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O tempo é um aspecto crucial para o estudo dos processos de evolução e mudança que ocorrem na língua de especialidade. Contudo, a ocorrência desses processos não acontece ao mesmo tempo e no mesmo espaço.
Özsoyoğlu demonstra a necessidade de ter em conta o aspecto tempo para delimitar a ocorrência de algum fato: “TIME is an important aspect of all real-world phenomena. Events occur at specific points in time; objects and the relationships
among objects exist over time.” (Özsoyoğlu, 1995:513).
O fator tempo é relevante para o desenvolvimento do trabalho terminológico, dentre as tarefas importantes, podemos referir: a descrição das significações que um termo pode absorver ao longo de sua existência; a identificação dos tipos de relações e sua classificação; a descrição dos elementos que constituem um conceito e que por sua vez, caracterizam a evolução dessa unidade, etc.
A observação dessas ocorrências ao longo do tempo é um trabalho que deve ser realizado a partir da delimitação de um dado período específico de tempo.
Apesar de essa tarefa ser relevante para a identificação e a atestação dos conceitos e das significações e ainda dos termos que surgiram num dado momento da língua, reconhecemos que a delimitação do período não é uma tarefa muito fácil considerando a dificuldade que é precisar o momento do surgimento de um novo conceito ou de uma nova significação ou ainda a reutilização desses elementos por um termo que já existe em distintos espaços do tempo.
A esse respeito, Combettes e Marchello-Nizia reconhecem a dificuldade que é delimitar um dado período em função do objetivo do estudo. Nas palavras dos autores: “la reconnaissance de “périodes” pose forcément problème dans la mesure où il s’agit de déterminer des ruptures dans ce qui apparaît comme un continuum.” (Combettes e Marchello-Nizia, 2008:355).
Tartier (2004) refere-se à atestação das ocorrências, tendo em conta um dado período do tempo. Diz-nos a autora que, os dados são constituídos por um conjunto de formas terminológicas datadas parcialmente em períodos munidos de ordem cronológica. Tartier ainda acrescenta que um período é um conjunto de formas cujas datas de atestação pertencem a um intervalo do tipo “data-período-duração”: “Les données sont constituées d’un ensemble de formes terminologiques datées partitionné en périodes munies d’un ordre chronologique. Une période est un ensemble de formes dont les dates d’attestations appartiennent à un intervalle (date, début, durée) nommé en-tête temporel.” (Tartier, 2004, p.56).
Mesmo sabendo da dificuldade que é estipular um certo período do tempo em função da observação de uma dada realidade, é certo afirmar que, nesse espaço ou
intervalo do tempo, os processos de evolução e de mudança são realidades que convergem para uma interação e integração a fim de fundamentar uma melhor explicação e entendimento, por exemplo, da relação conceito/termo sob o nível diacrônico.
No âmbito desse estudo, cabe referir que os distintos processos apresentam particularidades que de certa maneira, acabam por ser complementares.
Marchello-Nizia refere-se à mudança como um fenômeno linguístico que subsidia a ocorrência de uma dada evolução: “Nous faisons une distinction entre le “changement”, qui est le phénomène linguistique de surface que tout un chacun peut observer, et l’“évolution”, qui est le phénomène non visible qui sous-tend le changement, et que le rôle du linguistique est de mettre au jour.” (Marchello-Nizia, 1999:31).
Por seu turno, Tartier (2004) nota que para se identificar o processo de mudança faz-se necessário observar a natureza dos objetos, por sua vez, o processo de evolução tem em conta a ocorrência dessas mudanças ao longo do tempo: “Changement et évolution ne sont pas synonymes. Certains changements sont éphémères. Il n’y a évolution que lorsque le changement est confirmé. Mesurer l’évolution ne consiste donc pas uniquement à repérer des occurrences de changements. En simplifiant un peu, on pourrait avancer que pour repérer un changement il faut observer la nature des choses alors que pour repérer une évolution il faut caractériser les changements au cours du temps.” (Tartier, 2004:56)
Assim, segundo estas citações, a mudança é um processo de base para a ocorrência da evolução.
Reconhecer a existência da evolução é ter em conta que a mudança ocorrida no conceito, através da absorção de novas características e/ou propriedades, possibilita a denominação de uma dada realidade num dado espaço do tempo.
Sager (2000) destaca as características evolutivas e dinâmicas da terminologia. Segundo o autor, tais características refletem uma relevância pelo fato de que: “d'abord parce que les connaissances humaines, que la terminologie reflète, sont en évolution perpétuelle, et ensuite parce que les éléments lexicaux disponibles existent
en nombre limité, ce qui oblige à les réutiliser en les combinant de toutes sortes de façons.” (Sager, 2000:49-50).
A evolução da língua pode ser examinada a curto, a médio ou a longo prazo. A esse respeito, Guillaume (2010) diz-nos que a compreensão do fenômeno da evolução de uma língua a longo prazo permite melhor considerar as suas transformações que aparecem num curto espaço de tempo.
O autor ainda refere-se que a língua é um sistema em contante mudança. Guillaume (2010) refere-se que a assimilação do processo evolutivo desse sistema pode assegurar uma característica de modernidade que seja fiel ao seu funcionamento sintático, morfológico e semântico.
Por sua vez, Combettes e Marchello-Nizia (2008) referem que a mudança linguística é geralmente considerada um movimento contínuo, embora algumas vezes possa parecer mais ou menos estável do que outros.
Esses mesmos autores notam que as várias partes e subpartes do sistema linguístico não mudam todos da mesma maneira e na mesma velocidade.
Assim, conforme Combettes e Marchello-Nizia (2008), é necessário reconhecer que internamente no conjunto de mudanças de uma língua, há alterações que, embora singulares e distintas, uma das outras, têm em comum o fato de contribuírem para um mesmo movimento orientado para a reorganização do sistema.
Considerando o quadro de estudo sobre a evolução e a mudança que refletem o comportamento da relação conceito/termo, podemos falar sobre a sincronia e a diacronia como fenômenos complementares que viabilizam os estudos diacrônicos em Terminologia.