A primeira categoria comum analisada refere -se ao significado da educação desenvolvida para gestores voltada ao tema sustentabilidade, conforme pode ser visto nos Quadros 7 e 7a em seguida.
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A perspectiva dos mentoresQua dro 7: Sig nificado de educa ção pa ra gesto res volta da à sustentabilida de
Mentor 1
- Significa desenvolver o pensamento sistêmico na equipe de liderança, para que eles considerem as três dimensões (social, econômica e ambiental), em qualquer decisão referente a pessoas, a .negócios ou a processos.
- Significa também desempenhar esse papel de liderança diferenciada em qualquer outro aspecto da vida, além do profissional.
Mentor 2 - Significa maximizar a capacitação profissional dos gestores. - Significa usar a visão sistêmica – olhar todos os públicos de relacionamento que você tem e as conseqüências de suas ações.
- Significa comprometer as pessoas com os resultados.
Mentor 3
- Significa fazer as pessoas caminharem para um objetivo único, que é uma visão de longo prazo, um pensamento mais abrangente, um pensamento sistêmico.
- Significa ter um direcionamento de como é que se vai caminhar em relação ao tema da sustentabilidade.
- Significa trabalhar o gestor como o abre-portas do tema, como o orientador, o que vai dar o norte e a diretriz para que isso aconteça.
Parece haver similaridade nas respostas dos mentores do programa ao afirmarem que educar gestores para sustentabilidade significa desenvolver neles o pensamento e a visão si stêmica. Este aspecto, fortemente trabalhado no programa de desenvolvimento de líderes para sustentabilidade na rede, e observado pela pesquisadora, tem a intenção de possibilitar aos gestores reconhecer e examinar os fenômenos multidimensionais, reconhece r e tratar as realidades contraditórias, reconhecer e respeitar as diferenças e as unicidades, reconhecer e considerar as partes que constituem o todo e o todo com suas partes constituintes, reconhecer e compreender a interdependência de tudo e de todos e, por fim, reconhecer e equilibrar as dimensões ambiental, econômica, social, política e cultural ao tomar qualquer decisão, seja no âmbito profissional e/ou pessoal.
Este modelo de pensamento, de acordo com Mariotti (2007) e chamado pela escola de Toronto - de pensamento integrador - permite alcançar um grau de ampliação de consciência, em que é possível ter uma relação aberta com o mundo: lidar com o presente sem tentar escapar para futuros ou passados idealizados e sem perder a postura pragmática que deve orientar os atos da vida mecânica (negócios, técnica, economia), mas acrescentando os benefícios da criatividade, da intuição, da solidariedade e do cuidado com os outros e com o mundo natural.
Para Mariotti (2007), o pensamento tradicional, mais r educionista, leva a visões de mundo unidimensionais. Morin (2004) compartilha desta afirmativa ao mencionar que as sociedades contemporâneas estão em sua época histórica, mas o pensamento humano ainda está em sua pré -história.
Segundo os mentores do programa, o desenvolvimento do pensamento sistêmico e a conseqüente ampliação da consciência nos gestores sobre o tema sustentabilidade, os coloca como os grandes orientadores, uma vez que são eles que fornecerão as “diretrizes” e o “norte” do caminho a seguir .
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A perspectiva dos gestores participantesDe acordo com as respostas mostradas no quadro a seguir, quatro entrevistados atestam que educar gestores para a sustentabilidade significa conscientizar este grupo (que exerce uma forte influência em todas as camadas da organização) no tema, “abrindo suas mentes” e ampliando seus horizontes, de forma a fazer gestão de negócios e de pessoas de maneira diferente, mais inclusiva. Neste sentido, ampliar a consciência dos gestores, a partir de ações educativas volt adas à sustentabilidade como o programa objeto deste estudo, parece fazer todo o sentido, para que a visão de mundo seja mais abrangente e integrada.
Qua dro 7a : Sig nifi cado de edu cação pa ra ges tores vol tada à s usten tab ili dade
Gestor 1 - Significa despertar nos gestores uma causa (entender a sustentabilidade como um novo propósito de vida).
Gestor 2
- Significa “pavimentar” o futuro e conscientizar quem tem influência (os gestores). - Significa que você está criando caminhos a partir dos gestores, abrindo novos espaços para adesões e participações, ampliando mentes e criando novos horizontes.
- Significa passar informações e dar exemplos.
Gestor 3 - Significa vender o que você acredita: o desenvolvimento sustentável e, em seguida, levar para frente o conceito.
Gestor 4 - Significa uma redescoberta da educação fundamental, que envolve valores, visão de mundo, etc - Significa fazer a coisa certa (seu negócio), do jeito certo (de forma honesta).
Gestor 5 - Significa “ligar o radar” dos gestores (tudo o que passar ao redor eles vão mapear: vão olhar o negócio de um jeito diferente, fazer negócios diferentes, olhar para as pessoas com um olhar de desenvolvimento).
Gestor 6 - Significa dar continuidade no conceito que você acredita, pois o gestor é o melhor multiplicador desse conhecimento. Gestor 7 - Significa levar o tema sustentabilidade para frente (é um desafio). - Significa como gerar resultados sustentáveis para a empresa.
Gestor 8
- Significa ter um líder inspirador como exemplo.
- Significa não interagir com empresas que agridam o meio-ambiente. - Significa não fazer negócios objetivando única e exclusivamente o lucro. - Significa treinar seus funcionários no tema sustentabilidade - criando melhores cidadãos, melhores gestores e melhores líderes para o futuro, não só dentro da empresa, mas nas comunidades também.
Gestor 9 - Significa disseminar, fazer o efeito onda, para mudar a sociedade e o mercado. Gestor 10 - Significa conscientizar as pessoas no que deve ser feito, de fazer os negócios da maneira correta.
Gestor 11 - Significa a conscientização no tema da sustentabilidade (inserir os gestores). - Significa valorizar as ações que ocorrem no dia-a-dia, a atitude das pessoas, essa responsabilidade que cada um tem para cuidar do todo.
Gestor 12 - Significa criar um mundo melhor, criar um mundo possível de ser vivido daqui para frente.
Assim, parece que o grande desafio, conforme Mariotti (2007) e corroborado por este grupo de entrevistados, é uma conscientização que dê suficiente ênfase aos resultados econômicos, sem esquecer os aspectos humanos e ambientais e dê suficiente destaque aos aspectos humanos e ambientais, sem esquecer os resultados econômicos. Estas respostas trazidas por estes profissionais, especificamente, coincidem com a perspectiva dos mentores discutida no Quadro 7 acima.
Sob uma ótica complementar, quatro respondentes indicaram que educar gestores para sustentabilidade significa promover resultados sustentáveis para a empresa (visão de longo prazo), fazendo negócios certos e de maneira correta. Assim, a educação deste grupo para o tema da sustentabilidade parece
favorecer uma avaliação mais profunda de como as decisões de hoje (curto prazo) impactam o futuro dos negócios e da sociedade como um todo.
Reforçando o posicionamento destes gestores, Mattarozzi e Trunkl (2008) confirmam que esta nova maneira de abordar o ambiente de negócios do setor financeiro sob o prisma da sustentabilidade, abre novas oportunidades econômico -financeiras, além de minimizar os riscos de c rédito e de reputação associados a estas operações bancárias. Segundo estes autores, o universo empresarial e, particularmente o das instituições financeiras, vêm se adaptando a esta nova demanda contemporânea para poder continuar produzindo desenvolvimento econômico de maneira perene.
Um outro aspecto destacado por quatro respondentes é que educar gestores para sustentabilidade significa disseminar o tema, multiplicar o conhecimento, levar adiante o conceito e a prática. Pela fala de alguns, é como se a partir da disseminação realizada pelos gestores, fosse “aberto um caminho” para o tema na empresa, estabelecida a diretriz geral - a causa principal pela qual a organização se engaja e se mobiliza.
Este tipo de resposta reforça fundamentalmente a responsa bilidade atribuída aos gestores como pólos irradiadores do tema sustentabilidade, seja pelo exemplo, seja pela posição hierárquica que eles ocupam no contexto organizacional.
Todavia, estes comentários pouco verbalizam ações mais concretas que elucidem práticas estabelecidas pelos gestores ou medidas tomadas, que revelem como eles operacionalizam os princípios da sustentabilidade, a partir do que aprenderam. É inegável a relevância que os gestores possuem nesse processo de disseminação do tema, mas educá -los para a sustentabilidade, não pode e não deve ficar reduzido somente a este aspecto.
Ainda analisando os dados do Quadro 7a anterior, três respondentes, sob um viés mais humanístico, consideraram que educar gestores para a sustentabilidade significa c ontribuir para a criação de um mundo melhor, com
pessoas melhores, líderes melhores, cidadãos melhores. Esta posição parece estar fracamente conectada à dimensão empresarial (até um pouco romanceada), além de demonstrar um certo tom de “salvador da pátria” atribuído ao gestor.
A criação ou a existência de um mundo melhor a partir da educação de gestores para a sustentabilidade, parece se constituir como reflexo ou conseqüência de uma atuação consciente, multilateral, responsável e abrangente de cada indiví duo e não simplesmente algo que se recebe pronto, feito por “terceiros”.
O discurso destes gestores parece muito mais de um desejo ou de um ideal a ser atingido, do que um relato real, que demonstre como conduzir ações de acordo com os conceitos ineren tes a uma gestão sustentável. Não há, neste sentido, nenhuma menção por parte destes profissionais especificamente, que aborde exemplos da atuação de gestores “educados para o tema sustentabilidade”, tais como: falar sobre o assunto com diferentes públicos em nome da empresa; articular soluções para a comunidade com diferentes stakeholders; realizar novos negócios a partir do tema, dentre outros.
Por fim, o Quadro 7a anterior apresenta também os comentários de dois entrevistados que destacam a existência de um líder inspirador (exemplo), como fundamental quando se aborda a educação de gestores para a sustentabilidade. Conforme estes gestores, este líder -modelo ajuda no processo educativo, pois seu exemplo é pedagógico, no sentido das atitudes coerentes com as palavras, das ações como reflexo de suas emoções e da visão correspondente à sua missão.
Esta ideia do líder como exemplo apresentada por estes dois gestores, está alinhada ao quinto princípio apresentado por Orr (1991), no intuito de repensar a educação (citado na seção 3.2), em que o autor destaca o poder e a importância do exemplo sobre as palavras. Para este autor é absolutamente
emergencial que surjam administradores e/ou educadores que atuem como modelos/exemplos de integridade, atenção e respeit o às pessoas e ao planeta.
A noção do líder inspirador pode também conter em sua concepção a ideia de que este líder “poliniza” o meio em que ele está inserido. De qualquer maneira, parece ser até certo ponto, um pouco restritivo atribuir a uma única pessoa - a um líder principal - a ação de educar gestores para a sustentabilidade, pois quando esta pessoa deixa a organização, o tema pode deixar de existir também.
4.4.2 Significado da educação de gestores para sustentabilidade aplicada aos