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O c´orpus de express˜oes de referˆencia humana GRE3D7 ´e uma extens˜ao do GRE3D3, contendo 4480 express˜oes de referˆencia (VIETHEN; DALE, 2011). Na data de sua di-

vulga¸c˜ao, era o maior c´orpus de express˜oes de referˆencia humanas at´e ent˜ao publicamente dispon´ıvel. Sua cria¸c˜ao foi motivada pelo fato de que os dados de c´orpus existentes at´e ent˜ao faziam uso de contextos simples e frequentemente abstratos, ao inv´es de contextos mais realistas. Al´em disso, baseado na natureza n˜ao-determin´ıstica do processo de sele¸c˜ao de conte´udo para gera¸c˜ao de uma express˜ao de referˆencia, os c´orpus devem ter uma grande massa de dados e conter express˜oes de referˆencia de um n´umero variado de participantes

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para cada cen´ario (VIETHEN; DALE, 2011).

Assim como o c´orpus GRE3D3, as cenas mostradas aos participantes s˜ao cenas tridimensionais, contendo figuras geom´etricas simples. Por´em, diferentemente de seu an- tecessor, as cenas do c´orpus GRE3D7 s˜ao compostas de sete objetos, sendo quatro de uma cor, e os outros trˆes de outra. A rela¸c˜ao entre o objeto-alvo apontado por uma seta na cena e o ponto de referˆencia nunca ´e uma rela¸c˜ao ´unica, ou seja, se o objeto-alvo possuir uma rela¸c˜ao espacial horizontal com algum ponto de referˆencia, outras duas entidades da cena possuem esta mesma rela¸c˜ao entre si.

O projeto do experimento GRE3D7 foi feito com base em cinco hip´oteses:

1. Um ponto de referˆencia de tamanho maior ´e mais saliente que um ponto de referˆencia menor, e tem maior chance de ser selecionado como rela¸c˜ao espacial ao objeto-alvo.

2. Um ponto de referˆencia que possui o mesmo tamanho que outros pontos de referˆencia ´e menos saliente que um ponto de referˆencia com tamanho ´unico, o qual tem maior chance de ser selecionado como rela¸c˜ao espacial ao objeto-alvo.

3. Um ponto de referˆencia que ´e visualmente diferente do objeto-alvo tem maior pro- babilidade de ser selecionado para compor uma referˆencia ao objeto-alvo do que um ponto de referˆencia semelhante ao objeto-alvo.

4. Quanto mais semelhante um ponto de referˆencia for do objeto-alvo, mais os dois parecer˜ao ser um ´unico objeto. Quanto mais parecerem um ´unico objeto, maior ´e a probabilidade de serem mencionados juntos.

5. O atributo relacional no topo de tem uma maior probabilidade de ser utilizado do que atributos relacionais laterais, como `a direita de e `a esquerda de.

A cada participante, foram apresentadas 16 cenas de um dos dois conjuntos uti- lizados no experimento. Nestas cenas, o uso de atributos relacionais n˜ao era necess´ario para distinguir os objetos-alvo. Com o intuito de evitar que os participantes descobrissem este padr˜ao, cada uma das 16 cenas foram intercaladas com cenas que n˜ao representavam condi¸c˜oes do experimento, conhecidas como fillers. Nos fillers, fazia-se necess´ario o uso de atributos relacionais para distin¸c˜ao do objeto-alvo dos demais objetos do contexto. Desta forma, foram apresentadas 32 cenas aos participantes, embora apenas 16 representem condi¸c˜oes do experimento.

O experimento GRE3D7 teve participa¸c˜ao de 318 nativos da l´ıngua inglesa. Des- ses, 294 completaram as 32 cenas. Dos participantes, 54% eram do sexo feminino. Dos

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Figura 11 – Exemplo de cena mostrada ao participante no experimento do c´orpus GRE3D7

Fonte: (VIETHEN; DALE, 2011)

294 participantes do experimento, cinco foram descartados por gerarem express˜oes de re- ferˆencia amb´ıguas. Al´em desses, outros dois participantes foram tamb´em descartados por suas express˜oes de referˆencia n˜ao convergirem com o prop´osito real do experimento. Com isso, restaram 287 participantes, contabilizando 4480 express˜oes de referˆencia.

Na an´alise dos resultados, viu-se que apenas 81 das 4480 express˜oes (1,8%) fizeram men¸c˜ao `a localiza¸c˜ao do objeto-alvo na cena, como na descri¸c˜ao “A bola azul `a direita”; e das 600 express˜oes de referˆencia que fizeram uso de atributos relacionais, apenas dez (1,7%) fizeram men¸c˜ao `a localiza¸c˜ao do ponto de referˆencia, como na descri¸c˜ao “A pequena bola pr´oxima ao cubo grande `a esquerda”. Ainda tratando dos atributos n˜ao-relacionais, foi observado ampla utiliza¸c˜ao do atributo cor : 98,7% de todas as express˜oes fizeram men¸c˜ao `a cor do objeto-alvo e 86,8% das express˜oes de referˆencia relacionais fizeram men¸c˜ao `a cor do ponto de referˆencia. Men¸c˜oes ao tamanho do objeto-alvo foram feitas em 57,8% das descri¸c˜oes, e 54,8% das descri¸c˜oes relacionais fazem men¸c˜ao ao tamanho dos pontos de referˆencia.

Das 4480 express˜oes de referˆencia, 600 (13,4%) fazem men¸c˜ao a rela¸c˜oes espaciais. Em m´edia, mais da metade dos participantes do experimento (50,3%) utilizaram rela¸c˜oes espaciais em 22,7% de suas descri¸c˜oes, ou seja, estes participantes assumiram suas pr´oprias estrat´egias no uso de rela¸c˜oes espaciais de acordo com o contexto. Por outro lado, viu-se que 135 participantes n˜ao fizeram nenhuma men¸c˜ao a rela¸c˜oes espaciais, enquanto apenas seis participantes utilizaram rela¸c˜oes espaciais em todas as cenas.

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ao esperado: rela¸c˜oes espaciais com pontos de referˆencia que possuem o mesmo tamanho que outros objetos do contexto s˜ao significativamente mais prov´aveis de serem inclusas em express˜oes de referˆencia do que rela¸c˜oes espaciais com pontos de referˆencia de tamanho ´

unico. Para as hip´oteses 3 e 4, viu-se que pontos de referˆencia que compartilham a mesma cor que o objeto-alvo tˆem maior probabilidade de serem selecionados. Quanto `a hip´otese 5, pode-se confirmar que o atributo no topo de ´e prefer´ıvel a atributos relacionais laterais, novamente confirmando estudos como Arts et al. (2011).

Os c´orpus GRE3D3 e GRE3D7 mostram-se ´uteis ao presente trabalho por apre- sentarem dados relevantes sobre a varia¸c˜ao do comportamento humano na sele¸c˜ao de atributos e propriedades para compor uma express˜ao de referˆencia. Al´em disso, o c´orpus GRE3D7 possui uma grande variedade de express˜oes de referˆencia de diferentes partici- pantes, dispon´ıveis anotadas semanticamente. Estes fatos contribu´ıram para que estes c´orpus tenham sido escolhidos para os experimentos feitos neste trabalho, conforme apre- sentado no Cap´ıtulo 6.