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Vannkvalitet oppstrøms anadrom strekning i Otra

In document Laks og vannkvalitet i Otra 1990-2006 (sider 27-32)

Para a discussão da política pública de educação integral implementada pelos governos Lula por meio do Programa Mais Educação, cumpre analisar a legislação específica deste programa, cuja intencionalidade se configura na Portaria Interministerial n° 17/2007 e no Decreto n° 7.083/2010, e possibilita compreender aspectos que vão desde os objetivos até as possibilidades de implantação e implementação do programa. Observa-se que a portaria e o decreto são documentos fundantes do Programa.

Segundo a Portaria Interministerial n° 17/2007, o Programa Mais Educação tem como objetivo:

Art. 1° [...] contribuir para a formação integral de crianças, adolescentes e jovens, por meio da articulação de ações, de projetos e de programas do Governo Federal e suas contribuições às propostas, visões e práticas curriculares das redes públicas de ensino e das escolas, alterando o ambiente escolar e ampliando a oferta de saberes, métodos, processos e conteúdos educativos. Parágrafo único. O programa será implementado por meio do apoio à realização, em escolas e outros espaços sócio-culturais, de ações sócio-educativas no contraturno escolar, incluindo os campos da educação, artes, cultura, esporte, lazer, mobilizando- os para a melhoria do desempenho educacional, ao cultivo de relações entre professores, alunos e suas comunidades, à garantia da proteção social da assistência social e à formação para a cidadania, incluindo perspectivas temáticas dos direitos humanos, consciência ambiental, novas tecnologias, comunicação social, saúde e consciência corporal, segurança alimentar e nutricional, convivência e democracia, compartilhamento comunitário e dinâmicas de redes (BRASIL, 2007d, p. 2, grifos nossos).

A partir deste objetivo, é possível debater diversos pontos da Portaria Interministerial n° 17/2007, destacando tanto os avanços quanto as limitações da política pública de educação integral por ela normatizada. O primeiro aspecto a ser realçado é que, para o desenvolvimento deste programa, foram articuladas ações de quatro ministérios: Ministério da Educação, Ministério do Desenvolvimento social e Combate à Fome, Ministério da Cultura e Ministério do Esporte, as quais demarcam a relação interministerial proposta pelo Programa Mais Educação, segundo o qual, cada ministério se responsabiliza pelo desenvolvimento de projetos com estes acordados. As ações interministeriais são fundamentadas no PDE, que prevê, além do regime de colaboração entre os entes federados, o regime de colaboração entre os ministérios, o que possibilita a redução da destinação de recursos financeiros para a educação, uma vez que as atividades educacionais podem ser desenvolvidas por ações de outros ministérios. Observa-se, na análise junto às metas do PNE, um indício de parceria com outros espaços para o desenvolvimento de ações que visam à ampliação da jornada escolar. O regime de colaboração vem se desenvolvendo em forma de parcerias que ultrapassam a relação entre entes federados, chegando ao chão da escola.

Analisando a articulação entre os diversos ministérios para o desenvolvimento do Programa Mais Educação, depreende-se que profissionais formados e capacitados são garantidos somente no âmbito das ações do MEC, haja vista que ações advindas de outros ministérios e outras entidades da sociedade civil abrem possibilidade para atuação de monitores e estagiários. Também se infere, desta proposta, a ascensão da participação voluntária no desenvolvimento de programas educacionais, aspectos que marcam a reconfiguração do projeto neoliberal, no qual a sociedade civil assume um papel estratégico no desenvolvimento do país, tornando-se, assim, além de carente de educação, também responsável pela manutenção dela. Este aspecto requer mencionar que a presença do voluntariado na educação, no sentido como vem sendo sugerido, caracteriza uma ação voluntária cujo conteúdo é a colaboração com o sentimento de responsabilização. Tais marcas conferem um valor diferente à cidadania considerada “responsável”, defesa dos adeptos da Terceira Via, contrariamente à cidadania reivindicativa, que cobra as responsabilidades do Estado.

Um segundo ponto a ser elencado é a finalidade do programa:

Apoiar a ampliação do tempo e do espaço educativo e a extensão do ambiente escolar nas redes públicas de educação básica de Estados, Distrito Federal e municípios, mediante a realização de atividades no contraturno escolar, articulando ações desenvolvidas pelos Ministérios integrantes do Programa (BRASIL, 2007d, p. 2).

A ampliação do tempo escolar, assim, pode ser compreendida como o desenvolvimento de atividades “extracurriculares”, por meio de propostas recreativas e desportivas, realizadas no contraturno escolar. Já como ampliação do espaço escolar, entende-se a realização destas atividades em lugares que não o escolar, como em clubes, praças e outros espaços públicos ou privados.

Com base nesta compreensão, a ampliação do tempo de permanência do aluno na escola é vista como forma de prevenir e combater:

[...] o trabalho infantil, a exploração sexual e outras formas de violência contra crianças, adolescentes e jovens, mediante sua maior integração comunitária, ampliando sua participação na vida escolar e social e a promoção do acesso aos serviços sócio-assistenciais do Sistema Único de Assistência Social – SUAS (BRASIL, 2007d, p. 2).

Nesta citação, é clara a visão assistencial atribuída ao Programa Mais Educação, já que, se a criança permanece em período integral na escola, está parcialmente isenta da vulnerabilidade social. Esta prática é uma medida que ameniza alguns dos problemas sociais, como a fome e a exploração infantil, mas que, no entanto, não os resolve, haja vista que o fato de o aluno permanecer em período integral na escola não garante a superação da condição vulnerável em que vive, tão pouco altera a estruturação societária capitalista que produz as mazelas sociais.

Decorrente dessa ampliação da permanência do aluno na escola, e considerando que é facultada às escolas a elaboração do próprio projeto pedagógico, ressalta-se aqui a preocupação com as atividades que serão desenvolvidas. As atividades “extracurriculares” podem não contribuir com a requerida “educação integral” caso assumam no interior das escolas a feição de atividades de contraturno, sendo escolhidas de forma aleatória, sem relação com a proposta pedagógica. O resultado, neste caso, será a ampliação do tempo de

permanência com atividades variadas, porém desprovidas de significado na formação do aluno.

Outro aspecto assinalado nesta portaria é a necessidade de capacitação de gestores e profissionais para atuarem no Programa Mais Educação. Se por um lado este aspecto é positivo, por outro, serve para nortear a ação dos gestores e profissionais, que devem atuar sustentados no princípio neoliberal de captação de recursos, tendência pela qual não mais o Estado responsabiliza-se pela manutenção da educação, mas a prevê sendo realizada com a ajuda mútua, a ação voluntariada e com a captação de recursos, por meio das mais diversas estratégias. Além desse aspecto relacionado à gestão, ressalta-se que a capacitação traz o novo ideal de escola e de profissional, que, no âmbito da educação integral, precisa ser propositivo, protagonista, colaborador, adjetivos que caracterizam substantivamente o conteúdo da cidadania na Terceira Via.

Após a Portaria Interministerial n° 17/2007, foi lançada a trilogia de cadernos Série Mais Educação – assunto que será discutido na seção seguinte – e que teve por objetivo “[...] contribuir para a conceituação, a operacionalização e a implementação do Programa Mais Educação” (BRASIL, 2009, p. 6). Essa discussão culminou na aprovação do Decreto n° 7.083/2010, o qual apresentou o conceito de educação integral, as atividades a serem desenvolvidos durante o período ampliado, os espaços a serem utilizados, os princípios e objetivos, a responsabilidade de cada ente federado no desenvolvimento do programa, e, ainda, as dotações orçamentárias das suas despesas. Cabe ressaltar que este Decreto reforça as ações em curso desde o ano de 2007.

Segundo este documento, a educação básica de tempo integral corresponde “[...] a jornada escolar com duração igual ou superior a sete horas diárias, durante todo o período letivo, compreendendo o tempo total em que o aluno permanece na escola ou em atividades escolares em outros espaços educacionais” (BRASIL, 2010, p. 1). Neste documento, também se percebe o foco na educação de tempo integral e não na educação integral. Verifica-se a ênfase no tempo de permanência na escola.

É afirmado, ainda, neste decreto, que a ampliação do tempo de permanência dos alunos na escola poderá ser realizada mediante o uso de espaços diferenciados, por meio do desenvolvimento de atividades que contemplem:

[...] acompanhamento pedagógico, experimentação e investigação científica, cultura e artes, esporte e lazer, cultura digital, educação econômica, comunicação e uso de mídias, meio ambiente, direitos humanos, práticas de prevenção aos agravos à saúde, promoção da saúde e da alimentação saudável, entre outras atividades (BRASIL, 2010, p. 1).

Novamente, comprova-se a sugestão de utilização de outros espaços para a realização das atividades propostas ao Programa Mais Educação. Ressalta-se também a ênfase dada ao desenvolvimento do Programa por meio do regime de colaboração entre os entes federados, os diversos ministérios e, em articulação, com a sociedade civil, questão já mencionada neste trabalho e que se desenvolve no contexto neoliberal em que uma nova cidadania é exigida e incentivada: uma cidadania participativa e colaborativa, que promova um desenvolvimento social harmônico, livre de conflitos e reinvindicações.

O estabelecimento da necessidade do regime de colaboração está fundamentado no “Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação”, que institui, no capítulo IV, seção II, o PAR, que, segundo Saviani (2009), se traduz numa estratégia federal de responsabilização essencialmente dos estados e municípios pela qualidade da educação escolar e, quando observada a insuficiência de recursos, prevê o desenvolvimento educacional em articulação com outros ministérios.

Realizadas estas considerações em torno dos dispositivos legais sobre o Programa Mais Educação, vale destacar a discussão de Silva (2013b), que afirma que a legislação é oscilante e não define de que maneira a proposta de educação integral será implantada, sustentada e desenvolvida. Porém o caminho até o momento percorrido na análise dos documentos citados permite apontar a ênfase no tempo em que o aluno permanecerá na escola. É na perspectiva de compreender estas questões, citadas por Silva, que se analisa a trilogia de cadernos Série Mais

Educação e os Manuais Operacionais de Educação Integral (2010, 2011, 2012, 2013

In document Laks og vannkvalitet i Otra 1990-2006 (sider 27-32)