a normatização das transformações verificadas nos pontos luminosos do espaço agrícola.

A racionalização deste espaço imposta pela difusão do agronegócio deriva da formação de redes de produção agropecuária globalizadas que associam: empresas agropecuárias, fornecedores de insumos químicos e implementos mecânicos, laboratórios de pesquisa biotecnológica, prestadores de serviços, agroindústrias, empresas de distribuição comercial, empresas de pesquisa agropecuária, empresas de marketing, cadeias de supermercados, empresas de fast food etc.

Como resultado temos a intensificação da divisão do trabalho, das trocas intersetoriais, da especialização da produção e a produção de diferentes arranjos territoriais produtivos agrícolas, assim como a reestruturação das cidades nas suas adjacências, a mostrar o aprofundamento da territorialização do capital no campo e da monopolização do espaço agrícola.

Conforme defendemos, é possível identificar no Brasil agrícola moderno vários municípios cuja urbanização se deve diretamente à consecução e expansão do agronegócio, e formam-se cidades cuja função principal claramente se associa às demandas produtivas dos setores relacionados à modernização da agricultura. Como observado, nestas cidades se realiza a materialização das condições gerais de reprodução do capital do agronegócio.

Segundo SANTOS (1994), a adição de produtos químicos, a utilização da biotecnologia, o uso intensivo de máquinas agrícolas, entre outros, além de mudar a composição técnica e orgânica da terra, fizeram expandir no campo o meio técnico-científico-informacional, o que explica em parte a interiorização da urbanização, pois afora o fenômeno da fábrica moderna dispersa dá-se também o fenômeno da fazenda moderna dispersa (SANTOS, 1993).

Paralelamente à intensificação do capitalismo no campo com a difusão da agricultura científica e do agronegócio, processou-se um crescimento de áreas urbanizadas, porquanto, entre outras coisas, a gestão da agropecuária moderna necessita da sociabilidade e dos espaços urbanos. Tal fato colabora para o Brasil chegar ao século XXI com uma generalização do fenômeno da urbanização da sociedade e do território. Os antigos esquemas utilizados para classificar a sua rede urbana, as divisões regionais, as regiões metropolitanas, até hoje empregados pelos institutos oficiais de pesquisa do país, estão, em parte, já bastante ultrapassados. Requerem, portanto, urgente revisão, capaz de dar conta da complexidade e da dinâmica da realidade atual.

Ao lado da metropolização, principal característica da urbanização brasileira nas décadas de 1960 e 1970, SANTOS (1993) adverte para o fato de o Brasil ter passado por verdadeira revolução urbana, a partir da década de 1980, com a expansão do fenômeno da involução metropolitana, quando crescem também as cidades médias e locais. Daí concordarmos com sua afirmação de ser impossível continuar simplesmente dividindo o Brasil entre urbano e rural. Para ele, uma divisão entre um Brasil urbano com áreas agrícolas e um Brasil agrícola com áreas urbanas refletiria melhor a realidade contemporânea do país.

Uma das conseqüências da reestruturação produtiva da agropecuária no Brasil é o processo acelerado de urbanização e crescimento urbano, promovidos, entre outros, pelas novas relações entre o campo e a cidade, desencadeadas pelas novas necessidades do consumo produtivo agrícola, o qual cresce mais rapidamente do que o consumo consumptivo. Isto denota o que Santos (1988; 1994; 1996; 2000) chamou de cidade do campo, conceito que utilizamos por cerca de uma década (ELIAS, 1996; 1997; 2003a; 2003b; 2005a; 2005c), embora atualmente prefiramos substituí-lo pelo de cidade do agronegócio (ELIAS; PEQUENO, 2005d).

Sem dúvida, o impacto de todas essas transformações técnicas, econômicas e sociais na dinâmica populacional e na estrutura demográfica é intenso. Concomitantemente a uma verdadeira revolução tecnológica da produção agropecuária e agroindustrial, às transformações nas relações de trabalho, ocorreu uma revolução demográfica e urbana, marcada por grande crescimento populacional, particularmente urbano. Dessa forma, o Brasil tem apresentado acelerado processo de urbanização e notável crescimento urbano.

Como observado, uma das características do processo de modernização das atividades agropecuárias no Brasil é o desenvolvimento de uma gama muito extensa de novas relações entre o campo e as cidades. Isto se deve à crescente integração dessas atividades ao circuito da economia urbana.

Tal situação se dá tanto pelo fato de seus produtos serem cada vez mais entregues aos mercados urbanos para serem processados e consumidos, como, principalmente, porque o agronegócio tem o poder de impor especializações territoriais cada vez mais profundas. As demandas das produções agrícolas e agroindustriais intensivas têm o poder de adaptar as cidades próximas às suas principais demandas, convertendo-as no seu laboratório, em virtude de fornecerem a grande maioria dos aportes técnicos, financeiros, jurídicos, de mão-de-obra e de todos os demais produtos e serviços necessários à sua realização. Quanto mais modernas se tornam essas atividades, mais urbana se torna a sua regulação.

A cada renovação das forças produtivas agrícolas e agroindustriais, a cada renovação dos sistemas técnicos agrícolas e dos sistemas de ação que

lhes dão suporte, as cidades das áreas adjacentes aos espaços agrícolas de produção intensiva tornam-se responsáveis pelas demandas crescentes de uma série de novos produtos e serviços, das sementes transgênicas à mão- de-obra especializada. Isto faz crescer a urbanização, o tamanho e o número das cidades do agronegócio.

As casas de comércio de implementos agrícolas, sementes, grãos, fertilizantes; os escritórios de marketing, de consultoria contábil; os centros de pesquisa biotecnológica; as empresas de assistência técnica, de transportes; os serviços do especialista em engenharia genética, veterinária, administração, meteorologia, agronomia, economia, administração pública, entre tantas outras coisas, difundem-se por todas as partes do Brasil agrícola moderno.

Com isso, a reestruturação da agropecuária não apenas ampliou e reorganizou a produção material, agrícola e industrial, como foi determinante para a expansão quantitativa e qualitativa da produção não-material, aumentando a terciarização das economias próximas às áreas de realização do agronegócio, especialmente os ramos associados ao circuito superior da economia.

O resultado é uma grande metamorfose e crescimento da economia urbana das cidades próximas das produções agropecuárias modernas, paralelamente ao desenvolvimento de um novo patamar das relações entre campo e cidade, vislumbrável nos diferentes circuitos espaciais de produção e círculos de cooperação estabelecidos entre esses dois espaços. O crescimento da produção não-material deve-se ainda ao crescimento populacional e à revolução do consumo, esta última erigida sob os auspícios do consumo de massa, que impõe numerosas necessidades aparentemente naturais associadas à existência individual e das famílias.

Nas condições brasileiras, existem vários exemplos segundo os quais os lugares que mais rapidamente respondem aos apelos de uma produção científica estão entre os que mais fizeram surgir inúmeras atividades não classificáveis entre as mais tradicionais atividades econômicas, particularmente do terciário. Nessas áreas, para melhor entender a urbanização, temos de nos preocupar com a existência das novas atividades comerciais e de serviços,

nem sempre disponíveis em forma de estatísticas, mas fundamentais para o reconhecimento da realidade contemporânea.

Os anos 1970 foram de radicais transformações para inúmeras atividades terciárias, com a instalação de muitos novos fixos e, conseqüentemente, a constituição de muitos novos fluxos, de matéria e de informação, seja intra-urbanos, interurbanos ou entre campo e cidade. A intensificação e a especialização da produção aumentam as trocas, da mesma forma que as possibilidades de fluxos. Isto promove maior integração do território nacional. Com a fluidez possível graças à construção dos modernos sistemas de engenharia dos transportes e das comunicações, intensificam-se as trocas de toda natureza, com grandes impactos na vida social e no território, reformulando o sistema urbano antigo. A expansão dos complexos agroindustriais não apenas repercutiu na estrutura técnica das suas respectivas atividades econômicas como causou profundos impactos nas relações de trabalho, transformando o conjunto de normas e padrões que regulavam tais relações. Como resultado ocorre uma nova divisão social e territorial do trabalho, com grandes impactos na estrutura demográfica e do emprego, que culminam com acelerado processo de urbanização.

O aprofundamento da divisão social e territorial do trabalho agrícola, possível a partir das condições de instantaneidade e de simultaneidade (SANTOS, 1996; 2000) verificadas com a revolução tecnológica, induziu à transformação das relações entre as cidades do agronegócio, e aumentou as diferenças entre elas, as quais se tornam cada vez mais distintas umas das outras, a despeito de existirem inúmeras características similares decorrentes do processo uníssono que as rege.

Em virtude de se organizarem para atender às demandas das atividades econômicas, o resultado é uma total remodelação do território, seguida da organização de um novo sistema urbano, hoje muito mais complexo do que há trinta anos, com uma veloz e incessante substituição do meio natural e do meio técnico pelo meio técnico-científico-informacional. Cada vez que o território brasileiro é reelaborado para atender à produção dos complexos agroindustriais, novos fixos artificiais se sobrepõem à natureza, e, desse

modo, amplia-se a complexidade dos seus sistemas técnicos. Diante disto, o território torna-se cada vez mais rígido, mais rugoso, promovendo uma urbanização corporativa (SANTOS, 1993; ELIAS, 1996; 2003a; 2003b), ou seja, empreendida sob o comando dos interesses das grandes holdings. Dessa forma o conhecimento do processo de expansão do meio técnico-científico- informacional no campo parece ser, a partir da análise do fenômeno espacial, uma das vias de reconhecimento da sociedade e do território brasileiros atuais.

Nas áreas mais modernas do Brasil agrícola (SANTOS, 1993), é intenso o desenvolvimento de áreas urbanas cujos nexos essenciais se devem às inter-relações cada vez maiores criadas no contexto da globalização da produção de produtos agrícolas e agroindustriais. A modernização da atividade agrícola e agroindustrial, em especial, redefine o consumo do campo, que deixou de ser apenas consumptivo para se tornar cada vez mais produtivo, e criou demandas até então inexistentes.

As cidades do agronegócio no Brasil agrícola moderno têm-se desenvolvido atreladas às atividades agrícolas e agroindustriais circundantes e dependem, em graus diversos, dessas atividades, cuja produção e consumo se dão, em grande parte, de forma globalizada. No período técnico-científico- informacional as cidades se multiplicaram no país e passaram a desempenhar muitas novas funções, transformando-se em lugares de todas as formas de cooperação erigidas pela produção agrícola e industrial associadas aos complexos agroindustriais.

Contudo, não é apenas a cidade que tem força para receber e emitir numerosos e variados fluxos. Hoje, muitas das atividades realizadas no campo são não necessariamente agrícolas, mas industriais, visto que uma parte considerável das agroindústrias localiza-se no campo, junto à produção de suas matérias-primas. Essas agroindústrias têm o poder de criar muitas novas relações, próximas e distantes, cujos circuitos espaciais da produção e círculos de cooperação (SANTOS, 1986a; 1988) buscam nexos distantes. Conseqüentemente, criam uma gama de novas relações sobre o território, transformam radicalmente as tradicionais relações campo-cidade e fazem com que esses dois espaços passem a emitir e a receber larga quantidade de fluxos de matéria e de informação. O resultado é uma total reorganização do

território brasileiro, urbano e agrícola, onde se destaca a expansão do meio técnico-científico-informacional não só nas cidades, mas também no campo.

Tudo isso fez da urbanização um fenômeno bastante complexo, dada a multiplicidade de variáveis que nela passam a interferir, como, por exemplo, a modernização agropecuária associada ao setor industrial, com a conseqüente especialização dessas produções; o crescimento da produção não-material, seja associada ao consumo produtivo agrícola ou ao consumo consumptivo; o aumento da quantidade e da qualidade de trabalho intelectual; o intenso processo de êxodo rural; a existência do agrícola não-rural; a migração descendente etc. É inviável, assim, considerar apenas as antigas relações campo-cidade, pois até mesmo o urbano é diferente do que era trinta anos atrás. Quanto mais se aprofunda a divisão do trabalho agrícola, mais intenso e complexo se torna o processo de urbanização.

No período técnico-científico-informacional, as cidades do agronegócio se multiplicam no país e passam a desempenhar muitas novas funções. Transformam-se, então, em lugares de todas as formas de cooperação erigidas pelo agronegócio globalizado, e resultam em muitas novas territorialidades. Se a cidade é a materialização das condições gerais de reprodução do capital (CARLOS, 2004), a cidade do agronegócio é aquela cujas funções de atendimento às demandas do agronegócio globalizado são hegemônicas sobre as demais funções.

Em todas as áreas de expansão da agricultura científica e do agronegócio globalizado, é visível o crescimento da urbanização e de aglomerados urbanos, assim como a criação de novos municípios. Comumente, algumas cidades que poderiam ser classificadas como cidades locais ou mesmo médias têm forte ligação com alguma produção agrícola e/ou agroindustrial, compondo exemplos de desenvolvimento urbano associado ao consumo produtivo agrícola. As características do crescimento dessas cidades são visivelmente associadas à demanda da produção agrícola e agroindustrial modernas. Nestas, é nítida a dependência da economia de alguma importante produção agrícola e/ou de sua transformação industrial.

Diferentemente do consumo consumptivo, que cria demandas heterogêneas segundo os estratos de renda, o consumo produtivo agrícola gera

demandas heterogêneas segundo as necessidades de cada produto (agrícola ou agroindustrial), assim como durante as diferentes etapas do processo produtivo, diferenciando os equipamentos mercantis. Dessa forma, para compreender a economia urbana das cidades do agronegócio, é importante observar as funções exercidas por cada uma durante as diferentes etapas do processo produtivo, como, por exemplo, na safra e na entressafra.

É no período de safra das principais culturas de cada área que podemos distinguir com maior nitidez a especialização da cidade. Este é o momento mais dinâmico nas várias áreas do Brasil agrícola com áreas urbanas, afetando todos os setores econômicos. Um exemplo marcante é o próprio funcionamento por vinte e quatro horas de muitas das agroindústrias em manutenção durante a entressafra. É também neste período que aumenta o número de empregos agrícolas temporários, especialmente para a colheita. Mas o essencial é destacar que aumentam exponencialmente o consumo produtivo agrícola, assim como o consumptivo, o qual gera inúmeros fluxos, materiais e de informação, de diferentes complexidades.

Ressaltamos, ainda, que quanto mais dinâmica a reestruturação produtiva da agropecuária, quanto mais complexa a formação das redes de produção agropecuária, quanto mais globalizados os seus circuitos espaciais produtivos e os seus círculos de cooperação, mais complexas se tornam as relações campo-cidade.

Como as demandas para a produção de soja apresentam diferenças em relação às demandas para a produção de laranja, de cana, de café, da produção de aves etc., o aprofundamento da divisão social e territorial do trabalho agrícola induz à transformação das relações entre as próprias cidades do agronegócio, aumentando as diferenças entre elas. Há grandes distinções entre as cidades do agronegócio no referente aos seus elementos componentes, aos diferentes graus e complexidades do terciário, da infra-estrutura urbana, entre outros. Isto permite se falar na existência de uma rede de cidades do agronegócio, mais presente na Região Concentrada, sendo os grandes destaques as cidades médias, as quais já estariam em estágio mais avançado de urbanização da sociedade e do território.

As cidades do agronegócio no Brasil têm-se desenvolvido atreladas às atividades agrícolas e agroindustriais circundantes e dependem, em graus diversos, dessas atividades, cuja produção e consumo se dão, em grande parte, de forma globalizada. Rio Verde (GO), Sorriso, Primavera do Leste e Rondonópolis (MT) e Sertãozinho, Matão e Bebedouro (SP) são exemplos evidentes de cidades do agronegócio.

Tal realidade já é também presente nos novos arranjos territoriais produtivos agrícolas nordestinos, seja associada à expansão da fruticultura nos vales úmidos, como Petrolina (PE) e Limoeiro do Norte (CE), ou à expansão da soja nos cerrados, como acontece em Balsas (MA), Uruçuí (PI), Barreiras (BA) e Luís Eduardo Magalhães (BA), desestruturando a formação socioespacial anterior e trazendo novas dinâmicas territoriais, políticas, sociais e culturais ao entorno.

Se algumas cidades se adaptam ao agronegócio, acreditamos que Luís Eduardo Magalhães nasce do agronegócio. Localizada no oeste da Bahia, já é resultado de desmembramento ocorrido no ano de 2000 do município de Barreiras, até então principal centro urbano dos cerrados nordestinos, o primeiro a despontar como tendo sua economia atrelada ao agronegócio da soja neste bioma, como já apontava Santos Filho (1989), na década de 1980. Luís Eduardo Magalhães é resultado da luta política desencadeada pelos migrantes descendentes (especialmente gaúchos), que se associam ao sistema agroindustrial da soja e buscam consolidar o próprio território, independente de outras forças conservadoras locais. Na nossa opinião, este é um dos últimos municípios criados como resultado das novas formas de uso do território brasileiro inerente à expansão da agricultura científica globalizada, cuja economia se sustenta no agronegócio.

Antigo distrito de Barreiras, a cerca de 1.000 quilômetros de Salvador, Luís Eduardo Magalhães origina-se de antigas fazendas e cresce a partir de um posto de gasolina (posto Mimoso do Oeste), localizado às margens da BR-242. No início da década de 1980, surgem os dois primeiros loteamentos (Mimoso do Oeste e Cruz) e, menos de uma década depois, instalam-se as plantas da Bunge (esmagadora e fertilizantes). A Bunge Alimentos instalada em Luís Eduardo Magalhães está entre as maiores

refinadoras de óleo de soja da América Latina. Com estas, o distrito começa a crescer em ritmo acelerado, e culmina com sua emancipação.

Contudo, o grande dinamismo da economia urbana pode ser evidenciado com o setor financeiro. Em meados de 200423, existiam cinco bancos e somente outras 21 cidades baianas possuíam igual número. O setor imobiliário também mostra a pujança da cidade que, em muitos casos, parece mais um canteiro de obras, dado o número de construções em andamento, os fluxos de caminhões descarregando materiais de construção etc. O comércio deste tipo de material é um dos que mais crescem na cidade, e já somava cerca de vinte estabelecimentos por ocasião do trabalho de campo.

Os períodos de boa safra de soja são os de maior dinamismo também neste tipo de comércio, como foi o caso do ano de 2004, quando algumas obras chegaram a parar por dificuldade de entrega de materiais de construção, provenientes de outros municípios na sua grande maioria. A cidade já apresenta, também, demanda para a construção verticalizada e condomínios fechados. Como em quase todo o restante da economia da região, a soja também é a moeda predominante, sendo os preços fixados em sacas de soja e os grandes pagamentos programados para os períodos de safra.24 Nesta cidade, o comércio varejista e atacadista mostra-se em ascensão e, em alguns setores, rapidamente vem assumindo papel local e regional,