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4.2 Utført innhold

4.2.1 Varierte løsninger i Scratch-prosjektet:

A monocultura da paisagem é a expressão que se intensifica com Revolução Verde com todos os pacotes tecnológicos difundidos intencionalmente por um mercado global de insumos agrícolas e sementes. Contudo, o mercado global não garantiu a distribuição de alimentos e a segurança alimentar, apesar da grande produtividade no país, o que revela que esse modelo agroindustrial possui muitas falhas. Desse modo, são muitos os impactos negativos que ocorrem no meio natural e social devido à utilização indiscriminada dos recursos naturais, na tentativa de promover a maximização dos lucros (LEFF, 2002). Conforme Saldanha & Antongiovanni & Scarim (2009), o avanço do padrão agrícola monocultor compromete a segurança alimentar, ameaça a biodiversidade e compromete as heranças culturais da agricultura familiar.

Desta maneira, novos meios de vidas são gerados e reproduzidos no campo e são revelados na paisagem, a partir da monoculturalização dos alimentos e das mentes. Para Vandana Shiva (2003) a ‗monocultura da mente‘, ocorre quando o pensamento segue a tendência única, de um sistema hegemônico de saber ocidental moderno, que é uniforme, em que se legitima a riqueza comercial em detrimento da diversidade sociocultural e natural. Assim, essa ideologia dominante de saber orienta políticas, técnicas e modelos agrícolas que, além de destruir a diversidade de espécies e de

saberes locais, exclui as condições para a existência de alternativas. Portanto, a monocultura da mente leva à monocultura do solo e das culturas.

Desse modo, modelos produtivos alternativos têm sido enfatizados por várias tendências no campo científico. Algumas correntes teóricas concebem a Agroecologia como um novo paradigma, em que a busca pela sustentabilidade ambiental, a relação homem-natureza, e a compreensão sociocultural são princípios básicos fundamentais. Nesse sentido, Brandenburg (2002, p. 15) aponta que:

A identificação da Agroecologia, como outro paradigma de produção não constitui, portanto, apenas um modelo diferente, mais próximo das condições naturais, mas expressa uma forma de relação homem-natureza mediada por uma representação que não exclui a natureza do homem. Natureza e homem permanecem ligados por elementos comuns, à medida que nele se expressa subjetividade e racionalidade. Desta forma a natureza é racionalmente cultivada e preservada, passa a ser vista não como instrumento, como recurso, mas como elemento de preservação e de recriação da vida.

Para Leff (2002), a partir das experiências produtivas da agricultura ecológica, a substituição do modelo hegemônico agroindustrial por uma agricultura socialmente justa, economicamente viável e ecologicamente sustentável é marcada pelos princípios de igualdade entre o conhecimento cientifico e os saberes locais originados pelos agricultores. Para o autor, a agroecologia configura-se como um novo campo de saberes práticos para uma agricultura mais sustentável e, nesse sentido, a sociedade é uma grande beneficiada quando se orienta pela busca de um equilíbrio ecológico, e consequentemente da segurança alimentar.

Altieri (2004) destaca que além de restaurar a saúde ecológica (a vegetação, os animais, os solos, e ainda a biodiversidade agrícola), a Agroecologia busca a sustentabilidade por meio da preservação da diversidade cultural. Desse modo, com o estudo da etnociência amplia-se o conhecimento local e as práticas agrícolas. Esta abordagem ―(...) integra os princípios44

agronômicos, ecológicos e socioeconômicos à

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Conforme Altieri (2004, p.66), os princípios básicos de um agroecossistema sustentável são a conservação dos recursos renováveis, a adaptação dos cultivos ao ambiente e a manutenção de um nível moderado, porém sustentável, de produtividade. Para enfatizar a sustentabilidade ecológica de longo prazo, e não a produtividade no curto prazo, o sistema de produção deve (Altieri, 1987):

a) Reduzir o uso de energia e recursos e regular a entrada total de energia de modo que a relação entre saídas e entradas (output/input) seja alta;

b) reduzir as perdas de nutrientes detendo a lixiviação, o escorrimento e a erosão, de forma melhorar a reciclagem de nutrientes com o uso de leguminosas, adubação orgânica e composto, e outros mecanismos eficientes de reciclagem;

c) incentivar a produção local de cultivos adaptados ao meio natural e socioeconômico;

d) sustentar um excedente líquido desejável, para preservação dos recursos naturais, isto é, minimizar a degradação do solo;

e) reduzir custos e aumentar a eficiência e a viabilidade econômica das pequenas e médias unidades de produção agrícola, para promover, assim, um sistema agrícola potencialmente resiliente.

compreensão e avaliação do efeito das tecnologias sobre os sistemas agrícolas e a sociedade como um todo (...) incluindo dimensões ecológicas, sociais e culturais‖ (ALTIERI, 2004, p.23). Além disso, o autor enfoca o caráter multidisciplinar da Agroecologia:

(...) uma ciência ou disciplina científica, ou seja, um campo de conhecimento de caráter multidisciplinar que apresenta uma série de princípios, conceitos e metodologias que nos permitem estudar, analisar, dirigir, desenhar e avaliar agroecossistemas (...). São nestas unidades geográficas e socioculturais que ocorrem os ciclos minerais, as transformações energéticas, os processos biológicos e as relações sócio-econômicas, constituindo o lócus onde se pode buscar uma análise sistêmica e holística do conjunto destas relações e transformações (ALTIERI, 1989, p. 54).

Caporal (2004) compreende a agroecologia, especificamente, com o enfoque científico sistêmico e interdisciplinar e tem como finalidade metodologias e conceitos científicos para a transição do atual modelo agrícola convencional para uma agricultura sustentável com tecnologias de base agroecológica, de modo que, o conhecimento local seja integrado ao conhecimento cientifico. Para este autor, esse processo de transição agroecológica ocorre por meio da intervenção para promover o desenvolvimento rural sustentável e gerar padrões de produção e consumo sustentáveis. Contudo, esse autor afirma que esse processo é social e, por isso, implica em mudanças de atitudes dos atores sociais em relação aos manejos, mas também perpassa dimensões econômicas, ambientais, culturais, políticas, éticas e de sustentabilidade.

Para Wezel et. al (2009) não há um consenso para explicar o significado da agroecologia na tradição científica, já que cada país evoluiu de forma a privilegiar aspectos específicos do enfoque agroecológico, embora todos explorem o debate em torno da prática, da ciência e do movimento. Conforme Wezel et. al (2009), a evolução das abordagens agroecológicas no campo da escala, no agroecossistema de escala, ou na escala espacial e no sistema alimentar, contribuiu para reforçar a agroecologia como disciplina científica, o que ajuda a pensar na abordagem interdisciplinar e a responder aos desafios da agricultura. Além disso, essa abordagem influenciou na existência de movimentos sociais e ambientais, na evolução destas tradições científicas aplicada aos

Do ponto de vista de manejo, os componentes básicos de um agroecossistema incluem:

a) cobertura vegetal como meio eficaz de conservar o solo e a água: pode ser obtida por meio de práticas de cultivo que não movam o solo, uso de cobertura morta, cultivos de cobertura viva, etc.;

b) suprimento regular de matéria orgânica: obtido com a incorporação regular de matéria orgânica (esterco, composto) e promoção da atividade biológica do solo;

c) mecanismos eficazes de reciclagem dos nutrientes que incluem: rotações de culturas, sistemas mistos de cultivos/criação, agroflorestamento e sistemas de consorciação baseados em leguminosas;

d) regulação de pragas: as práticas de manipulação da biodiversidade e a introdução e/ou conservação dos inimigos naturais fornecem os agentes biológicos necessários para o controle das pragas.

agroecossistemas sustentáveis e nos novos tipos de práticas ou movimentos em diferentes países.

Sevilla Guzmán (2002) trata da epistemologia da Agroecologia, enquanto ciência. Contudo, o autor ressalta que a Agroecologia também possui um caráter sociológico, já que ela se apoia na ação coletiva de setores da sociedade que se relacionam com manejos de recursos naturais. O autor sistematiza o enfoque agroecológico nas perspectivas produtivas, do desenvolvimento e dos movimentos sociais.

Portanto, nesse trabalho partilhamos de todas essas dimensões da Agroecologia, enquanto ciência, prática, movimento, mas, sobretudo como produto da ação social coletiva, que pode ser construída pelas EFAs a partir da conjugação entre escola, família, estudantes e parceiros, que buscam a inserção da Agroecologia na configuração dos meios de vida dos agricultores, o que evidencia o caráter sociológico da Agroecologia.