4. DISKUSJON
4.2.3 Variasjon i lengden av nematodene
A educação na teoria de Vigotski deve estar atenta aos processos de desenvolvimento da vida do educando. Educar para este pesquisador significa modificar comportamentos e hábitos culturais, além de integrar o aluno no universo dos conhecimentos científicos. Vigotski (2001, p.185 – 187) tece uma crítica bastante incisiva aos métodos tradicionais de educação. Ele expõe que a criança aprende pela experiência, a partir do seu desenvolvimento e da sua ação. A instituição de ensino que se propõe apenas a apresentar conteúdos e utilizar o antigo método pedagógico, no qual o professor “ensina” e o aluno passivamente apreende, não conseguirá muito mais do que algumas assimilações por parte dos indivíduos, negligenciando assim o desenvolvimento e o aprendizado de seus educandos.
Creiamos que o caminho que vai desde o primeiro conhecimento que a criança estabelece com um novo conceito até o momento em que a palavra e o conceito se convertem em propriedade sua é um complicado processo psíquico interno. Este momento encerra a compreensão da nova palavra, que se desenvolve paulatinamente a partir de uma idéia vaga, o próprio emprego dessa palavra pela criança e sua assimilação real como elo final. Temos tratado de expressar nos parágrafos anteriores este mesmo pensamento, a dizer que no momento que a criança penetra no significado de uma palavra nova para ele, o processo de desenvolvimento do conceito não termina, mas sim, começa. (VIGOTSKI, 2001, p.187).
A ideia de construir os conhecimentos e saberes da pessoa passa necessariamente pelos caminhos do desenvolvimento da psique e das capacidades cognitivas. Quando pensamos nesta construção em meio ao desenvolvimento, estamos falando de um conjunto de adaptações e assimilações que são mediados por diversas ferramentas disponíveis ao educando. Partindo do momento em que consideramos os processos de adaptações, somos levados a ter em conta a dialética das interações humanas. Temos então um movimento em que a cultura modifica profundamente o indivíduo que se encontra nela. Nesses processos não podemos pensar unilateralmente, considerando apenas o fato de o homem modificar a natureza. Na dialética das interações humanas, temos que o meio faz com que aqueles que
atuam sobre ele re-estruturem a sua ação. Vigotski explica que, no processo educativo, as habilidades naturais são profundamente influenciadas pela cultura do educando. A conduta e os processos mentais do aluno se adaptam aos conteúdos com os quais ele se relaciona.
Antes os psicólogos estudavam de maneira unilateral os processos de desenvolvimento cultural e de educação cultural. Procuravam averiguar que capacidades naturais condicionam a possibilidade do desenvolvimento da criança, em que funções naturais da criança o pedagogo deveria apoiar-se para introduzir-lhe uma outra esfera do cultural. Se analisava por exemplo como o desenvolvimento da linguagem e a aprendizagem da aritmética dependem das funções naturais e do crescimento natural da criança, mas não se analisava o contrário, ou seja, como a assimilação da linguagem e da aritmética transformam essas funções naturais, a profunda reorganização que introduzem em todo o curso do pensamento natural, como interrompem e deslocam as velhas linhas e tendências do desenvolvimento. O educador começa a compreender agora que, quando a criança se adentra na cultura, não somente toma algo dela, não somente assimila e se enriquece com o que está fora de si, mas que a própria cultura reelabora em profundidade a composição natural de sua conduta e dá uma orientação completamente nova a todo o curso de seu desenvolvimento. (VIGOTSKI, 1995, p.305).
Para que o aprendizado se faça efetivo, a motivação e o interesse do aprendiz são indispensáveis. Vigotski (2010 p.163) afirma que a “aprendizagem só é possível quando se baseia no próprio interesse da criança”. Trazer para a sala de aula o interesse do aluno significa entender como funcionam os mecanismos relacionados à motivação e à vontade. Vigotski (1995, p.295) diz que a vontade tem seu início em um estímulo, e que este é incentivado pela capacidade do professor de gerenciar o ambiente de ensino. O mestre exerce o seu papel quando influência o desenvolvimento do aluno, preparando-o para a investigação e a construção dos conhecimentos científicos necessários para a ação no âmbito cultural do próprio indivíduo. Assim, tanto os conhecimentos do aluno modificam a metodologia do educador, que precisa se adaptar àqueles sujeitos que compõem a sua turma, quanto o educador influencia a construção dos saberes do educando.
A teoria socio-histórica colocada neste capítulo se constituiu, à sua época, em uma forma inédita de se pensar o aprendizado e o desenvolvimento, reconsiderando inclusive a escola como instituição e local de aprendizado. Vigotski, ao estudar o desenvolvimento das funções superiores da mente, propôs uma pedagogia voltada para a humanização do
indivíduo. O olhar marxista permitiu-lhe ver o ensino como um fenômeno social, em que a formação do sujeito parte de sua relação com a cultura, que é socialmente construída pela ação humana, propondo então às instituições de ensino este olhar para desenvolver o aluno em meio ao seu contexto cultural. A própria educação é uma forma de disponibilizar as ferramentas que darão ao indivíduo a possibilidade de se apropriar dos conceitos culturais e modificá-los e adaptá-los a suas necessidades pessoais, que também se constroem no seio do corpo coletivo.
A mediação e o aprendizado que vêm do coletivo se tornam aqui palavras chaves para a construção do professor e daqueles que lideram os processos de ensino e aprendizado. O regente de canto coral atua ou deve atuar como este professor vigotskiano, ou seja, ele não ensina no sentido de impor conhecimentos; como um líder, o regente do coro amador estimula, incentiva e cria o ambiente propício à educação e expressão musical. O coralista, por sua vez, se desenvolve vocalmente tendo como ponto de referência o maestro e o grupo, pois entre si as pessoas aumentam sua qualidade e capacidade vocal. Pode se dizer que o som do coro está um passo à frente dos sons individuais, porque um media o aprendizado do outro; os cantores amadurecem e crescem vocalmente e socialmente, empurrando também o crescimento do coro.
Vigotski defende em seu trabalho que as funções superiores da mente, como a memória, a cognição, as emoções e a percepção, são construídos culturalmente. O canto coral atua sobre esses elementos através da construção de uma memória musical, que acontece com o desenvolvimento de uma forma de percepção bem específica da expressão artística, que influi sobre a relação do cantor com uma emocionalidade expressa em sons e com o aprendizado da partitura – que é uma ferramenta no desenvolvimento da percepção e memória musical – e permite a formação de novos signos relativos a uma nova forma de linguagem, com regras e escrita própria.
Pode-se dizer que Vigotski e sua pesquisa nos ajudaria a compreender os processos de ensino e aprendizagem no canto coral. Partimos, então, da premissa de que o canto coral se configura como uma ação coletiva de construção de conhecimentos. A atenção, a memória culturalmente construída e os conceitos culturais do coralista são parte integrante dos processos de ensino e aprendizado que envolvem a prática coral. Portanto, aqui a construção das ferramentas de expressão musical também parte do coletivo e do social para
depois se tornarem operações internas e individuais. Assim temos que a teoria socio-histórica poderia ser aplicada com precisão à análise das ações pedagógico-musicais do canto coral.