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5.3 Språk og livsfase

5.3.3 Variabel 02: <sj>lyden

“[...] é o aluno que aprende ao descobrir por si a magia e o encanto da literatura. Mediar esse processo de descoberta é o papel do professor, que só pode fazê-lo também ele como leitor.”

João Wanderley Geraldi30 Mais do que fazer por fazer, de atender às exigências dos Parâmetros Curriculares Nacionais; das Orientações Curriculares Nacionais e dos referenciais curriculares da instituição à qual estou ligada, quero me desvincular das práticas habituais e institucionalizadas (instrumentais e estruturais) para aderir às práticas interativas de leitura e produção de textos.

Cada grupo de alunos, cada escola, cada contexto me proporcionaram vivências que me transformaram e trouxeram movimento para a minha formação. Esse movimento foi me modificando, refletindo naqueles com os quais interajo, num contínuo de mudanças que colaboram para minhas escolhas profissionais.

Escolhi pensar a leitura em sala de aula como Geraldi (2010b, p.47) propõe: Ler para encontrar palavras que se escondem. Ler para fazer dialogarem palavras que se opõem. Ler sem pressa do consumo, ler com tempo sabendo que o tempo passa e é inexorável. Ler sem deixar-se levar, mas se permitir embalar pelas palavras. Com o propósito de:

■ Ensinar leitura literária e escrita a partir numa proposta interativa, como oferta de contrapalavras do leitor que além de decodificar, traz consigo objetivos, ideias e experiências prévias. Uma perspectiva em que o leitor precise se envolver em um processo de revisão e inferência contínua, que se apoie nas informações proporcionadas pelo texto e na sua própria bagagem, e em um processo que permita encontrar indícios ou rejeitar as previsões e inferências antes mencionadas.

■ Proporcionar uma prática de ensino, num processo interativo em que os leitores tragam suas contrapalavras, ao ativar seus conhecimentos prévios, estabelecer objetivos de leitura, esclarecer dúvidas, inferências, autoquestionar,

30 Geraldi, João Wanderley. Leitura e Mediação. In: Barbosa, Juliana; Barbosa, Marinalva Vieira, ORGS.

Leitura e Mediação: reflexões sobre a formação do professor -1ª. Edição. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2013.p. 25

resumir, sintetizar etc. Enfim, permitir ao leitor construir uma ideia sobre o conteúdo, extrair dele o que lhe interessa em função de seus objetivos e garantir um processo interativo em que o professor seja um mediador.

Por isso leitura e escrita devem ser trabalhadas juntas, articuladas, isto é, o produtor do texto, ao produzir seu texto, leva em conta o leitor, lançando mão de diversas estratégias, marcas e índices textuais, que o faz refletir sobre os recursos linguísticos utilizados durante o decorrer do ato da escrita, produzindo efeitos de sentido e, consequentemente, chegando ao seu projeto de dizer, rompendo, assim, com a antiga prática da reprodução de modelos de boa escrita.

Para a produção de um texto oral ou escrito, de acordo com Geraldi (1993, p.160), o usuário da língua, para assumir-se como locutor efetivo, precisa se considerar responsável pelo que diz, pelas ideias ou informações que apresenta e pela forma como as apresenta. Para isso, são condições fundamentais ter:

a. o que dizer;

b. uma razão para dizer o que se tem a dizer; c. para quem dizer o que se tem a dizer;

d. de escolher as estratégias para realizar (a), (b), (c).

Portanto, ninguém se assume como locutor, a não ser em interação com o outro, em que o locutor se assume como sujeito ativo-responsivo que, no ato da interação humana, leva em consideração o outro, o interlocutor (que tem posição social, cultura, identidade, conhecimento, pensamento etc).

“O locutor termina seu enunciado para passar a palavra a outro ou para dar lugar à compreensão responsiva do outro. O enunciado não é uma unidade convencional, mas uma unidade real , estritamente delimitada pela alternância dos sujeitos falantes, e que termina por transferência da palavra ao outro, por algo como um mudo “dixi” percebido pelo ouvinte, como sinal de que o locutor terminou.”(BAKHTIN, 2015, p.294)

Com o texto no centro do trabalho em sala nas aulas de Língua Portuguesa, de acordo com o exposto acima, o aluno, ao ler, em interação com o texto e com o professor mediador, constrói compreensões com base num objetivo (b e c) e em seus conhecimentos prévios (a e d).

Ao trazer o texto literário para a aula de língua portuguesa numa prática de ensino de leitura, acredito que os alunos possam aprender, lendo-o, tentando compreendê-lo nas suas diferentes nuances, falando e escrevendo a partir deles e não apenas servir-se dele como

fruição, como modelo; podem descobrir o que não é visível, experimentar sensações que, de outro modo, não alcançariam, conhecer mundos construídos que alargam horizontes e servem de compensação para a estreiteza de outras realidades, para, em sala de aula, utilizar a linguagem como instrumento mediador das comunicações discursivas, diariamente; promover diálogo com todos os textos: o texto literário, professor, aluno, ambiente, tempo, espaço.

Um trabalho de mediação em que a leitura e a escrita passem pela compreensão das relações interlocutivas, pelo outro (interlocutor∕compreensão ativa e responsável, contato entre sentidos - autor∕tema∕leitor) que interaja com o que está escrito, que contemple, dê sentido na e pela relações de contato entre sentidos. Um trabalho que crie uma situação em que os sujeitos interlocutores negociem os sentidos nesse espaço educativo e como textos potenciais se comuniquem, se expressem, mostrando sua posição no mundo, com o propósito de construir uma compreensão ativa que liga o que deve ser “compreendido a um novo círculo do que se compreende, determina uma série de inter-relações complexas, de consonâncias e multissonâncias com o compreendido, enriquece-o de novos elementos” (BAKHTIN, 1998, p.90 – 91).

Materializa-se o objetivo de, por meio das práticas de leitura de gêneros diversos, em especial o gênero literário, promover o leitor à condição de sujeito trabalhando a busca dos diferentes aspectos da realidade, conhecendo e compreendendo melhor o mundo e a si mesmo.