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Variations in the individual perceptions of viticulturists: is the management paradigm a

VI. Results step 2: definition and integration of ES in the WCCB partner’s vineyards

VI.5 Variations in the individual perceptions of viticulturists: is the management paradigm a

O professor André nasceu e reside na cidade de Guarulhos/SP, é solteiro, 31 anos, auto declara-se branco. Filho de uma família com duas irmãs, sendo uma do primeiro casamento da mãe, e dois irmãos; todos/as casados/as. Os dois mais velhos (um irmão e uma irmã) do segundo casamento de sua mãe; cada um tem um casal de filhos.

O professor reside com os pais e dois sobrinhos pré-adolescentes.

Da sua infância não tem boas lembranças. Seu pai, filho de uma família numerosa do interior de São Paulo, foi quem assumiu o sustento da família e

[...] por meu pai ser extremamente responsável e sustentar uma família muito grande, isso causa stress e acabou desgastando de forma demasiada as relações que nós tínhamos dentro de casa. [...] Ele conciliou um trabalho na PM (Polícia Militar), um trabalho como empresário e, ele sempre teve negócio, e a faculdade. Ele se dividia em quatro. Imagina como ele era estressado, não tinha muita paciência com a gente para educar [...].

A escolarização de seu pai é Superior Incompleto, na área de Matemática, sua mãe cursou o Ensino Fundamental I (antiga quarta-série primária). Seus irmãos e irmãs também estudaram. A primeira filha de sua mãe tem Superior Incompleto (Matemática), outra sua irmã é Tecnóloga, o seu irmão cursou o Ensino Médio Técnico, e o irmão caçula é pós- graduado em Marketing, cursou Administração de Empresas.

Recorda-se que, na sua infância, não possuía muitos brinquedos e usava a imaginação na construção destes, com restos de madeira, pregos etc. Brincava também de luta e futebol. Era muito criativo, fazia muitas traquinagens e por isso apanhou muito, ora por merecer, ora “por excesso das outras pessoas”. E revela: “Eu cresci um pouco revoltado”. Sempre gostou de esportes: “correr, [...] sempre mais rápido na escola”, vôlei, basquete, cursou artes marciais, natação, e diversas atividades físicas, que faz até hoje “sempre fui atleta, desde pequeno”.

Sua trajetória escolar foi entre escolas privadas e públicas. A Pré-escola, o Ensino Médio, o pré-vestibular e a Faculdade de Psicologia cursou em instituições particulares.

Aos 21 anos, “trancou” a faculdade de Psicologia, pois se sentia incomodado de depender de seu pai para pagar seus estudos. Prestou dois concursos públicos ao mesmo

tempo: Guarda Civil Metropolitana (GCM) e Agente de Desenvolvimento Infantil (ADI), deste último, diz “na verdade seria bico”. É aprovado nos dois e chamado primeiro para a GCM, trabalhando por um período de nove meses e durante esse período retorna para a faculdade de Psicologia. Trabalhava à noite e estudava de dia (...) “estava estressado”; um colega da GCM sugeriu que ele visse o emprego de ADI.

Na Secretaria de Educação, informou que cursava faculdade durante o dia, e lhe ofereceram, devido à necessidade na época da Secretaria de Assistência Social (SAS)/Guarulhos, trabalhar como Educador Social, no período noturno. O professor aceitou e revela que foi uma experiência marcante em sua vida.

O salário era mais baixo que o de GCM. Com o de GCM eu pagava a faculdade e sobrava um tanto ainda. [...] ADI, Educador Social não... Faltava sempre um pouco e meu pai interava. [...] Trabalhava 12 por 36 e com direito a duas folgas extras durante o mês. Fiquei uns 04 anos, eu adorava, apesar do salário. É fogo, paixão [...], porque eu trabalhava com populações carentes. Casa Abrigo. Eu adoro trabalhar com pessoas e trabalhar com menor carente e, principalmente, adolescente, que eu gostava mais. Eu percebo, eu percebia que eu me via muito neles, pela minha história de vida. Muitas coisas que eles falavam da realidade de vida deles, eu me via neles, e por gostar de lidar com pessoas, gostar de pessoas, tive vínculo muito estreito com eles e tinha facilidade de criar empatia. E tive sorte de trabalhar com pessoas muito boas, tanto em questão de caráter, como também dedicação à profissão. [...] Eu tenho contato com muitos até hoje, que ligam em casa, que já são maiores de idade [...].

Relata que a população atendida era de zero a 17 anos de idade, e conta qual era o trabalho que desenvolvia

Não existia um espaço específico, era a Casa, era tudo. Eu era o cara que tinha que rondar de madrugada várias vezes para trocar fralda de criança abandonada de 01 semana de vida; [...] tive que aprender a preparar alimentação para criança pequena, pois não existia cozinheira de madrugada; tive que ser o responsável por ministrar medicamentos; além de cuidados com o rendimento escolar das crianças, [...] eu e meus colegas nos dedicávamos a ajudar no reforço escolar. Eu procurei [...] emprego para os mais velhos que estavam para sair da Casa. [...] Nós fazíamos [...], dava certo, porque existia compromisso da gente e empatia por parte dos adolescentes.

E acrescenta,

[...] eu valorizo muito a disciplina e um dos valores que era compartilhado por todos os funcionários de forma tácita, não formal, é que a disciplina é uma coisa muito importante, não só para a educação formal como também informal.

Para o professor André, a disciplina, os esportes, a sua postura firme diante de situações vivenciadas são de fundamental importância na sua vida. Nesse sentido, Louro (2003, p.75) afirma “não se pode negar que ser o melhor, no esporte, pode representar especialmente para um menino ou jovem, um valorizado símbolo de masculinidade”.

Concomitante ao seu trabalho na SAS fez estágio em uma empresa por um ano, quando cursava a Faculdade de Psicologia. Depois de formado é convidado a trabalhar, como

free lancer, na função de Consultor Externo, em que era responsável por Treinamento e Desenvolvimento de Pessoas e permanece por um ano.

Devido a mudanças na concepção e direção dos trabalhos na SAS, solicita retornar para a Secretaria Municipal de Educação (SME). Na SME, soube através de um colega do concurso interno para Apoio Administrativo. Aprovado no concurso, uma vez que não tinha interesse em trabalhar como ADI, assume e permanece “de novo nove meses, igual na GCM”, na função de Apoio Administrativo, em uma escola da rede municipal, que considera como um período de aprendizado sobre o funcionamento do sistema educacional da rede.

Nesse período, recebe convite para atuar numa das Unidades de Abrigamento da SAS, como Chefe de Seção Técnica, mas, segundo o professor, “foi uma decepção total, fiquei apenas 06 meses, um pouco mais. Foi totalmente frustrante, porque os valores e princípios que eles primavam não eram os mesmos dos meus”, ficou estressado e chegou a perder 6 kg.

Retorna novamente para a SME, mas agora na função de ADI, pois havia perdido a designação para Apoio Administrativo e segundo o professor André: “[...] caí de paraquedas na função (risos) e eu retornei. Eu perdi a designação e fui forçado, vou usar este termo porque realmente é o correto, a retornar como ADI propriamente dito”.

6.2.1 A docência na Educação Infantil

Sua primeira experiência na docência foi com uma classe de Maternal, em que ficou durante 03 meses, sozinho (duas professoras saíram de licença gestante). Relata que foi “frustrante”, pois não teve apoio da equipe escolar como um todo, além do clima organizacional da escola que era “muito ruim”. E que, também, ainda com relação a essa primeira experiência, foi “assustador, porque eu pensei que fosse trabalhar com alguém”.

Embora não seja pedagogo, como afirma, mas pelo fato de ter feito Psicologia e ter estagiado, isso o ajudou no seu trabalho devido a sua falta de experiência na função de ADI. Já para as crianças,

Foi uma mudança muito abrupta e as crianças estranharam muito por ver um homem. Agora eu estou meio com corpo de lagartixa, mas na época eu era muito forte; eu era grande e a minha namorada brincava, eu parecia Um tira no jardim da infância (risos). Eu já tinha sido GCM, eu era grande (risos), e cuidando de criança, parecia Professor de Educação Física de academia, e não professor de maternal. As mães também estranharam muito, ficaram muito preocupadas porque eu era um homem, e as crianças também, mas é interessante que a adaptação das crianças comigo foi muito rápido. Eu não sabia absolutamente nada, o que eu sabia, o que eu sei muito bem é lidar com educação e treinamento de adultos, de empresas e de organizações e o que seja, mas não de crianças (grifo nosso).

Com relação ao filme - Um tira no Jardim de Infância, de 1990, citado pelo professor, Sayão (2005) argumenta que a representação de “um homem de verdade”, numa profissão “feminina” é visto como uma “anomalia”. Essa concepção é expressa pela indústria cultural de maneira estereotipada, no qual o musculoso Arnold Schwarzenegger, antes um competente detetive, por motivos alheios à sua vontade, se vê forçado a trabalhar com crianças de cinco anos e é completamente dominado por elas. Numa clara alusão de que Schwarzenegger é completamente incapaz de ser professor, devido aos seus músculos, que fazem dele um “homem de verdade” e, consequentemente, incompatível com sua adesão a uma profissão feminina. Sendo, portanto, inevitável os questionamentos: por que um homem saudável e inteligente trabalharia por vontade própria numa “ocupação feminina?”

Ainda sobre essa primeira experiência no Maternal, o professor André diz que o tema que estava sendo trabalhado na escola era biologia, fauna, flora e que sempre gostou desses temas. Elaborou estratégias a partir de sua experiência de Treinamento em Recursos Humanos nas empresas, e foi adaptando à Pedagogia, e revela “[...] vou ser sincero para você, foi muito difícil, porque eu me vi sozinho”.

Com relação às crianças, na sua maioria meninos, e muito agitados, disse aproveitar dessa característica deles para “que eles pudessem aprender, deu certo, não sei o fato de eu ter sido atleta, acabei explorando meus conhecimentos, não marciais, mas de esportes para poder trabalhar a disciplina deles, eles não tinham disciplina” (grifo nosso).

Quanto aos pais relata que eles ficaram preocupados,

[...] mas é aquela coisa, você tem que desconstruir o conceito, o pré-conceito que eles elaboram a seu respeito. Você nunca deve reforçar aquilo, aquele conceito de você. A primeira coisa que você faz é ser receptivo, trazer, estabelecer uma comunicação extremamente estreita com os pais, porque eles são os seus verdadeiros parceiros. E estabelecer uma relação de confiança, um canal de comunicação assim franco, mas de forma assertiva nunca agressiva; apesar de você poder ouvir um ou outro comentário, uma colocação um pouco mais agressiva da parte deles, você desconstrói isso acolhendo, e eu comecei a usar isso e as mães começaram a ter um vínculo muito próximo comigo.

Na relação com os pais (homens) ressalta,

Até hoje tem pai onde eu trabalho que vem, aperta a mão, abraça assim, tudo bem André? Te vê como parceiro mesmo, não como um cara que está cuidando da minha menininha, entendeu? Porque infelizmente tem isso, não sei, mas em nossa sociedade o abusador, o cara é um homem, mas, às vezes, é uma mulher, entendeu?

Essa postura dialógica que assume, da mesma forma ressaltada pelo professor Gilberto (6.5), favorece a relação com os pais e mães e, inclusive, dirime fantasias e preconceitos, entretanto, essa não parece ser uma prática corrente nas relações entre os profissionais das equipes escolares na escola.

Depois dessa experiência, licenciou-se por um ano devido a problemas de saúde de sua mãe. Nesse período, fez curso preparatório e treinou, pois havia provas físicas no concurso para a Polícia Federal, e conclui “[...] eu nunca pensei que Direito fosse tão fascinante. [...] eu gosto de aprender”. Não é aprovado no concurso e retorna, no final do ano de 2009, para outra escola “com Berçário II, com duas excelentes profissionais” (grifo nosso).

Com relação a essa outra experiência, também com BII, relata que é diferente quando se trabalha com “pessoas com experiência, formação, know how, sem falar que eram pessoas fantásticas”, e com valores; além de que o clima da escola era muito bom, “[...] uma equipe de verdade e isso eu encontrei lá, sobrava isso. [...] A Diretora formidável, a Coordenação também”.

Segundo o professor André, nunca havia tido professor homem naquela escola,

[...] sempre tem tietagem quando chega um homem na escola, é impressionante, eu não sei como pode e lá não foi diferente. Ah, vem homem, vem homem, como ele é? É impressionante, me assusta, literalmente falando [...]. A recepção foi boa, mas quando eu cheguei já tinham o meu dossiê pronto (risos). Foi muito boa a recepção, só que o trabalho não foi muito diferente, é diferente, mas não tão diferente da realidade que eu enfrentei no Abrigo, como Educador Social; foi até mais fácil.

Com relação a preconceito quanto aos cuidados com as crianças diz que não há problema nenhum, “quando você mostra o seu trabalho, você cria confiança, acabou, você quebra, desconstrói preconceito”, e que não aceita diferenciação na realização do seu trabalho.

Comigo não funciona assim, se eu tenho a mesma função que a sua porque que vou fazer coisas diferentes de você? Não existe uma forma tácita, para eu dizer que não houve absolutamente nada. No início eu procuro sempre deixar claro o que estou fazendo e porque estou fazendo, por exemplo: uso de banheiro, jamais fecho a porta, aliás, é praxe no local onde eu trabalho, para não criar uma situação que possa alimentar fantasias. Faço as coisas extremamente claras, mas apesar de tudo minha equipe confia muito em mim e eu confio muito neles, existe uma sinergia muito boa no trabalho.

Sua opinião sobre a faixa etária que trabalha, considera como a principal na educação, pois é o início da formação do “cidadão verdadeiramente”, e é onde se ensina a criança a aprender. “[...] nunca se ensinou no Brasil, [...] a gente não ensina a criança a aprender, não ensina a crescer, a se desenvolver e evoluir. Nós ensinamos a se adequar, a vomitar conceitos, a se comportar e como sobreviver nessa nossa sociedade”.

Pensa que a profissão deveria ser extremamente valorizada, não só salário, mas também motivação e formação, e faz uma crítica às formações oferecidas pela Rede, pois acha que deveria haver maior investimento na formação dos profissionais que realizam estas formações.

Pontua a contradição do sistema educacional, posto que investem maciçamente no Ensino Superior e “[...] não porque o governo brasileiro seja burro, infelizmente eu vejo isso como uma técnica de escravizar, de você se tornar refém de algumas instituições de educação particular”.

Com relação a ser professor de Educação Infantil, diz que se sente aquém pela sua formação e pouca experiência na Educação Infantil “eu me acho um pouco incompetente [...] falta know how. [...] As minhas ideias estão muito aquém das ideias que são propostas pelas minhas colegas que são extremamente competentes, [...] embora elas achem que eu colaboro muito”. Do seu desempenho no cotidiano escolar, diz que elabora estratégias com facilidade “[...] a gente pensou um teatro de fantoches, nós pensamos estrategicamente, estou falando como administrador, né? [...] Eu pela primeira vez consegui elaborar um boneco com material reciclado, porque as minhas habilidades artísticas são extremamente limitadas [...]”.

Sobre a Educação Infantil ser considerada uma profissão feminina, acredita que é uma questão cultural e que “existem divisões entre certas tarefas, certas funções, que na prática não são impeditivas pelo sexo”. Sente-se tranquilo, nunca teve problemas e que se acha mais bem aceito “no círculo de pais, do que algumas colegas minhas”. Inclusive, devido a esse bom vínculo com pais, muitos deles apesar dos filhos não estarem mais na escola, vem visitá-lo.

Quanto a homens ensinar crianças, acha absolutamente normal, “[...] eu colocaria meu filho para ser educado por um homem na pré-escola, se o cara é competente, é bom, não vejo nenhum empecilho”.

O professor André faz uma diferenciação entre educar e cuidar, para ele

cuidar é mais básico, é você suprir as necessidades físicas e fisiológicas da criança e mais nada. [...] Existe a educação nesse processo, só que ela não é muito evidenciada, ela é mais informal vamos dizer assim; não que não seja importante, é agregar um pouquinho menos valor.

Na Educação Infantilhá impasses a serem superados. Cuidar e educar é muito mais do que uma simples justaposição de palavras. É uma atividade relacional, que envolve além das necessidades físicas das crianças, suas individualidades, seus sentimentos, as intenções e os significados atribuídos nesse processo de humanização. Assim,

[...] O corpo é ao mesmo tempo expressão da subjetividade, da materialidade, da história e da cultura. [...] Na Educação Infantil, negar os corpos pode significar que educar crianças pequenas é acalmar, silenciar, tornar inertes seus corpos, preparando-as para o “futuro”, ocultando que há um trabalho “sujo” a ser feito. Cuidar do corpo de crianças pequenas – seja pela alimentação ou higiene – faz parte da necessidade que todas elas possuem de serem atendidas, independentemente de classe social, gênero, etnia ou credo religioso. Cuidar e receber cuidados corporais é

parte da história de nosso processo de humanização (1996 VIGARELLO apud SAYÃO, 2005 p.173).

O professor faz também uma diferenciação entre homens e mulheres quanto ao processo de cuidar e educar.

[...] O profissional homem que educa [...] pode ter competências iguais ou até superiores à mulher, claro que existe algumas diferenças. Biologicamente nós somos diferentes de vocês mulheres, principalmente no que tange à figura de autoridade, queira ou não, nós impactamos bem mais, apesar de sempre eu ser simpático com crianças; [...] elas (professoras) me usam como instrumento de intimidação [...] Apesar de ser homem e impactar bem mais, nós temos nossas diferenças de atuação em sala [...].

Permeiam o discurso do professor André as questões relativas à masculinidade. O modelo hegemônico masculino é explicitado considerando-se as questões históricas presentes no cotidiano escolar. Assim, o “homem” é solicitado quando a mulher não tem “controle da situação”, evidenciando o quanto a maioria feminina atesta a supremacia da minoria masculina (PAULA, 2004).

Ainda sobre as mulheres, diz ser um pouco mais imparcial na resolução de problemas, pois,

[...] a mulher tem muito do instinto materno queira ou não vocês são diferentes da gente. [...] Em determinadas situações vocês não agem como professoras, vocês agem como mulher, como mãe, os papéis, às vezes, se misturam um pouquinho. Eu como tenho uma visão um pouco diferente, de fora, por ser homem, uma vivência diferente das mulheres que fizeram Magistério, Pedagogia; por ser psicólogo também, principalmente, eu posso vir a contribuir expondo minhas percepções e diferentes métodos de abordar aquele problema (grifo nosso).

Nesse sentido, acompanhando as considerações de Sayão (2005, p. 252), baseada no argumento de Williams (1993), com relação a essas situações referidas pelo professor André, depreende-se que, de fato, “para a maioria dos homens que atuam em profissões femininas, a consciência de si mesmos está estritamente associada à competência técnica e ao bom êxito no trabalho, o que geralmente constitui ‘prova’ de sua masculinidade”.

O professor diz que gosta de trabalhar com crianças, mas que esta profissão não lhe dá alicerce financeiramente, assim pensa em desenvolver sua carreira enveredando por outras áreas, pois está fazendo pós-graduação (lato sensu) em Gestão Estratégica de Pessoas.

Diz que os meninos se identificam mais com ele, por ele ser homem e que percebe que as professoras têm uma coisa mais maternal, e se comportam de forma infantilizada com as crianças, inclusive elas próprias percebem que falam “igual criancinha. Eu não sou assim, eu trato criança como se fosse criança; [...] eu não exalto minha voz, sou um pouco mais enérgico, firme, [...] acho que os meninos gostam mais de mim exatamente por isso”. Quanto às meninas diz “[...] Eu sou carinhoso, mas dentre os dois públicos os meninos disparado são mais identificados comigo”.

Para o professor André, não há uma forma diferenciada de trabalhar com meninos e meninas. Declara que muitas coisas “colocadas” para o homem e para a mulher é pura convenção e “coisas” que abominam, por vezes são reforçadas na escola, refere-se ao fato da indicação: meninas, mulheres primeiro. Acredita que esse “cavalheirismo nada mais é do que uma manifestação de uma sociedade machista” e argumenta que acha necessário “dar a

preferência para uma pessoa, não por ela ser mulher, (mas) por uma questão de educação”.E conclui, “[...] no meu modo de ver a educação, eu não sou pedagogo, [...] teria que ser mais igualitária”.

6.2.2 Ver-se com os olhos do Outro

O professor André relata que para a sua família e para os seus amigos trabalhar na Educação Infantil é “absolutamente normal”. Entretanto, muitas pessoas acham que ele é professor de Educação Física e, quando sabem que ele é professor da Educação Infantil,

[...] o pessoal assusta. [...] Porque um cara do meu tamanho, [...] um homem fazendo isso ou ele é gay, ou então ele está com uma outra intenção para trabalhar nessa função, ou é um desocupado (risos), ou qualquer outra coisa, menos que seja um profissional sério. Eu sinto ainda isso, apesar de boa parte dos profissionais homens, que eu tive contato, são tão compromissados ou até mais que muita mulher.

Sobre como as pessoas da equipe escolar o veem, diz que o pessoal da faxina gosta