Devido à relevância da temática dos fatores contingenciais, esta será abordada num ponto em separado, pois constitui a base para algumas questões de investigação.
Diversos autores analisaram a influência que os fatores contingenciais têm ou tiveram nas empresas e nos modelos e métodos de gestão utilizados por cada uma delas. Devido à variedade dos fatores contingenciais, estes serão estudados em dois grandes grupos: os fatores contingenciais relacionados com as características do responsável financeiro e os fatores contingenciais relacionados com as características unidade hoteleira. Tendo em conta a diversidade de fatores contingências encontrados, neste estudo foram analisados os mais atuais e mais utilizados nos estudos mais recentes.
Diversos estudos analisam como fatores contingenciais a idade, o género e a formação dos responsáveis financeiros (Naranjo-Gil et al., 2009; Emsley et al., 2006; Úbeda-García et al., 2013; Luther e Longden, 2001; Haldma e Lääts, 2002; Shields, 1998; Clarke et al., 1999; Blake et al., 2000; Cohen et al., 2005; Strohhecker, 2016).
Naranjo-Gil et al. (2009) e Cohen et al. (2005) analisaram o fator contingencial da idade nos seus estudos e concluíram que responsáveis financeiros mais velhos tendem a ter mais resistência à aplicação de novos métodos e modelos de gestão. Esta tendência pode ser causada pelo facto da sua formação, bem como grande parte da sua carreira, ter sido baseada em modelos mais tradicionais, com os quais o responsável financeiro se sente mais familiarizado. Em contrapartida, os responsáveis mais jovens têm uma formação mais recente, com maior probabilidade de estarem mais familiarizados com os modelos e métodos de gestão mais recentes.
Naranjo-Gil et al. (2009) e Emsley et al. (2006) estudaram o fator contingencial formação e concluíram que o grau de formação, ou uma recente atualização ao nível da formação, influencia o uso de métodos e modelos menos tradicionais. Estes autores verificaram que os responsáveis financeiros com formações mais recentes tendem a utilizar e a implementar os métodos e os modelos mais recentes ao nível da gestão e da avaliação de desempenho, o que é espectável na medida em que os responsáveis financeiros estão mais familiarizados com esses métodos e modelos.
Úbeda-García et al. (2013) estudaram a formação promovida pelos hotéis para os seus colaboradores e concluíram que existe uma relação positiva entre a promoção de formação dos colaboradores por parte do hotel e o desempenho do hotel.
Luther e Longden (2001) e Haldma e Lääts (2002) também estudaram a influência do fator contingencial da formação nas empresas e concluíram que, quando os colaboradores envolvidos nas tomadas de decisão têm conhecimentos teóricos e/ou práticos sobre um determinado método ou modelo de avaliação de desempenho, existe mais propensão para que os mesmos sejam implementados na empresa. Já a inexistência desses colaboradores provoca um significativo entrave à mudança e à utilização de métodos menos tradicionais. Shields (1998), Clarke et al. (1999), Blake et al. (2000) e Cohen et al. (2005) concluíram, nos seus estudos sobre o fator contingencial da formação, que os responsáveis pela
contabilidade podem ser um entrave à mudança, mesmo que involuntariamente, devido à sua insuficiente formação e/ou desconhecimento dos métodos de avaliação de desempenho mais sofisticados.
Blake et al. (2000) estudaram o fator contingencial género e concluíram nos seus estudos que a maioria dos responsáveis financeiros são do género masculino.
Strohhecker (2016) também estudou o fator contingencial género e concluiu que os responsáveis financeiros do género masculino alcançam um melhor desempenho ao nível do crescimento das empresas do que os responsáveis financeiros do género feminino. Os fatores contingenciais do segundo grupo, relacionados com as caraterísticas da empresa, foram analisados por diversos autores (Otley, 1980; Libby e Waterhouse, 1996; Anderson e Lanen, 1999; Luther e Longden, 2001; Chapman, 1997; Chenhall, 2003; Khandwalla, 1972; Mia e Clarke 1999; Pavlatos e Paggios, 2009; Jones, 1998; Schmidgall et al., 1996; Barros, 2005; Jogaratnam e Tse, 2006; Gerdin, 2005; Libby e Waterhouse, 1996; Chang et al., 2003; Jermias e Gani, 2004; Hwang e Chang, 2003; Hsieh e Lin, 2010; Claver-Cortés et al., 2007; Ghosh e Chan, 1997; Clarke et al., 1999; Haldma e Lääts, 2002;Chenhall, 2003; Haldma e Lääts, 2002; Joshi, 2001; Innes et al., 2000 ; Clarke et al., 1999; Chenhall e Langfield-Smith, 1998; Libby e Waterhouse, 1996; Innes e Mitchell, 1995; Hoque e James, 2000; Soderberg et al., 2011; Lamminmaki, 2008; Vivel- Búa et al., 2015; Quesado et al. forthcoming), sendo os seguintes: competitividade, tipo de contabilidade praticada, forma jurídica, a integração numa cadeia hoteleira, a detenção do capital e a dimensão.
Relativamente ao estudo do fator contingência da competitividade diversos autores (Otley, 1980; Libby e Waterhouse, 1996; Anderson e Lanen, 1999; Luther e Longden, 2001; Chapman, 1997; Chenhall, 2003; Khandwalla, 1972; Mia e Clarke, 1999) concluíram que quanto mais competitivo, incerto e hostil for o ambiente externo à empresa, mais esta se torna propensa a utilizar métodos de avaliação de desempenho mais formais, mais desenvolvidos e menos tradicionais.
Os autores Pavlatos e Paggios (2009) concluíram que uma maior competição de preços também propicia a utilização de métodos de avaliação de desempenho mais desenvolvidos.
Pavlatos e Paggios (2009), Jones (1998) e Schmidgall et al. (1996) também analisaram a competitividade, mais especificamente no setor hoteleiro, e concluíram que quanto mais competitivo for o ambiente em que o hotel se encontra inserido, maior é a propensão para a utilização de métodos de avaliação de desempenho mais desenvolvidos e menos tradicionais, como é o caso do Balanced Scorecard.
Barros (2005) conclui ainda, no seu estudo, que a concentração de empresas hoteleiras, a nível geográfico, para além de aumentar a competitividade, resultava num fator de eficiência.
O fator contingencial detenção do capital foi estudado por Ghosh e Chan (1997), Clarke et al. (1999) e Quesado (forthcoming), estes autores concluíram que os métodos de avaliação de desempenho mais sofisticados são mais usados em empresas ligadas a grupos económicos do que nas restantes empresas. Em contrapartida, Haldma e Lääts (2002) concluíram, no seu estudo, não existir qualquer associação entre a detenção de capital de uma qualquer empresa e o método de avaliação de desempenho utilizado. Quesado et al. (forthcoming) também concluiu que no caso português as empresas com capital estrangeiro têm mais tendência a utilizar métodos de avaliação de desempenho mais sofisticados. Os autores Jogaratnam e Tse (2006) realizaram um estudo em que tentaram encontrar uma relação entre a cultura e estrutura da empresa, e o seu desempenho nas empresas do setor do turismo na Ásia. Para atingir este objetivo, foram questionados cento e oitenta e sete gestores hoteleiros de hotéis localizados na China continental, Hong Kong, Malásia e Singapura, de diferentes categorias. Alguns dos respondentes eram de cadeias hoteleiras internacionais, principalmente americanas. Este estudo concluiu que a estrutura do hotel está relacionada com o tipo de gestão praticada, mas nenhuma dessas variáveis está associada ao desempenho do hotel, independentemente do facto dos hotéis pertencerem ou não a cadeias hoteleiras.
Outros autores, como Gerdin (2005), Libby e Waterhouse (1996), Chang et al. (2003) e Jermias e Gani (2004) também estudaram a relação entre a estrutura contabilística e organizacional de uma empresa e os métodos de avaliação de desempenho utilizados, e todos concluíram que quanto maior for a descentralização da empresa e a interdependência dos diversos departamentos, mais propensa esta é à utilização de métodos de avaliação de desempenho mais modernos e desenvolvidos.
O fator contingencial da forma jurídica também foi estudado por Machado (2011). Neste estudo foram analisadas pequenas e médias empresas industriais portuguesas. O autor concluiu não existir nenhuma associação entre a forma jurídica de uma qualquer empresa e os métodos de avaliação de desempenho utilizados por essa empresa.
O fator contingencial de integração numa cadeia hoteleira foi analisado em diversos artigos; um deles foi escrito por Hwang e Chang (2003). Estes autores realizaram um estudo em Taiwan com o objetivo de verificar se o facto de um hotel estar integrado ou não numa cadeia hoteleira influência a gestão do mesmo e, por sua vez, o seu desempenho. O estudo foi aplicado a 45 hotéis, e as conclusões demonstraram que os hotéis que estão integrados numa cadeia hoteleira internacional são mais eficientes e apresentam um melhor desempenho que os hotéis independentes. Alguns anos mais tarde, Hsieh e Lin (2010) analisam a mesma questão em 57 hotéis, também em Taiwan, e concluíram que: os hotéis ligados a cadeias hoteleiras têm uma maior diversidade de oferta para além do alojamento (como animação, eventos, entre outros); que os departamentos ligados à restauração são mais eficientes; e que a celebração de contratos com outras entidades também se mostra mais eficiente, o que contribui significativamente para um melhor desempenho do hotel na sua globalidade.
Em contradição a estes resultados, um estudo realizado por Claver-Cortés et al. (2007) analisa a relação entre a dimensão dos hotéis, a sua integração ou não numa cadeia hoteleira e o desempenho do hotel. Nesse estudo foram realizados cento e catorze inquéritos a gestores hoteleiros de hotéis de três e quatro estrelas, localizados na província de Alicante, onde não foi encontrada nenhuma relação entre a dimensão e categoria dos hotéis e o seu desempenho, assim como o facto de um determinado hotel pertencer a uma determinada cadeia hoteleira não garante que o seu desempenho seja semelhante à dos restantes hotéis dessa mesma cadeia hoteleira. Estes resultados vêm confirmar a complexidade da gestão das empresas do setor do turismo.
Outro dos fatores contingenciais estudados é a dimensão das empresas. Este fator contingencial foi estudado por diversos autores, em diversas áreas incluindo no setor hoteleiro: Chenhall (2003), Haldma e Lääts (2002), Joshi (2001), Innes et al. (2000), Clarke et al. (1999), Chenhall e Langfield-Smith (1998a), Libby e Waterhouse (1996), Innes e Mitchell (1995), Hoque e James (2000), Pavlatos e Paggios, (2009), Woods (2009),
Abdel-Kader e Luther (2008), Cadez e Guilding (2008) e Vivel-Búa et al. (2015). Todos eles concluíram que, quanto maior a dimensão da empresa, mais esta é propensa ao uso de métodos de avaliação de desempenho mais sofisticados.
Os autores Soderberg et al. (2011) também analisaram este fator contingencial usando duas medidas distintas: o número de funcionários e o volume de vendas. Tal permitiu-lhes chegar a conclusões semelhantes, demonstrando assim que ambas as medidas são adequadas para a análise deste fator contingencial.
No caso específico do setor hoteleiro Lamminmaki (2008), também analisou o fator contingencial da dimensão, utilizando o número de quartos como variável. Este autor defende que no caso específico do setor hoteleiro, devido às suas especificidades, o número de quartos é a variável mais adequada para medir a dimensão.